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Archive for outubro \30\UTC 2012

A guarda do sábado está no centro de toda a espiritualidade cristã, entendendo-a como um princípio de vida e não como uma regra a ser seguida ao pé da letra. Quando adotamos a prática de guardar um tempo a cada semana para fazer uma pausa, estamos abrindo espaço em nossa vida para a graça de Deus.
No sábado, o povo judeu nada fazia, pois entendia que “tudo” já havia sido feito, mesmo que não estivesse. O judeu guardava o sábado como um ato de obediência, mas também de adoração e surpresa diante de tudo quanto Deus lhe havia concedido. Era um dia para estar à disposição de Deus e dos amados do coração.
Temos a tendência, depois de um tempo, de nos acostumarmos com as coisas e então deixarmos de notá-las. No início do romance, ficamos maravilhados com os diferentes tons de cor nos olhos de nossa amada sob determinado reflexo do sol sobre sua retina. Depois de um tempo, conversamos com ela sem nem ao menos olhá-la. Perdemos o “maravilhar”, tornamo-nos sonâmbulos no amor.
O shabbath para o povo de Deus tinha o objetivo de fazê-los “parar e olhar, dar atenção”. Era um dia para dizer “obrigado”. A simples admiração diante da vida, da criação, do lugar onde habitavam exigia uma resposta, um agradecimento, um shabbath. Ao resgatarmos o estilo de vida sabático estamos afirmando que não precisamos de mais nada para ser gratos. Somos gratos. Já recebemos muito, quando nada merecíamos. Trata-se de um dia para dizer que “estamos satisfeitos”. É dar um basta na febre que adoece a alma e a faz arder a todo instante atrás da última novidade. É pisar fundo no freio do carro em alta velocidade chamado “diversão-distração-dispersão”. É um dia em que perguntamos, já sugerindo a resposta adequada: “porque não nada?”. Isso é treinar o coração para perceber a bondade de Deus.
O mandamento diz “guarda o sábado para o santificar”. A verdadeira santificação exige uma vida com pausa. Não se torna uma pessoa espiritual, santa, separada para Deus, andando rápido demais. Há um jargão que devia ser revisto que diz: ‘Deus não usa os desocupados’. Não sei não, acho que não é bem assim. Davi tinha tempo para compor poemas. A meditação (tempo separado para deixar a Palavra germinar em nossa mente…uma atividade intelectual-moral intencionalmente praticada…) é sugerida por toda a Bíblia para os que desejam ser usados por Deus. Jesus cavava em sua agenda messiânica a todo instante, momentos a sós com o Pai, às vezes uma noite inteira.
Penso que Deus precisa de pessoas que saibam fazer pausas. Gente que não se sinta incompetente e ou preguiçosa ao tirar umas horas, uma tarde ou mesmo um dia inteiro para celebrar. Deus precisa de pessoas que saibam colocar em suas agendas tempo para o ócio criativo, onde a alma, à disposição do Espírito, poderá ser restaurada e tornar-se novamente fecunda para Deus, o próximo e para a Igreja.
Quando paramos e desfrutamos daquilo que o Senhor já nos deu, estamos anunciando a salvação pela fé. Parar e desfrutar, é um ato de confiança. O shabbath, expressa o descansar no trabalho e nas realizações de Deus, na justificação pela fé, na obra perfeita de Cristo na Cruz.Saber parar e descansar é um testemunho de fé num mundo viciado em agitação e barulho. É desfrutar das infinitas riquezas da graça, concedidas a todos gratuitamente, em Jesus. Praticar a desaceleração orientada pela guarda do sábado, é estar no mundo como uma testemunha viva da felicidade que só podemos encontrar no amor incondicional – não comprado e nem merecido, mas doado – de Deus em Cristo Jesus. Acho que daí vem o termo “vida desgraçada”: viver sem dar atenção a graça.

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* Pr. Filipe Barbosa Macedo – é ministro na PIB do Vale da Eletrônia – MG

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MINHA ESPIRITUALIDADE

Quando nós começamos a caminhar pela espiritualidade cristã clássica, a primeira coisa que as pessoas podem pensar e questionar é se perdemos nossas “raízes cristãs”, leia-se “evangélicas/protestante”. 
A resposta a este tipo de questionamento é não. Não perdi minhas raízes e convicções cristãs. Pelo contrários, elas estão mais firmes e confirmadas como nunca. A única diferença é que hoje no meu pensamento existe a compreensão de que cristianismo e espiritualidade cristã é algo muito mais amplo e muito mais rico do que o mundo evangélico/protestante que nos foi passado, o qual é apenas uma das dimensões dos mesmos.

