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Archive for the ‘Cotidiano’ Category

jesus amigo jovemRelendo há pouco tempo o excelente e inspirativo livro de Brennan Manning sobre o discipulado radical, “A Assinatura de Jesus” – Ed. Mundo Cristão, fui impactado de diversas formas através de suas reflexões argutas e sinceridade desconcertante. É interessante como releituras acabam por nos tocar novamente e de maneiras distintas. E uma das coisas que li novamente e que me falou de forma nova foi a questão da experiência pessoal com Cristo. Especialmente quando Manning coloca que na maioria dos casos de vida devocional cristã o Jesus que amamos e adoramos é o Jesus do teólogo, da denominação da qual fazemos parte, menos o Jesus que se descobre, se revela e se doa a nós em meio à intimidade de nossa busca por Ele.

Em suma o que ele argumenta de forma apaixonada, como era de seu estilo, é que o Jesus que cultuamos não deve ser o Jesus de Calvino, Martinho Lutero, Billy Graham ou Francisco de Assis. Mas, o meu Jesus! O Jesus que experimento falando comigo, me amando e cuidando de mim. Não uma relíquia do museu da espiritualidade e/ou da teologia, mas, um presença pessoal viva que interage comigo em meio a um relacionamento de amizade em amor.

Quem de fato é o Jesus que dizemos amar e servir? É o nosso Jesus ou o Jesus da experiência dos outros? Precisamos, mediante acurada e corajosa reflexão, econtrar respostas sinceras para essas perguntas igualmente sinceras.

Jesus está mais próximo de cada um de nós, filhos do Altíssimo Deus, do que imaginamos. E podemos experimentá-lo de forma simples e ao mesmo tempo profunda; podemos experimentá-lo e encontrá-lo em lugares e situações antes nunca imaginadas! Essa é a beleza que o Evangelho, as boas-notícias de Deus, confere a vida de todo aquele que crê: enxergar um mundo imbuído e permeado com a presença do Senhor Jesus Cristo. Isso nos desvencilha do fardo pesado da busca por um glamour em termos de vida espiritual. Não é preciso muita coisa, não! O Evangelho é algo simples de ser vivido. 

Permita-me nas linhas que se seguem compartilhar com você de que forma tenho aprendido (sim, pois não me considero um professor, mas, apenas um aluno do Reino) a experimentar Jesus no meu dia-a-dia.

Bem, experimento Jesus…

quando me coloco em solitude e silêncio. Essas duas disciplinas para a vida no Espírito sempre caminham juntas. Como já bem disse alguém, o silêncio é a solitude em ação. Tenho buscado (e por que não dizer lutado!?) para criar momentos e tempos para colocar-me a sós com Jesus e aquietar meu mundo interior e, na medida do possível, o exterior. Nesses perídos preciosos busco calar-me e fazer cessar as muitas vozes que clamam por minha atenção. Quando com muito esforço consigo isso, acesso uma via intuitiva, mística mesmo, de onde “escuto” uma voz, a voz de Cristo, que fala comigo desde meu Eu mais profundo, o Eu Interior. A voz que diz que sou irrevogavelmente amado e desejado. No silêncio do santuário da alma encontro entronizado Cristo, Rei dos reis e Senhor dos senhores! Ao me colocar deliberadamente sozinho com Jesus redescubro a verdade de que o mundo continua mundo, que a vida permanece funcionando mesmo em meio a minha ausência, mesmo nesses momentos em que não estou “fazendo nada”. Isso tem o poder de libertar-me do peso de carregar o mundo nas costas ao mesmo tempo em que me ajuda a perceber que todo o universo, inclusive a minha própria vida, é sustentada e conduzida pela poderosa Palavra de Jesus.

… quando medito nas Escrituras Sagradas. Isso requer uma atitude de escuta de minha parte. Olhos transfiguram-se em ouvidos. Achego-me ao texto Sagrado, não para ler grandes porções da Bíblia. Não desejo buscar informações para alimentar minha curiosidade intelectual. O que quero é acessar o coração de Abba e nele encontrar Seu Filho Unigênito. Aqui a Bíblia para mim não é um compêndio de teologia, mas, uma carta de amor, escrita em amor, por um Deus de amor, para um filho amado: eu! Seleciono a passagem, leio pausadamente, degustando cada palavra, cada expressão, cada parágrafo, sem pressa. Até que minha atenção seja atraída por uma única palavra ou frase no texto. E na mesma demoro-me, releio, murmuro, rumino. E em atitude de temor e tremor acolho no coração o mistério da Verdade que a mim foi trazida pelo texto escolhido. A meditação conduz-me a um encontro pessoal e real com o Cristo Ressurreto a partir do texto Sagrado. Meditar torna-se experimentar Cristo!

