JESUS, O HOMEM COMPASSIVO

Nessa dimensão da espiritualidade de nosso Amado Senhor encontramos a tradição de justiça social. Quando estudamos essa tradição á luz das Escrituras, aprendemos que sua grande busca é por aquilo que chamamos de a “shalom” (paz) de Deus.
Ela quer nos traz o outro lado da moeda. Porque se não tomarmos cuidado a busca contemplativa pode nos engolir de tal forma que acabamos anelando tanto pelas coisas espirituais, do céu, que acabamos nos tornando irrelevantes nessa vida, aqui na Terra.
A tradição de justiça social vem fazer o equilíbrio. De que forma? Fazendo-nos compreender que nossa espiritualidade deve ser integral, ou seja, que não apenas contempla a beleza de Deus, mas, que também se volta para as necessidades do próximo materializando assim o amor e a paz (shalom) de Deus.
Quando nós olhamos para a vida linda e plena que nosso Senhor viveu, nós podemos perceber uma vida engajada nesse tipo de entendimento da vida espiritual.
Mas, para que a gente possa visualizar isso, é preciso considerar uma narrativa estratégica no evangelho. Jesus no início de seu ministério se levanta numa sinagoga em Nazaré e profere algumas palavras de grande importância.
Essas palavras encontram-se registradas em Lc 4:18,19.  Essas palavras citadas por Jesus são as que encontramos no livro de Isaías e que se referem ao ano do Jubileu Hebraico.
O conceito de ano do Jubileu hebraico nós encontramos no livro de Levíticos 25. As implicações sociais desse ano são muito profundas: a terra deveria ser curada, as dívidas perdoadas, os escravos libertos e o capital deveria ser distribuído de forma justa.
Jesus ao aplicar essas palavras da profecia de Isaías à sua pessoa e ministério, ele na verdade estava anunciando um jubileu perpétuo do Espírito.
A grande verdade é que com essas palavras Jesus deu o brado de guerra para a revolução social. Por isso não é de se estranhar que seus conterrâneos tenham ficado furiosos ao ponto de querer atirá-lo precipício baixo (cf. Lc 4:28-30).
Jesus se referiu a essa vida de jubileu perpétuo com uma expressão breve e simplificada – “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo” (Mt 3:2).
E esse era exatamente o propósito de Jesus: que o “Reino dos céus” confrontasse e derrubasse constantemente as estruturas ímpias de poder desse mundo e de seus reinos. 
O Reino dos céus em contraste com as estruturas de poder traz a visão de uma alternativa social, uma visão de inclusão de todas as pessoas, reunidas no poder de Deus e cheias do amor de Deus.
Jesus também ressaltou a incompatibilidade da sua vida no Reino, ou seja, vida de Jubileu, com as estruturas institucionais deste mundo quando disse – “E ninguém põe vinho novo em vasilha de couro velha; se o fizer, o vinho novo rebentará a vasilha, se derramará, e a vasilha se estragará. Ao contrário, vinho novo deve ser posto em vasilha de couro nova” (Lc 5:37,38).
A grande verdade é que esse “vinho novo”, a vida de jubileu, no Reino, a vida de justiça social num primeiro momento, olhando-se na ótica humana pode parecer um sonho ilusório, idealismo ou até mesmo loucura.
E por quê? Simplesmente porque ele manda seus seguidores “amar o seus inimigos”; “emprestar sem esperar nada em retorno”; “não julgar”; “não condenar”, “perdoar” e “dar” (cf. Lc 6:27-38).
E pode até mesmo ser humanamente utópico, impossível, mas, foi exatamente assim que Jesus viveu e ele convida seus discípulos a fazerem o mesmo.
Nós devemos notar a compaixão e misericórdia do Senhor Jesus ao purificar o leproso e curar o paralítico que eram pessoas consideradas a escória da sociedade de sua época (Cf. Lc 5:12-26).
Também devemos notar sua infinita ternura ao curar o servo do centurião e ao ressuscitar o único filho de uma viúva. Quando João Batista envia dois discípulos seus para perguntarem se Jesus realmente era o messias prometido ele, Jesus dá uma resposta interessante ( Lc 7:22,23).
Jesus também dramatiza o espírito do Jubileu eterno, da vida no Reino, da justiça social quando inverte os papéis no cenáculo colocando uma tolha na cintura e uma bacia de água nas mãos.
E todos quantos aceitam a nova vida no Reino são convidados ao engajamento nesse jubileu do Espírito, nessa vida de justiça social. Um exemplo disso foi a repentina generosidade de Zaqueu em querer restituir parte do que havia defraudado das pessoas enquanto coletor de impostos (cf. Lc 19:1-10).
E é esse o engajamento para o qual também fomos chamados: sermos canais para a shalom de Deus alcançar e transformar a vida das pessoas.
A grande verdade amados é que a vida de Jesus, de justiça e shalom, questiona nossos interesses mais ocultos, chacoalha nosso individualismo e nossa avareza egoísta.
Jesus nos convida hoje e sempre a sermos pessoas nas quais a justiça e a compaixão possam fluir livremente. E Jesus, que viveu dessa maneira, nos indica o caminho. 

