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Archive for março \29\UTC 2012

Monge ortodoxo em momento de oração

1. Não imagines, irmão, que a oração consiste apenas em palavras ou que pode ser aprendida por meio de palavras. Não, na verdade, deves compreender que a plenitude da oração espiritual não se atinge como resultado de uma aprendizagem ou através da repetição de palavras. Pois não é a um homem que estás a orar, perante quem podes repetir um discurso bem elaborado: é a Ele, que é Espírito, a quem diriges os movimentos da tua oração. Portanto, deves orar também em espírito, uma vez que Ele é Espírito.

2. Aquele que ora em plenitude a Deus não precisa de um lugar especial. Nosso Senhor diz: “Há de vir a hora em que não adorareis o Pai nesta montanha nem em Jerusalém”; e mais uma vez, para mostrar que não se requer lugar algum em especial para orar, ensinou também que aqueles que adoram o Pai o devem fazer “em espírito e verdade”; e continua instruindo-nos referindo porque devemos orar segundo disse, “Pois Deus é Espírito”, e deve ser venerado espiritualmente, no espírito. Paulo também nos ensina acerca de como devemos empregar esta salmodia e oração espiritual: “O que, portanto, devo fazer?”, pergunta, “Orarei em espírito e orarei na minha mente; cantarei no espírito e cantarei na minha mente”. É no espírito e na mente, portanto, que Paulo recomenda que oremos e cantemos a Deus; sobre a língua nada nos diz. E não o faz porque esta oração espiritual é mais interior do que a língua, mais profundamente interior do que qualquer coisa que assome aos lábios, mais interior do que quaisquer palavras ou canto vocal. Quando alguém ora desta forma está imerso num nível mais profundo do que todo o discurso e permanece no plano onde se podem encontrar seres espirituais e anjos; como estes, essa pessoa profere “santo” sem quaisquer palavras. Mas se esta forma de oração cessa e recomeça a oração do canto vocal, então encontra-se fora da região dos anjos e torna-se novamente um homem comum.

3. Quem canta usando a língua e o corpo e persevera nesta adoração noite e dia, pertence à categoria dos “justos”. Mas aquele que foi considerado digno de penetrar mais fundo, cantando na mente e no espírito, esse é um “ser espiritual”.

A categoria do “ser espiritual” é mais elevada que a do “justo”, mas só é possível tornar-se “ser espiritual” depois de ser “justo”. Até alguém ter venerado por um considerável número de vezes desta forma exterior, jejuando, usando a voz para salmodiar, com longos períodos em genuflexão, vigílias constantes, recitação de salmos, trabalhos árduos, súplicas, abstinência, escassez de comida, e outras coisas deste tipo, mergulhando a sua alma continuamente na recordação de Deus, cheia de temor e tremor ao seu nome, humilde perante todos os homens, considerando toda a gente melhor que ele, mesmo quando vê as ações do homem: quando vê alguém perverso, ou adúltero, ou alguém ganancioso, ou bêbedo, ainda assim age com humildade perante eles e no mais oculto dos seus íntimos pensamentos verdadeiramente considera-os melhores que ele, não aparentemente, mas vendo alguém no meio de todas estas coisas más, aproxima-se e age com humildade perante ele, suplicando-lhe “ora por mim, pois sou um pecador perante Deus, sou culpado de muitas coisas, por nenhuma delas paguei o preço”. Somente quando alguém atinge isto – e outras coisas mais grandiosas que estas que mencionei – poderá cantar a Deus a mesma salmodia que os seres espirituais usam para O adorar.

4. Pois Deus é silêncio e no silêncio é ele cantado através desta salmodia, a única digna Dele. Não falo do silêncio da língua, pois se se mantém meramente a língua em silêncio, sem saber como cantar na mente e em espírito, significa apenas que se está desocupado e se enche de maus pensamentos: mantém apenas um silêncio exterior e não sabe como cantar interiormente, a língua do seu “homem interior” ainda não aprendeu a movimentar-se nem sequer para balbuciar. Deves observar o bebê espiritual que está dentro de ti da mesma forma que o fazes com uma criança comum ou um bebê: tal como a língua na boca de um bebê está imóvel porque não sabe ainda como falar ou os movimentos certos para falar, o mesmo acontece com a língua interior da mente; estará alheia a todo o discurso e pensamento: estará apenas ali no seu sítio, pronta a aprender os primeiros balbucios dos enunciados espirituais.

5. Assim, há o silêncio da língua, há o silêncio de todo o corpo, há o silêncio da alma, há o silêncio da mente e há o silêncio do espírito. O silêncio da língua é a abstenção de todo o discurso maldoso; o silêncio de todo o corpo dá-se quando todos os seus sentidos estão desocupados; existe silêncio da alma quando desprovida de maus pensamentos irrompendo nela; o silêncio da mente é a ausência de reflexão sobre ensinamentos prejudiciais; o silêncio do espírito existe quando a mente se abstém até mesmo de inspirações causadas por criaturas espirituais e todos os seus movimentos são inspirados apenas por Deus, no assombro tremendo do silêncio que envolve o Ser.

