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Archive for janeiro \29\UTC 2013

É TEMPO DE CHORAR *

LUTOPor Israel Belo de Azevedo

Por que falar, se devemos chorar?

Por que propor palavras, se as lágrimas são o melhor que podemos dar?
Por que esboçar explicações, se a compaixão é o sentimento certo a externar?
Por que apresentar acusações, se a misericórdia é a única atitude capaz de confortar?

Diante de uma tragédia, que asfixia amores e sepulta sonhos, deixa dores e transmite temores, só temos uma coisa a fazer: pegar no colo as crianças que perderam os braços que as carregavam, tomar pela mão as mãos (algumas feridas pelas enxadas que sustentavam orgulhosos seus meninos) dos pais órfãos de filhos e enxugar suas lágrimas, beijar os rostos das mães que perderam seus melhores bens e pedir que Deus as conforte, abraçar os irmãos de quem se foram seus companheiros para ser um pouco amigos deles agora, sustentar os avós cujos corpos cambaleiam sem acreditar no horror que os seus olhos veem.

É tempo de silêncio, mas não apenas de um minuto.
É tempo de solidariedade, regada a choro.
É tempo de saudade para aqueles que conviveram com os derrotados pelo fogo e também para cada um de nós, saudade em todos nós.

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O BLOG VIDA CONTEMPLATIVA SOLIDARIZA COM TODAS AS FAMÍLIAS VITIMADAS PELA TRAGÉDIA EM SANTA MARIA – RS. QUE O PAI DAS MISERICÓRDIAS E DEUS DE TODA A CONSOLAÇÃO DERRAME O CONFORTO QUE VOCÊS TANTO PRECISAM NESSE MOMENTO DE DOR EXTREMA E DESESPERANÇA.

PAZ  E  BEM!

tau

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A ESPIRITUALIDADE QUE DESEJO *

imagesPor Ricardo Gondim

Apesar de tudo, insisto. A despeito de mim mesmo, teimo. Insisto e teimo por querer a eternidade. Alguém plantou transcendência em minha alma.  Mesmo diante do pavor de confundir esperança com alucinação, não consigo dissimular minha obstinação pelo que está além de mim.

Preciso tornar-me peregrino que se descalça diante do Sagrado. Deixar que o Mistério me deixe atônito. Desfazer-me de panos velhos para não remendar-me com os andrajos de uma religiosidade rota. Trocar odres antigos pelo vinho novo do Espírito.

Quero uma espiritualidade que enfrente a verdade de existir com tudo o que a vida trouxer de bom ou de ruim.  Desejo viajar até as fronteiras do universo não como fuga, mas como sede da grande Utopia – a mesma que move os Santos. Quero soprar o pavio fumegante da minha voz profética para ser farol, mesmo em um vilarejo distante.

Anseio por uma espiritualidade que esgote a soberba de minha onipotência e permita que a mesma bruma que empurra a caravela empine a bandeira do meu combate. Preciso repensar a coragem para que a minha força venha da fragilidade.

Almejo uma espiritualidade suave: delicada como a mão da criança, indefesa como o olhar do cordeiro e despretensiosa como o fluir do ribeiro. Necessito esvaziar-me do desejo de brilhar – que a oração mais pura fique escondida no quarto onde durmo. Ainda hei de encarar o apelo do poder como maldição. Qualquer glória só a Deus pertence – invejá-la é diabólico.

Anelo por uma espiritualidade que não se encaramuja. Que abre mão de palavras piedosas como disfarce e procura a magia de viver na encarnação, fazendo do corpo o lenho que transforma água amarga em doce.

Suspiro por uma espiritualidade sem fronteiras. Quero rasgar mapas para chamar o Próximo de meu irmão. Exorcizar o medo de perder a reputação. Abrir espaço para que o excluído se sinta acolhido. Sonho entender como o grão de trigo morre sem murmurar – por saber que carrega o futuro em suas entranhas.

Aspiro por uma espiritualidade que ame igualmente o belo e o disforme, o funcional e o deficiente; o lépido e o claudicante. E alimente a alma com as cores do cotidiano: azul, preto, rubro, amarelo, cinza, branco.

Ambiciono navegar. Já que viver nunca é preciso, abrir mão de atracar em qualquer Porto Seguro.  Sem âncoras, continuar a singrar o futuro como um oceano de possibilidades.