Por isso se um ensino, uma percepção ou uma prática tem fundamento na Palavra, é corroborado pela história, logo, é de Deus, para mim pouco importa o rótulo ou o canal pelo qual vieram. No meu entendimento não se trata de ser católico, evangélico/protestante ou ortodoxo. É Cristão! Isso porque as coisas de Deus , seus ricos tesouros espirituais, não podem ser patenteados. Ninguém é o dono da Verdade. Ninguém pode advogar para si o entendimento completo de todas as dimensões da realidade espiritual.
Logo, o que nos falta muitas das vezes é uma boa dose de humildade que nos leve a depormos nossas “armas”, baixarmos nossas defesas, e aprendermos com quem é diferente de nós em alguns pontos, mas, que nem por isso, deixam de ser gente de Deus. Quem está completamente certo? Inexoravelmente ninguém!
E Glórias a Deus por isso! Pois, o que nos salva e consequentemente nos faz irmãos é a fé que depositamos e confessamos em Cristo como Salvador e Senhor. E não nossa exatidão teológica, até porque esta, é uma doce ilusão para os que acreditam nela.
A grande verdade é que tenho tanta convicção em minhas raízes cristã e no que tenho crido apaixonadamente que me sinto livre para duvidar, questionar,ler, reler, desconstruir, reconstruir e principalmente ouvir o que outros, cuja tradição cristã pensa em alguns pontos diferente de mim, têm a dizer.
Pessoas que são hesitantes naquilo que creem, que por  não se sentirem firmes nos seus conceitos pessoais, não ousam atravessar a linha divisória imposta por sua denominação/igreja/teologia-doutrina particular. Escondem-se por detrás de uma pseudo-ortodoxia bíblica tapando os ouvidos e fechando os olhos que nada mais é do que uma fuga desesperada por não suportarem o fato de que o diferente de nós pode ter algo de Deus a nos oferecer. Acabam tornando-se bibliólatras, lendo as Escrituras como os muçulmanos leem as deles, esquecendo com isso que Deus na história encarnou-se num ser humano e não num livro.
Por isso, reafirmo a minha espiritualidade. Espiritualidade essa que não caiu de para-quedas ontem  mas, que vem sendo descoberta através da desconstrução e construção de conceitos, idéias e visão de vida que me foram impostas ao longo de minha caminhada cristã. De que tipo é a minha espiritualidade?
1. A MINHA ESPIRITUALIDADE É CRISTÃ. Pois tem a pessoa do Cristo histórico, vivo e ressurreto como seu fundamento único. É Cristã porque não existiria se eu não tivesse tido uma experiência de salvação, justificação e reconciliação com Deus através de Seu Bendito Filho. É Cristã porque se alimenta de Cristo diariamente, o pão de Deus que desce dos céus. Cada momento devocional, cada disciplina espiritual, cada encontro com a comunidade dos salvos tem o objetivo de experimentar a Presença, o poder e o propósito eterno de Cristo, o Senhor. É cristã porque tem o homem Jesus como meu alvo de pessoa espiritual.
2. A MINHA ESPIRITUALIDADE É BÍBLICA. Ela se fundamenta no conteúdo revelado por Deus tanto no Antigo quanto no Novo  Testamentos. É bíblica porque tenho as Sagradas Letras como minha única regra de conduta  e fé cristãs. Isso não significa que Deus não possa falar comigo de outras formas. Não significa que só posso experimentar Deus quando estou usando a Bíblia. Não! Mas, significa que nenhuma experiência que tiver, por mais “espiritual” que me possa parecer, pode estar em conflito com aquilo que já foi revelado na Santíssima Palavra. Ela é o principal alimento para a minha alma. E quando eu a leio, leio a Cristo e ele me fala ao coração.
3. A MINHA ESPIRITUALIDADE É CONTEMPLATIVA E MÍSTICA. Sim! Sou um inveterado amante da solitude e do silêncio. Pratico diariamente a Lectio Divina. Busco com frequência a prática de outros disciplinas espirituais que nos ajudam no exercitar-se da piedade a que Paulo exortou. Creio na possibilidade das experiências com Deus  que os místicos da tradição cristã relataram. Creio ser possível a consciência da Presença imediata de Deus a que chamam de contemplação. Creio que é possível orar sem cessar. Creio que é possível se experimentar paz e silêncio quando nos recolhemos interiormente com Deus mesmo em meio aos ruídos e correrias do cotidiano.  Descobri a riqueza dos grandes autores devocionais dessa tradição tanto do lado protestante quanto do lado católico. Desde John Wesley até João da Cruz.