6. Estes são os graus e medidas que podem ser encontradas no discurso e no silêncio. Mas se ainda não os alcançaste e te encontras muito longe deles, permanece onde estás e canta a Deus usando a voz e a língua em amor e temor. Canta com esmero, trabalha tenazmente até alcançares o amor. Permanece no temor de Deus, como é de seu direito, e deste modo serás considerado digno de O amar com um amor natural – Ele que se deu a nós na nossa renovação [batismo].

7. E quando recitares as palavras da oração que te escrevi, tem cuidado para não as repetires apenas, mas deixa que o teu ser se transforme nessas palavras. Pois não há qualquer proveito na recitação a não ser que a palavra de fato se incorpore em ti e se torne ação, e assim serás visto pelo mundo como homem de Deus – a quem é devida a glória, a honra e a exaltação, pelos séculos dos séculos. Amém!

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João, o solitário (extraído do site Ecclesia)

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Deus definitivamente não cabe numa teologia, seja ela qual for. Não tem como domesticar o Grande Criador do universo e aprisioná-lo numa jaula de dogmas e sistemas doutrinários. Quando falamos da teologia estamos tratando de uma ótica em que alguém compreendeu, ou pelos menos pensa assim, Deus e o seu relacionamento com as demais coisas existentes. Por isso, toda teologia por mais bíblica que seja possui fissuras, pois, a mesma é feita por homens pecadores e imperfeitos. Ninguém jamais, jamais, terá uma compreensão total do ser divino. Deus permanece habitando em luz inacessivel. Acredito que deveríamos aprender com os serafins que com duas asas taparam o rosto perante a majestade entronizada pelos séculos sem fim.

O grande problema da teologia, principalmente a acadêmica, é de achar que Deus é uma coisa que pode ser objeto de estudo humano. Que tolice: o infinito e  eterno querendo ser compreendido pelo finito e passageiro! E em meio a esse delírio humano, especialistas, doutores e mestres dissecam a Deus como os estudantes de ciências dissecam um sapo para ver o que tem dentro. Inevitavelmente o sapo precisa ser morto para que possa ser estudado dessa forma. É claro que Deus não morre, mas, quando o homem se coloca como especialista em divindade outras coisas, invariavelmente morrem: o temor, o espanto, o assombro, aquele arrebatamento em amor que nos faz silenciar reverentemente ante a glória refulgente.

De forma alguma sou contra a teologia. Acredito que teologia e espiritualidade podem e devem caminhar de mãos dadas, como boas amigas. No entanto, precisamos urgentemente de uma teologia que não ousa estudar Deus, que não se infla em querer entender a Deus. Carecemos de uma teologia que acolha o mistério, que resguarde as devidas proporções do que podemos saber e o que permanece em santa escuridão. Precisamos de uma teologia mais mística que nos introduza na chama do Sagrado, que arrebate nossos sentidos em amorosa e profunda contemplação do Ser Amante. Em outras palavras precisamos de uma teologia espiritual e menos academicista. Uma teologia que flua do âmago do ser humano. Que permita que as verdades acerca de Deus desçam da mente e assentem no coração. Necessitamos sim de uma teologia que torne a experiência com Deus (espiritualidade) algo possível e concreto na vida daqueles que seguem o Caminho em adoração.

Teologia sem espiritualidade é aridez mórbida. Ao passo que espiritualidade sem teologia é emocionalismo exacerbado, é crendice sem fundamento e exoterismo pagão. A teologia pavimenta a espiritualidade com as verdades acerca de quem Deus é, o que ele faz e o que espera de nós. A espiritualidade, poder-se-ia dizer que é o embelezamento do caminho que devemos trilhar: são as árvores, as roseiras silvestres, os pores do sol que tornam a jornada mais cheia de significado e bondade.

Contudo a teologia pode ir até certo ponto do caminho. Quando se depara com o mistério deveria, humildemente, dar espaço para que a espiritualidade se prostre e nos conduza até onde não poderíamos mais ir através dos compêndios filosóficos e doutrinários, por melhores que sejam eles. Tem coisas que nem uma boa exegese pode nos conceder. Existem experiências que transcendem toda e qualquer argumentação humana por mais teologicamente exata que seja.

Eu já fui adepto e ferrenho estudioso e defensor da teologia  acadêmica. Vivia debruçado nos livros, comentários e coisas dessa natureza. Deus, para mim, tinha se tornado um objeto a ser estudado e não alguém que me amava profundamente e ansiava ter comunhão comigo. Minha vida espiritual se tornou numa aridez de deserto. Oração e meditação bíblica desapareceram da minha vida. Eu só abria a Bíblia com o propósito de consulta-la para um sermão, aula de EBD ou qualquer outro tipo de estudo e não para ouvir a voz do meu amado Abba, paizinho. A teologia acadêmica me fez ficar oco por dentro. Um coração gelado e crítico quando o assunto era Deus e as coisas relacionadas a Ele.