Soli Deo Gloria

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Extraído do site do autor – Ricardo Gondim

tau

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A ESPIRITUALIDADE QUE PROCURO *

o-sombra-lupaRicardo Gondim

Busco uma espiritualidade que

não aceite que vivemos no melhor mundo possível
não seja fatalista
não gere elitismo entre os crentes
não busque nenhum privilégio divino
não discrimine pessoas que pensam diferente
não se apóie em méritos para obter bênçãos
não tenha um Deus lá fora que é chamado para perto
não torça pelo inferno – qualquer um
não transfira para o Paraíso cobiça dissimulada na terra
não queira converter ninguém à certeza, mas ao amor.

Busco uma espiritualidade que

opte pelo diálogo acima do monólogo
revele milagre nas iniciativas encarnadas
identifique a Imago Dei no próximo
não se acovarde na insegurança de um mundo contingente
prefira construir pontes e não muralhas
reconheça Deus ao lado do oprimido e não do opressor
goste da companhia de gente singela
se atreva cogitar pacifismo como opção existencial
combine graça com ternura
entenda o caminho de Jesus repousando sobre a amizade
cuide do planeta antes que seja tarde demais.

Soli Deo Gloria

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Extraído do site do autor – Ricardo Gondim

tau

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Rubinho Pirola

“Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.” Mt 6:6
É grande o nosso apetite pelos ajuntamentos, reuniões, movimentações. Mas a grande, a maior características dos grandes homens, os que marcam outras vidas, é sem dúvida a sua experiência no secreto de Deus – e com Ele.Não que isso aparece fácil, ou é publicitado aos olhos de todos. Enquanto gostamos do barulho, Deus ainda forja os seus vencedores no constrangedor silêncio do Seu secreto.O rei David por exemplo, quando apresentou-se para combater o maior de todos, o amedrontador do exército de Israel, estava escudado nas experiências que vivera com Deus no ermo, quando banda nenhuma executava alguma trilha sonora, quando as claques não estavam para aplaudir, quando não havia sequer uma voz para ajudá-lo a compreender aquilo que o silêncio que encontramos no secreto onde Deus está nos revela ou produz em nós. Nem para atrapalhar também, é verdade.Só há o avançar público e notório, quando estamos respaldados pela vida no secreto. Ali, David enfrentou o leão pela juba, apanhou o urso à unha, sem que essa história tivesse corrido mundo pelas “bocas-de-matilde”. Nem se viu tal façanha, nem também, ninguém ouviu-lhe os joelhos a “tocarem castanhola”, o seu medo, a aflição diante do perigo e o grito rouco, talvez, da sua alma a enfrentar-se a si própria e as suas limitações diante da morte certa. Podem ler, essa história só saiu da sua boca, não estava nos jornais, cressem ou não nela, isso tudo era o testemunho na primeira pessoa e só a ele interessava naquela hora de desafio.Não há registros claros a respeito de tudo o que passou na alma de Abrahão, quando levava o filho Moriá acima, em silêncio, sem conversa, sem muita prosa, para aquilo que, certamente, compartilhado o intento, poderia levá-lo a um tribunal, ou à condenação da geral, da vox-populi…

Ali, Abrahão, antes de desferir o golpe – impedido por Deus no derradeiro ato de fé e obediência – matara a si mesmo. Matara o pai da fé, a sua carne, a sua lucidez, a sua sanidade e a lógica da razão humana, destruidas a prazo, em minutos, horas, de muita luta e talvez perguntas e debates-consigo próprio não correspondidos por Deus. Em horas de silêncio, medo, angústia… E ali também, conseguiu ele o testemunho de Deus sobre a sua fé. A fé de ter andado com Deus e de, contra tudo (e dele próprio!) sem ter as suas respostas todas respondidas, obedeceu e creu. E ganhou o supremo prêmio de ser para sempre o “Pai da Fé”.

Quanto no silêncio temos investido? Quanto do tempo no secreto temos gasto? É precisamente ali que Deus nos fala mais fortemente. Ainda que para todos, para a “galera”, para a massa, seja tudo, somente silêncio. Nada mais do que silêncio.

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* Rubinho Pirola – extraído do site Genizah
tau

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