Depois que escrevi o “Quarto Secreto”, Deus pela sua imensa graça e misericórdia levou-me ao site da “Oração Centrante” onde pus-me a ler acerca desta antiga prática cristã contemplativa.
No final do artigo, encontrei um pequeno texto atribuído a Thomas Merton, grande mestre da contemplação e do silêncio. Nele Merton descreve a oração como uma realidade que transcende ao mero falar ou pensar. Mas, trata-se no seu âmago, de uma total incorporação de todas as coisas de nossa vida numa perspectiva de Deus. Como assim? No considerar que tudo quanto recebemos e desfrutamos, num primeiro momento , sãos dons do Altíssimo os quais devemos receber em e com ações de graças.
Desse jeito, coisas simples como beber água num dia quente de verão ou o observar a beleza multicolorida das flores de um jardim podem tornar-se em momentos de encontro com Deus. Experiências de oração.
Para Merton, na verdade, a oração é algo que integra e entrega todo nosso ser, todas as dimensões de nossa existência, como uma oferta de ações de graças ao Senhor de toda a vida.
Merton ainda afirma que tais momentos muitas das vezes nos passam desapercebidos exatamente porque buscamos sua essência e significados de fora para dentro, ao invés de dentro para fora. A partir de dentro, onde o Ser habita o nosso ser, nos lançando para fora, na direção das realidade criadas, afim de que consideremos e encaremos as mesmas não como objetos de consumo e de possessão nossas, mas verdades sacramentais que nos revelam e nos conectam com Deus.
Bem, deixemos que os amados mesmos tirem suas próprias conclusões. Eis na íntegra o texto que encontrei:
“A oração é algo natural do homem, como falar ou suspirar, ou olhar, ou como latejar do coração enamorado. Na realidade é também uma queixa. Nossa oração não é mais do que estabelecer contato com Deus. É uma comunicação com Deus e não necessita ser com palavras e nem mesmo com a mente. A gente pode se comunicar com o olhar, com o sorriso ou com os suspiros, ou contemplar o céu, ou beber a água.
De fato todos os nossos atos corporais são oração. Nosso corpo formula uma profunda ação de graças em suas entranhas, quando sedento, recebe um copo d’água. Quando, num dia de calor, mergulhamos num rio fresco, toda nossa pele canta o hino de ação de graças ao Criador, ainda que esta seja uma oração irracional, que se faz sem nosso consentimento e às vezes mesmo apesar de nós. O trabalho é uma oração existencial. Deus nos envolve por todas as partes como a atmosfera.
A razão pela qual a gente não costuma experimentar a presença de Deus é porque estamos acostumados a que toda experiência nos venha de fora, e essa experiência é de dentro. Estamos voltados para o exterior, pendentes da sensação de fora e então nos passam inadvertidos os toques e as vozes de dentro”. (Thomas Merton)
Que o Senhor se compraza em abençoar-nos assim: concedendo-nos viver continuamente em sua Presença. Amém!
Paz e bem!

