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Archive for maio \31\UTC 2012

As nossas atitudes, ações e reações, dependem diretamente do estilo de vida que adotamos no cotidiano. Os hábitos que iremos desenvolver, servirão como base para a excelência ou futilidade de nossas palavras e gestos.
Por exemplo, um jogador de futebol que tem como recursos sua agilidade, dom natural de jogar bola, reflexos rápidos e etc, somente os poderá utilizar com destreza se houver um preparo prévio para isso. Não é à toa as horas incontáveis de exercícios físicos, treinos em dia de sol, como em dia chuvoso, dieta rigorosa e muitas outras coisas. Qualquer atleta que se preze jamais acharia que na hora importante do jogo, ele poderia ter um bom desempenho sem antes ter todo este preparo. Assim, a vida rigorosa e controlada do jogador é que o possibilita a gozar de grande performance nas horas curtas e importantes dos jogos.
O grande problema que a sociedade enfrenta nos dias de hoje é exatamente a ruptura do caráter com o carisma. Ou seja, as pessoas se enganam ao achar que podem experimentar níveis de vida mais elevados, seja na esfera material ou espiritual, sem antes terem que modificar a maneira como vivem. Muitos querem conseguir pagar suas dívidas e terem uma vida financeira estável. Nada errado nisso. Porém, estas mesmas pessoas, não desejam abrir mão de suas vidas extravagantes que as levam a consumir mais do que deveriam e poderiam. Políticos e líderes mundiais discursam sobre o desejo do fim das guerras e desigualdades mundiais. Mas não estão dispostos a deixar de lado a imposição de uma política econômica que favorece uns poucos países ricos, enquanto uma grande maioria de nações com poucos recursos, sobrevivem em uma situação que beira a fronteira da total miséria. O fato é este: não dá para se ter carisma sem antes ter caráter; não é possível se desejar atos excelentes sem antes cultivar um estilo de vida excelente.
Na vida espiritual não é diferente. As nossas atitudes como cristãos dependerão, essencialmente, do tipo de vida cristã que cultivamos no corre-corre do nosso dia a dia. Se desejamos seguir a Jesus, sermos como ele foi, e realizarmos obras maiores do que as Suas, devemos adotar o estilo geral do tipo de vida que ele viveu. Neste momento corremos um grande perigo, de acharmos que a vida de Jesus só se resumiu naquilo que ele fez publicamente: curando enfermos, ressuscitando mortos, ensinando a verdade, perdoando os pecadores, libertando os oprimidos de Satanás. Contudo, nos esquecemos que esta vida de Cristo “sob os holofotes” era apenas o resultado natural da vida que ele cultivava no seu particular, quando não estava “sob os holofotes”. A vida que Jesus vivia, os hábitos espirituais que ele aprendeu a cultivar, era o que o permitia fazer o que fez e da maneira que fez. Uma vida de “disciplinas espirituais” como solitude, silêncio, jejum, oração, contemplação, serviço e outras mais, é que eram o Seu segredo da vida em plenitude que ele revelou para nós. As boas novas do evangelho é que esta vida, bem como os meios para experimentá-la, estão a nossa disposição, como esteve para o Senhor Jesus, e para todos aqueles que decidiram imitá-lo ao longo dos tempos.
Exercitemo-nos na piedade, cultivemos hábitos espirituais e devocionais diariamente, busquemos um estilo de vida excelente, para que, deste modo, as comportas do Espírito sejam abertas e as torrentes da virtude de Deus sejam derramadas sobre nós, nos enchendo da Sua vida, e nos livrando de uma existência frustante e trivial.

“Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (1Jo 2:6)

 

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Lamento muito o fato que para a maioria dos cristãos a fé é apenas uma crença moral e comportamental, de um lado; e, de outro lado, apenas um poder mágico, mediante o qual se pode conseguir coisas, bens materiais e proteção contra a magia, ou ainda poder para subjugar inimigos.
 
Para a maior parte dos crentes a fé foi reduzida a tais coisas!
 