A misericórdia divina brilhou novamente sobre mim quando um amigo de longa data me apresentou a teologia espiritual, a espiritualidade clássica e os grande místicos da fé cristã. Ah Deus! Voltei a respirar. Posso dizer que o meu coração voltou a “bater” no ritmo da paixão que  meu Amado tem por mim.

O grave erro da teologia é querer explicar tudo. Não quero mais explicações. Desejo mais mistério, porque necessito de contemplação. Fui criado para isso. Essa é a minha vocação mais essencial.

“Uma coisa pedi ao Senhor é o que procuro: que eu possa viver na casa do Senhor

todos os dias da minha vida, para contemplar a bondade do Senhor…”

(Sl 27:4)

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REINO DE DEUS

Deus reina! Essa é uma verdade que não tem dupla interpretação. Não nos confundimos. Não nos restam dúvidas. É o que as Escrituras Sagradas nos afirmam prodigamente.

“No ano da morte do Rei Uzias eu vi o Senhor assentado

num alto e sublime trono” (Is 6:1)

No entanto com que se parece esse Reino que pertence a Deus? Como ele se apresenta diante de nós? Qual a sua expressão visível, audível e sensível? Muitos diriam, porque assim foram ensinados, de que o Reino de Deus é a igreja, a comunidade dos salvos em Jesus. Expressões do tipo “trabalhar pelo Reino” e “fazer a obra do Reino” são comumente proferidas e ouvidas no seio da igreja. Na verdade eu mesmo, alguns anos atrás, faria coro com essas afirmativas. De longe não me passaria qualquer outra ideia a esse respeito.

Contudo, de uns anos para cá  tendo contato acima de tudo com o testemunho das Escrituras, mas também com meus mentores da espiritualidade cristã clássica, tenho obtido uma outra visão e esclarecimento acerca da enorme e avassaladora amplitude do Reino.

Um dos pontos que ficou-me muito claro é que não podemos restringir o Reino de Deus à igreja. O Reino não é a igreja e a igreja não é o Reino. Pelo contrário, a igreja faz parte dele e ele da igreja. A comunidade dos salvos são pessoas que vivem inseridas nesse Reino “no meio de nós”. Vivem na consciência permanente e dinâmica da presença do Deus que governa sobre tudo e todos.

“Do Senhor é a terra e a sua plenitude;

o mundo e os que nele habitam”

(Sl 24:1)

No meu entender existem problemas a se reduzir o Reino de Deus a igreja e o que se faz através da mesma. Primeiramente a questão ética de se cair numa atitude de superioridade e arrogância espirituais do tipo “nós somos cidadãos do Reino”. Olhando as demais pessoas como bárbaros infiéis e inimigos. Pessoas inferiores porque não estão “dentro” do Reino de Deus. Deixemos algo bem claro aqui: uma coisa é sermos cidadãos do reino, pessoas que pela misericórdia e graça  hoje reconhecem o Senhorio de Deus em suas vidas e outra bem diferente é sermos o próprio Reino sobre a face da terra. Não poderia existir vaidade maior.

Se não bastasse esse mal ainda existe a questão do desamparo bíblico. Afirmar que a igreja é o Reino e o Reino a igreja é ir de encontro ao testemunho da Palavra eterna do Rei.

A PREGAÇÃO DE JESUS

No início de seu ministério a primeira pregação de Jesus acerca do Reino se deu nessas palavras: “O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam no evangelho” (Mc 1:15). Jesus retorna da Galiléia anunciando que agora o que antes era uma profecia, nEle se cumpria: o Reino de Deus estava acessível (próximo) a todos. O que nos chama a atenção é que essa afirmativa de Cristo se deu num momento em que a igreja ainda não existia. Na verdade ele ainda nem tinha chamado ninguém para segui-lo. Se a igreja é o Reino e vice-versa, como poderia Jesus afirmar que o mesmo (o Reino) está acessível sem que a aquela (a Igreja) estivesse presente sobre a face da terra? Que incoerência seria essa a do Mestre! Mas, não há nenhuma. Pois, definitivamente, o Reino de Deus inclui a Igreja, porém, ela somente não o totaliza.

BUSCANDO O REINO

Uma segunda evidência é o convite que Jesus faz aos seus seguidores em Mt 6:33 – “mas buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça…”. Com certeza, com a concepção que impera na mente da maioria dos cristão, se o Senhor tivesse proferido essas palavras hoje, buscar o Reino seria fácil de ser feito. O único trabalho que teríamos seria o de acharmos uma igreja próxima de nossa casa e passarmos a frequentá-la assiduamente. Quem sabe os mais consagrados até se colocariam á disposição para servir em algum ministério e assim fariam a obra do Reino.  No entanto Jesus destrói toda a nossa vã pretensão de reduzir o Reino. Isso porque como aquelas pessoas a quem Jesus  se dirigiu poderiam cumprir sua ordem, se a igreja seria inaugurada anos depois no evento do Pentecostes? Não seria outra contradição de nosso Senhor? Contudo nEle não há trevas. Aleluia! Nem sombra de contradições. Isso porque a igreja não é o Reino. Pertence a ele. Sim. Mas não é ele.

