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Archive for novembro \17\UTC 2012

Isso significa que Jesus era alguém cuja vida estava centrada na Palavra de Deus. Ou seja, Jesus segundo os evangelhos nos contam veio proclamar as boas-notícias (evangelho) do Reino de Deus.
João no primeiro capítulo do evangelho com as palavras ”o Verbo se fez carne e habitou entre nós”, proclama que Jesus era e é a Palavra viva de Deus que se fez carne.
E Jesus como essa Palavra de Deus viva não apenas anunciou as boas-novas, mas, ele mesmo assumiu e incorporou essas boas-novas do Reino de Deus. Ou seja, na pessoa bendita dele nós podemos enxergar o evangelho que ele proclamava. E o que era esse evangelho, ou, as boas-novas?
Era simplesmente a mensagem de que todas as pessoas podem iniciar uma vida abundante e dinâmica de amizade com Deus no seu Reino de amor: aqui e agora!
E o mais maravilhoso dessa mensagem, dessa boa-notícia era de que esse tipo de vida teria continuidade, numa forma plena e definitiva, após a morte. Por isso que Jesus declarou em Jo 11:25 – “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, mesmo que morra, viverá”.
Agora, como isso é possível? É possível por causa da natureza do Reino para o qual fomos chamados e introduzidos por Jesus. Devemos compreender que o Reino de Deus já existia antes de Jesus vir.
A grande questão era que antes da encarnação o acesso a este Reino era restrito, dependia de coisas: dependia da mediação de um povo escolhido; dependia da ministração de uma classe especial de pessoas; dependia de uma série de cerimônias e rituais.
As boas-notícias, ou seja, o evangelho significam que em Jesus tudo mudou. Em Jesus as portas do Reino foram escancaradas e isso ficou simbolizado e indicado no véu que rasgou de cima a baixo no Templo judeu.
Logo, a mensagem do evangelho vivida e proclamada por Jesus era: “Quem quiser vir, venha! O Reino está próximo, está acessível a todos. Eu estou entre vocês.” Glórias a Deus por isso!
Nosso Senhor foi muito claro sobre esse assunto nas suas colocações pessoais acerca de si mesmo quando dizia aos que lhe ouviam – “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14:6); “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8:12); “Eu sou o portão das ovelhas” (Jo 10:7). E outras frases semelhantes a essas.
Agora, como podemos trilhar esse “caminho”, adentrar por essa “porta” e sermos iluminados por essa “luz”? Simples: pela graça mediante a fé na pessoa e sacrifício expiatório de Jesus.
Através dele recebemos o amor de Deus e nos tornamos discípulos de Cristo. E com isso somos introduzidos no Reino e começamos a viver no Reino. Tudo pela graça apenas, mediante a fé. 
Jesus veio proclamar e demonstrar a presença do Reino de Deus. Esse duplo propósito: proclamação e demonstração, pode ser percebido ao longo dos relatos nos Evangelhos.
Um texto que traz essa percepção é o de Mt 4:23 que diz – “Jesus esteve por toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças entre o povo”.
E esse mesmo duplo propósito (proclamação/demonstração) foi comissionado aos doze. Em Lc 9:2 está escrito – “e os enviou a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos”.
E a mesma incumbência ele deu ao grupo maior dos setenta – “Curem os doentes que ali houver e digam-lhes: O Reino de Deus está próximo de vocês” (Lc 10:9).
Uma outra coisa muito interessante que observamos é como as pessoas reagiam às maravilhosas boas-notícias do Reino de Deus e do acesso a ele.
Por exemplo, como já mencionamos anteriormente, Zaqueu, o publicano, entrou correndo no Reino. Quando as boas notícias do Reino penetraram seu coração ele foi tomado de uma repentina generosidade à ponto de Jesus comentar – “Hoje houve salvação nesta casa” (Lc 19:9).
Maria Madalena também foi outra que entrou correndo no Reino depois que Jesus a libertou de sete demônios. Nicodemos, ao que tudo indica, também entrou correndo no Reino apesar de no início ter ido ver o Rei em segredo á noite. E muitos outros.
Mas, também podemos observar igualmente que muitos deram as costas ao Rei e seu Reino de amor. Por exemplo, o jovem rico deu as costas quando o Senhor expôs que suas riquezas eram o seu verdadeiro deus.
O líder de uma sinagoga deu as costas quando Jesus curou no sábado uma mulher encurvada (cf. Lc 13:12). E o mais famoso de todos: Judas deu as costas para o Reino de Deus, quando traiu e vendeu o Rei pelo preço de 30 moedas de prata.
Sim, muitos foram os que deram as costas! Jesus os chamou ao grande banquete do amor do Pai e eles declinaram o convite.
Mas, os que atenderam, “os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos”, esses simplesmente encheram a sala (Cf. Lc 15:15-24).
Essa, portanto, amados, é a mensagem do evangelho de Jesus. E ele nos comissiona a estender esse convite a outros. Ele nos diz – “Vão e façam discípulos de todas as nações”. Observem que ele não nos manda fazer convertidos ou membros de igreja. Não! Ele nos manda fazer discípulos.
E parte de se fazer discípulos consiste em ensiná-los a “obedecer a tudo o que eu lhes ordenei”.Esse é o nosso chamado e a nossa grande comissão. E essa é a grande herança da tradição evangelical.
E se há em nós o desejo de levar as boas novas do Reino a nossos vizinhos, amigos e conhecidos e de lhes dar as boas-vindas quando entrarem correndo, então, estamos seguindo Jesus. Pois ele nos mostrou o caminho. 