4. A MINHA ESPIRITUALIDADE É VIRTUOSA. Com isso não estou querendo dizer que sou alguém cheio de virtude e poucos defeitos. Que sou uma espécie de santidade em forma de gente. Meu Deus, longe disso! Quem me conhece de perto sabe do que estou falando. No entanto, a minha espiritualidade é um constante desafiar a mim mesmo para que permita o agir reformador de Deus em meu interior, afim de que sua obra da graça reflita no meu exterior através de atitudes concretas de vida santa. É uma espiritualidade que não condescende com o pecado, mas, que ao mesmo tempo abre para mim a vereda da misericórdia para que em caindo encontre rapidamente os braços acolhedores de meu Pai. É uma espiritualidade que não permite que eu me acomode ao peso esmagador da culpa e do medo.
5. A MINHA ESPIRITUALIDADE É CARISMÁTICA. Porque entendo espiritualidade como os movimentos do Espírito Santo em mim rumo a Deus. Carismática porque creio que no momento em que me converti a Cristo fui batizado no Espírito Santo e no Corpo de Cristo como membro da igreja universal dos salvos. É carismática porque com a habitação do Espírito Santo em mim, foi-me dado dons espirituais para que eu seja instrumento em suas mãos para a edificação dos membros da comunidade espiritual. É carismática porque creio na contemporaneidade de todos os dons espirituais e que segundo as Escrituras nenhum deles cessou de existir nessa presente ordem. Carismática porque compreendo que para se realizar a obra de Deus e expandir seu Reino sobre a face da terra precisamos do poder do Espírito assim como Cristo necessitou dele em seu estado de esvaziamento e humilhação enquanto na figura humana. Minha espiritualidade é carismática porque creio na possibilidade de se viver cheio do Espírito Santo, ou seja, de se ter uma vida de completa obediência ao mesmo.
6. A MINHA ESPIRITUALIDADE É INTEGRAL. Porque ela não apenas contempla a Deus, mas, também se volta para o meu próximo. Porque ela me faz entender o equilíbrio que deve existir na vida cristã entre contemplação e ação. É integral porque de nada vale a experiência da transfiguração no monte se nos tornamos surdos para o clamor no vale. É integral porque sei que o homem não tem apenas fome de Deus, mas também fome de pão e fome de paz. É uma espiritualidade integral pois o chamado bíblico é do evangelho para todo homem e para o homem todo. Integral porque o amor bíblico não fica apenas em palavras, mas, sobretudo se materializa em atos simples e concretos de bondade como um copo de água fresca ou de uma visita ao enfermo feitos em nome de Jesus.
7. A MINHA ESPIRITUALIDADE É SACRAMENTAL. Isso porque ela celebra o milagre do momento presente. É sacramental porque me leva a estar atento para perceber o que de Deus me está sendo oferecido por detrás dos milhares de pequenos momentos que compõem a teia chamado cotidiano. É sacramental porque me faz enxergar que a vida como um todo é um grande sacramento e que eu não preciso esperar seus grande acontecimentos para ser feliz e plenificá-la de significado. É sacramental porque tenho na criação uma grande obra de arte que revela a grandeza, beleza, sabedoria e poder do Maravilhoso Artista que a compôs.É sacramental porque posso encontrar nas expressões artísticas como a música, pintura, escultura e poesia ecos vindos da eternidade, vestígios de outro mundo. É sacramental porque encontro nos símbolos cristãos tais como a cruz, o peixe, os elementos da ceia e outros, lembretes de verdades espirituais eternas que em decorrência do corre-corre e exigências da vida tenho a tendência de me esquecer.
Essa é a minha espiritualidade. É o cristianismo que amo e desejo viver pelo resto de meus dias. Sei muito bem que podem me ter por apóstata, herege, sem firmeza ou coisas desse tipo. No entanto, tenho minha consciência tranquila em Deus, pautado nas Escrituras e numa grande nuvem de testemunhas que antes de mim trilharam esse mesmo caminho antigo. Ninguém precisa vir após mim. Deixe-me apenas trilhar o Caminho em paz!  E convêm que em mim se completem os sofrimentos de meu Senhor e Salvador Jesus Cristo que em vida foi taxado de glutão, beberrão e amigo de pecadores por viver uma espiritualidade pessoal que não se encaixava nos padrões convencionais de seu tempo.