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

Para concluir essa palavra quero compartilhar algumas perguntas que nos ajudarão a refletir e aplicá-la em nossos corações:

(1) Você já chegou a um nível de desprendimento das coisas materiais em sua vida que te possibilita a compartilhar com outros aquilo que você tem?

(2) Ao considerar seus anos de vida cristã, você consegue perceber em você uma progressiva mudança de uma atitude egoísta para uma atitude altruísta?

(3) Como, a partir de hoje, você pode demonstrar de forma mais concreta a compaixão e ternura de Jesus ao seu próximo?

Que o Senhor de toda a compaixão e bondade nos ajude na reflexão dessas coisas. Na próxima oportunidade estaremos vendo Jesus como um homem de vida evangelical, ou seja, vida centrada na Palavra de Deus. 

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Sobre Felipe Maia

Um ser humano como outro qualquer lutando a cada dia para seguir a Cristo pelo caminho desta vida. Casado e pai de dois meninos. Membro da Igreja Vineyard Central e torcedor (não fanático) do Clube de Regatas do Flamengo.
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7 respostas para JESUS, O HOMEM COMPASSIVO

  1. “A grande verdade amados é que a vida de Jesus, de justiça e shalom, questiona nossos interesses mais ocultos, chacoalha nosso individualismo e nossa avareza egoísta.”

    Certamente. E se eu não me mantiver vigilante no Espírito Santo, logo me na experiência de Gl 3.3 , exercitando minhas virtudes naturais humanas e supondo que estou dando testemunho de vida cristã; noutras palavras: suporei (equivocadamente) que as virtudes que estão sendo manifestas em minha vida e comportamento é o fruto do Espírito.

    Pr. Maia: o comportamento humano observado no “remedar a Cristo” (o que equivale ao exercício das virtudes naturais humanas e/ou sobrenaturais não divinas) parece muito com o comportamento detectado no “externar a Cristo. Mas o “externar” a Cristo equivale à presença, ação e transbordamento do Parácleto Divino no espírito humano do regenerado, vivificando-lhe a alma e transparecendo através do corpo humano deste). Para o observador ignorante da Escritura, as virtudes observadas no indivíduo quando “remeda” Cristo são as mesmas de quando “externa” a Cristo; mas a diferença é abissal: as primeiras são manifestação do fruto do Espírito, enquanto estas últimas são (embora alguns não acreditem) obras da carne.

    Podemos observar que o questionamento de nossos interesses mais ocultos e o chacoalhar de nosso individualismo e avareza egoístas ocorrem em qualquer das formas (tanto remedar, quanto externar) de “imitação de Cristo”. Mas prática de vida cristã somente existe quando do “externar” a Cristo.

    Enquanto o “remedar” consiste no exercício de minha vontade, emoção e mente religiosas (mas ignorantes quanto à vivificação do Espírito Santo), o “externar” consiste simplesmente no, por exemplo, “amar ao próximo como a si mesmo” ou, por exemplo, “andar em novidade de vida”, explicitados em Rm 8.11.