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

Como temos feito nesse momento eu desejo propor algumas perguntas para a nossa reflexão e posicionamento perante Deus à luz do que compartilhamos hoje:

(1) Você tem compartilhado com pessoas que Deus coloca no seu caminho a maravilhosa mensagem do acesso livre ao Reino de Deus através de Jesus?

(2) O que muda na sua visão de proclamação do Reino o fato de que Deus nos comissionou não para fazer convertidos ou membros de igrejas, mas, discípulos do Senhor Jesus?

(3) No seu entendimento ainda se faz necessário hoje a demonstração do Reino através de sinais milagrosos para se confirmar a proclamação do evangelho?

Numa próxima oportunidade veremos a última dimensão da espiritualidade do Senhor. Vamos investigar o que a Bíblia tem a nos dizer acerca de Jesus como um homem de vida sacramental. 

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O Salmo 27 é um dos meus favoritos e um dos mais famosos da Bíblia. Gosto dele em especial pelo chamado à confiança em Deus que ele nos traz. Seu autor, o rei Davi, o começa fazendo uma declaração profunda do caráter do Deus de Israel, o Deus com quem ele tinha uma aliança, o Deus a quem ele cria. No verso 1 ele diz: 

“O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem terei medo?”

Que coisa interessante! Davi conhecia o caráter do Deus a quem seus antepassados, e ele mesmo, conheciam. Para ele Deus era sua “luz”, sua “salvação” e “a força da minha vida”. E por isso ele não tinha motivos para temer nada e nem ninguém. 

Logo, concluímos, que o conhecimento de quem Deus era gerava no coração do rei tão grande confiança  e certeza que isso determinava por parte dele um comportamento de paz e de serenidade em meios aos perigos e às ameaças que na época monárquica eram tão comuns. 

O rei-poeta expressa essa confiança-fé nos versos seguintes do salmo em questão:

“Quando os malfeitores me atacaram para me destruir, eles, meus adversários e meus inimigos, tropeçaram e caíram. Ainda que um exército se acampe contra mim, meu coração não temerá; ainda que a guerra se levante contra mim ficarei confiante” (vs. 2,3)

Davi nos fala de um exército se acampando contra ele. Naquela época, pelas cidades serem muradas, era comum os exércitos inimigos montarem cerco ao redor dos muros para impedir que o fornecimento de alimentos e de água chegasse até os moradores afim de que os mesmos ou se rendessem, permitindo assim a invasão, ou então morressem de fome e de desidratação. 

E, mesmo diante dessa possibilidade, o rei segundo o coração de Deus declara com fé inabalável: “ficarei confiante”. Aleluia! Ele conhecia o Deus em quem cria e já havia experimentado seus gloriosos livramentos antes (cf. v.2). Davi não conhecia porque cria, mas, cria porque conhecia.