… quando me volto para a oração. Oração esta que brota como água da fonte nascente, vinda diretamente da meditação nas Escrituras. Conforme o que ouço da parte do Senhor surge na alma uma resposta que conduz-me à adoração, ou louvor, ou petição, ou confissão, ou intercessão. Oro ao Pai em nome do Filho. Oro ao Filho em seu próprio nome. Oro ao Espírito em nome de Jesus. Já não me preocupo mais com as intermináveis controvérsias se se deve ou não orar ao Espírito Santo, Jesus ou apenas ao Pai em nome de Jesus. Ah, e ainda tem a questão se a prece será ouvida ou não pelo Pai se no final da mesma não colocarmos a cláusula “em nome de Jesus, amém!” Posso afirmar que em qualquer forma de orar tenho sido contemplado pelo rosto amoroso do Deus Triúno que é perfeitamente equilibrado, em que as Três Pessoas Benditas não vivem em guerra entre si nem em crises eternas de ciúme doentio. Meu Deus não sofre de esquisofrenia! O Pai está no Filho, que está no Espírito e que está no Pai. Três pessoas distintas voltadas uma para a outra num abraço de amor eterno. Por isso, nas minhas orações tenho falado diretamente com Jesus, agradecido emocionado por sua paixão por mim, por sua cruz e por sua presença constante em minha vida.

…quando estou com minha família. Acredito que um dos maiores desafios que tenho encontrado ao longo do Caminho é o de encontrar o rosto de Cristo no seio familiar. Por que digo isso? Pelo simples fato de que quando pensamos na experiência de Jesus, na maioria das vezes, temos em mente a igreja, pois ela é o Corpo de Cristo reunido para adorar e concluir a missão no mundo; e no próprio mundo que carece de redenção e para o qual a igreja precisa pregar as boas-novas de Deus aos homens. Mas, nunca a família. Na verdade às vezes a mesma é considerada como uma força antagônica à experiência da presença de Jesus. Não há maior erro do que pensar dessa forma! Pelo contrário, a família é o campo primordial para se viver a espiritualidade discipular cristã. Buscando a cada dia trazer essa verdade à mente é que tenho conseguido acessar meu lar como um maravilhoso “sacramento” divino. Momentos específicos, e intencionais, em família como nossos almoços à mesa, saídas para o cinema, passeios, ou a simplicidade de uma deliciosa pizza na companhia de um ótimo filme são verdadeiras teofanias. Claro, não poderia deixar de mencionar nossos cultos domésticos onde juntos, como família reunida aos pés do Cristo Vivo e presente, adoramos, lovamos, oramos e compartilhamos a Palavra de Deus. Olhar os olhos amorosos de minha esposa e os de meus filhos, cheios de expectativas, tem sido o mesmo que contemplar a face de Jesus sorrindo para mim!

… quando estou inserido na comunidade dos salvos, a igreja. A igreja é a comunidade de fé que se reune em torno do Cristo vivo e ressurreto. Que o adora em espírito e verdade e que ouve e responde à sua Palavra exposta com fidelidade. A igreja é (ou pelo menos deveria ser) um ajuntamento de discípulos que vive em comunhão aprendendo dia-a-dia o que significa amar uns aos outros assim como fomos amados pelo próprio Senhor Jesus. Desta forma, através dos atos abnegados de altruísmo, de perdão mútuo e de encorajamento na jornada vejo a própria mão de Jesus a conduzir-me pela vereda do crescimento na Sua semelhança. Em tudo isso, numa caminhada comunal, somos tocados, transformados, desafiados enquanto juntos clamamos: “Maranata, vem Senhor Jesus!”