A ORAÇÃO QUE O SENHOR ENSINOU

Na oração que Jesus ensinou a pedido de seus discípulos temos uma terceira evidência de que o Reino de Deus é mais do que a Igreja. No começo da prece ele declara: “Venha o teu Reino” (Mt 6:10). Será que quando Jesus ensinou isso ele estava se referindo a algo do tipo “peçam a Deus que a Igreja seja formado logo sobre a face da terra” ? Acredito que não. Parece-me que Cristo se referia a algo presente, que deve acontecer a todo momento. Coisa do tipo aqui e agora e não apenas lá e depois. Era no lá e depois da vida daquelas pessoas que a Igreja habitava. Contudo Jesus os conclamou a evocar o Reino de Deus imediatamente: “Venha (aqui, neste momento, agora, não apenas mais tarde) o teu Reino”.

A vista dessas coisas fica evidente que quando Jesus se referia ao Reino de Deus ele não estava falando da igreja, pois, a mesma viria posteriormente. Logo, se a Igreja não é o Reino, mas, uma expressão do mesmo e talvez a mais contundente, o que seria ele então?

O GOVERNO DE DEUS

Retornando ao texto de Mt 6:10 Jesus prossegue dizendo acerca do Reino de Deus: “seja feita a tua vontade assim na terra como nos céus”. O Senhor de forma esplendorosa atrela  a vinda do Reino com a vontade de Deus sendo feita nesse mundo como é feita no outro. Assim, Jesus afirma que o Reino acontece no momento em que a vontade de Deus é feita sobre sua criação. Concluímos a partir disso que o Reino de Deus nada mais é do que o próprio governo sobreano de Deus e até onde esse mesmo governo se estende. Logo, viver no Reino é viver sob o governo de Deus onde quer que se esteja e levando-o com isso a estender-se sobre a face da terra.

“LEVANDO” O REINO COMIGO

Esse entendimento é revolucionário. Pelo menos assim o foi na minha vida. Saber que o Reino é uma realidade presente e palpável a mim não apenas aos domingos quando por algumas horas sento-me num banco junto com outras pessoas para ouvir uma mensagem e cantar alguns cânticos. Não! Definitivamente. Não apenas na Igreja, mas, também no meu trabalho, em casa no trato com meus queridos, na minha faculdade, na conversa com o meu vizinho, na fila do banco, do supermercado, no engarrafamento sob um sol de quase 40°.  Em tudo, tudo mesmo, que concerne a minha vida, em suas multifacetadas dimensões existenciais a vontade de Deus deve acontecer “assim na terra como nos céus”. Para onde eu for eu carrego o Reino comigo,pois, conforme o Cristo esse mesmo Reino não tem como ser identificado geograficamente, materialmente porque “…o Reino de Deus está dentro de vocês” (Lc 17:21). Dentro de você, dentro de mim desde o momento em que recebemos pela fé a união com o Rei, em Jesus. O Reino começa de dentro para fora, daí a importância que se deve dar ao mundo interior, às realidades do espírito.  Portanto, uma vida contemplativa que se complementa no nosso envio para o mundo para que lá vivamos na dinâmica da presença do Reino, é a única via para experimentarmos o que significa viver no Reino de Deus.

E se assim o fizermos, verdadeiramente, saberemos o que significa sermos “cidadãos” de um Reino de amplitude infinita, convidando todos a se porem sob o senhorio de um Deus que governa soberanamente todas as coisas.

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Reunião na comunidade de Taizé

Silêncio e oração

Se nos deixarmos guiar pelo mais antigo livro de oração, os Salmos bíblicos, nós encontramos aí duas formas principais de oração: por um lado o lamento e o pedido de socorro, por outro o agradecimento e o louvor. De forma mais oculta, há um terceiro tipo de oração, sem súplicas nem louvor explícito. O Salmo 131, por exemplo, não é senão calma e confiança: «Estou sossegado e tranquilo… Espera no Senhor, desde agora e para sempre!»

Por vezes a oração cala-se, pois uma comunhão tranquila com Deus pode abster-se de palavras. «Estou sossegado e tranquilo, como uma criança saciada ao colo da mãe; a minha alma é como uma criança saciada.» Como uma criança saciada que parou de gritar, junto da sua mãe, assim pode estar a minha alma na presença de Deus. Então a oração não precisa de palavras, nem mesmo de reflexões.

Como chegar ao silêncio interior? Por vezes calamo-nos, mas, por dentro, discutimos muito, confrontando-nos com interlocutores imaginários ou lutando connosco mesmos. Manter a sua alma em paz pressupõe uma espécie de simplicidade: «Já não corro atrás de grandezas, ou de coisas fora do meu alcance.» Fazer silêncio é reconhecer que as minhas inquietações não têm muito poder. Fazer silêncio é confiar a Deus o que está fora do meu alcance e das minhas capacidades. Um momento de silêncio, mesmo muito breve, é como um repouso sabático, uma santa pausa, uma trégua da inquietação.