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Quando nós afirmamos isso significa dizer que o Senhor Jesus vivia e se movia no poder do Espírito Santo. É importante nesse momento esclarecermos o significado do termo “carismático”.
Isso se faz necessário pelo motivo de que muitas pessoas se dizendo “carismáticas” têm feito e ensinado coisas que nada tem a ver com a simplicidade do evangelho de Cristo.
O termo “carismático” assim como a palavra “trindade” não existem na Bíblia, nem mesmo no original grego. Eles foram palavras cunhadas pelo homem para dar nomes a verdades espirituais presentes nas Escrituras.
No caso de “carismático” ele vem da palavra grega, e essa encontramos no original grego, “carisma” que é traduzida por “dom espiritual”, que é a capacitação sobrenatural que cada cristão recebe do Espírito Santo para a edificação da comunidade cristã.
E quando olhamos para a vida de nosso Bendito Senhor encontramos um homem que desempenhava de forma plena os “carismas”  espirituais com o propósito de anunciar e revelar o Reino de Deus.
Daí afirmarmos que Jesus era um homem “carismático”, pois, vivia debaixo do poder do Espírito de Deus. Essa realidade da vida de Cristo está assinalada prodigamente nas páginas dos Evangelhos.
Bem nos primórdios da vida do Senhor a presença do Espírito Santo já se fazia notória. Quando se levantou das águas batismais a Bíblia diz que – “o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba” (Lc 3:22).
Logo em seguida a esse evento maravilhoso a Escritura nos revela que – “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto” (Lc 4:1). Perceberam? Jesus cheio do Espírito Santo. Jesus levado, conduzido pelo Espírito Santo.
Mas, continuando, vemos que depois da experiência da tentação no deserto ao qual fora conduzido pelo Espírito, a Bíblia afirma que Jesus retornou para a Galiléia “no poder do Espírito” (Lc 4:14).
E esse é o “refrão” da bela canção que ecoa por todo o ministério de nosso Senhor: “cheio do Espírito Santo”; “levado pelo Espírito”; “no poder do Espírito”.
Falamos no início do porque consideramos Jesus um homem “carismático”. E uma das coisas mais maravilhosas na leitura dos evangelhos é vê-lo caminhando entre as pessoas ao mesmo tempo em que exerce seus carismas espirituais com naturalidade e total confiança em Deus.
Não restam dúvidas que a profusão dos carismas que se manifestavam na vida de nosso Senhor era enorme, tanto é que João afirma no final de seu evangelho que no mundo não caberiam todos os livros que teriam que ser escritos para relatar o que Jesus havia feito.
No entanto quando observamos de perto o ministério de Jesus, saltam-nos aos olhos o exercício de quatro carismas ou dons espirituais principais.
Um deles é o que podemos chamar de o carisma da sabedoria divina. A Palavra nos diz que quando as pessoas ouviam Jesus elas ficavam perplexas. Assim nos é relatado em Mc 1:22 – “E todos se maravilhavam com o seu ensino, porque os ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas”.
E isso acontecia porque pelo poder do Espírito Jesus transmitia através de suas palavras vida a cada coração e a cada alma que o escutava. Era a Verdade de Deus aplicada ao coração e à mente de uma forma tão viva que transformava as pessoas.
Um segundo dom espiritual presente de forma visível na vida de Jesus era o carisma do discernimento espiritual. Por isso que vemos Jesus diversas vezes recusando-se a confiar em determinadas pessoas, pois, como João afirma, ele (Jesus) “conhecia a todos” (Jo 2:24).
E quando aquele paralítico foi trazido a Jesus e ele lhe perdoou os pecados? A Bíblia diz que os escribas começaram a murmurar em seus corações condenando Jesus como blasfemo.
No entanto, o coração deles era um livro aberto para Cristo. Em Mc 2:8 a Escritura diz que – “Jesus percebeu logo em seu espírito que era isso que eles estavam pensando”.
Temos também o carisma da operação de sinais e maravilhas. Não vou me dar o trabalho de citar os textos porque é só abrir os evangelhos que os milagres no ministério de Jesus saltam da Bíblia que nem pipoca estourando na panela. Pensem na pesca maravilhosa, na multiplicação de pães e peixes, na ressurreição de Lázaro, na cura do cego de nascença e por aí vai!
E um último dom e que particularmente e que deixa muitas pessoas hoje incomodadas é o carisma da libertação espiritual ou exorcismo. Esse também aparece de forma exaustiva nos evangelho. Mas, para citar apenas um texto, em Mt 8:16 nos diz que – “Ao anoitecer foram trazidos a ele muitos endemoninhados , e ele expulsou os espíritos com uma palavra e curou todos os doentes”. Aleluia!
Não tinha casta do inferno que pudesse resistir ao poder do Espírito Santo que fluía na vida do Bendito Filho de Deus. Amém!
E o que tudo isso tem a ver com você e comigo? Um episódio bastante emblemático no ministério de Jesus e que nos ajuda a responder a essa pergunta foi o comissionamento dos setenta  discípulos.
A Bíblia diz que eles foram mandados por Jesus para pregarem as boas novas do Reino e curar. E assim eles fizeram e retornaram para relatar ao Senhor de que até os demônios se submetiam a eles.
Em Lc 10:21 o evangelho diz que Jesus “exultou no Espírito”. A palavra grega aqui traduzida por exultou significa literalmente “pulou de alegria”. E porque nosso Senhor se alegrou dessa forma?
Porque com o episódio dos setenta ele vislumbrou uma verdade gloriosa para o futuro da expansão do Reino de Deus: que a mesma vida no poder do Espírito era uma realidade transferível a discípulos comuns. Ou seja, a você e a mim.
Isso significa que todos os discípulos do Senhor Jesus podem e devem viver uma vida debaixo do poder e do mover do Espírito Santo.
E isso é confirmado pelos primórdios da igreja quando lemos expressões como “todos ficaram cheios do Espírito Santo” (At 2:4); “Então Pedro, cheio do Espírito Santo” (At 4:8) e “Mas Estevão, cheio do Espírito Santo” (At 7:55).
Mais tarde o apóstolo Paulo exorta a igreja em Éfeso e, consequentemente, todas as igrejas na história, a ter uma vida cheia do Espírito Santo – “E não vos embriagueis com vinho, que leva à devassidão, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18).
O apóstolo também nos fala da presença dos “carismas” do Espírito na vida de todo verdadeiro cristão para a edificação dos santos em amor  – “Mas um só Espírito realiza todas essas coisas, distribuindo-as individualmente conforme deseja” (1Co 12:11).
E Paulo, novamente, nos esclarece o que significa uma vida cheia do Espírito quando nos faz o convite – “Se vivemos pelo Espírito, andemos também sob a direção do Espírito” (Gl 5:25).
Ou seja, uma vida sob a direção, guiada, orientada e obediente à voz do Espírito é o que encontramos em Jesus. É o que Deus deseja encontrar em nossas vidas também. Esse é o chamado da vida carismática. Amém?
 