… quando estou no trabalho, exercendo minha profissão. O “ora et labora” (ora e trabalha) beneditino continua mais atual do que nunca. Ao invés do meu ambiente de trabalho ser encarado por mim como um “não lugar”, sem sentido, sem propósito espiritual, antagônico a minha fé e vivência de Jesus, ele torna-se um dos principais terrenos para que eu viva os valores do Reino seguindo o Mestre. De que forma? Primeiramente busco impregnar minha mente com o conceito bíblico de que quem criou o trabalho foi Deus ao colocar o homem para cuidar do jardim do Éden. Também considerar que cada profissão é uma vocação dada por Deus para o bem da humanidade, ajuda muito. Compreender que o serviço que presto tem por objetivo primordial glorificar a Deus é uma verdade de suma importância de se ter diante dos olhos. Também experimento Jesus no meu ambiente de trabalho quando o convido para ser meu parceiro em tudo o que eu for fazer no dia. Experimento Jesus fazendo o que faço consciente de Sua presença comigo. Experimento-o no meu trabalho quando em última instância me conscientizo de que o meu serviço faço primeiramente para Ele do que para os homens. 

Sem sombra de dúvidas essas são as principaos dimensões da minha existência em que tenho experimentado Jesus real e pessoalmente. No entanto, existem realidade mais ordinárias, fugazes em que o Cristo vivo tem me concedido as sementes de sua contemplação. Por isso, posso dizer que também tenho experimentado Jesus…

… na admiração da beleza da criação que está permeada da Sua glória.

… na admiração dos talentos artíticos humanos: literatura, escultura, teatro, música etc.

… no sorriso despretensioso de uma criança.

… na degustação de uma deliciosa refeição.

… ao assistir um bom filme.

… num encontro com amigos queridos.

… em momentos lúdicos com meus filhos, como por exemplo, jogando video-game.

A lista é extensa assim como a graça do crucificado que nos alcança de maneiras inesperadas. O que é necessário é estar atento e com o coração receptivo às suas sementes.

Ó Jesus, amado da minh’alma, quão grande é o Teu amor; quão infinita sua misericórdia; e quão estonteante Tua graça que me alcança no ordinário e no extraordinário dessa vida linda e empolgante. Amém!

Paz e bem!

tau

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11080983_786561468088689_4321078266248548745_nA vida é um grande sacramento. Tudo é Sagrado. O grande desafio, então, é deixar-nos ser tocados pelo Sagrado em meio às realidades comuns do cotidiano.

Cada animalzinho, cada pessoa, cada aspecto da criação, cada acontecimento, por mais efêmero que seja, traz consigo as sementes do Divino. Cabe-nos recebê-las através de um coração grato e atento para que as mesmas sejam plantadas no solo de nossa alma afim de que colhamos os frutos da Graça que nos chega de forma multifacetada.

É certo que por mais terríveis que tenham sido as consequências do Pecado, as mesmas não foram suficientes para sujar o mundo ao ponto de não conseguirmos enxergar que “toda a terra está cheia da sua Glória”.

A sarça permanece ardendo sem se consumir. Quem vê tira as sandalhas e adora. Quem não vê se assenta no chão para comer amoras.
Paz e bem!

tau

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?????????De uns tempos pra cá tenho me feito essa pergunta. Isso porque, em muitos momentos, vi-me atirado de um lado para o outro em meio ao turbilhão de correria que caracteriza a sociedade de nosso tempo.

Por falar nele, desde que cunharam a “célebre” frase “tempo é dinheiro”, parece-nos que uma verdadeira patologia tomou conta da humanidade. E ela tem um nome bem conhecido: pressa.

Quem nunca se viu apressado nesse mundo? Ela já começa fincando suas garras em nós no momento em que acordamos: o alarme de nossos despertadores com suas “doces melodias” altissonantes nos acordam abruptamente, recordando-nos que o tempo urge.

Tomamos nosso café-da-manhã às pressas. Dirigimos para nossos empregos em muitos momentos de forma temerária. Por que? Porque estamos… com pressa! Se nos encontramos dentro de um transporte público como ônibus, trem ou metrô, como que um simples engarrafamento ou atraso no horário é capaz de nos tirar do sério e roubar nosso equilíbrio emocional. Afinal de contas, estamos com pressa…

Almoçamos de olho nos ponteiros do relógio. Engolimos a comida de supetão sem nem ao menos mastigá-la como devemos. Tudo porque o dever clama por nossa atenção. 

Andamos em ritmo frenético pelas calçadas dos grandes centros urbanos, quase que numa marcha militar robótica, sob os açoites implacáveis dos ponteiros do relógio. É claro! O próximo compromisso da agenda já se encontra às portas…e não podemos nos atrasar. Estamos com pressa. 