A agitação dos nossos pensamentos pode ser comparada com a tempestade que sacudiu o barco dos discípulos, no Mar da Galileia, enquanto Jesus dormia. Também nos acontece estarmos perdidos, angustiados, incapazes de nos apaziguarmos a nós mesmos. Mas Cristo também é capaz de vir em nosso auxílio. Da mesma forma que falou imperiosamente ao vento e ao mar e que «se fez grande calma», ele pode igualmente acalmar o nosso coração quando está agitado pelo medo e pelas inquietações (Marcos 4).

Fazendo silêncio, pomos a nossa esperança em Deus. Um salmo sugere que o silêncio é mesmo uma forma de louvor. Nós lemos habitualmente o primeiro verso do Salmo 65: « A ti, ó Deus, é devido o louvor ». Esta tradução segue a versão grega, mas na verdade o texto hebreu diz: «Para Vós, ó Deus, o silêncio é louvor». Quando cessam as palavras e os pensamentos, Deus é louvado no enlevo silencioso e na admiração.

A Palavra de Deus: trovão e silêncio

No Sinai, Deus falou a Moisés e aos Israelitas. Trovões, relâmpagos e um som de trompa cada vez mais forte, precediam e acompanhavam a Palavra de Deus (Êxodo 19). Séculos mais tarde, o profeta Elias volta à mesma montanha de Deus. Ali revive a experiência dos seus antepassados: tempestade, tremores de terra e fogo, e ele prontifica-se a escutar Deus falando-lhe no trovão. Mas o Senhor não está nos fenómenos tradicionais do seu poder. Quando o grande barulho pára, Elias ouve «o murmúrio de uma brisa suava», e então Deus fala-lhe (1 Reis 19).

Deus fala com voz forte ou numa brisa de silêncio? Temos de tomar como modelo o povo reunido ao pé do Sinai ou o profeta Elias? Provavelmente isto é uma falsa alternativa. Os fenómenos terríveis que acompanham o dom dos dez mandamentos sublinham a sua importância. Guardar os mandamentos ou rejeitá-los é uma questão de vida ou de morte. Quem vê uma criança correr em direcção a um carro que passa, tem muitas razões para gritar tão alto quanto consiga. Em situações análogas, os profetas anunciaram a palavra de Deus de forma a fazer zumbir as orelhas.

Palavras ditas com voz forte fazem-se ouvir, impressionam. Mas sabemos bem que elas quase não tocam os corações. Em lugar de acolhimento, elas encontram resistência. A experiência de Elias mostra que Deus não quer impressionar, mas ser compreendido e acolhido. Deus escolheu «o murmúrio de uma brisa suave» para falar. É um paradoxo:

Deus é silencioso e no entanto fala

Quando a palavra de Deus se faz «o murmúrio de uma brisa suave», ela é mais eficaz do que nunca para transformar os nossos corações. A tempestade do monte Sinai abria fendas nos rochedos, mas a palavra silenciosa de Deus é capaz de quebrar os corações de pedra. Para o próprio Elias, o silêncio súbito era provavelmente mais temível do que a tempestade e o trovão. As poderosas manifestações de Deus eram-lhe, em certo sentido, familiares. É o silêncio de Deus que desconcerta, porque é muito diferente de tudo o que Elias conhecia até então.

O silêncio prepara-nos para um novo encontro com Deus. No silêncio, a palavra de Deus pode atingir os recantos escondidos dos nossos corações. No silêncio, ela revela-se «mais penetrante do que uma espada de dois gumes, penetra até à divisão da alma e do corpo» (Hebreus 4,12). Fazendo silêncio, deixamos de esconder-nos diante de Deus, e a luz de Cristo pode atingir, curar e mesmo transformar aquilo de que temos vergonha.

Silêncio e amor

Cristo diz: «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei» (João 15,12). Precisamos de silêncio para acolher estas palavras e pô-las em prática. Quando estamos agitados e inquietos, temos tantos argumentos e razões para não perdoar e para não amar facilmente. Mas quando temos «a nossa alma em paz e silêncio», estas razões desaparecem. Talvez por vezes evitemos o silêncio, preferindo-lhe qualquer barulho, palavras ou distracções quaisquer que elas sejam, porque a paz interior é uma questão arriscada: torna-nos vazios e pobres, dissolve a amargura e as revoltas e leva-nos ao dom de nós mesmos. Silenciosos e pobres, os nossos corações são conquistados pelo Espírito Santo, cheios de um amor incondicional. De forma humilde mas certa, o silêncio leva a amar.