Todavia, a fé como relação com Deus, como meio de agradá-Lo, como sustento do espírito na existência, como fidelidade, como poder que atua pelo amor, como constrangimento de amor no coração que cresce em devoção, como conforto e proteção [sem magia], como confiança no cuidado do Pai, como poder que brota do intimo para ser no mundo, como expressão da consciência de Deus em nós; e como olhar existencial que nos conduz a perseverarmos e mesmo nos gloriarmos nas tribulações; e mais: que nos deixa antever a glória de Deus por vir a ser revelada plenamente em nossas vidas — sim, tal e tais perspectivas da fé estão praticamente mortas nos corações dos cristãos de hoje.
 
Com isto sucumbiu também a fé como poder/privilégio de perdoar, de não odiar, de não se vingar, de crer na justiça de Deus ao seu tempo…, etc.
 
Além disso, também com tal perversão da fé faleceu a esperança que se alimenta da eternidade, e que tem no por vir seu gozo fomentador de alegria hoje, posto que somente por tal percepção já se possa tratar a morte como morta na existência de todo aquele que crê.
 
Desapareceu também a fé como resposta-em-si-mesma aos absurdos calamitosos da existência, posto que agora, como a fé é poder mágico de proteção, é apólice de seguro, é garantia de que nada sentido como mal jamais nos abata, qualquer coisa que nos venha com tais desenhos catastróficos abala o que se chama de fé.
 
Esta é a morte da fé que se vê nos templos lotados de gente que paga pela crença pagã de que fé seja um poder sem mistério, sem silencio…, mas, ao contrário, sempre com respostas desejadas, sempre com explicações e com resultados aferíveis como bens de consumo e como garantias especiais contra os fatos absurdos da existência.
 
Neste aspecto, a Religião Islâmica não fanatizada oferece princípios mais cristãos aos seus crentes do que o atual Cristianismo misticamente materialista e historicamente saduceu que se instalou entre nós.
 
Isto porque um lado inteiro do Cristianismo está governado pelo misticismo materialista, que é aquele que crê em poderes espirituais, mas apenas para as guerras do aqui e do agora. De outro lado, entre as confissões históricas, o que prevalece é a fé como ética, culto, rito, comportamento, conduta, ao modo saduceu de ser… — porém, sem o casamento como os poderes do mundo vindouro, sem o gozo da eternidade, sem o poder do Espírito, sem o Cristo vivo, sem a consolação sublime, sem a experiência da real presença de Deus na vida.
 
Este é o espírito presente nas crenças práticas da maioria dos cristãos. E, por tais crenças, saiba-se: o Evangelho como poder de Deus ficará dia a dia mais morto nos corações humanos e nas casas de culto sem Deus.
 
Somente tal constatação, seguida de uma determinação radical de abandonarmos todos os nossos pressupostos, e que nos levasse de volta a leitura com fé simples nos evangelhos e no que Jesus e os apóstolos chamaram de fé, é o que poderia ainda nos salvar do paganismo cristão que levou a quase todos de roldão.
 
Para mim este é um dos sinais mais gritantes dos fins dos tempos, especialmente numa época em que nãos nos faltam Bíblias e nem acesso a informação da Palavra; posto que tal calamidade não decorra de ignorância apenas, mas, sobretudo, da escolha.
 
Digo a mesma coisa mais uma vez, sempre com a mesma oração de que alguém ainda entenda, veja, discirna, escute e se converta!
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* Caio Fábio – extraído do site oficial do autor
 

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FERIDAS QUE CURAM *

“Ninguém escapa de ser ferido. Somos todos pessoas feridas, física, emocional, mental ou espiritualmente. 
 
A questão principal não é “como podemos esconder nossas feridas”, para assim não nos sentirmos envergonhados, mas “como podemos colocá-las a serviço de outros”. 
Quando nossas feridas deixam de ser uma fonte de vergonha e passam ser a uma fonte de cura, tornamo-nos pessoas feridas que curam.
 