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO
Concluindo, desejo aplicar em nossas vidas o que vimos acima. Para isso quero propor algumas perguntas para a sua e a minha reflexão pessoal:

(1) Você pode afirmar que tem uma vida cheia do Espírito Santo, ou seja, que é obediente à direção dele?

(2) Você já descobriu qual o seu “papel” no Reino de Deus? Em outras palavras: você já sabe qual ou quais os dons espirituais que Deus concedeu a você por ocasião de sua conversão a Cristo?

(3) Você pode perceber com nitidez que sua vida tem gerado edificação espiritual na vida do corpo de Cristo, isto é, a igreja?

Que Deus nos abençoe e nos ajude a discernir e a acatar o mover de seu Espírito em nossas vidas. Amém? Na próxima oportunidade estaremos investigando a vida de Jesus como um homem compassivo.
E que Deus abençoe a todos nós! Amém.

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Sempre temos dificuldade diante das palavras espírito, espiritualidade, vida espiritual. E as parcas noções que temos delas não nos proporcionam a clareza necessária à construção de uma vida cristã sólida. Por isso temos que retomar sempre esses temas para melhorar nossa compreensão, de tal maneira que possamos agarrá-la e, a partir daí, começar a moldar melhor nossa vida.

Nossa dificuldade começa com a palavra espírito que na modernidade recebe diversos sentidos.

Segundo o conhecimento filosófico, o ser humano tem duas maneiras de conhecer: os sentidos, pêlos quais captamos o mundo sensível, e o intelecto, pelo qual captamos o mundo inteligível ou supra-sensí-vel. A partir disso, entendemos as palavras espírito e espiritual como sendo os entes não-materiais, os valores e as coisas culturais e os valores ético-humanistas. Com o tempo, na nossa cultura ocidental, a compreensão filosófica da palavra espírito e a compreensão da fé se misturaram, pelo que espiritual passou a significar valores ético-humanistas. Isso faz pensar que por espiritual o cristianismo entenda a busca desses valores. Essa busca, porém, é própria de todas as religiões.

Essa mistura da experiência filosófica e da experiência cristã leva a distorções que nos dificultam o viver espiritual. Por exemplo: distinguimos o “fazer coisas materiais” e o “fazer coisas espirituais”. A partir dessa distinção, um mecânico que conserta carros, busca ampliar sua oficina, ele faz coisas materiais, é materialista, não entende de coisas espirituais.

Já um professor de literatura, que leciona na faculdade, lê bastante, participa de congressos, este faz coisas espirituais, é espiritualista e entende de coisas espirituais.

Partindo dessa concepção, pessoas como mães de família, operários, lavradores não teriam vida espiritual. O analfabeto também não poderia ter acesso a ela.

Se quisermos entender o que é espírito, espiritualidade, vida espiritual, devemos deixar de lado esse modo de pensar. Surge a pergunta: mas então, quando falamos de espiritualidade cristã, o que entendemos por espírito?

A tradição cultural do Ocidente entende por espírito o modo de existir próprio do ser humano, modo que o distingue dos outros níveis de ser, tais como o vegetal e o animal. Espírito não é, portanto, algo oposto ao corpo.

Espírito é o modo de existir que tem como apanágio deixar-se atingir e abrir-se à dimensão originária que chamamos de Deus-mistério. Mas o Deus-mistério não é o que está além do nosso alcance, não é o estranho longínquo, o misterioso, o enigmático, o abstraio.

Ele é, pelo contrário, o aquém, isto é, a intimidade mais íntima da interioridade de nós mesmos.

As palavras deus, transcendência, selbst, ser, psique são definições pelas quais a teologia, a filosofia, a psicologia tentam dizer algo acerca do Deus-mistério.

Assim ser espírito é a experiência maior do ser humano, experiência que constitui sua identidade. Esta experiência busca compreender-se, organizar-se, tematizar-se.

Dessa elaboração surge o que chamamos de espiritualidade que não é outra coisa do que o cuidado, a cura, o amor disso que somos, espírito. Espiritualidade não é disciplina de ensino, não é ciência do saber. Ela é, porém, verdadeiro saber, saber comprovado por evidências vitais; por isso a espiritualidade é uma verdadeira ciência, numa compreensão da palavra ciência diferente da usual e comum, própria do nosso sistema de ciências físicas, matemáticas, biológicas e humanas.

Se o espírito é a experiência mais radical, então a espiritualidade exige radical conversão do nosso modo de ser. Essa conversão no Ocidente recebeu o nome de mística, entendida não como atividade privilegiada de alguns contemplativos, nem como vivência sentimental da alma piedosa, mas como busca radical do Deus-mistério.

Por ser radical, ela exige o total engajamento da nossa liberdade. A essência da mística cristã é, pois, esse engajamento de busca do Deus-mistério.

A crise da sociedade atual provém do total esquecimento do espírito. Esquecimento que relegou a espiritualidade e a mística a um plano secundário.

É preciso resgatar o sentido profundo da mística, não como uma atividade piedosa do homem, mas como um empenho vital que se concretiza na realidade do dia-a-dia. O pensamento, a arte, a ciência, até o esporte, quando atingidos pela seriedade radical da mística, abrem-se em diferentes vias à acolhida incondicional do Deus-mistério, lá onde se acha o manancial do espírito, a espiritualidade.

O Deus-mistério, porém, ultrapassa nossas duas possibilidades de conhecimento, os sentidos e o intelecto. Ele é inacessível a partir de nós mesmos. Mas Deus se revelou no Evangelho (a boa nova!) de Jesus Cristo, em suas belas e sábias palavras e em nas atitudes que comprometiam seu próprio viver.

Assim, tudo de espiritual que é aprendido no âmbito da fé não vem de nossas experiências intelectuais, mas da dimensão de Deus. A esse mundo inacessível a tradição eclesial ocidental chamou de sobrenatural, diferenciando-o do natural (mundo sensível e inteligível).

Portanto, na experiência cristã, as palavras espiritual, espiritualidade têm o sentido, pura e simplesmente, de empenho de dinamizar o espírito, a existência que somos a partir e iluminados pelo discipulado (aprendizagem) do seguimento de Jesus Cristo, feito a dinâmica maior de nossa vida. Por isso, para nós cristãos, a verdadeira espiritualidade é o seguimento radical de Jesus Cristo.