Mas, nesse momento surge-nos uma pergunta: como que Davi conhecia a Deus? Qual era o meio utilizado por Davi para que sua fé no Deus de seus pais fosse construída de forma firme e inabalável? Ele mesmo nos responde a essa pergunta no verso 4 do nosso salmo:

“Pedi uma coisa ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar o esplendor do Senhor e meditar no seu templo” 

Davi podia confiar em Deus porque conhecia o caráter de Deus, ou seja, quem era Deus. E Davi só conhecia a Deus porque Davi era um homem espiritualmente disciplinado. Em outras palavras: Davi era um homem de meditação e contemplação. 

Essas duas disciplinas, a meditação e a contemplação de Deus, são imprescindíveis para a fomentação de uma autêntica espiritualidade cristã ou trinitária. Mas, voltando ao nosso personagem o rei Davi, no que ele meditava? Não restam dúvidas de que duas coisas eram alvos diárias da reflexão atenta e amorosa de Davi: o que Deus dizia (Palavra) e o que Deus fazia (providência). 

A tradição bíblica é uma tradição de meditação na Palavra do Deus Eterno. O saltério já começa afirmando a bem-aventurança dos que meditam nas Escrituras divinas:

“pelo contrário, seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite” (Sl 1:2)

E Davi como bom judeu que era conhecia sua tradição e por isso era alguém que com frequência meditava nas palavras registradas na Torá, ou seja, os cinco primeiros livros de nossa Bíblia, os quais os judeus denominavam de Lei. Por isso Davi era alguém que estava identificado com o caráter santo e justo de Deus revelado naquelas sagradas letras. Bem como com as histórias dos grandes livramentos que o Senhor tinha concedido a seu povo no passado, como por exemplo a narrativa da travessia do Mar Vermelho. Logo, a mente do rei estava imbuída de Deus. E estava imbuída de Deus porque ele meditava na Palavra. E por meditar na Palavra ele aprendia a conhecer quem era Deus e com isso aprendia a confiar nesse Deus.

Mas, ele também meditava no que Deus tinha feito e estava fazendo no seu dia-a-dia. A providência divina alcançava a vida do seu povo e isso não passava batido pelos olhos de Davi. Não!  Seu testemunho no Sl 145:5,6 nos confirma isso:

“Meditarei (…) nas tuas obras maravilhosas. Proclamarão o poder dos teus feitos tremendos, e eu contarei da tua grandeza”

Essa vida de meditação de Davi na Palavra e na Providência divinas, levava-o a confiar no caráter de Deus. E essa confiança conduzia-o a uma experiência de paz, de quietude, de serenidade e de silêncio interior. A meditação de Davi resultava na contemplação do ser de Deus: seu esplendor, santidade, majestade, bondade, soberania, imutabilidade, onipotência e formosura. E isso o levava a descansar numa Presença amorosa e acolhedora. Davi convidava sua alma frequentemente a essa experiência de contemplação e descanso:

“Volta, minha alma, para o teu repouso, pois o Senhor te fez bem” (Sl 116:7)

Quando nos reportamos às páginas Neo-testamentárias nós vemos que o chamado à meditação, contemplação e confiança em Deus não arrefeceu de forma alguma. E nem poderia mesmo. Os paralelos com o que encontramos nas páginas bíblicas da Antiga Aliança, em especial na vida de Davi, são interessantíssimos. 

Por exemplo, o conhecimento do caráter de Deus que nos conduz a confiança em Deus está presente no testemunho pessoal do apóstolo Paulo. Em 2Tm 1:12 ele escreve:

“Por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia”.

A tradição de meditação também encontramos implícita, por exemplo, na atitude de Maria, mãe de nosso Senhor, diante das coisas que via (Providência) e ouvia (Palavra) da parte de Deus: 

“Maria, porém, guardava todas essas coisas, meditando sobre elas no coração” (Lc 2:19)

“E ele (Jesus) desceu com seus pais, indo para Nazaré, e obedecia a eles. E sua mãe (Maria) guardava todas essas coisas no coração” (v.51)

Logo, a meditação na Palavra de Deus e no agir de Deus convida o hospedeiro da Nova Vida a contemplar a glória do Deus Triúno na face bendita do seu filho amado Jesus. Em 2Co 4:6 Paulo afirma essa experiência:

“Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo”

E tão bendita iluminação e contemplação conduz à experiência de profunda paz, serenidade e silêncio de que Jesus fala m Jo 14:27:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”

E à medida que meditamos, nós contemplamos a Deus. E ao contemplarmos somos conduzidos à percepção da Grande Presença que a tudo enche e transborda. E quando nos apercebemos que Deus é e está somos conduzidos ao silêncio interior e exterior onde as palavras cessam por tornarem-se insuficientes e até mesmo inconvenientes. E quanto mais adentramos nesse silêncio divino e criador mais ainda mergulhamos na substância da Presença e Ausência, Transcendência e Imanência, do Deus que ama. É um fluxo e refluxo de vida e arrebatamento da alma para o paraíso de delícias e satisfação perpétuas que há à destra do Eterno (cf. Sl 16:11).

Temos na pratica antiga da Lectio Divina uma escola de meditação nas Escrituras Sagradas e contemplação de Deus que pode levar-nos à experiência de conhecimento, amadurecimento e fortalecimento de nossas vidas espirituais. Nos seus quatro “degraus”: leitura, meditação, oração e contemplação econtramos uma “escada” que pode nos levar acima das nuvens de confusão criadas  por nossas crises  e desafios pessoais; que pode nos levar acima de nós mesmos;  que pode levar-nos  acima de nossa própria alma e fazer-nos enxergar aquele que se assenta num alto e sublime trono. E assim nos fazer compreender que tudo que nos acontece, acontece dentro da perspectiva de um Deus que a tudo e a todos conduz segundo seus soberanos desígnios. 

Não cabe aqui descrever a Lectio Divina em vista dos outros textos que têm esse objetivo, mas, apenas reafirmarmos sua importância e relevância para uma vida disciplinada de meditação e contemplação. 

A partir do fundamento de uma experiência pessoal de justificação no sangue de Cristo, afirmamos categoricamente que não há possibilidades de um cristão crescer no conhecimento de Deus sem o cultivo de uma vida de disciplina espiritual. Trocando em miúdos: não há como amadurecermos espiritualmente  sem que antes cultivemos uma vida de profunda meditação e contemplação.

Davi nos mostra isso. Maria também. Paulo não os deixa mentir. E uma nuvem de testemunhas na história cristã fazem coro uníssono com essas testemunhas bíblicas.

Mencionando novamente Davi podemos dizer que ele era um homem de desejos. E o que ele desejava era estar no Templo para meditar e contemplar a face do seu Deus (cf. Sl 27:4).  E que nós também sejamos, hoje, homens e mulheres com esse mesmo propósito a queimar em nosso ser. Que adentremos o “Templo” de nossa alma e, no santuário do nosso homem interior tendo a Palavra de Deus guardada no coração, deixemo-nos ser absorvidos para dentro desse abismo profundo de paz e quietude enquanto contemplamos fascinados o rosto amigo de Jesus. 