Jesus é o enviado de Deus que, mesmo ferido, cura. Por meio de suas feridas somos curados. O sofrimento e a morte de Jesus trouxeram alegria e vida. Sua humilhação trouxe glória; sua rejeição, uma comunidade de amor.
Como seguidores de Jesus, também podemos permitir que as nossas feridas tragam a cura aos outros.”
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* Henri  Nouwen – extraído do site Genizah
 
 

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Aquele era o meu mundo… Ali eu existia sendo eu mesmo, sendo um todo, sendo meu. Fechada a porta, luzes se acendiam, cenários se desvelavam, via-me alçado ao imaginário, viajava sem sair do lugar, visitava outros ambientes, outros “planetas”! Mesmo na escuridão da noite, podia enxergar perfeitamente. O rádio tocava canções para embalar meus pensamentos, músicas antigas, daquelas que lhe acalmam, lhe entorpecem.

Todo mundo precisa de um “quarto”. Um lugar só seu, feito de estrelas e breu, com chaves só pelo lado de dentro, impenetrável, inviolável, onde nada do mundo exterior possa lhe atingir. Chega de tanta realidade! Há de se poder “delirar” um pouco, pois quem suporta viver o concreto o tempo inteiro? Naquele “quarto” eu me despia de tudo o que não era, me vestia de tudo o que gostaria de ser. Ali “…eu era o rei. Era o bedel e era também Juiz. E pela a minha Lei a gente era obrigado a ser feliz”. Chico Buarque.

Mas eu cresci, mudei de lugar, mudei de “quarto”… O novo não era do mesmo jeito, tinha mais glamour, mas nele o “show” não acontecia à noite, as cortinas não se abriam, os palhaços não apareciam, a vida era rotina e solidão. Eu tinha saudades do “velho amigo”, daquele pedacinho de mundo que eu havia criado, tecido de pétalas, coberto de sons, de cores, fantasias, onde sempre havia festas, risos, era um mundo dentro do meu mundo, um refúgio, um lugar onde me sentia protegido.

O tempo se passou… Os sonhos se esfarelaram pelo chão da vida. As estrelas despencaram do firmamento, o sol se pôs, tudo ficou denso, escuro, cheio de silêncios, de poeira levada pelo vento. A realidade veio me brindar com sua dose de fatalismos, com seus desgastes próprios, trouxe consigo as dores de existir, de crescer, de ter de enxergar e não mais ver, de ter de ter e não bastar apenas ser. E eu pensava comigo: “eu queria tanto estar no escuro do meu quarto a meia-noite, a meia luz, pensando, daria tudo por meu mundo e nada mais”. Guilherme Arantes.

Aí eu fiz o que já devia ter feito há muito tempo! Voltei para dentro do “quarto”! Sim, descobri que esse “lugar” não precisa ser real, pode ser imaginário, acessível pelos “conduítes” da alma, disponível a qualquer hora. Nele é possível afrouxar os nós da gravata, não atender ao celular, nem ter de ler e-mails ou olhar extratos bancários. São breves momentos que duram uma eternidade, pois ali você é só seu e de mais ninguém.

Bem afirmou Henry Miller, ainda que pareça idiotice: “manter a mente vazia é uma proeza… Estar silencioso o dia inteiro, não ver nenhum jornal, não ouvir rádio, não escutar tagarelices, estar perfeita e completamente ocioso… Os jornais engendram mentiras, ódio, ganância, inveja, desconfiança, medo, maldade. Nós não precisamos da verdade como ela nos é servida nos jornais diários. Precisamos de paz, solidão e ociosidade”.

Jesus era um homem de oração, de reclusão. Tinha necessidade do isolamento, da introspecção, da busca do intangível, do imaterial, de alimentar sua alma de verdades e não apenas de coisas. Ele também tinha um “quarto” desses… Estava em todo lugar e em lugar nenhum. Às vezes era o jardim, em outras as montanhas. De certa feita, fez dele a beira mar e, num outro momento, uma estalagem qualquer, no meio do nada, acolhido pelo frio, embalado pelo cansaço, debaixo do céu estrelado, deitado sobre o chão. Ali sentia os aromas do deserto, sabia que mesmo sem ter onde reclinar a cabeça, possuía um “quarto” somente seu…

Recentemente, visitei aquele “cantinho” da infância. Depois de 27 anos voltei ao apartamento onde meus pais moraram por quase duas décadas. Nele estava residindo um casal de velhinhos. Muito simpáticos, me convidaram a entrar. Mostraram-me a casa reformada, as mudanças realizadas. Tudo ficou muito bonito.

