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Archive for novembro \27\UTC 2009

AMIZADE ESPIRITUAL

A igreja é uma comunidade espiritual. A comunidade espiritual é um mistério divino. Sua edificação não depende de programas; de passos-a-passos ou de livros do tipo “como fazer”. Não!!!

O nascimento de uma comunidade espiritual ou de fé é obra exclusiva do Senhor Jesus Cristo. Em Mt 16:18 Jesus diz ao apóstolo Pedro:

“…edificarei a minha igreja…”

Logo, viver em comunidade espiritual é um milagre da graça de Deus. Contudo, uma coisa que devemos ter em mente é que, mesmo sendo um mistério de Deus na sua edificação, a comunidade espiritual é caracterizada por algo muito especial.

Conforme o texto de João 15:15 o mistério da comunidade espiritual se dá em meio ao mistério da amizade de Jesus com seu povo. Ele mesmo disse :

“…eu vos chamo amigos…”

Contudo, como se dá esta amizade de Jesus com seu povo dentro do contexto de comunidade espiritual (de fé – igreja)? Na comunidade a amizade de Jesus se dá através da amizade espiritual com os irmãos.

Assim, podemos dizer que o que caracteriza uma comunidade espiritual é a presença de amigos espirituais ou amigos da alma. E a grande verdade é que TODOS PRECISAM DE AMIGOS ESPIRITUAIS. Eu preciso, você precisa. Nós precisamos!

Viver em comunidade evoca algumas realidades como segurança, aceitação, companheirismo etc. E somente num ambiente de amizades espirituais é que estas coisas são possíveis.

Mas, agora é necessário nos perguntarmos: o que caracteriza uma amizade espiritual ou um amigo da alma? Nós veremos que é algo bem diferente do que temos encontrado nas igrejas hoje.

 Primeiramente…

 UM AMIGO ESPIRITUAL É UM COMPANHEIRO DE JORNADA:

É alguém que caminha com a gente. Alguém que está ao nosso lado, indo junto conosco seja para dentro da fornalha ardente ou para o monte da transfiguração.

E eu acredito, que é isso que  devemos encontrar na igreja: companheiros e companheiras de travessia no deserto, mas também, de escalada no monte.

Não resta dúvidas que o deserto é muito mais fácil de ser atravessado quando em companhia de outros. Deserto é lugar de peregrinação comunitária.

Com certeza, a igreja deveria ser o último lugar em que alguém se sentisse sozinho. Verdadeiramente, amigos e amigas espirituais são companheiros de jornada. Pois, a vida cristã é uma jornada rumo a Deus.

Em segundo lugar…

UM AMIGO ESPIRITUAL É UM BOM OUVINTE:

Um amigo espiritual está pronto a nos ouvir. Ah! E como nós precisamos desesperadamente de quem nos ouça. Às vezes parece que a gente não vai agüentar e vai explodir de tanta pressão. Não é verdade?

O amigo espiritual recebe o nosso pedido: “rapaz, eu já não agüento mais! Eu preciso desabafar com você.” Ao que ele nos responde: “Pode falar, estou te escutando”.

Acredito que a igreja deve ser composta por pessoas que obedeçam a Tg 1:19:

 “…todo homem deve estar pronto a ouvir; ser tardio para falar e tardio para se irar”.

A grande verdadeé que muitas vezes a gente não está precisando de respostas, mas de um ouvido que nos ouça.

E amigos espirituais param tudo para nos ouvir: nosso choro; nosso lamento; nossas crises; nossas dúvidas e até mesmo as nossas besteiras e infantilidades. Por que não!? Amigos espirituais levam o pacote todo.

 Por último…

UM AMIGO ESPIRITUAL É ALGUÉM QUE DIVIDE O FARDO CONOSCO:

Você já teve a sensação de que alguém estava tentando concertar você? Acredito que não há nada mais frustrante do que isso.

E infelizmente isso acontece demais nas igrejas. Por exemplo: um irmão procura um outro irmão para desabafar seja o que for. De repente este outro irmão abre a Bíblia e desfere um mini sermão: “Está escrito isso e isso… e se você fizer isso e isso e isso…com certeza as coisas vão mudar”.