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Extraído do site da Comunidade Taizé

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COMUNIDADE MÍSTICA

“Igreja não satisfaz expectativas, celebra mistérios.” Carlo Maria Martini

Lendo a frase acima pus-me a refletir: a que se parece a igreja? Ainda que possa soar como uma pergunta simples, contudo, é de suma importância para que se defina o que ela deve ser e fazer. Nos dias atuais a igreja tem acompanhado o total desfiguramento de sua identidade. A bem da verdade a Noiva de tão ilustre Noivo deixou de ser uma realidade viva para se tornar em algo manipulável segundo os desejos descarados e levianos de certos homens e mulheres.

Há os que enxergam a igreja como um grande negócio. E diga-se de passagem, um negócio muito lucrativo que tem levantado grandes cifras em dinheiro para aqueles que sem escrúpulo algum acabam por manipular a fé frágil e bem intencionada de um povo incauto e sedento por felicidade.  Nestas mega empresas da religião a fé caracteriza-se pelo mero desejo de se obter a bênção; o evangelho é apresentado como um produto a ser adquirido; o líder à frente um hábil comerciante a vender o seu “peixe”; e Jesus um mero coadjuvante subalterno pronto a nos conceder o que pedimos – ou melhor – exigimos e/ou determinamos a ele.

Não se deve estranhar que os locais de reunião de negócios destas igrejas estejam abarrotados de “fiéis”, pois, as mesmas acabam por alimentar um dos instintos mais adâmicos do ser humano: o de ser deus. “Sereis como deuses” é a nova/velha sedução da serpente por detrás das ofertas comerciais destas verdadeiras megaempresas travestidas de comunidades de fé.

Nestes lugares não há liberdade, pois, as pessoas se vêem aprisionadas por pelo menos duas realidades. Primeiro pelo desejo insaciável por bênçãos. Quanto mais se recebe mais se deseja. Assim, estas igrejas tornaram-se em genuínos fastfoods da religião: é só dar a oferta e levar a bênção para casa. E em segundo lugar por um código de conduta que rege a tida igreja/denominação. Desta forma o pastor atua como um gerente a controlar a vida e os passos de seus fiéis/clientes. Os demais membros se vêm como subgerentes prontos a esquadrinhar a vida do irmão e a amaldiçoá-lo em nome de Deus se o mesmo quebrar tal código ou pelo menos questioná-lo.

É certo que tal fenomenologia não apresenta-se apenas nos arraiais de igrejas como as que temos descrito aqui. Parece-nos que se trata de algo generalizado, restando-nos poucas excessões.

Não obstante a tudo isso permanece o chamado divino para que a igreja se apresente como um Comunidade Mística. Mística porque sua membresia é formada por místicos e não por gerentes/clientes. Entenda-se aqui místico no sentido da tradição mística cristã: alguém que experimenta Deus no caminho do amor avassalador, do discipulado e do silêncio interior.  E como isso se dá?

Primeiramente quando a igreja se conscientiza do mistério de sua união ao Cristo vivo. Jesus ressurreto atuando no meio do seu povo: eis o grande mistério da salvação. Quando contemplamos e meditamos em textos como de João 15, somos assombrados da cabeça aos pés com a verdade de que o Cristo vivo e ressurreto não apenas deseja um relacionamento de intimidade conosco. O que  Ele busca, o alvo de sua obra expiatória no Calvário é a união, a simbiose espiritual conosco, de tal forma que afirmemos: “Já não sou eu quem vive, mas, Cristo vive em mim”. A igreja de uma forma mística, misteriosa, que a mente nunca compreenderá plenamente, pelo meno desse lado da eternidade, encontra-se mergulhada e imbuída pela presença vitalizadora de Jesus, o Cristo.

Em segundo, tal união misticamente fornece à igreja a possibilidade de experimentar a pessoa de Jesus de forma real e concretaA igreja sempre deve ser um agrupamento orgânico de pessoas que não apenas creiam pela fé, mas, que também como resultado da mesma, experimente a pessoa doce e bendita do glorioso Verbo de Deus.  Isso porque é bem diferente saber que Jesus está em nosso meio por uma questão de mero assentimento intelectual, e outra saber disso porque Ele nos tocou. Aqui reside o poder da  mística cristã, a verdadeira, embasada nas Escrituras: a experiência tanto individual como comunitária com Deus.  Quando olhamos as Escrituras percebemos que os primeiros cristãos tanto na sua forma individual quanto coletiva  não apenas criam que Jesus estava com eles, mas, sabiam disso porque viam,ouviam e sentiam. Não estou aqui defendendo um Cristianismo que precise “ver” para crer. Não! Contudo, uma vida cristã que nunca experimenta de forma concreta a presença viva e pessoal de Jesus, biblicamente, parece-nos estranho.