Mas houve um momento em que eu cheguei ao quarto que havia sido meu. O coração acelerou, os olhos encheram-se de lágrimas, uma nostalgia irresistível tomou conta de minha mente pragmática, não dada a muitas emoções. “Eu dormia aqui”, disse. O casal me deixou só por alguns instantes, tempo suficiente para ver toda minha vida diante dos meus olhos.

No canto do quarto, sentado na cama, estava eu mesmo, com uns 11 anos de idade. Eu olhei para mim e me perguntei: “como você está?”. Com voz embargada, o outro eu de mim mesmo respondeu: “eu tô bem, eu vou indo…”. O “garoto” insistiu: “você está mais velho, há marcas no seu rosto, e outras na sua alma. As de fora não importam tanto, as de dentro, todavia, talvez nem mesmo o tempo possa apagá-las.”. “Tenho de ir”, disse. “Vá com calma, ele falou. Vá mais leve, mais livre, vá com Deus!”.

Já faz meses que vivi esta experiência imaginária, ficcional… Ela me ajudou a entender algumas coisas; outras eu ainda estou discernindo, aos poucos, lentamente. Não consegui escrever sobre este fato antes, talvez por medo de me expor, talvez por medo do leitor, talvez por medo de mim mesmo… É que eu sei que “minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas… Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia”. Nietzsche.

Agora, com todo respeito, peço-lhe licença: vou para o meu “quarto”. Não, não é o quarto do meu apartamento, é o “quarto” que abriga a minha alma e o meu coração. Você não tem um desses? Bem, sugiro que adquira um o mais breve possível. Mas não procure nos classificados, nem se preocupe com dinheiro, este “quarto” está dentro de você, e só você pode encontrá-lo, entrar nele, e usufruir o que de melhor ele possa lhe proporcionar.

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* Carlos Moreira – Extraído do site Genizah

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Há alguns sábados atrás, minha amada esposa me aplicou um belo susto: fomos correndo para o hospital com ela sentindo crescentes dores fortes no estômago. Após um logo atendimento, que me possibilitou desfrutar e concluir a leitura da obra magistral de S. João da Cruz, “A Subida do Monte Carmelo”, o diagnóstico já era de se imaginar: Vanessa deveria procurar um gastro o mais rápido possível, pois, estava no início de um quadro de gastrite nervosa.

Conversando em casa, após o retorno do hospital, chegamos à conclusão de que sua enfermidade era resultado direto de toda a tensão que ela vem enfrentando já alguns meses. O nervosismo advindo das responsabilidades de ser mãe, esposa, funcionária, somado ainda com o prazo apertado para a entrega de uma monografia de conclusão de curso, não era de se estranhar que seu corpo lhe devolvesse o rebote de toda essa agressão psico-emocional que ela tem represado sobre si. 

No dia seguinte um acontecimento curioso chamou a minha atenção. Após voltar da casa de sua mãe, minha esposa trazia consigo um opúsculo, presenteado por sua irmã,  o qual tratava  exatamente da questão do estresse e de como, supostamente, controlá-lo. Eu achei o título muito interessante, dizia: “Você Sabe Controlar o Estresse?”. O subtítulo é ainda mais chamativo: “Volte a Controlar Sua Vida”. Confesso que não o li ainda e nem sei se irei fazê-lo. Dei apenas uma rápida folheada e pelo que pude perceber o texto é composto de dicas práticas acerca de atitudes que as pessoas devem tomar nas diferentes áreas de sua vida para que o problema do estresse seja resolvido. Um livro daqueles do tipo auto-ajuda. 