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* D. Fernando Mason

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QUE CADA UM TIRE SUA PRÓPRIA CONCLUSÃO!

Paz e bem!

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Quando nós abordamos a tradição de espiritualidade cristã de santidade, nós aprendemos que o conceito de “vida santa” é o de uma vida que funciona corretamente, ou seja, da forma que Deus planejou que funcionasse.
E quando nós investigamos o tipo de vida que Jesus viveu, sem sombra de dúvidas, podemos afirmar que “santidade” era o que a caracterizava. Por isso afirmamos que Jesus era um homem santo.
De que forma isso acontecia? Quando lemos os Evangelhos encontramos Jesus no meio de crianças, entre mulheres e na companhia de homens sempre na hora certa, sempre do jeito certo, com as palavras certas, com a atitude e o gesto certos, fazendo a coisa certa.
A vida de nosso Senhor era uma vida caracterizada pela virtude. Ou seja, uma vida que funcionava, e funcionava da forma correta. Como o Pai queria. Não é a toa que o Pai declarou – “Tu és o meu Filho amado. Em ti está toda a minha alegria” (cf. Lc 3:22).
Um passeio por todos os evangelhos nos dá uma visão ampla da vida de Jesus que funcionava de forma correta o tempo todo, até mesmo nos momentos derradeiros como em sua atitude serena na ocasião de sua prisão e de sua oração na cruz pelos que o estavam matando e escarnecendo.
No entanto existem dois textos nos evangelhos, sem os quais não poderemos compreender a amplitude da vida e do ensino do Senhor Jesus acerca do que é uma vida santa.
Primeiramente, não podemos entender a santidade e a virtude presentes em Jesus sem examinar os seus quarenta dias de tentação no deserto.
Nesse episódio único, no início do ministério público de nosso Senhor, nós podemos presenciar, vindo à tona, uma virtude que foi praticada por ele durante toda sua vida.
Nós já conhecemos essa passagem. O Senhor jejua durante quarenta dias e após isso Deus permite que o próprio Maligno venha tentá-lo pessoalmente.
Foram três tentações. E o mais chamativo é que não foram meramente tentações pessoais. Jesus foi tentado naquele episódio a ter à sua disposição as três instituições sociais de seu tempo: economia, religião e política. 
A tentação econômica estava no convite de transformar as pedras em pães. Encontramos isso em Mt 4:3. Jesus rejeitou essa tentação declarando que o homem não viveria só de pão, mas, de toda a palavra que procede da boca de Deus (v.4).
O que estava por detrás dessa tentação era de que Jesus ganhasse sua aprovação e popularidade tornando-se um mero provedor de necessidades humanas. O que ele não aceitou.
A segunda tentação, a religiosa, foi a sugestão de que Jesus saltasse do pináculo do templo na presença de todo o povo. Isso está no v.6 de Mateus 4.
Por detrás estava a tentação de que Jesus se tornasse um milagreiro, um mero operador de milagres. E ele, definitivamente, rejeitou isso conforme vemos no v.7.
E por fim, veio a terceira e última tentação: a política. Onde Satanás ofereceu ao Filho de Deus “todos os reinos do mundo e seu esplendor” em troca, vejam que ousadia, da alma do próprio Jesus (v.9)
Nessa tentação Jesus foi convidado a permitir que a religião se tornasse ponte para a obtenção de poder político. E como vemos, ele também rejeitou isso (v.10).
O que nós podemos tirar dessa experiência de Jesus? Podemos aprender que Jesus rejeitou a visão de Deus que está em voga nos dias de hoje: muitos usando as coisas de Deus para alcançar suprimento de necessidades pessoais, para obter milagres e para angaria fama, poder e status. 
Não é o que temos visto e ouvido por aí? No entanto, essas pessoas não são nossos modelos. Amém? Jesus é o nosso Modelo. Por isso devemos observar com atenção de que forma ele agiu e reagiu a essas três tentações.
Nesses quarenta dias de deserto nós vemos alguém que entendeu muito bem a forma de agir de Deus e buscou viver desse modo. As ações de Jesus no deserto personificam a tradição de santidade.
Contudo, só a ação por si só não é suficiente. Ela precisa ser acompanhada pelo ensino correto acerca de uma vida santa ou virtuosa.
E Jesus sabia disso. E por isso, ele nos proveu as diretrizes de como se viver uma vida virtuosa através do maior sermão jamais pregado na história humana: aquele que conhecemos como “o sermão do monte”.
Esse sermão se encontra registrado de forma detalhada nos capítulos de 5 à 7 do evangelho de Mateus. O centro do ensino de Cristo sobre a vida santa está nas palavras desse sermão.
E o centro desse sermão é aquilo que podemos chamar de “a lei do amor”, que Tiago na sua carta chama de “lei perfeita”. E nada, além do amor, define com mais beleza e plenitude a vida de santidade.
Quando estudamos esse sermão percebemos que no miolo dos seus ensinos está a maturidade do amor em contraposição à imaturidade do legalismo cego que só se preocupa com o exterior.
Era a forma de vida que deveria ultrapassar a “justiça dos escribas e fariseus” (cf. Mt 5:20). Pois eles, escribas e fariseus, só estavam preocupados com elementos externos da religião com o intuito de dominar e manipular as pessoas.
Jesus, pelo contrário, em seu sermão propõe um tipo de justiça que caracteriza uma vida interior com Deus que transforma o coração e constrói no homem hábitos virtuosos. Ou seja, a proposta do Senhor é de uma transformação de dentro para fora; no interior que reflita no exterior.
Se você e eu desejamos uma vida de santidade devemos fazer “amizade” com o sermão do monte. Futuramente, se assim o Senhor permitir, pretendo fazer uma exposição de todo esse sermão.
Verdadeiramente, Jesus era alguém que constantemente fazia o que precisava ser feito, no momento em que era preciso ser feito. E fazia de forma correta.
Enxergamos nele hábitos santos que o capacitavam a responder a vida de uma forma virtuosa. Isso é pureza de coração. Isso é santidade.
E quando olhamos para a santidade de Jesus ela nos atrai: nos atrai e nos desperta para uma vida mais coerente, obediente, fiel e frutífera