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Nessa dimensão da espiritualidade de nosso Amado Senhor encontramos a tradição de justiça social. Quando estudamos essa tradição á luz das Escrituras, aprendemos que sua grande busca é por aquilo que chamamos de a “shalom” (paz) de Deus.
Ela quer nos traz o outro lado da moeda. Porque se não tomarmos cuidado a busca contemplativa pode nos engolir de tal forma que acabamos anelando tanto pelas coisas espirituais, do céu, que acabamos nos tornando irrelevantes nessa vida, aqui na Terra.
A tradição de justiça social vem fazer o equilíbrio. De que forma? Fazendo-nos compreender que nossa espiritualidade deve ser integral, ou seja, que não apenas contempla a beleza de Deus, mas, que também se volta para as necessidades do próximo materializando assim o amor e a paz (shalom) de Deus.
Quando nós olhamos para a vida linda e plena que nosso Senhor viveu, nós podemos perceber uma vida engajada nesse tipo de entendimento da vida espiritual.
Mas, para que a gente possa visualizar isso, é preciso considerar uma narrativa estratégica no evangelho. Jesus no início de seu ministério se levanta numa sinagoga em Nazaré e profere algumas palavras de grande importância.
Essas palavras encontram-se registradas em Lc 4:18,19.  Essas palavras citadas por Jesus são as que encontramos no livro de Isaías e que se referem ao ano do Jubileu Hebraico.
O conceito de ano do Jubileu hebraico nós encontramos no livro de Levíticos 25. As implicações sociais desse ano são muito profundas: a terra deveria ser curada, as dívidas perdoadas, os escravos libertos e o capital deveria ser distribuído de forma justa.
Jesus ao aplicar essas palavras da profecia de Isaías à sua pessoa e ministério, ele na verdade estava anunciando um jubileu perpétuo do Espírito.
A grande verdade é que com essas palavras Jesus deu o brado de guerra para a revolução social. Por isso não é de se estranhar que seus conterrâneos tenham ficado furiosos ao ponto de querer atirá-lo precipício baixo (cf. Lc 4:28-30).
Jesus se referiu a essa vida de jubileu perpétuo com uma expressão breve e simplificada – “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo” (Mt 3:2).
E esse era exatamente o propósito de Jesus: que o “Reino dos céus” confrontasse e derrubasse constantemente as estruturas ímpias de poder desse mundo e de seus reinos. 
O Reino dos céus em contraste com as estruturas de poder traz a visão de uma alternativa social, uma visão de inclusão de todas as pessoas, reunidas no poder de Deus e cheias do amor de Deus.
Jesus também ressaltou a incompatibilidade da sua vida no Reino, ou seja, vida de Jubileu, com as estruturas institucionais deste mundo quando disse – “E ninguém põe vinho novo em vasilha de couro velha; se o fizer, o vinho novo rebentará a vasilha, se derramará, e a vasilha se estragará. Ao contrário, vinho novo deve ser posto em vasilha de couro nova” (Lc 5:37,38).
A grande verdade é que esse “vinho novo”, a vida de jubileu, no Reino, a vida de justiça social num primeiro momento, olhando-se na ótica humana pode parecer um sonho ilusório, idealismo ou até mesmo loucura.
E por quê? Simplesmente porque ele manda seus seguidores “amar o seus inimigos”; “emprestar sem esperar nada em retorno”; “não julgar”; “não condenar”, “perdoar” e “dar” (cf. Lc 6:27-38).
E pode até mesmo ser humanamente utópico, impossível, mas, foi exatamente assim que Jesus viveu e ele convida seus discípulos a fazerem o mesmo.
Nós devemos notar a compaixão e misericórdia do Senhor Jesus ao purificar o leproso e curar o paralítico que eram pessoas consideradas a escória da sociedade de sua época (Cf. Lc 5:12-26).
Também devemos notar sua infinita ternura ao curar o servo do centurião e ao ressuscitar o único filho de uma viúva. Quando João Batista envia dois discípulos seus para perguntarem se Jesus realmente era o messias prometido ele, Jesus dá uma resposta interessante ( Lc 7:22,23).
Jesus também dramatiza o espírito do Jubileu eterno, da vida no Reino, da justiça social quando inverte os papéis no cenáculo colocando uma tolha na cintura e uma bacia de água nas mãos.
E todos quantos aceitam a nova vida no Reino são convidados ao engajamento nesse jubileu do Espírito, nessa vida de justiça social. Um exemplo disso foi a repentina generosidade de Zaqueu em querer restituir parte do que havia defraudado das pessoas enquanto coletor de impostos (cf. Lc 19:1-10).
E é esse o engajamento para o qual também fomos chamados: sermos canais para a shalom de Deus alcançar e transformar a vida das pessoas.
A grande verdade amados é que a vida de Jesus, de justiça e shalom, questiona nossos interesses mais ocultos, chacoalha nosso individualismo e nossa avareza egoísta.
Jesus nos convida hoje e sempre a sermos pessoas nas quais a justiça e a compaixão possam fluir livremente. E Jesus, que viveu dessa maneira, nos indica o caminho. 

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

Para concluir essa palavra quero compartilhar algumas perguntas que nos ajudarão a refletir e aplicá-la em nossos corações:

(1) Você já chegou a um nível de desprendimento das coisas materiais em sua vida que te possibilita a compartilhar com outros aquilo que você tem?

(2) Ao considerar seus anos de vida cristã, você consegue perceber em você uma progressiva mudança de uma atitude egoísta para uma atitude altruísta?