O conteúdo do livro apresenta várias definições para estresse. Uma que chamou minha atenção é a que dizia “estresse é o que você sente quando não está no controle” (p.15). Ou seja, para o autor estresse é sinônimo de você não estar no controle de sua própria vida.

De forma alguma quero desmerecer a obra muito menos as boas intenções do autor. No entanto, acredito que aquilo que é sugerido como resposta, solução, para o estresse que é considerado um dos grandes males da vida pós-moderna, na verdade se constitui numa de suas principais causas: o desejo das pessoas de estarem no controle de suas vidas e a frustração contínua que sentem ao perceberem que isso é uma triste ilusão

A ilusão se dá pelo fato de que nada na nossa vida depende exclusivamente de nós. Somos seres que interagimos com outros seres semelhantes a nós que possuem seus próprios interesses. Estes outros humanos, com suas atitudes e decisões, interferem diretamente no andamento e curso das nossas vidas. Na teia de acontecimentos e circunstâncias que compõem a existência é totalmente impossível estarmos no controle em todo momento, em todas as coisas. Esse fato causa medo, insegurança, frustração, ansiedade e inquietação.  Em outras palavras, estresse! 

Dito tudo isso, considerando os fatos, estou convencido que a resolução do mal chamado estresse encontra-se numa proposta completamente contrária à exposta acima. Acredito que o estresse antes de ser um problema físico, psicológico e emocional, é existencial. A grande verdade é que a sensação de abandono interior acaba conosco. Não gostamos de nos sentir órfãos.

Logo, a atitude mais sensata e eficaz para fugirmos dos níveis altíssimos de estresse que têm caracterizado a sociedade de hoje é o de “retornarmos para casa”. Isso significa colocarmo-nos debaixo de uma amizade redentora com o Cristo. E dessa forma, desfrutarmos de uma relação filial com o Deus que se permite chamar de Abba, Pai. 

“Mas a todos que o receberam (a Cristo), aos que crêem no seu nome, deu-lhes a prerrogativa  de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1.12)

Na relação com o Bendito Crucificado todo e qualquer sensação de abandono é extirpada de nossa alma, porquanto agora temos a certeza de que voltamos, como pródigos, para os braços do amoroso Pai.

“Assim não sois mais estrangeiros, nem imigrantes; pelo contrário, sois concidadãos dos santos  e membros da família de Deus” (Ef 2.19)

Não estamos mais sós!

O coração do nosso relacionamento com Deus é a confiança. Não uma qualquer. Brennan Manning a chama de cega. No sentido de ser uma confiança sem quaisquer restrições de nossa parte ao amor, misericórdia e graça de Deus. É o tipo de atitude que uma criança pequena tem em relação a seu pai ou sua mãe. Uma entrega que descansa, se aquieta e silencia na certeza do amor, cuidado e provisão por parte deles. 

Deus, na história da redenção que vem sendo escrita desde as páginas do Velho Testamento, sempre requereu daqueles que estavam debaixo do seu governo, essa atitude de confiança irrestrita (cf. Sl 37.5). Nas páginas do Novo Testamento, as quais nos relatam a plenitude dos tempos no que diz respeito à obra redentora na pessoa de Cristo, o padrão divino não arrefeceu. 

Não se trata apenas do “retorno ao lar” através de Jesus que será a solução definitiva para os males do estresse. Ir a Jesus continuamente, e em sua gloriosa pessoa, experimentar da comunhão eterna é o grande segredo no controle dos níveis de estresse. Recebemos o seu convite, registrado no evangelho de São Mateus 11.28-30 como se segue:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviareis. Tomais sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”

Percebamos as promessas do Senhor nesses versos: “eu vos aliviarei”; “e achareis descanso para a vossa alma”. Alívio e descanso são pérolas de grande valor a que o homem pós-moderno procura desesperadamente encontrar em  meio ao mar agitado do cotidiano. Contudo, sem sucesso!