E assim caminhamos dia após dia tendo a pressa como sombra em nosso encalço. Junto com ela vêm suas irmãs siamesas agitação, inquietação e ansiedade. 

Como fruto disso ficamos com nossa alma fragmentada. Com aquela sensação ruim de incompletude, insuficiência e acabamos por mergulhar num poço fundo de frustração e apatia. Temos a impressão que mesmo com todo o nosso corre-corre nunca há tempo suficiente para fazermos tudo o que temos de fazer no dia. Pelo menos, não de uma forma bem feita ou do jeito que gostaríamos de tê-lo feito.  

A pressa também nos conduz à superficialidade nos relacionamentos interpessoais. Já que temos tão pouco tempo, em decorrência de nossas agendas lotadas de compromissos, acabamos nos resignando a ter “amizades” virtuais. Relacionamo-nos com monitores de computador e ao invés de um parente ou amigo querido, preferimos visitar redes sociais e frequentar chats de bate-papo on line. 

Outro malefício da correria de nossos dias é o viver distraído. Vivemos em um planeta belo, de riquezas de detalhes abundantes. A natureza é uma verdadeira poesia composta pelo coração amoroso de Deus. Estamos cercados de glória e bondade. No entanto, andamos tão apressados que simplesmente não mais paramos para contemplar as pinceladas da aquarela divina presentes em toda a criação, pequenos milagres do cotidiano.  Ainda vemos, mas, já não mais investimos tempo para observar e, por consequência, não conseguimos enxergar que há mais por baixo da superfície das coisas do que podemos se quer imaginar. A distração anda de mãos dadas com a pressa.

E ainda de quebra como resultado desse quadro que descrevemos acima colhemos os frutos amargos das doenças psico-somáticas como o estresse e a síndrome do pânico que nos apontam que a estrutura humana não foi feita para viver desse modo. Não aguentamos. Não somos máquinas. Somos seres humanos. Não temos apenas ossos e músculos. Temos um alma que precisa de seus cuidados. 

Mas, o que Deus deseja que você eu fiquemos sabendo é que as coisas não precisam ser desse jeito. É possível sim vencer a pressa. Como? Através de disciplina e estabelecendo algumas metas pessoais. Aí vão algumas dicas para diminuirmos um pouco o ritmo:

  • Você não precisa acordar esbaforido em meio a uma taquicardia em função do alarme do relógio e do tempo apertado. Escolha um som ou melodia que seja mais tranquila para o seu despertador (lembre-se que você está no seu quarto e não no quartel de Bombeiros). 
  • Coloque o relógio para despertar 15, 20 ou meia hora antes do horário comum. Isso o ajudará a acordar com menos pressa. Levante-se tranquilo.Faça uma prece agradecendo a Deus por um novo dia. Entregue o dia nas mãos de Deus e peça sua ajuda, cuidado e direção para você e os seus. Isso também te possibilitará a desfrutar de um café da manhã em paz.
  • Saia mais cedo para o trabalho. Dirija mais tranquilamente. Lembre-se que você está adiantado em relação ao horário que deveria chagar no emprego. Vá desfrutando do caminho. Coloque uma música que facilite a calma e serenidade. 
  • Aumente o tempo entre uma garfada e outra durante as refeições. Mastigue sem pressa o alimento. Mastigue-o bem. Os especialistas dizem que são necessárias 31 mastigadas para que o alimento seja corretamente assimilado por nosso organismo (quem sabe aquele seu problema com a má digestão “milagrosamente” será solucionado). Sinta o sabor de cada um deles. Desfrute dos aromas. E seja grato a Deus não apenas pela provisão do alimento em si, mas também pelo prazer que o desfrute dos sabores concede a você. 
  • Faça caminhadas frequentes se você mora em uma região bem arborizada. Se não, tente fazer uma visita a um parque ou floresta. Nesses momentos caminhe com ritmo, mas, sem pressa. Olhe a natureza ao seu redor. Pare em alguns momentos para observar a textura das folhas, a riqueza multicolorida das flores e os hábitos curiosos dos animaizinhos. São ministros da natureza que nos anunciam a grandeza de Seu Criador. 
  • Faça uma varredura estilo “pente-fino” em seus compromissos e obrigações agendados. Talvez você terá a surpresa de perceber que muitos deles são desnecessários e prescindíveis e que nada mais eram do que “encher linguiça”. Insira o que realmente é importante: agende um passeio ou viagem com a família; uma visita a um parente ou amigo que a tanto tempo você não vê. Invista em relacionamentos reais e não apenas virtuais. 
  • Diminua a frequência com que você utiliza mídias (TV, rádio, Facebook etc.). Combine com sua família um “jejum de mídia”, um dia inteiro sem acessar nada. Nesse dia invistam no relacionamento, em momentos lúdicos. Com isso perceberemos que a vida é muito mais do que essa grosseira capa sintética e artificial que a tecnologia tem nos imposto. 