Em terceiro lugar, como resultado dessa experiência mística com Jesus, a igreja torna-se – ou pelo menos deveria ser assim – num local de vidas transformadas e formadas à semelhança de Cristo. Estamos falando da mística cristã como uma experiência maciça, concreta com  a realidade espiritual. Sendo assim precisamos estabelecer uma via, um caminho igualmente prático que conduza-nos a esse objetivo. Nos séculos de cristianismo homens e mulheres com fome e sede de Deus extraíram das Escrituras práticas espirituais que tinham como propósito levar o devoto a uma experiência com a presença de Deus. Tais práticas foram testadas, experimentadas e comprovadas como eficazes por muitos. Disciplinas espirituais como silênio, solitude e meditação bíblica formaram cristãos de ambas as tradições de confissão cristã produzindo homens e mulheres que refletiam em seu viver diário a vida do próprio Jesus. De uns tempos para cá temos visto o que poderíamos chamar de um verdadeiro avivamento místico no seio da igreja. Deus tem despertado e levantado uma gama de homens e mulheres que têm redescoberto o caminho contemplativo como via de transformação do caráter humano. Isso de certa forma enche o meu coração de esperanças de que o próprio Deus está removendo Seu povo de uma experiência cristã epidérmica, superficial para uma profunda e espiritualmente formadora. Queira Deus que muitos outros sejam contagiados por esse mover divino de renovação da igreja. Acredito piamente que essa é a única forma de estancarmos a avalanche de desvios a que a igreja se entregou nos últimos tempos.

Voltando á pergunta inicial: a que se parece a igreja? Num sentido secundário ela tem que ter a aparência de uma comunidade. Uma comunidade de pessoas salvas que vivem suas vidas em novidade. Ela deve transparecer ao mundo o amor de Jesus vivido no amor de uns para com os outros.

No entanto, de forma mais profunda a igreja deve  se parecer com Jesus. E isso se dá única e exclusivamente pela via mística através da união com Cristo que nos possibilita experimentarmos de forma pessoal e concreta a Presença, o que nos leva à transformação do caráter por meio das disciplinas espirituais tanto no âmbito individual quanto coletivo.

Que cada um dos filhos de Deus decidam tornar-se verdadeiros místicos e não gerentes de franquias de um comércio religioso que só desonra o nome Querido de Jesus.

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Você já parou para pensar que todo dia é dia de sol? Não importa se as nuvens estão negras como piche, ou se está chovendo canivetes. Todo dia que se preze é um dia ensolarado. Essa afirmação soa com estranheza porque olhamos o que há debaixo das nuvens e da chuva. Não contemplamos o que está acima.

O que se dá é que o sol com seu calor e com seus raios sempre está lá. Só que em alguns dias as nuvens de chuva (que são outra bênção) o encobrem, dando-nos a sensação de que ele não está onde deveria estar. Contudo, isso é uma falsa impressão. Acontece que se nosso amado sol desaparecesse ou esfriasse, toda forma de vida em nosso planeta pereceria. O astro rei é imprescindível para que a vida continue acontecendo e se perpetuando.

O fato mencionado acima serve como uma clara ilustração do restante da vida. Assim como as nuvens encobrem a beleza do sol que sempre está no mesmo lugar, por detrás das realidades ordinárias da vida se esconde o extraordinário de Deus.

O profeta Isaías, na revelação recebida do Senhor, deixou-nos registrado o cântico de júbilo entoado pelos serafins diante da majestade do Deus assentado no trono:

Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos;

toda terra está cheia da sua glória

(Is 6:3)

Uma declaração como essa nos faz perceber que existe muito mais para ser ver do que nossos olhos conseguem captar. Mais beleza do que se pode imaginar! O mundo em que vivemos de realidades esplendorosas como cachoeiras, oceanos, florestas e bem-te-vis; bem como de dimensões nem tão bonitas como engarrafamentos de trânsito, filas abarrotadas nos supermercados e buzinas de carros, todos eles, mas todos eles mesmo, escondem por detrás de si ecos da presença divina. 

O que nos falta é pararmos para perceber, ver e ouvir o que a graça de Deus deseja nos oferecer, mesmo que o veículo até nós seja o mais improvável para que isso acontecesse.  Quem sabe se assumíssemos uma outra postura diante da sacralidade da vida não seríamos deveras surpreendidos por tamanha beleza. Talvez precisemos, ao passarmos por uma estrada, diminuir a marcha do carro afim de contemplar uma roseira silvestre que por capricho do Grande Jardineiro acabou por brotar à beira do caminho. Contudo, se corremos a 90, 100 Km/h provavelmente não veremos tamanha riqueza. Ou quem sabe na fila do mercado, enquanto esperamos chegar nossa vez, podemos travar um diálogo com a pessoa à nossa frente ou atrás de nós e assim descobrir numa conversa informal uma alma que talvez anseie por plenitude de vida, anseie por Deus. No entanto, se as encararmos como “mais um na fila” tornaremo-nos iracundos e impacientes com a aparente demora do caixa. Digo aparente porque quem sabe tamanha demora na verdade não é demora, mas, oportunidade. Que muitas das vezes deixamos passar…

Muitas pessoas já relataram o assombro de terem sobrevoado de avião acima das nuvens. Elas nos contam que a cena é tão gloriosa que é difícil de ser traduzida em palavras. É algo para se estar lá e ver. Algo para ser experimentado pessoalmente. Acredito que precisamos urgentemente da ação do Espírito Santo para nos fazer alçar o vôo “acima das nuvens” para que possamos contemplar o Sol da Justiça que continua a iluminar e fazer o mundo ao nosso redor arder com sua santa presença.

