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Archive for julho \18\UTC 2013

?????????De uns tempos pra cá tenho me feito essa pergunta. Isso porque, em muitos momentos, vi-me atirado de um lado para o outro em meio ao turbilhão de correria que caracteriza a sociedade de nosso tempo.

Por falar nele, desde que cunharam a “célebre” frase “tempo é dinheiro”, parece-nos que uma verdadeira patologia tomou conta da humanidade. E ela tem um nome bem conhecido: pressa.

Quem nunca se viu apressado nesse mundo? Ela já começa fincando suas garras em nós no momento em que acordamos: o alarme de nossos despertadores com suas “doces melodias” altissonantes nos acordam abruptamente, recordando-nos que o tempo urge.

Tomamos nosso café-da-manhã às pressas. Dirigimos para nossos empregos em muitos momentos de forma temerária. Por que? Porque estamos… com pressa! Se nos encontramos dentro de um transporte público como ônibus, trem ou metrô, como que um simples engarrafamento ou atraso no horário é capaz de nos tirar do sério e roubar nosso equilíbrio emocional. Afinal de contas, estamos com pressa…

Almoçamos de olho nos ponteiros do relógio. Engolimos a comida de supetão sem nem ao menos mastigá-la como devemos. Tudo porque o dever clama por nossa atenção. 

Andamos em ritmo frenético pelas calçadas dos grandes centros urbanos, quase que numa marcha militar robótica, sob os açoites implacáveis dos ponteiros do relógio. É claro! O próximo compromisso da agenda já se encontra às portas…e não podemos nos atrasar. Estamos com pressa. 

E assim caminhamos dia após dia tendo a pressa como sombra em nosso encalço. Junto com ela vêm suas irmãs siamesas agitação, inquietação e ansiedade. 

Como fruto disso ficamos com nossa alma fragmentada. Com aquela sensação ruim de incompletude, insuficiência e acabamos por mergulhar num poço fundo de frustração e apatia. Temos a impressão que mesmo com todo o nosso corre-corre nunca há tempo suficiente para fazermos tudo o que temos de fazer no dia. Pelo menos, não de uma forma bem feita ou do jeito que gostaríamos de tê-lo feito.  

A pressa também nos conduz à superficialidade nos relacionamentos interpessoais. Já que temos tão pouco tempo, em decorrência de nossas agendas lotadas de compromissos, acabamos nos resignando a ter “amizades” virtuais. Relacionamo-nos com monitores de computador e ao invés de um parente ou amigo querido, preferimos visitar redes sociais e frequentar chats de bate-papo on line. 

Outro malefício da correria de nossos dias é o viver distraído. Vivemos em um planeta belo, de riquezas de detalhes abundantes. A natureza é uma verdadeira poesia composta pelo coração amoroso de Deus. Estamos cercados de glória e bondade. No entanto, andamos tão apressados que simplesmente não mais paramos para contemplar as pinceladas da aquarela divina presentes em toda a criação, pequenos milagres do cotidiano.  Ainda vemos, mas, já não mais investimos tempo para observar e, por consequência, não conseguimos enxergar que há mais por baixo da superfície das coisas do que podemos se quer imaginar. A distração anda de mãos dadas com a pressa.

E ainda de quebra como resultado desse quadro que descrevemos acima colhemos os frutos amargos das doenças psico-somáticas como o estresse e a síndrome do pânico que nos apontam que a estrutura humana não foi feita para viver desse modo. Não aguentamos. Não somos máquinas. Somos seres humanos. Não temos apenas ossos e músculos. Temos um alma que precisa de seus cuidados. 

Mas, o que Deus deseja que você eu fiquemos sabendo é que as coisas não precisam ser desse jeito. É possível sim vencer a pressa. Como? Através de disciplina e estabelecendo algumas metas pessoais. Aí vão algumas dicas para diminuirmos um pouco o ritmo:

  • Você não precisa acordar esbaforido em meio a uma taquicardia em função do alarme do relógio e do tempo apertado. Escolha um som ou melodia que seja mais tranquila para o seu despertador (lembre-se que você está no seu quarto e não no quartel de Bombeiros). 
  • Coloque o relógio para despertar 15, 20 ou meia hora antes do horário comum. Isso o ajudará a acordar com menos pressa. Levante-se tranquilo.Faça uma prece agradecendo a Deus por um novo dia. Entregue o dia nas mãos de Deus e peça sua ajuda, cuidado e direção para você e os seus. Isso também te possibilitará a desfrutar de um café da manhã em paz.
  • Saia mais cedo para o trabalho. Dirija mais tranquilamente. Lembre-se que você está adiantado em relação ao horário que deveria chagar no emprego. Vá desfrutando do caminho. Coloque uma música que facilite a calma e serenidade. 
  • Aumente o tempo entre uma garfada e outra durante as refeições. Mastigue sem pressa o alimento. Mastigue-o bem. Os especialistas dizem que são necessárias 31 mastigadas para que o alimento seja corretamente assimilado por nosso organismo (quem sabe aquele seu problema com a má digestão “milagrosamente” será solucionado). Sinta o sabor de cada um deles. Desfrute dos aromas. E seja grato a Deus não apenas pela provisão do alimento em si, mas também pelo prazer que o desfrute dos sabores concede a você. 
  • Faça caminhadas frequentes se você mora em uma região bem arborizada. Se não, tente fazer uma visita a um parque ou floresta. Nesses momentos caminhe com ritmo, mas, sem pressa. Olhe a natureza ao seu redor. Pare em alguns momentos para observar a textura das folhas, a riqueza multicolorida das flores e os hábitos curiosos dos animaizinhos. São ministros da natureza que nos anunciam a grandeza de Seu Criador. 
  • Faça uma varredura estilo “pente-fino” em seus compromissos e obrigações agendados. Talvez você terá a surpresa de perceber que muitos deles são desnecessários e prescindíveis e que nada mais eram do que “encher linguiça”. Insira o que realmente é importante: agende um passeio ou viagem com a família; uma visita a um parente ou amigo que a tanto tempo você não vê. Invista em relacionamentos reais e não apenas virtuais. 
  • Diminua a frequência com que você utiliza mídias (TV, rádio, Facebook etc.). Combine com sua família um “jejum de mídia”, um dia inteiro sem acessar nada. Nesse dia invistam no relacionamento, em momentos lúdicos. Com isso perceberemos que a vida é muito mais do que essa grosseira capa sintética e artificial que a tecnologia tem nos imposto. 

Acredito que muitas outras metas podem ser estabelecidas além dessas para nos ajudar não só a diminuirmos o ritmo da vida mas também a investir no que realmente é necessário. Fique à vontade. A criatividade é o limite!

Que Deus nos abençoe.

Paz e bem!

tau

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Ed René Kivitz

abstrato adj. que não se prende à representação da realidade tangível. Em outras palavras: abstarto é aquilo que não se pega, não se vê, e não tem cheiro nem gosto.

1. Cristianismo abstrato é aquele de quem acredita nas realidades espirituais mas não interage com elas. Por exemplo, acreditar em Deus pode ser o mesmo que acreditar na existência de Barak Obama sem nunca ter apertado sua mão, ou na existência da Austrália e no Amazonas sem nunca ter visitado o país ou navegado as águas do rio. Isto é, “acreditar na existência de” é diferente de “se relacionar com”. Quem acredita na existência de Deus ,mas não se deixa afetar por Ele, não tem vantagem alguma sobre o diabo, que também acredita que Deus existe (Tiago 2.19).

2. Cristianismo abstrato é aquele basedao em ritualismo litúrgico, sem afeto: “Esse povo faz um grande show, dizendo as coisas certas, mas o coração deles não está nem aí para o que dizem. Fazem de conta que me adoram, mas é tudo encenação”, reclama Deus pela boca do profeta Isaías (29.13 – A Mensagem) – espiritualidade sem lágrimas, culto sem paixão, devoção mecânica, rituais automatizados e bailado de bonecos.

3. Cristianismo abstrato é aquele onde as convicções doutrinais têm primazia sobre a prática da generosidade. A experiência de fé dogmática arrebata o fiel para o mundo das ideias, onde não existe corpo, carne e sangue, não existem pessoas, apenas grandes cérebros sem qualquer capacidade de amar. Gasta-se muito tempo discutindo se o teísmo é aberto ou fechado, e, conclusões feitas, surgem os julgamentos e as agressões pessoais que negligenciam a generosidade, a fraternidade, e a mínima educação e o respeito que devemos uns aos outros, todos esquecidos de que “o conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica”, ou que “o coração humilde pode nos ajudar muito mais do que a mente orgulhosa” (1Coríntios 8.1 – A Mensagem).

4. Cristianismo abstrato é aquele que supervaloriza o moralismo em detrimento do engajamento social. O conceito de vida piedosa fica restrito aos pecados íntimos, notadamente relacionados com sexo, considerando os pecados estruturais e sociais, como a pobreza, a injustiça e a corrupção, coisa de menor importância. Os moralistas se escandalizam mais facilmente com homossexuais andando de mãos dadas na Avenida Paulista do que com mendigos embriagados estirados nas calçadas.