Esse fracasso, sem sombra de dúvidas, se dá pelo fato de que o dito homem tem procurado o rico tesouro de uma alma não fragmentada em lugares mil, menos no lugar certo: “Vinde a mim” é o convite que o Filho de Deus faz a todos quantos estão “cansados e sobrecarregados”. Em outras palavras esmagados pelas situações estressantes da vida diária. Que não cessam de suspirar pelo paraíso perdido, pelo lar deixado para trás.

Os que já foram conduzidos à cruz de Cristo, que já foram postos  em relação filial com seu Pai, a única alternativa que lhes resta é a de confiar cegamente nas palavras de Jesus transcritas acima. Significa  não apenas saber, mas, sentir e experimentar o fato de que, verdadeiramente, não nos encontramos ao léu, à deriva das situações que chicoteiam o “barco” de nossa história pessoal. 

É conhecimento que transcende palavras e a razão humana e que coloca-nos em contato com a altura, largura, comprimento e profundidade do amor de Jesus, que excede a todo o entendimento. Amor este que nos faz perceber que o anseio e subsequente desespero de querer estar no controle da vida, causa principal do estresse, pode e deve ser substituído pela doce experiência contínua de sermos cuidados pelo Pai de Jesus, hoje, nosso Pai também. Agora, não somos mais nós, mas, Deus no controle de nossas vidas. 

E assim, as diversas situações que envolvem nossa existência: necessidades pessoais, urgências a serem atendidas encontram-se debaixo da atenção amorosa e provedora do Deus e Pai, nosso Deus e nosso Pai, que sabe de tudo o que precisamos antes mesmo de o pedirmos (cf. Mt 6.31,32).

Portanto, a única coisa que devemos fazer é apresentar a ele nossas necessidades e…ficar esperando (cf. Sl 5.3). E claro, continuando a tocar  nossa vida para frente. 

São Paulo nos exorta a essa mesma atitude de confiança cega que apresenta a Deus suas necessidades. Em Fl 4.6 ele escreve: 

 Não andeis ansiosos por coisa alguma; pelo contrário, sejam os vossos pedidos plenamente conhecidos diante de Deus por meio de oração e súplica com ações de graças”

É incrível a ligação dessas palavras do apóstolo com aquilo que nosso Senhor disse a seus discípulos no texto já citado de Mateus 6. No entanto, Paulo não para por aí. Ele nos garante um estado emocional e mental de paz e descanso que resulta dessa entrega confiante em oração, bem diferente do que encontramos em pessoas estressadas:

“e a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento, guardará o vosso coração e os vossos pensamentos em Cristo Jesus” (v.7) 

Deus nos ama. Deus está no controle da nossa vida. Deus sabe do que necessitamos e tem prazer em suprir nossas necessidades. É incrível como ele se preocupa em contar até mesmo os cabelos de nossa cabeça! Portanto, o segredo para o controle dos níveis de estresse é a visitação diária no “quarto secreto” de oração onde, no silêncio e solitude, somos contemplados e contemplamos a face amorosa e secreta de nosso Pai Celestial.

“Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que o vê em secreto, te recompensará” (Mt 6:6)

Há alguns anos atrás diante do nervosismo (estresse) dos passageiros em decorrências dos problemas que estavam acontecendo com os embarques nos aeroportos na cidade de São Paulo, a então prefeita Marta Suplicy deu a seguinte declaração aos estressados passageiros que exigiam uma solução: “Relaxa e goza!”.

Não vou entrar no mérito da questão se o que ela disse teve boas intenções ou se apenas se tratou do descaso de uma autoridade pública ganhando voz perante a mídia. Independente disso, suas palavras traduziram com perfeição o convite de Deus para todos os seus filhos diante dos espinhos da vida: “relaxa e goza! Pois, estou no controle da sua vida. Eu te amo e sei do que você precisa. Não se preocupe, apenas confie em mim sem restrições!”

Por isso, meu querido, NO STRESS!

Paz e bem!