(3) Como, a partir de hoje, você pode demonstrar de forma mais concreta a compaixão e ternura de Jesus ao seu próximo?

Que o Senhor de toda a compaixão e bondade nos ajude na reflexão dessas coisas. Na próxima oportunidade estaremos vendo Jesus como um homem de vida evangelical, ou seja, vida centrada na Palavra de Deus. 

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Vinte e três horas e dezesseis minutos da noite de quinta-feira, dia primeiro de novembro do ano de dois mil e doze. Nesse período já começou o que os monges cristão chamam de “o Grande Silêncio”.

Aqui em casa todos, menos eu, já foram dormir. De barulho apenas o ventilador de teto e as teclas do notebook que estou usando para escrever essa impressão.

No condomínio onde moro é muito raro um começo de madrugada silencioso sem o barulho do bingo no clube ao lado ou da festinha particular dos  vizinhos no prédio em frente ao meu.

Eu não sei se isso já são os primeiros indícios da velhice (pasmem, em plenos 36 anos de idade rs), mas, de uns anos para cá tem crescido minha predileção por aspectos da espiritualidade cristã, como o silêncio e a solitude, pouco valorizados nos dias de hoje caracterizados pelo frenesi, pressa e barulheira.

E estar imerso no “Grande Silêncio” monástico nesse meu “monastério” particular (no momento é a minha sala de casa) faz-me perceber que a vida tem uma fundação primal que antecede a matéria, as realizações humanas, os bens e conquistas que angariamos nessa existência efêmera. Quando paro para perceber e intuir o que me envolve, percebo um “não sei o quê” o qual me abraça e me toca por todos os lado e que não pode ser nominado à partir de conceitos humanos, pois está além de todos eles. Mas, que também não pode ser afirmado negativamente do tipo “ele não é isso!”, pois, também transcende toda e qualquer negativa.

Logo, “o Grande Silêncio” começa a ganhar contornos místicos mais definidos de Presença do que de período,ou tempo ou até mesmo experiência. Já não é mais tanto o que eu faço, mas, sim a consciência plena de com Quem estou. Já não importa o ter e o fazer, mas, apenas o estar e aquietar.

No começo de tudo era o Silêncio. O Silêncio que gera todas as coisas. O grande útero do mundo espiritual e material. O Totalmente Outro, o Eterno, o Altíssimo Deus no silêncio da Comunidade Triúna de Amor, gerou a eternidade com suas criaturas: anjos, arcanjos, querubins, serafins e tudo o mais.

As Escrituras nos revelam que no princípio Deus criou os céus e a terra. Mas, não antes de ser precedido por um Grande Silêncio onde o Espírito de Deus, na suavidade de um balé cósmico, pairava sobre as águas do caos. O Grande Silêncio baniu o caos. E o caos deu lugar à organização. Primeiro o Grande Silêncio. Em seguida, o Logos criador: haja luz, haja terra seca, haja mares, haja criaturas, haja o homem e sua descendência a dominar a face da terra. E assim se fez. E viu Deus que tudo era muito bom. Porque todos, de certa forma, eram frutos do Grande Silêncio que traz à existência as coisas que não existem como se já existissem.

Não sei! Talvez seja a intuição de que preciso de cura que me atrai tanto para o Grande Silêncio. Talvez porque nele, após as compulsões de um dia estressante, eu novamente consigo acessar minha real identidade, meu real valor perante meu Pai.
Dessa forma, como no princípio da criação, a Presença novamente bane o caos e traz à existência a organização, a harmonia e a paz interior.

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Um outro símbolo muito difundido na tradição cristã é o do peixe. Diferentemente do Tau ele não aparece na Bíblia enquanto símbolo. Poderíamos fazer uma alusão à dois eventos bíblicos que foram o da pesca maravilhosa e o da multiplicação dos pães que foi acompanhada pela dos peixes.

O peixe estava muito presente na cultura do povo judeu da época de Jesus. A pescaria era uma das profissões mais simples e humildes daquele tempo e o peixe um dos alimentos mais comuns na mesa de uma família judaica. Vemos que três dos apóstolo de nosso Senhor, Pedro, Tiago e João, exerciam essa profissão antes de se tornarem Talmidim (Heb.= discípulos)  de Jesus. Apesar desses fatos envolverem a figura do peixe, usá-los como fundamento para a justificação do mesmo como símbolo cristão extraído da Bíblia, é deveras forçar demais a barra. Então, como surgiu o símbolo cristão do peixe?