Acredito que muitas outras metas podem ser estabelecidas além dessas para nos ajudar não só a diminuirmos o ritmo da vida mas também a investir no que realmente é necessário. Fique à vontade. A criatividade é o limite!

Que Deus nos abençoe.

Paz e bem!

tau

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É TEMPO DE CHORAR *

LUTOPor Israel Belo de Azevedo

Por que falar, se devemos chorar?

Por que propor palavras, se as lágrimas são o melhor que podemos dar?
Por que esboçar explicações, se a compaixão é o sentimento certo a externar?
Por que apresentar acusações, se a misericórdia é a única atitude capaz de confortar?

Diante de uma tragédia, que asfixia amores e sepulta sonhos, deixa dores e transmite temores, só temos uma coisa a fazer: pegar no colo as crianças que perderam os braços que as carregavam, tomar pela mão as mãos (algumas feridas pelas enxadas que sustentavam orgulhosos seus meninos) dos pais órfãos de filhos e enxugar suas lágrimas, beijar os rostos das mães que perderam seus melhores bens e pedir que Deus as conforte, abraçar os irmãos de quem se foram seus companheiros para ser um pouco amigos deles agora, sustentar os avós cujos corpos cambaleiam sem acreditar no horror que os seus olhos veem.

É tempo de silêncio, mas não apenas de um minuto.
É tempo de solidariedade, regada a choro.
É tempo de saudade para aqueles que conviveram com os derrotados pelo fogo e também para cada um de nós, saudade em todos nós.

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O BLOG VIDA CONTEMPLATIVA SOLIDARIZA COM TODAS AS FAMÍLIAS VITIMADAS PELA TRAGÉDIA EM SANTA MARIA – RS. QUE O PAI DAS MISERICÓRDIAS E DEUS DE TODA A CONSOLAÇÃO DERRAME O CONFORTO QUE VOCÊS TANTO PRECISAM NESSE MOMENTO DE DOR EXTREMA E DESESPERANÇA.

PAZ  E  BEM!

tau

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CALMA, VÁ DEVAGAR

Fala-se muito em ativismo, mas poucos conseguem vencê-lo. Principalmente numa sociedade injusta e selvagem como a brasileira. A gente madruga, luta o dia inteiro só para não deixar que a vida, como um trator de esteira, nos esmague. Eu tive um professor, quando ainda cursava o colegial, que gostava de repetir um provérbio bem nordestino: “se cochilar o cachimbo cai”. De fato, vivemos uma realidade tão cruel que se cochilar não dá para pagar as contas do fim do mês.

Fora o desespero de continuar boiando na superfície desse mar raivoso, a gente ainda tem que lidar com a maldita competição. Fomos educados, desde cedo, a encarar qualquer segundo lugar como o quinhão para os “menos competentes”; ninguém se sente realizado com a medalha de prata. “Seu destino é pódio; um dia vão pendurar uma medalha de ouro no seu pescoço”, nos ensinaram quando nos matriculamos naquela escolinha de judô, patrocinada pelo centro comunitário do bairro. Assim, corremos, esfolamos as mãos, suamos a camisa até puir, para nunca ser cauda; acreditamos que merecemos encabeçar a tabela do campeonato.

O ativista sacrifica seus valores, princípios e concepção da verdade para galgar os píncaros do sucesso, da fama, da riqueza, do poder. Confesso que já fui um ativista inveterado. Devido ao meu perfeccionismo, os dias se transformavam em semanas; as semanas, em meses; os meses, em anos; os anos em décadas. De repente, assustei-me com um sujeito que me espiava de dentro de uma fotografia. Aquele senhorzinho com cara de cansado, olheiras arroxeadas e aspecto triste era eu.