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Há 17 anos na vida cristã, tendo vivido esses anos em comunidade, e poucos atrás tendo contato com a espiritualidade cristã clássica, ficou-me claro a grande confusão entre espiritualidade cristã e religiosidade humana. Muitos equivocadamente pensam estar vivendo aquela quando na verdade estão engodados por essa. Por isso, é de suma importância a clara distinção entre uma e outra:

1. A religiosidade é dogmática, alicerçada em regras e prescrições criadas pelo homem. Ela aprisiona, esquarteja e diminui a alma. A espiritualidade cristã , perdoe-me a redundância, é essencialmente espiritual. Ela trata do mover do Espírito de Deus em nós, mover esse pavimentado pelas Escrituras. A espiritualidade é pessoal, dinâmica e profundamente experimental.

2.  religiosidade é exclusivista e sectarista. Ela só bebe das fontes de sua própria tradição. Ele é fechada aos outros ares que podem trazer os sussurros de Deus. Ela infla-se ao asseverar: “Isso não é evangélico” ou “Isso não é católico”. Já a espiritualidade cristã é inclusiva, aberta ao que vem de fora de “arraiais” inexoravelmente preestabelecidos. Ela discerne e aprecia o rastro da graça de Deus que existe em todas as tradições cristãs. Ela sabe que Deus não se prende a rótulos e que Ele falou através da pena de homens e mulheres que o amaram e se devotaram a ele apaixonadamente.

3. A religiosidade busca realizações. Ela é essencialmente materialista. Ela está preocupada com o “ter” e não com o “ser”. Essa religiosidade disfarça-se covardemente de algo espiritual quando mede a qualidade da vida cristã das pessoas por aquilo que elas realizam e/ou conquistam. A espiritualidade cristã,  por sua vez, preocupa-se com o “ser”: o tipo de pessoa que você e eu estamos nos tornando com o passar dos dias. O grande alvo dela é formar-nos espiritualmente, afim de que, nosso viver cotidiano, reflita na sua integralidade e integridade a imagem de Jesus Cristo.

4. Como foi dito acima, a religiosidade por buscar realizações materiais, acaba por ser agitada e barulhenta. No afã das conquistas as pessoas acabam se perdendo no meio do caminho e sobretudo perdendo a própria alma.  No frenesi da busca de se fazer coisas para Deus acaba faltando espaço para se ouvir a Deus. Por outro lado a espiritualidade cristã tem nas disciplinas espirituais principalmente aos do silêncio e solitude o pano de fundo para uma experiência mais profunda com Deus. Ela não nega o mundo do cotidiano com suas idiossincrasias multifacetadas, corres-corres, dores e contradições. Um mundo de sirenes de ambulância, toques de telefone e sinais de trânsito.  Pelo contrário! No encontro a sós com o Senhor, onde silenciamos nossa alma e escutamos sua doce voz, todo o restante que concerne à nossa vida recebe seu sentido e significado mais profundos.

6. religiosidade, por ser um movimento meramente humano, é de caráter antropocêntrico (o homem no centro). Com suas regras e mandamentos feitos por homens não tem o necessário para depor o EU do centro da vida humana. Tem apenas a aparência de piedade, contudo, nega o poder do verdadeiro evangelho de Cristo. A bem da verdade, religiosos jamais tomaram sua cruz e negaram a si mesmos. A espiritualidade cristã , como o próprio termo denuncia é cristocêntrica (Cristo no centro). Ela convida a cada um para seguir o amável nazareno rumo ao Calvário. É a migração de uma vida do centro do nosso falso Eu criado à imagem e semelhança do pecado para o verdadeiro Eu criado em Cristo Jesus. A espiritualidade deseja conceder-nos a graça de não apenas poder dizer: “Já não sou em quem vive mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20), mas de poder ver isso concretizado na vida diária de cada seguidor do Mestre.

Muito mais se poderia dizer acerca das diferenças entre a religiosidade humana e a espiritualidade cristã. Contudo, os pontos que foram mencionados já nos podem dar uma clara ideia do antagonismo entre ambas. Acerca do mesmo, religiosidade X espiritualidade ficou assim:

DOGMÁTICA  X  ESPIRITUAL

SECTARISTA  X  INCLUSIVISTA

MATERIALISTA  X  ESPIRITUALMENTE FORMATIVA

AGITADA/BARULHENTA  X  ESPIRITUALMENTE DISCIPLINADA

ANTROPOCÊNTRICA  X  CRISTOCÊNTRICA

Cabe a cada um fazer sua própria escolha.

E aí, você quer ser uma pessoa espiritual ou um religioso?

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