Que tragédia amados quando isso acontece. As pessoas vão á procura de um amigo espiritual e o que encontram é um “especialista em concertar a vida dos outros á luz da Bíblia”.

Não resta dúvidas,  as igrejas não precisam de especialistas. Nós estamos sedentos por amizades espirituais que cumpram o simples mandamento apostólico que nos exorta:

 “Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram”(Rm 12:15).

Às vezes a única coisa que a gente está precisando é de alguém que, depois de nos ouvir, em silêncio nos abrace e chore conosco, dividindo assim o fardo que tanto nos oprime.

Que na igreja não tenhamos especialistas que tentam concertar nossa vida. Não! Que a igreja de Cristo seja uma comunidade formada de amigos espirituais que levam a carga uns dos outros

***

Que esta amizade espiritual comece pelos pastores; que eles possam ser amigos da alma de cada uma de suas ovelhas.

E que elas sejam de seus pastores. E que sejam também umas das outras. E que o Senhor abençoe Sua noiva neste propósito.

Amém e amém!

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Sempre que se fala de espiritualidade, pressupõe-se uma experiência humana no campo religioso e subjetivo da fé, alienada às demais experiências da vida. No cristianismo, quando se aborda sobre responsabilidade social, a ênfase recai no ativismo enquanto serviço prestado ao próximo, seja pela proclamação do Evangelho, seja pelas obras de misericórdia e justiça. Contudo, espiritualidade e responsabilidade social são eixos paralelos do mandamento principal das Escrituras: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo” (Mateus 22.37-39).

Assim, amar a Deus é uma missão espiritual, do mesmo modo que amar ao próximo é o exercício de uma espiritualidade missionária a serviço do outro. Estas duas manifestações cristãs evidenciam-se de forma interativa e interdependente. Por conta dessa interação, a espiritualidade cristã precisa sempre encontrar o seu caminho devocional em missão ao próximo. A espiritualidade pode ser entendida como uma experiência humana no campo da fé e a responsabilidade social e política, como uma resposta ética dessa mesma fé.

As relações sociais, políticas, econômicas e religiosas da sociedade em que estamos inseridos anunciam ou denunciam a espiritualidade desta mesma sociedade. Espiritualidade e responsabilidade social confluem-se na vida e natureza da Igreja de Jesus Cristo. De um modo geral, na cristandade, tem havido muita contradição entre a mesa do pobre e o altar suntuoso dos cristãos – e a falta de pão na primeira pode ser uma denúncia da ausência de espiritualidade no segundo. Acontece que a responsabilidade social cristã não pode tornar-se apenas um serviço voltado para o problema da falta de pão para os pobres, ao mesmo tempo que a espiritualidade não deve ser uma tarefa exclusiva em torno do altar.

Mais grave do que esta dicotomia é a constatação de que o cristianismo brasileiro, mesmo que numericamente significativo, não tenha conseguido responder, na mesma proporção de seu avanço quantitativo, às demandas de nossa sociedade, especialmente no que diz respeito à promoção da justiça. No contexto brasileiro, há várias práticas espirituais em diversas comunidades cristãs que evidenciam distorções e limitações na atividade missionária da Igreja. Se considerarmos a responsabilidade social e política da Igreja Evangélica como um desdobramento das práticas espirituais expostas nas vitrines no cenário religioso brasileiro, precisaremos rever com qual evangelho estamos comprometidos. Há uma espiritualidade de fetiche, marcada pela magia e crença no poder de objetos e amuletos. Nessa espiritualidade superficial e alienada do pão de cada dia para todos, a solução dos problemas e demandas da vida tendem a ser individualizada. Assim, a responsabilidade social da igreja tende a ser vista como uma interferência exclusiva pela via do milagre, e não como desdobramento de uma práxis evangélica transformadora.