“Caramba”, falei em voz alta, “gastei meus melhores anos como um ratinho na roda da gaiola, corri, corri e sem chegar a lugar nenhum”. Mal vi meus filhos crescerem, não consegui aprender a gostar de poesia, por mais de vinte anos não fui a nenhum concerto de música clássica, nunca li Machado de Assis, Thomas Mann, Victor Hugo, José Lins do Rego.

Certa vez, Jesus chamou seus discípulos e os advertiu sobre o valor da vida. Suas palavras foram agudas: “Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se ou destruir a si mesmo?” – Lucas 9.25. Por anos, entendi este texto como uma advertência para que as pessoas não gastem seus dias tentando conquistar o mundo e, no fim, acabarem no inferno. Ultimamente, graças também a Nova Versão Internacional da Bíblia, passei a compreender a afirmação de Jesus, como uma advertência existencial. Para que se esfolar por ideais se, no processo, acabar como uma pessoa sem alma, isto é, sem afetos, solidariedade e humanidade?

O ativismo brota de dois vícios existenciais: onipotência e narcisismo. O ativista acredita que tem saúde de ferro, que é imprescindível, que foi eleito o preferido dos deuses, que faz tudo melhor do que qualquer pessoa. O ativista trabalha porque, geralmente, também se enxerga como o mais bem talhado para as grandes tarefas. Ele Imagina que se algum empreendimento tiver que dar certo, tem que ter a sua contribuição. Assim, se fosse um corredor, só revezaria consigo mesmo; o medo de perder a corrida não permite que confie em qualquer parceiro.

O narcisismo é diferente porque todas as pessoas possuem alguns elementos narcisistas. O problema do narcisismo é quando ele descamba e se torna depreciativo; quando encaramuja. Um belo exemplo desse narcisismo doentio pode vir do futebol. Sabe o jogador que não admite que exista alguém que tão bom quanto ele? Em minha infância era chamado de “fominha”, pois não tem espírito de equipe, não passa a bola, quer resolver tudo sozinho e sempre prejudica o time; no dia em que se aposentar, será visto na arquibancada xingando os novatos que “só apresentam um futebol inferior”.

Somos curados da onipotência quando despertamos para a nossa mortalidade. Somos provisórios, efêmeros. Passamos rapidamente. Há pouco, constrangi-me quando vi um ancião entrando num avião, ajudado por três pessoas e arrastando os pés. Era o pastor de uma mega igreja que em tempos passados arrebatava multidões; agora mal se equilibrava para andar.

Nossos dias se acabam ligeiros. Não adianta se afobar. Você não é dono da palmatória que corrige o mundo. Conta-se que os imperadores romanos colocavam escravos nas bigas dos generais romanos que triunfavam nas batalhas para repetirem uma só frase: “Memento mortale est” – lembra-te que és mortal; era o antídoto da arrogância.

Contemple os grandes ícones da história. Todos morreram e a vida continuou. Paulo, o apóstolo responsável pelo avanço do cristianismo, foi decapitado e depois dele vieram outros que levaram a tocha do evangelho. Martin Luther King foi assassinado e sua causa continuou a ser defendida com o mesmo ardor; a liberdade civil dos negros se concretizou mesmo sem ele.

Somos curados do narcisismo quando aprendemos a valorizar dons e potenciais alheios. Já lhe disse antes: você sempre encontrará pessoas mais bonitas, mais talentosas, mais ricas, mais espiritualizadas e, se for longevo, mais jovens do que você. E como é gostoso não precisar provar nada para ninguém! Busque a excelência, mas livre da necessidade de angariar simpatias, aplausos ou aceitação.

Diego, discipline-se para ler; aprenda a degustar a vida devagarinho. Fuja dos “fast-foods”; na mesa, gaste tempo conversando, ouvindo. Time is not money – o tempo é vida e vida é uma riqueza não renovável. Assim, combata a ansiedade e diga mais vezes: “deixa estar” – let it be. Não se enxergue como uma abelha que vive para a colméia; seja um amigo que sabe curtir os bons momentos.

Lembre-se, desta vida só levaremos boas memórias. Portanto, torne-se um alquimista que transforma cada experiência, evento ou alegria, num sacramento que você carregará no bolso da alma até a eternidade.

 Soli Deo Gloria.