    A questão é que, mesmo estando eu alheio à experiência pessoal de Rm 8.11, consigo experimentar e praticar bastante amor sincero e desinteressado para com meu próximo. E esse “amor natural”, enquanto em operação, me conserva alheio à vontade de Deus em minha vida e na vida do próximo para com o qual eu esteja a praticar esse amor. Isso significa eu estar fazendo a vontade do homem, supondo que estou fazendo a vontade divina e agradando ao Senhor.

    Quando Jesus disse, por exemplo, “vós sois filhos do Diabo”, “como quereis escapar da condenação do inferno”, “rodeais o mar e a terra para para fazer um prosélito e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós”, Jesus estava repleto do mesmo amor que perdoou, por exmplo, a mulher apanhada em adultério. O amor do Espírito perdoa, adverte, transforma aquele que está em erro; o amor natural é espiritualmente morto e tolera, indiscriminadamente, sem produzir vida no necessitado.

  2. Felipe Maia disse:

    Querido Ivo. Pax!

    “Para o observador ignorante da Escritura, as virtudes observadas no indivíduo quando “remeda” Cristo são as mesmas de quando “externa” a Cristo; mas a diferença é abissal: as primeiras são manifestação do fruto do Espírito, enquanto estas últimas são (embora alguns não acreditem) obras da carne”

    Concordo plenamente com você. Existiram e existem por aí pessoas cujo comportamento moral é digno de se emoldurar como bom exemplo de humanidade, cidadania e altruísmo. Sem que isso seja necessária a operação do Divino Espírito.

    Logo, pergunto: como sabermos quando é e quando não é? Como saber quem é quem? No seu entendimento á luz das Escrituras, qual indício externo denunciaria que tais atos de amor e misericórdia são frutos da operação do Espírito de Deus, logo, resultado da nova vida neo-testamentária e não obras da carne?

    Abrçs.
    Paz e bem!
    “T”

  3. Pr. Maia
    Particularmente, preciso de uma “chacoalhada” infinitamente misericordiosa e eficaz do Espírito de Deus em minha vida e experiência pessoais, para poder compartilhar com o senhor algum comentário (a título de resposta aos três questionamentos acima) nos moldes que eu gostaria de poder oferecer. Infelizmente, não tenho esse comentário.

    Compartilho, se o senhor me permitir, uma experiência vivida no rebanho que me acolhe, cuja liturgia inclui, ao final da leitura e explanação pública do texto escriturístico, um tradicional convite aos que ainda não professam a salvação pessoal em Cristo, para que, se o desejarem, se manifestarem publicamente pela aceitação de Cristo como único e suficiente Salvador de suas almas e Senhor de suas vidas, e receberem a oração da congregação e a acolhida como neo-conversos.

    Certo oficial, conhecido por sua solicitude em abordar pessoas durante o convite e pacientemente instar com elas para aceitarem a Cristo nesse momento, elogiado como fiel e zeloso nesse seu trabalho de cooperar com o pregador e com o Espírito Santo na salvação de almas, ouviu de uma senhora, numa dessas abordagens:

    - “Como o senhor é inconveniente e importuno! Hoje eu vim aqui decidida a ser crente. Mas pela sua insistência, não vou mais tomar minha decisão hoje.”

    E o irmão retraiu-se e a senhora voltou do culto daquele domingo à noite sem manifestação pública de aceitação do Evangelho. E na quinta-feira seguinte, antes, obviamente, do próximo culto dominical, aquela senhora faleceu em casa.

    O irmão protagonista sempre (ao que me parece) entendeu (e alguns observadores também pensam assim) que foi usado pelo Espírito de Deus para ajudar essa alma a não perder aquela oportunidade de salvação que lhe era dada naquela noite, mas essa senhora, mesmo recebendo todo o apoio e incentivo necessários, deliberadamente insistiu em se conservar rebelde contra a Palavra, perdendo a chance (que era a última na vida dela) de alcançar a vida eterna.