Já outros grupos exercitam uma espiritualidade marcada pela supervalorização da estética em detrimento da ética. O serviço religioso é elaborado com todos os sinais externos de pompa e espetáculo. A espiritualidade é meramente ritualista, superficial, predispondo seus praticantes a uma missão que gira em torno do sucesso e popularidade de seus sacerdotes ou do reconhecimento de suas obras cultuais. A manjedoura, o jumento e a cruz são, no máximo, símbolos; mas os pobres recém-nascidos, os que possuem meios limitados de transportes e os que continuam em processo de crucificação em nada desfrutam de uma espiritualidade depreciadora da ética – isso quando a causa do pobre não é mera bandeira institucional e publicitária a serviço da imagem pública da instituição.

As comunidades de Jesus Cristo devem ser motivadas pelo amor a Deus e às pessoas, e não pelo amor ao dinheiro. Elas são chamadas à obediência na luta pela justiça e na prática da misericórdia. Para vencer o mal que se manifesta nas estruturas e conjunturas sociais, políticas, econômicas e culturais, elas buscam nos instrumentos estabelecidos pela sociedade civil os mecanismos para tornar a justiça um rio permanente. Numa democracia, as autoridades são todas as instâncias de poder para a prática do bem, conforme Romanos 13. Desse modo, uma igreja socialmente responsável se utilizará dos instrumentos democráticos para que a sua espiritualidade em missão tenha incidência nas políticas públicas, nos direitos do cidadão e nos testemunhos de boas obras e prática da justiça.

No Evangelho ensinado por Jesus, oramos no quarto secreto (tameion) ao Pai nosso que está nos céus, numa espiritualidade transcendente, pessoal e íntima que tem necessariamente implicações nas vivências públicas – afinal, a Igreja é o sal da terra e a luz do mundo. A oração ao Pai nosso é ao Pai da comunidade e na comunidade. Na Oração Dominical, quando se pede o pão nosso de cada dia, pede-se num gesto espiritual de oração por um bem social que pode ser acumulado ou socializado. Assim, espiritualidade e responsabilidade social são manifestações transcendentes e ao mesmo tempo inseridas nas realidades que vão se tornando história.

Carlos Queiroz

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Extraído da revista Cristianismo Hoje

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CALMA, VÁ DEVAGAR

Fala-se muito em ativismo, mas poucos conseguem vencê-lo. Principalmente numa sociedade injusta e selvagem como a brasileira. A gente madruga, luta o dia inteiro só para não deixar que a vida, como um trator de esteira, nos esmague. Eu tive um professor, quando ainda cursava o colegial, que gostava de repetir um provérbio bem nordestino: “se cochilar o cachimbo cai”. De fato, vivemos uma realidade tão cruel que se cochilar não dá para pagar as contas do fim do mês.

Fora o desespero de continuar boiando na superfície desse mar raivoso, a gente ainda tem que lidar com a maldita competição. Fomos educados, desde cedo, a encarar qualquer segundo lugar como o quinhão para os “menos competentes”; ninguém se sente realizado com a medalha de prata. “Seu destino é pódio; um dia vão pendurar uma medalha de ouro no seu pescoço”, nos ensinaram quando nos matriculamos naquela escolinha de judô, patrocinada pelo centro comunitário do bairro. Assim, corremos, esfolamos as mãos, suamos a camisa até puir, para nunca ser cauda; acreditamos que merecemos encabeçar a tabela do campeonato.

O ativista sacrifica seus valores, princípios e concepção da verdade para galgar os píncaros do sucesso, da fama, da riqueza, do poder. Confesso que já fui um ativista inveterado. Devido ao meu perfeccionismo, os dias se transformavam em semanas; as semanas, em meses; os meses, em anos; os anos em décadas. De repente, assustei-me com um sujeito que me espiava de dentro de uma fotografia. Aquele senhorzinho com cara de cansado, olheiras arroxeadas e aspecto triste era eu.

“Caramba”, falei em voz alta, “gastei meus melhores anos como um ratinho na roda da gaiola, corri, corri e sem chegar a lugar nenhum”. Mal vi meus filhos crescerem, não consegui aprender a gostar de poesia, por mais de vinte anos não fui a nenhum concerto de música clássica, nunca li Machado de Assis, Thomas Mann, Victor Hugo, José Lins do Rego.