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

Vamos aplicar o texto de hoje às nossas vidas de forma prática. Gostaria de propor algumas perguntas para a nossa reflexão:

(1) Existe algum aspecto de sua vida hoje que precisa funcionar da forma correta? Em outras palavras: existe alguma área de sua vida que precisa de santidade?
(2) Qual tem sido o resultado dos desertos e tentações em sua vida espiritual? Você pode afirmar que eles têm ajudado no seu crescimento na santidade pessoal?
(3) No que você tem dado maior ênfase, no aspecto interior (coração) ou nas formas exteriores de religião?
Que Deus nos abençoe.

Numa próxima oportunidade vamos ver Jesus como um homem carismático, ou seja, alguém que vivia debaixo do mover do Espírito Santo.

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EMAÚS

Sabe aquele texto que você durante a vida cristã já leu diversas vezes, mas, num determinado momento de sua caminhada ele assume um “novo” significado? Pois é! De uns tempos para cá tenho me debruçado na exaustivamente lida, citada, pregada e ensinada narrativa dos dois discípulos no caminho para a cidade de Emaús. O texto encontra-se no evangelho de Lucas no capítulo 24 do verso 13 ao 32.

Na minha caminhada pessoal pela espiritualidade cristã, não consigo mais enxergar o seguir a Cristo, com tudo o que isso envolve, fora de uma concepção de jornada. E a narrativa do caminho de Emaús assumiu para mim um profundo significado de uma jornada espiritual. Emaús é um paradigma de uma jornada rumo ao mistério de Cristo ressurreto. Até então nunca tinha olhado para esse texto por essa ótica da jornada espiritual rumo a Deus. 

Meditando e escutando o que o Senhor ministrava ao meu coração, pude perceber algumas particularidades nessa narrativa que nos fornecem as diretrizes para que você e eu possamos empreender nossa própria “caminhada” rumo à Emaús. É o que gostaria de compartilhar a partir de agora.

JORNADA COMUNITÁRIA (vs.13,14)

O texto diz que dois discípulos caminhavam na direção da cidade de Emaús que ficava a dez quilômetros da cidade de Jerusalém. E eles estavam conversando a respeito de tudo o que tinha acontecido nos últimos dias. E o que tinha acontecido? Cristo havia sido preso, humilhado e por fim morto pela mão das autoridades romanas. Era um momento de crise e de profundos questionamentos. O texto grego nos dá a ideia de que eles estavam numa acalorada discussão acerca dos fatos, exatamente por não os estarem compreendendo: Cristo morto? E as promessas que ele havia feito? E as esperanças que plantou no coração dos que o ouviram e seguiram? E se não bastasse tudo isso, agora, umas “desajustadas” estão dizendo por aí que o corpo não se encontra mais no túmulo, que ele ressuscitou!

Como eu me identifico com esse momento que os dois discípulos estavam passando. Você não? É que eu já tive meus próprios momentos de crise e de dúvidas em minha jornada espiritual. Nem sempre todos os dias são  de céu limpo e de sol brilhante! Há as ocasiões em que as nuvens de tempestade descarregam toda a sua fúria sobre nossas pobres cabeças. E aqueles dois irmãos encontravam-se num momento bem difícil da jornada deles. No entanto, o que me chama a atenção é que apesar da aparente escuridão de dúvidas e desesperança as Escrituras afirmam que eles estavam juntos no caminho de Emaús. Caminhavam juntos. Abriam o coração um para outro, expondo suas angústias e temores. A jornada deles não era solitária. Era a dois. Uma jornada comunitária. E como é mais fácil quando temos pares com quem compartilhar! Essa é a grande verdade: fardos quando compartilhados tendem a tornarem-se mais leves (Gl 6:2).

A PRESENÇA MISTERIOSA DO CRISTO VIVO (vs.15,16)

O relato prossegue dizendo que num determinado momento da conversa dos dois, o próprio Jesus se aproxima e começa a acompanhá-los pelo caminho de Emaús. Agora já não é uma jornada apenas comunitária, mas, cheia e impregnada de Presença. Nuca podemos perder isso de vista. Esse é um dos maiores mistérios da jornada para Emaús: quando abrimos o coração um para o outro, o Cristo vivo se faz presente em nosso meio. Isso foi o que ele mesmo prometeu quando dois ou três se reunissem em seu nome (Mt 18:20). 