Essa pergunta nos remonta à época primitiva do cristianismo quando a igreja de Jesus começou a padecer animalescas perseguições por parte dos que se opunham ao Caminho. Em certa época da história da igreja ser descoberto como cristão significava ser preso, ter os bens confiscados e em alguns casos receber a pena capital pela recusa em negar o Nome de Jesus.

Dessa forma os nossos primeiros irmãos tiveram que criar um código entre eles para que pudessem se identificar mutuamente sem correr o perigo de serem descobertos pelas autoridades imperiais. Foi aí que surgiu o peixe como símbolo de identificação cristã. 

O segredo da utilização está nem tanto no animal peixe, mas, sim no vocábulo “peixe”. A palavra “peixe” em grego antigo é “ICHTYS”. E essa palavra na verdade forma um acróstico com as palavras ” Iesous Christos Theous uios Soter” que traduzido significa “Jesus Cristo Filho de Deus Salvador”.

Assim, quando algum cristão se encontrava com alguém ,ele desenhava um arco no chão. Se a outra pessoa desenhasse um arco gêmeo ao contrário, formando assim a figura do peixe, ambos sabiam que estavam perante um irmão na fé. E compartilhavam das maravilhas do Senhor Jesus. 

O primeiro a mencioná-lo foi Clemente de Alexandria (150-215). Tertuliano (160-220) também se referenciava a ele ao dizer que “Nós somos peixinhos e Cristo nosso grande peixe”. Esse símbolo na antiguidade aparecia em conjunto com outros símbolos cristãos como a pomba e âncora em sarcófagos cristãos significando que aquele que ali tinha sido depositado descansa em Cristo com esperança e paz.

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Acredito que uma das coisas que nós protestantes/evangélicos perdemos com a Reforma Protestante, foi a rica simbologia que estava presente na igreja. Os símbolos existem para nos ajudar a relembramos verdades eternas que com o tempo acabamos por esquecer.

Estudando a origem de alguns símbolos, um deles, rico em significado é o que chamamos de “a Cruz do Tau”. 
Apesar dessa cruz ter surgido como símbolo na tradição católica romana, principalmente no movimento do “Franciscanismo”, ela na verdade é um síbolo bíblico, pois o mesmo aparece no texto das Escrituras Sagradas do livro de Ezequiel 9:3,4: “E a glória do Deus de Israel se levantou do querubim sobre o qual estava, e passou para a entrada da casa e clamou ao homem vestido de linho branco, que trazia o tinteiro de escrivão à sua cintura. E disse-lhe o Senhor: passa pelo centro de Jerusalém e marca com um SÍMBOLO as testas dos homens que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se cometem na cidade”.

Apesar de nas traduções para o português aparecer no texto de Ezequiel a palavra “símbolo” no original hebraico aparece não uma palavra, mas, uma letra: o tau. Então o que Deus ordenou ao profeta é que ele desenhasse a letra “tau” na testa de todos os habitantes da cidade que estavam debaixo de sofrimento. 
O tau é a última letra do alfabeto hebraico e se parece muito e tem a função da nossa consoante “T”. Essa letra hebraica se assemelha à cruz original que era formada de uma haste vertical e outra horizontal que não se cruzavam. A única vez em que elas se cruzaram foi na ocasião da crucificação de nosso Salvador para que se pudesse afixar uma placa contendo inscrição zombeteira que dizia em três línguas diferentes: “Jesus Nazareno, o Rei dos judeus”. Portanto aquele símbolo pintado na testa daquelas pessoas sob o jugo da opressão apontava para o Messias prometido que viria ao mundo para libertar os cativos. Por isso a cruz em forma de “T”.