Certa vez, Jesus chamou seus discípulos e os advertiu sobre o valor da vida. Suas palavras foram agudas: “Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se ou destruir a si mesmo?” – Lucas 9.25. Por anos, entendi este texto como uma advertência para que as pessoas não gastem seus dias tentando conquistar o mundo e, no fim, acabarem no inferno. Ultimamente, graças também a Nova Versão Internacional da Bíblia, passei a compreender a afirmação de Jesus, como uma advertência existencial. Para que se esfolar por ideais se, no processo, acabar como uma pessoa sem alma, isto é, sem afetos, solidariedade e humanidade?

O ativismo brota de dois vícios existenciais: onipotência e narcisismo. O ativista acredita que tem saúde de ferro, que é imprescindível, que foi eleito o preferido dos deuses, que faz tudo melhor do que qualquer pessoa. O ativista trabalha porque, geralmente, também se enxerga como o mais bem talhado para as grandes tarefas. Ele Imagina que se algum empreendimento tiver que dar certo, tem que ter a sua contribuição. Assim, se fosse um corredor, só revezaria consigo mesmo; o medo de perder a corrida não permite que confie em qualquer parceiro.

O narcisismo é diferente porque todas as pessoas possuem alguns elementos narcisistas. O problema do narcisismo é quando ele descamba e se torna depreciativo; quando encaramuja. Um belo exemplo desse narcisismo doentio pode vir do futebol. Sabe o jogador que não admite que exista alguém que tão bom quanto ele? Em minha infância era chamado de “fominha”, pois não tem espírito de equipe, não passa a bola, quer resolver tudo sozinho e sempre prejudica o time; no dia em que se aposentar, será visto na arquibancada xingando os novatos que “só apresentam um futebol inferior”.

Somos curados da onipotência quando despertamos para a nossa mortalidade. Somos provisórios, efêmeros. Passamos rapidamente. Há pouco, constrangi-me quando vi um ancião entrando num avião, ajudado por três pessoas e arrastando os pés. Era o pastor de uma mega igreja que em tempos passados arrebatava multidões; agora mal se equilibrava para andar.

Nossos dias se acabam ligeiros. Não adianta se afobar. Você não é dono da palmatória que corrige o mundo. Conta-se que os imperadores romanos colocavam escravos nas bigas dos generais romanos que triunfavam nas batalhas para repetirem uma só frase: “Memento mortale est” – lembra-te que és mortal; era o antídoto da arrogância.

Contemple os grandes ícones da história. Todos morreram e a vida continuou. Paulo, o apóstolo responsável pelo avanço do cristianismo, foi decapitado e depois dele vieram outros que levaram a tocha do evangelho. Martin Luther King foi assassinado e sua causa continuou a ser defendida com o mesmo ardor; a liberdade civil dos negros se concretizou mesmo sem ele.

Somos curados do narcisismo quando aprendemos a valorizar dons e potenciais alheios. Já lhe disse antes: você sempre encontrará pessoas mais bonitas, mais talentosas, mais ricas, mais espiritualizadas e, se for longevo, mais jovens do que você. E como é gostoso não precisar provar nada para ninguém! Busque a excelência, mas livre da necessidade de angariar simpatias, aplausos ou aceitação.

Diego, discipline-se para ler; aprenda a degustar a vida devagarinho. Fuja dos “fast-foods”; na mesa, gaste tempo conversando, ouvindo. Time is not money – o tempo é vida e vida é uma riqueza não renovável. Assim, combata a ansiedade e diga mais vezes: “deixa estar” – let it be. Não se enxergue como uma abelha que vive para a colméia; seja um amigo que sabe curtir os bons momentos.

Lembre-se, desta vida só levaremos boas memórias. Portanto, torne-se um alquimista que transforma cada experiência, evento ou alegria, num sacramento que você carregará no bolso da alma até a eternidade.

 Soli Deo Gloria.

Ricardo Gondim

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Extraído do site http://www.ricardogondim.com.br

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