É muito interessante percebermos que apesar de Jesus se juntar a eles no caminho, num primeiro momento, eles não sabiam que se tratava de Jesus. Com certeza, assim como com eles, em certos momentos de nossa jornada espiritual nossos olhos estão como que fechados para enxergarmos Jesus. “Olhamos” e não o vemos. “Procuramos” e não o encontramos. No entanto, apesar das aparências, ele está. Conosco e em nós. Na minha vida para o outro. E na vida do outro para mim. Essa é a glória e a beleza da jornada para Emaús: corações abertos, compartilhados, Cristo presente no meio do seu povo. Bendito mistério!

O APROFUNDAMENTO NO CONHECIMENTO DE CRISTO (vs.17-27)

As Escrituras relatam que Jesus os questiona acerca do que eles estavam discutindo. E eles, surpresos com a pergunta do desconhecido peregrino, dizem que falavam acerca das últimas notícias que estavam bombando na comunidade judaica. De que Jesus, aquele que se dizia o próprio Messias, tinha sido preso e morto pelos romanos. Após repreendê-los pela falta de discernimento o Senhor passa a explicar o que nas Escrituras se dizia acerca dele mesmo. E o resultado disso é que o corações daqueles dois homens queima dentro do peito como lenha seca no fogo.  Cristo os conduz a um conhecimento renovado e aprofundado de sua pessoa tendo a Palavra revelada como seu norte seguro. 

A Bíblia, e nada mais, é o nosso mapa, a bússola que nos indica o caminho pelo qual seguir em nossa jornada espiritual. Isso porque desde os primórdios da fé cristã e até o fim dos tempos muitos “cristos” aparecerão e muitos “caminhos” serão propostos para se conhecer esses “cristos” falsificados. Contudo, só existe um único Cristo, o qual é Bendito para todo sempre. Amém! E um único caminho que nos conduz a ele: as Sagradas Letras. E quando a temos como nossa única regra de fé, conduta e prática podemos ter a certeza de que trilhamos uma jornada espiritual de aprofundamento no conhecimento de Jesus. Não um conhecimento que é confundido com mera intelectualidade. Mas sim um conhecer como somos por ele conhecidos. O conhecer que parte de uma experiência pessoal com Aquele que vive e reina eternamente. A grande verdade é que toda jornada supostamente espiritual que não nos conduza ao aprofundamento do conhecimento de Jesus segundo o norte das Sagradas Escrituras, é tudo menos uma jornada espiritual genuinamente cristã. 

A EXPERIÊNCIA MÍSTICA COM O CRISTO VIVO (vs. 28-32)

Finalmente os três caminhantes chegam à cidade de Emaús. Jesus pretende seguir o seu caminho. No entanto, aqueles dois homens o convidam a ficar com eles naquela noite, pois, o dia já declinava. E, seguindo o costume judaico, eles partilham de uma ceia. E, num dado momento, Jesus faz as honras de partir o pão. A Bíblia diz que nesse exato momento em que ele partia o pão, os olhos daqueles discípulos são abertos e reconhecem que era o Cristo que estava com eles. E imediatamente, o Senhor desaparece do meio deles. Meu Deus, que experiência a que eles tiveram! Todas as dúvidas se foram. A desesperança converteu-se em ânimo redobrado. Sim! Era tudo verdade: ele era quem dizia ser; as promessas se cumpririam, e ele estava vivo. Ressuscitou. A morte não o pôde reter!

Essa é a grande esperança quando empreendemos nossa jornada espiritual: experimentarmos, nem que por rápidos momentos, a presença sobrenatural do Filho de Deus. Seja no partir do pão, ou no momento de oração, ou no momento de compartilhamento, ou no momento de se pregar o Evangelho, perceber-se e adentrar-se na experiência do Cristo místico.  Não estou referindo-me necessariamente à vozes nem de visões ou coisas desse tipo. Não! Refiro-me a experiência que podemos ter de saboreá-lo no recolhimento do silêncio, da solitude, do compartilhar de corações, no chorar com os que choram e se alegrar com os que se alegram. No ministrar na vida um do outro através de uma palavra, uma abraço, um gesto simples, um sorriso pueril. Nisso tudo, e em muito mais, dos céus nos é dado o pão de Deus, Cristo, que sacia toda a nossa alma da fome de plenitude e transcendência divinas que nela existe. 

É muito emblemática para nós que após aquela breve experiência com Jesus, ele é tomado do meio deles e…o que “sobra” é o outro. O processo se reinicia. A comunidade permanece. A jornada comunitária continua agora com uma nova visão e com esperança inabalável. Por que? Talvez porque a vida do meu irmão seja o principal canal através do qual eu deva enxergar a Cristo. 

Por isso apesar de todos os pesares ( e não têm sido poucos) eu ainda insisto em acreditar e fazer parte da Igreja de Cristo. Ela é o seu Corpo. E nela ele habita como força vivificante e impulsionadora. Oro para que as igrejas locais tornem-se verdadeiras “comunidades de Emaús” onde as verdades que compartilhamos nesse espaço possam estar presentes e ativas em suas jornadas espirituais rumo a Deus. Transformando, curando, restaurando e salvando. Afim de que a igreja, e nenhuma outra força nesse mundo, cumpra o seu papel de ser a esperança da humanidade.  

Paz e bem!

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