    Outros observadores entenderam que o irmão foi usado pelo Adversário para atrapalhar e impedir a salvação daquela alma naquela oportunidade (que era a última para ela), pois que claramente aquela senhora declarou que viera ao templo decidida a entregar-se ao Salvador e que, apenas pela insistência – incoveniente, segundo ela – do irmão, desistiu de seu propósito.

    Pelo Espírito, o irmão foi conduzido a consumar o juízo divino naquela vida, vez que o Onisciente era sabedor da impenitência daquele coração e sabia que uma última manifestação de amor, sob a forma do incentivo daquele irmão, seria apenas o selo do caminho mau que aquela alma já escolhera dantes? Ou pelo Espírito (como é o pensamento do protagonista), ele foi usado por Deus como ajuda numa última oportunidade e, ainda assim, aquela senhora rejeitou? Ou pela operação da carne (por fraqueza, falta de sabedoria ou de vigilância do irmão) o adversário encontrou um espaço para ferir mortalmente uma alma no momento da última oportunidade de salvação nessa vida?

    Pessoalmente, até hoje não concluí sobre o que foi que moveu, naquele momento, esse irmão a abordar a tal senhora.

    Quanto àquela alma, não sinto segurança (considerando que ela já tinha conhecimento da mensagem salvífica) quanto a afirmar que haja “dormido” ou “morrido”. E quanto a mim, sempre estive convicto (e até agora ninguém conseguiu me convencer do contrário) da minha total falta de discernimento de coisas na Casa de Deus, sobre as quais eu deveria – no Senhor – ter clareza de entendimento e tranquilidade de consciência.

    Se o senhor tiver uma palavra de ajuda (sobre esta experiência que citei) para compartilhar, ficarei agradecido. E conto com (e que isto não signifique compromisso alguma de sua parte) a inclusão de meu nome nas intercessões do senhor em favor da Igreja de Cristo na Terra.

    P.S.: Alegrei-me, no Espírito Santo, sobremaneira, relendo a postagem da experiência do senhor com o “grande silêncio”. Agradeci a Deus e digitei alguns comentários e agradecimentos ao senhor, compartilhando a edificante experiência pessoal que, simplesmente lendo a narrativa, vivenciei. Quando cliquei para devolver ao senhor… a máquina travou! Fiz várias tentativas de recuperar minha postagem, para submetê-la ao senhor e receber ajuda- e não consegui nada! (rsrsrsrsrsrsrsrs!!!) Perdi a postagem!

    (O senhor entende que – em certas “coincidências desagradáveis” que surgem inexplicavelmente quando uma ovelha está prestes a receber ajuda espiritual de um ministro – o percentual maior de ocorrências seja de carnalidade de irmãos simplórios e faltos de instrução bíblica, atribuindo acontecimentos mínimos e tolos à ação satânica? Ou seja de interferência real e direta do “Perdidão”, em seu trabalho incessante contra o Reino?)

  4. Felipe Maia disse:

    Querido Ivo. Graça e paz!

    Quanto à experiência que você mui bondosa e detalhadamente compartilhou, não é nada simples de tecermos um julgamento acertado.

    Mas, um primeiro ponto é o fato de que os apelos que em muitas igrejas fazem (inclusive na minha rs) instando para que a alma perdida venha a ser encontrada pelo Amoroso Cordeiro, é uma prática extra-escriturística, fruto da tradição criada pelo homem ao longos dos séculos de história eclesiástica. Há os que apontam o surgimento de tal prática com o evangelista e avivalista Charles Finney.

    O que encontramos na Bíblia não é a palavra sendo pregada e logo após o pregador, e/ou alguém auxiliando-o, insistindo para que a pessoa “aceite Jesus” (particularmente esse termo nunca me desceu bem). Vemos em Atos capítulo segundo Pedro cheio do Espírito pregando a mensagem do Evangelho e logo em seguida, sem quaisquer insistências dele ou de terceiros, os ouvintes preguntando o que deveriam fazer, resultado do coração dos mesmos que fora compungido pela Palavra exposta no poder do Bendito Consolador. E as Escrituras afirmam que naquele mesmo dia foram batizados 3.000 almas e acrescidas na Igreja de Cristo!

