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Archive for março \27\UTC 2009

“de madrugada, ainda bem escuro, levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava” (Mc 1:35)

Quem gosta de estar em um deserto? Acredito que ninguém goste. Mas, o que é um deserto? Como o próprio nome sugere, trata-se de um lugar onde não há vida, onde não há nada que, em sã consciência, nos atraia.

É costume, entre o povo de Deus ouvirmos este tipo de comentário: “ Eu estou passando por um grande deserto na minha vida”. O que seria este deserto na vida cristã? São momentos difíceis, onde parece-nos que Deus nos abandonou. Estes “desertos” são períodos de profundas aflições, tribulações e escasses de ânimo. Na linguagem dos místicos, noites escuras da alma.

Contudo, ao invés de fircarmos nos lamuriando, estes períodos de deserto, a exemplo de nosso Senhor Jesus, podem ser para nós um tempo frutífero e de comunhão íntima com o Pai.

Deserto é tempo para o silêncio. Quando aprendemos, em meio a estes períodos de duras provas, silenciar nossas vozes interiores e exteriores, conseguimos ouvir a voz de Deus sussurrando no nosso centro, na nossa alma, onde o Espírito Santo habita. E com isso ganhamos uma compreensão renovada de quem Deus é: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (Sl 46:10).

Deserto é tempo para a solitude. Nestes momentos podemos nos reservar a sós com Deus. Buscando nos esquivar do falatório e das aglomerações humanas, nos forçamos a abrir mão de nossas fugas pessoais para que assim possamos ter um encontro com a realidade daquilo que somos, e não aquilo que fingimos ser. Todas as máscaras que usamos caem. Estes momentos são terapêuticos, pois, ao mesmo tempo que revelam toda o nosso caos interior, revelam também que Deus nos ama e nos aceita como somos: com nossos defeitos e fraquezas.

Deserto é tempo para a oração. São nestes períodos desérticos que aprendemos a realidade das nossas orações, que mais do que mero ritual é um encontro pessoal com o Deus que nos ama e que nos sustenta em meio à aridez de nossas vidas. No deserto aprendemos verdadeiramente a orar: nos momentos férteis aprendemos a pedir mais, nos desérticos aprendemos a descansar em Deus e a sermos gratos pelo que já temos.

Quem gosta de desertos? Ninguém! Porém, eles são extremamente necessários para o forjar de nosso caráter e para nossa formação espiritual.

Moisés foi formado no deserto; Davi também. Até Jesus enfrentou seus desertos (Cf. Mt 4:1-11; Mc 1:12,13; Lc 4:1-13).

Por que com você e comigo seria diferente?

Que Deus abençoe nossos desertos!

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Muita das vezes o envólucro da desinformação e do preconceito nos impede de olhar para personagens do passado e enxergar o mover de Deus na vida dos mesmos. Pois bem, no que depender de mim quero quebrar esta casca e receber o legado espiritual que homens e mulheres de Deus têm para me passar. Um deles é Francisco de Assis. Esta breve história sobre a vida deste homem simples e profundamente apaixonado por Cristo extraí do livro “Rios de Água Viva” de Richard Foster – Ed. Vida. pgs. 151-152. Espero que edifique a todos.

Paz e Bem!

“Bem, em primeiro lugar, por causa do admirável poder do Espírito que permeava tudo o que Francisco fazia e dizia. Talvez uma única história já seja suficiente. Clara, que a essa altura já havia fundado a “Segunda Ordem” dos franciscanos, as “Clarissas pobres”, pedia constantemente a oportunidade de ter uma refeição com Francisco, mas ele nunca atendia a seu pedido. Finalmente, alguns irmãos insistiram com ele para que concordasse e disseram: ‘Pai, parece-nos que essa severidade não está de acordo com a caridade divina […] principalmente se considerarmos que ela abriu mão das riquezas e da pompa deste mundo por causa da sua pregação’. Francisco acabou se convencendo, e marcou-se um encontro na igrejinha de Santa Maria dos Anjos. Francisco tinha uma refeição preparada e servida no chão, como era seu costume.

Encontrando-se na hora marcada, ‘São Francisco e Santa Clara sentaram-se juntos, ele, com um de seus acompanhantes, e ela, com uma acompanhante dela, e todos os demais acompanhantes reunidos ao redor da humilde mesa’. Quando comiam, Francisco ‘começou a falar sobre Deus de forma tão doce, santa, profunda, divina e maravilhosa que ele próprio, junto com Santa Clara , sua companheira, e todos os outros acompanhantes deles naquela pobre mesa foram arrebatados em Deus’.

Enquanto isso, o povo de Assis se horrorizava ao ver a distância a igreja de Santa Maria dos Anjos e toda a floresta que a cercava envolvida em chamas. As pessoas subiram correndo a colina, na esperança de apagar as chamas antes que tudo se perdesse.

Quando, porém, chegaram à pequena igreja, não acharam nada errado. Nem a igreja nem a floresta estavam em chamas. Nada. Ao entrar na igreja, descobriram Francisco, Clara e os demais ‘sentados ao redor daquela mesa muito humilde, arrebatados em Deus pela contemplação e investidos de poder do alto’.

Então compreenderam que o fogo que viram não era um fogo material, mas espiritual. As chamas que viram eram ‘para simbolizar o fogo do amor divino que queimava na alma’ daqueles servos simples de Cristo.

O resultado desse acontecimento extraordinário foi que o povo de Assis voltou para casa ‘com grande consolação na alma e com santa edificação”.

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