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Os monges do deserto, cristãos que buscaram na solidão do ermo uma experiência autêntica com Deus, falavam da importância da espiritualidade “de baixo”. Desejosos de fugirem da vida religiosa meramente de aparências e palavras bonitas, eles insistiam em que o caminho para Deus começava por baixo, pelo reconhecimento de nossas paixões e pela percepção das regiões sombrias de nossa alma.
Eles rechaçavam os “altos ideais”, as conversações sobre assuntos meramente de cima, questões celestiais e por demais abstratas que só servem para levar o homem para longe de si mesmo e sua própria realidade, devastada e aprisionada pelas paixões.
Esses mestres espirituais, dos quais o ensino não brotava da teoria, mas do andar com Deus diário, prático, que encara as situações do cotidiano não como um empecilho para a vida com Deus, mas como o único caminho para nos levar a uma relação autêntica com o Pai, diziam que antes de querermos “enfeitar o telhado de nossa casa”, deveríamos descer ao “sótão”, àquele lugar úmido em nossa alma, pouco visitado ou mesmo quase nunca, de tão assustador e desprezível.
Espiritualidade de baixo tem a ver com enxergar-se, olhar-se sem a maquiagem da piedade fingida que se mostra aos outros como “bom”. Tem a ver com o desnudar-se diante de Deus e do próximo, não desejando nunca que pensem de nós além daquilo que somos.
Por vezes, nossa intolerância com os pecados alheios, nosso desejo e tendência constante para o criticismo, caracterizado por achar defeitos nos outros e na igreja o tempo todo, trata-se do não reconhecimento dos próprios pecados, reprimidos e não tratados na presença de Deus.
Acostumados ao silêncio e à solidão, a viver na quietude onde as ilusões se desfazem e assim o auto-engano não encontra mais lugar, os eremitas do deserto se tornaram os psicólogos da antiguidade. Treinados em ouvir os sussurros da própria alma, eles não se deixavam impressionar pela espiritualidade desmedida (“de cima”), que insiste em discutir e querer ter a razão nas questões “estratosféricas” da teologia cristã, mas insistiam em prescrever a humildade como caminho para Deus. “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, e Ele, a Seu tempo vos exaltará” (I Pe.5:6), era o lema de vida destes homens.
A verdadeira humildade que conduz a Deus e não aos ídolos do próprio coração, precisa passar pelo reconhecimento de quem sou, minhas mazelas, imaturidades, paixões e idiossincrasias. Neste sentido, o reconhecimento honesto de quem sou contribuirá para tornar-me aquilo que nasci para ser. Paulo, possuía um espinho na carne que era o próprio diabo a esbofetear-lhe o rosto. Mas o poder de Deus, manifestava-se em sua fraqueza.
O caminhar cristão saudável está baseado no auto-conhecimento desprovido de ilusões onde reconheço quem sou, e da noite escura de minha alma parto em direção da luz do evangelho da glória de Cristo, buscando no auxílio de irmãos e da Palavra, nunca isolado, a cura de minhas feridas, a fim de um dia poder tornar-me aquele que aos outros consola, mas com as mesmas consolações que tenho sido consolado.

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* Filipe Barbosa Macedo – Extraído do blog  O Pastor e o Monge 

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UM TRIBUTO À GRAÇA DE JESUS

Oh! Maravilhosa graça de Jesus. Que acolhe o maltrapilho e o veste com as peças da divina filiação. No entanto, continuas incompreendida por muitos.

Tu és escandalosa, extravagante, porquanto, és o anseio furioso em ação de um Deus que ama até as últimas consequências.

É, graça de Jesus, nunca fostes totalmente compreendida e nem nunca serás. Nem quando te expressastes em plenitude histórica na pessoa bendita de Cristo, te receberam.

Isso porque te assentavas para comer com pecadores, paravas para papiar com meretrizes, para amar publicanos. E os que te amam, te anunciam e buscam viver-te recebem a mesma parte que a ti tem sido destinada: incompreensão, denegrimento da imagem, medo, ira e coisas como essas.

Contudo, são homens e mulheres alcançados por ti, mártires modernos, que têm dado o bom nome a tapa para te anunciar. Também sou um maltrapilho de Abba.

Salvo pela graça de Jesus. Confiantemente cego na misericórdia de Deus.

Amém!

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