    A grande verdade querido Ivo é que nossa formatação de igreja, e consequentemente a isso nossa prática evangelística e expositiva da Palavra de Deus,é eminentemente “gringa”, ou seja “americanizada”. Importamos tudo de lá: nossas principais teologias, práticas eclesiásticas, indumentária e liturgia. E o apelo não foge disso, seja ele feito pelo ministro ou pregador da ocasião, seja pela ajuda paralela de um oficial ou irmão designado para tanto.

    Pedro com sua pregação, e muitos exemplos pré-ápelo na história da igreja, demonstram duas realidades das quais não podemos fugir:

    1. A obra de convencimento da alma perdida acerca do seu pecado é obra exclusiva do Espírito Santo de Deus, pois, somente ele e mais ninguém tem acesso ao âmago do ser humano, o mundo interior, onde habita o coração, o espírito e a vontade, alvos da transformação salvífica operada pela graça no Evangelho. Deus, definitivamente, não precisa da nossa ajuda, ou de um empurrãozinho semelhante ao que damos no carro quando este não quer pegar pelos meio comum. A “ajudinha” do homem a Deus sempre resultou em problemas sérios (vide o caso de Abrão e Hagar).

    2. A mensagem do evangelho por si só é suficiente para a salvação da alma perdida, sem que para isso precisemos usar de artifícios humanos para auxiliá-lo. Paulo declarou que não se envergonhava do Evangelho de Cristo, pois, o mesmo é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Logo, inferimos a partir do que foi colocado por Paulo que o homem pecador precisa ouvir e (para) crer. E nós, povo de Cristo, só temos uma incumbência dada pelo próprio Amante das almas perdidas: pregar a mensagem do evangelho com total fidelidade, segundo as Escrituras revelam, e isso com espírito de temor e tremor, no poder do Espírito Santo.

    Sendo assim, para concluir minha débil contribuição, quanto ao que o irmão perguntou, se o caso supracitado em sua comunidade espiritual foi uma questão de simples recusa dela ou uma atitude carnal do irmão, mesmo que com as melhores das intenções, movido por temor e amor a Deus e a alma daquela senhora, prefiro não tomar partido de nenhum dos lados.

    Mas, propor (e com isso correndo o risco de errar) que na situação ambas as realidades operaram juntas. Pois, a atitude do irmão referido, apesar de bem intencionada, não tem respaldo bíblico nem teológico para tal. Ao mesmo tempo em que aquela senhora, enquanto criatura dotada da capacidade volitiva, mesmo que esta deturpada pela condição de perdição, rejeitou por si o amor que Cristo lhe oferecia gratuitamente.

    Nas Escrituras quando a questão é a rejeição da mensagem do evangelho, e consequentemente, todas as realidades espirituais que o mesmo evoca, ela sempre trata o fato como decisão da pessoa e não como sendo obra de terceiros, tipo: “por culpa de fulano, beltrano não recebeu a Cristo”.

    Espero ter podido ajudar. Quanto ao que o amado gostaria que tivesse chegado até mim em relação à sua experiência lendo meu post “O grande silêncio”, não precisa ficar triste. Considere como obra da providência divina o travamento do computador. Pois, existem certas experiências que pela amplitude das mesmas é proibido ao homem articular-lhes palavras (vide o caso de Paulo).

    Um forte abraço.

    Paz e bem!
    “T”

  5. Pr. Maia
    Que o Senhor dos senhores o recompense pela paciência e bondade para com os necessitados de orientação. As observações trazidas (acima) pelo senhor me estão sendo muito úteis.

    “Deus, definitivamente, não precisa da nossa ajuda, ou de um empurrãozinho semelhante ao que damos no carro quando este não quer pegar pelos meio comum. A “ajudinha” do homem a Deus sempre resultou em problemas sérios (vide o caso de Abrão e Hagar).”

    Amém! E “a outra face da mesma moeda”, em se tratando deste bom assunto para reflexão, é que Deus, definitivamente depende (porque a Ele assim aprouve estabelecer) de nossa sensibilidade e responsividade espirituais à ação ininterrupta do Espírito de Deus em cada um de Seus filhos. (“Operando Eu, quem impedirá” versus “eis que estou à porta e bato… SE alguém ouvir a minha voz…”).