5. Cristianismo abstrato é aquele que proclama a expectativa do céu sem a consequente convocação para a responsabilidade histórica. A utopia do reino de Deus, que deveria ser inspiração para o cuidado da criação de Deus é transformado em argumento de fuga escatológica: “já que o mundo vai acabar mesmo, e vamos para o novo céu e a nova terra, que se dane o leontopithecus rosalia”.

6. Cristianismo abstrato é aquele que se relaciona com o mundo dos espíritos sem a contrapartida da participação no mundo dos homens. Meu amigo tinha uma carranca do folclore peruano em seu gabinete pastoral. Alguém entrou na sala e disse que aquilo era coisa do diabo e deveria ser destruída. O pastor perguntou, “em quem você votou na última eleição?”. Após a resposta, meu amigo concluiu, “Não adianta nada amarrar o diabo nas religiões celestiais e deixá-lo solto aqui em baixo”. Risos.

7. Cristianismo abstrato é aquele onde a religião está separada da vida. O mundo é dividido entre religioso e secular: de um lado ficam os santos redimidos pelo sangue do Cordeiro e do outro os pagãos que marcham céleres para o inferno. A igreja deixa de ser sal da terra e passa a ser “sal no saleiro”.

8. Cristianismo abstrato é aquele que se sustenta em clichês a respeito de como a vida deve ser sem a coragem para encarar a vida como ela é. O elevado padrão ético do evangelho não pode desconsiderar a realidade concreta das pessoas e das comunidades cristãs, que convivem com pedófilos, corruptos, abusadores, gente dissimulada e mal caráter de todo tipo e práticas imorais de toda sorte. Quem proclama o evangelho não pode brincar de “tapar o sol com a peneira”.

9. Cristianismo abstrato é aquele fundamentado no “eu” sem “nós”. Tem gente que confunde pessoalidade (O Senhor é o meu pastor) com individualismo (O pão é nosso, não apenas meu). O privatismo egocêntrico prevalece sobre a comunhão solidária, e todo mundo tenta se relacionar com Deus enquanto olha apenas para o próprio umbigo.

10. Cristianismo abstrato é aquele onde a religião é à la carte, sem sujeição à autoridade da revelação de Deus, que conhecemos como Bíblia. Quando cada um escolhe o que crer, de acordo com sua própria lógica e suposto bom senso, a mensagem cristã acaba sendo transformada num mix barato de folclore popular, filosofia em gotas, misticismo pagão e auto-ajuda espiritualista.

11. Cristianismo abstrato é aquele onde prevalecem as questões de foro íntimo sem satisfações comunitárias. Uma fé sem dimensões públicas, com ênfase exagerada em privacidade e preservação da intimidade, negligencia o fato de que “somos membros uns dos outros, e quando um membro do corpo sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele” (1Coríntios 12.26).

12. Cristianismo abstrato é aquele onde existe carisma sem caráter. Muita profecia, muito exorcismo em nome de Jesus, sem submissão à vontade de Deus. Muita lingua estranha que nem mesmo o Espírito Santo entende. No dia do juízo, muita gente cheia de carismas vai se espantar quando ouvir Jesus dizer, “Tudo o que vocês fizeram foi me usar para virar celebridades. Fora daqui” (Mateus 7.23 – A Mensagem).

13. Cristianismo abstrato é aquele tem um Deus de invocação e outros muitos de devoção. Tem muita gente que invoca o Deus é pai de nosso senhor Jesus Cristo em suas orações, mas toma decisões no dia-a-dia e organiza a vida ao redor do dinheiro, da família, de um romance, da carreira profissional ou de qualquer outra pseudo sutil divindade idolátrica.

14. Cristianismo abstrato é aquele de quem ora “vem nós tudo, ao vosso reino nada” (ser servido versus servir). As pessoas ouviram que “Jesus Cristo é o Senhor” e acreditaram que nesse caso ele pode fazer tudo por elas, em vez de concluírem o óbvio, a saber, que elas devem fazer tudo por Jesus.

15. Cristianismo abstrato é aquele que se contenta com “amor” a Deus sem amor ao próximo, esquecido de que “ver a face do irmão é como contemplar a face de Deus” (Gênesis 33.10), ou quem sabe, que a única maneira de contemplar a face de Deus é contemplando a face do irmão, pois para enxergar o Deus que não se vê, é preciso enxergar o irmão que está bem diante dos olhos (1João 4.20).

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Extraído do site Genizah

tau

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