Portanto, conclui-se que a cruz de tau não é um símbolo unicamente católico romano. Apesar de Francisco de Assis tê-lo assumido como insignie da ordem religiosa que fundou. Ela, na verdade, é um símbolo cristão por ser um símbolo bíblico. 
Dentro da espiritualidade cristã ela tem significados bonitos que buscam nos fazer recordar de verdades cristãs fundamentais:

__ Simboliza a vida eterna.

__ Ela tendo uma haste horizontal que toca, sem cortar, uma vertical, simboliza a ligação entre céu e terra; tempo e eternidade; humano e divino. Ou seja, aponta para a natureza do próprio Verbo de Deus encarnado.
__ Simboliza a identificação com a causa dos oprimidos, dos que sofrem.
__ Simboliza a ressurreição de Cristo, pois a mesma está vazia.
__ Simboliza a busca de uma espiritualidade sadia que não apenas contempla a Deus, mas, que também se volta para o próximo. E muito mais. Existem várias aplicações.

É bom nós sabermos um pouco de história, pois, desta forma acabamos tendo oportunidade de nos desvencilharmos de nossos preconceitos. Futuramente, estarei compartilhando outros símbolos da espiritualidade cristã.

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“De madrugada, ainda bem escuro, Jesus levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto; e ali começou a orar” (Mc 1:35)                                                                                 

De umas épocas para cá ( e já faz muito tempo) a espiritualidade cristã tem tido um medidor de temperatura no mínimo estranho ao padrão que encontramos nas Escrituras. Há tempos que a qualidade da vida espiritual, sua profundidade e calor é determinado, segundo o entendimento equivocado de alguns, pelo que os cristão fazem para Deus seja através da igreja ou não. 

Sendo assim a quantidade de culto a que vamos, o número de ministérios e atividades as quais desenvolvemos tornam-se o padrão para se determinar se estamos bem com Deus, se nossa vida espiritual está em dia.
E quando investigamos a espiritualidade de Jesus, se não a olharmos com acurada atenção, acabamos achando que seu estilo de vida corrobora essa espiritualidade ativista, consumista e hedonista que tem engolido a vida e a alegria de grande parte dos filhos de Deus que a tem experienciado. A maioria dos cristão chega ao final de sua carreira cansados, exauridos e não muito raro, frustrados e decepcionados. Por que será?
Não podemos negar que a “agenda” do Senhor era bem utilizada: desde expulsar espíritos imundos até uma conversa com uma mulher samaritana à beira de um poço, faziam parte de seu ministério diário.
No entanto o texto no início dessa reflexão nos mostra claramente que antes de um dia cansativo de atividades ministeriais, o Senhor estabelecia para sua vida aquilo que podemos chamar de “momentos sabáticos” para estar em amizade íntima com o Pai. Jesus diariamente separava tempo para estabelecer pausas na sua agenda e contemplar em silêncio e solitude no ermo, o rosto amável e amoroso de seu Abba. 
Tudo o mais que Jesus fazia, sua vida como um todo, orbitava em torno desses momentos. Ganhava profundidade, significado e uma nova dimensão a partir desse encontros íntimos com Deus em oração e contemplação. Para nosso Senhor estar com o Rei era prioridade diante do que ele tinha que fazer para o Rei. Certa feita, Jesus disse que ele não fazia nada por si mesmo, mas, somente o que ele via o Pai fazendo. Como que Jesus obtia esse discernimento espiritual para poder enxergar o Pai agindo? Na sua intimidade de oração, meditação e contemplação em silêncio e solitude com Deus.
Sendo assim, se desejamos imitar a vida de Cristo, se desejamos ver sua imagem refletida em nós e se queremos verdadeiramente experimentar uma espiritualidade saudável nossos dias precisam ter na sua primazia nosso “momento sabático”. É imprescindível aprendermos a estabelecer pausas, puxar o freio de mão, pisar fundo no breque e diminuir nosso ritmo para encontramos tempo para o silêncio, a solitude, a oração, a meditação e a contemplação apaixonada e fascinada da face daquele que nos amou e nos ama com amor eterno. 
Espiritualidade e atividade. Contemplação e ação. Maria e Marta. Na verdade não são realidades mutuamente excludentes. São complementares. São irmãs e por isso precisam caminhar juntas pela vereda fascinante do Reino. Encontrar o equilíbrio entre elas é o grande desafio de uma espiritualidade bíblica, cristã, madura e saudável.
Que tal apertar o botão de pausa?

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