    O mesmo Senhor que PROÍBE ao filho de Deus se atrever a “ajudar a Deus”, ORDENA que todo filho de Deus nunca cesse de “colaborar com o Espírito”.

    E este assunto me remete (e me desafia a meditar) à questão fundamental na práxis cristã: se estou “ajudando” a Deus, estou genuinamente “remedando” a Cristo e este meu “zelo” carnal pode até ser aprovado, elogiado e incentivado por outros santos; só que não passa (este meu zelo) de obra da carne- estou tentando “ajudar” ao Deus, ato esse que o Senhor abomina. E não posso deixar de “cooperar” com o Divino Espírito, ou estarei sendo “remisso no zelo”- coisa igualmente abominável a Deus.

    Conitnuo refletindo em obra carne versos fruto do Espirito, manifesto através de minha pessoa, dos santos e do meu próximo.

    Impedido de continuar agora, pretendo noutra oportunidade voltar a refletir sobre a experiência de “ajudar a Deus” versus “cooperar com Deus”.

  6. Querido Ivo. Pax!

    Dando continuidade ao assunto para nossa reflexão:

    “E este assunto me remete (e me desafia a meditar) à questão fundamental na práxis cristã: se estou “ajudando” a Deus, estou genuinamente “remedando” a Cristo e este meu “zelo” carnal pode até ser aprovado, elogiado e incentivado por outros santos; só que não passa (este meu zelo) de obra da carne- estou tentando “ajudar” ao Deus, ato esse que o Senhor abomina. E não posso deixar de “cooperar” com o Divino Espírito, ou estarei sendo “remisso no zelo”- coisa igualmente abominável a Deus.”

    Concordo com você que a distinção não é tão nítida assim. Como então definir?

    Lanço uma pergunta para nossa consideração:

    Será que poderíamos considerar que aquilo que temos que fazer para COOPERAR com o Espírito Santo está claramente descrito nas páginas das Escrituras, enquanto que a AJUDA supostamente dada a Ele vem de iniciativas nossas (diga-se de passagem bem intencionadas e até movidas por amor) que não encontram paralelos no Livro Sagrado (ex. apelos)?

    Paz e bem!
    “T”

  7. “Será que poderíamos considerar que aquilo que temos que fazer para COOPERAR com o Espírito Santo está claramente descrito nas páginas das Escrituras, enquanto que a AJUDA supostamente dada a Ele vem de iniciativas nossas (diga-se de passagem bem intencionadas e até movidas por amor) que não encontram paralelos no Livro Sagrado (ex. apelos)?”

    Sim, Pr. Maia. Penso que seja exatamente da forma como o senhor está (acima) muito apropriandamente se expressando.

    O senhor já pôde observar uma lâmpada de rua que, por defeito na célula fotoelétrica, continua acesa enquanto as horas do dia avançam, o sol já vai quente e alto, e aquela frágil e tola lâmpada continua ali – inutilmente acesa – fornecendo sua fraca (em comparação com o sol) e inservível (durante o dia) luz?

    Na presença do sol, a lampadazinha deveria assumir seu lugar (ou seja, deixar o sol fazer o trabalho que a ele compete – e que ele faz muito melhor que ela – e cessar sua (da lâmpada) atuação de espargir luz). Noutras palavras, a tosca (em relação ao sol) lâmpada deveria deixar de se ocupar em fazer o papel infantil e inútil de “tentar clarear” aquilo que cabe exclusivamente ao sol – e não a ela – fazer, e que já se encontra muito bem feito pelo sol, infinitamente melhor que se pela lâmpada estivesse feito.

    Qual sol, é também o Indizível e Insubstituível Parácleto Divino na vida cotidiana de cada filho de Deus. Cada vez que “ajudo” a Deus em minha vida prática cotidiana, estou qual lâmpada tola, desprezando todo o esplendor iluminante do Sol da Justiça sempre presente, enquanto estou espargindo uma “luz própria” (obra da carne) que não tem efeito benéfico algum na vida de quem quer que seja e que, ao invés de glorificar a Deus, entristece o Espírito. (E vale observar que sempre surge algum observador – falto de “colírio do Espírito Santo”, frise-se – para enaltecer e incentivar minha “luz própria”, afirmando tratar-se do fruto do Espírito manifestado através de minha pessoa, do amor de Deus em ação na minha vida, da prática da justiça do Evangelho, etc. Mas o Espírito sabe que não passa de “carne” operando).

    E essa minha (acima) experiência é de estar meramente AJUDANDO a Ele- o que é uma das formas de alguém estar “remedando” a Cristo, ao invés de “externando-O”. De modo inverso, toda vez que, em meu agir, COOPERO com o Espírito Santo, “externo” o Ressuscitado- ou seja, Ele encontra em mim e através de mim o espaço necessário para manifestar-Se (quer seja em silêncio ou em palavras, quer seja em ação ou em iniatividade) da forma e intensidade que a Ele apraz para cada ocasião.

    Mas reconheço, Pr. Maia, que estou já a divagar, pois o que o senhor nos trouxe para proveitosa meditação e edificação foi “”aquilo que temos que fazer para COOPERAR com o Espírito Santo” versus “iniciativas nossas… bem intencionadas e até movidas por amor que não encontram paralelos no Livro”.

    Penso que no ministério terreno do Senhor esta questão estivesse bem delineada no conhecimento e experiência pessoais dEle, pois que disse “o Filho nada pode fazer DE SI MESMO senão somente aquilo que vir fazer o Pai”. Noutras palavras, o Homem das mãos furadas jamais cedia aos “apelos” que incessantemente O fustigavam nem adotava “iniciativas surgidas a partir de sua alma (facilmente influenciável) humana”, senão geradas a partir do seu espírito humano “insuflado e saturado” pela 3ª Pessoa da Trindade Santa.

    Pudera! Alguém ouvir “senhor, tem pena de ti mesmo; isso de modo algum de acontecerá” e replicar ao servo amoroso que isto espontaneamente lhe declarara: “para trás de mim, Satanás, que não cogitas das coisas de Deus, mas do homem” (rsrsrsrs!!) estava mesmo “pelo Espírito”, COOPERANDO com Deus e j-a-m-a-i-s AJUDANDO a Deus. (Aleluia! Porque ninguém, no universo inteiro, é capaz de falar como só Ele fala!)

    Pr. Maia
    No Livro, o que cada filho de Deus tem de fazer para COOPERAR com o Espírito Santo, está descrito claramente; confesso ao senhor que minha difilculdade pessoal, no assunto, é conseguir enxergar aquilo que no Livro está tão óbvio, tão gratuitamente disponível e tão facilmente acessível. (Desejo – e necessito – urgentemente ser “alfabetizado” em, por exemplo, Hb 5.14 e Rm 8.11, para que, agradando-O, possa eu desfrutar algum átomo da comunhão dos Seus sofrimentos e da virtude da Sua Ressurreição, conforme Suas misericórdias para comigo – por natureza inimigo dEle e pelo Seu Sangue tornado filho do Pai.)

    “Fazer aquilo que está claramente descrito nas Escrituras” (COOPERAR com Deus) versus “tomar iniciativas bem intencionadas mas sem paralelos no Livro” (AJUDAR a Deus). – Sim, Pr. Maia. Penso que aqui esteja a diferença entre, por exemplo, “estar fazendo a vontade de Deus” versus “estar fazendo a própria vontade”, estar “externando a Cristo” versus estar “remedando a Cristo”, “vida cristã” versus “vida natural”, “santidade” versus “moralismo”, “perseverança” versus “obstinação”, “fidelidade” versus “rebeldia”, “estar edificando sobre a Rocha” versus estar “edificando sobre a areia”, “estar edificando com ouro-prata-pedras preciosas” versus “estar edificando com madeira-feno-palha”. Estou refletindo sobre o assunto e continuo pedindo (que não haja compromisso de sua parte) a inclusão de meu nome nas intercessões do senhor pela Igreja do Senhor.

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