Ricardo Gondim

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Extraído do site http://www.ricardogondim.com.br

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CARPE DIEM

O grande desafio humano, nestes dias de aridez existencial, é conseguir acessar um nível de experiência de vida que lhe seja satisfatória. A luta contra o tédio e a melancolia, e ao mesmo tempo, a busca por um estilo de vida embuído de significado e propósito constituem-se na luta acirrada do homem e da mulher contemporâneos.

Isso me faz lembrar da história de um grupo de alunos de uma conceituada escola preparatória dos EUA. Ela foi contada no filme “A Sociedade dos Poetas Mortos”. Tudo começa quando o professor John Keating, estrelado pelo ator Robin Willians, substitui outro professor na disciplina de literatura. Na primeira aula Keating, para o espanto dos alunos, chama a todos para fora da sala e os leva a um hall onde se encontravam vários quadros com o retrato de turmas que já tinham passado pela escola. Keating começa a ministrar àquele grupo de rapazes desconfiados o legado que o olhar e a fisionomia daqueles estudantes antigos lhes queria transmitir. E o legado era “Carpe Diem”.

Antes disso o professor já lhes havia introduzido ao significado desta frase “Carpe Diem”. Trata-se de duas palavras em latim que significavam “aproveite o dia”. Keating surpreende aquele grupo de adolescentes, que a princípio não estava entendendo muita coisa, lhes dizendo que os alunos imortalizados naquelas fotos lhes transmitiam seu legado: “Carpe diem! Aproveitem o dia, rapazes! Fçam de suas vidas algo extraordinário”. Bem, não vou contar o restante do filme, pois, se você ainda não o assistiu, encorajo-o a fazê-lo.

Carpe Diem é o próprio grito de guerra daqueles que não se resignam a viver vidas superficiais e diminuídas. É o estandarte que os que buscam agregar valor e propósito à existência carregam. Crape Diem é o lema dos que lutam contra o tédio e a melancolia. Voltando ao filme, Carpe Diem é a grande descoberta que cada um daqueles jovens vai fazendo acerca da própria vida nas suas multiformes dimensões: amizade, amores, personalidade, vocação etc. Carpe Diem é a grande descoberta da vida deles.

Confesso que da minha também foi. O filme me impactou para sempre. Contudo, esta não foi a minha maior surpresa em relação a este conceito de carpe diem. Ó! Quão grande foi meu susto quando descobri que a Bíblia, a milhares de anos atrás, já descobrira que a vida é algo feito para ser o mais extraordinário possível. Que se pode, sim, alçar um vôo acima das densas nuvens tempestuosas da mediocridade. E avistar um céu limpo de possibilidades e esperança.

O livro de Eclesiastes, em especial, nos conduz por esta releitura da vida. Isso não significa que ele a mascare amenizando assim a realidade. Não, pelo contrário. Eclesiastes mostra como a vida realmente é: uma sucessão de acontecimentos repetitivos, cíclicos que parecem nos levar sempre para o mesmo lugar. Esta aparente “mesmice” é de onde se origina o tédio e a melancolia que tanto tem caracterizado a saga humana por estes séculos.

Eclesiastes faz parte na bíblia do bloco dos escritos sapienciais. A sabedoria de viver é o assunto principal destes escritos. No salmo 90, atribuído a Moisés, lemos o seguinte no verso 12:

“Ensina-nos a contar nossos dias para que alcancemos coração sábio”

Para o judeu há basicamente uma grande diferença entre sabedoria e inteligência. Esta trata meramente da intelectualidade, da quantidade de informação comportada no cérebro, enquanto aquela tem a ver com a experiência adquirida com o passar dos dias que acabam por nos ensinar a viver, e a viver bem. Logo, isso é sabedoria: a arte de viver bem. Simplificando, este é o pedido de Moisés a Deus: Senhor, ensina-nos a vivermos com qualidade, com significado e com propósito. Mostra-nos como fazer da vida algo extraordinário”. Carpe Diem!!! É disso que Moisés está tratando. Não é incrível!?

Voltando ao livro de Eclesiastes, é exatamente sobre isso que ele nos instrui. A como vivermos com qualidade e com significado em meio às desventuras desta vida repetitiva. O desafio de encontrar singularidade e profundidade na rotina do cotidiano. Há um capítulo que, de forma especial, nos faz este convite. Este é o capítulo 9, mas especificamente os versos de 7 a 10:

(7)“Vai e come com alegria o teu pão e bebe o teu vinho com coração contente; pois há muito tempo Deus se agradou do que tu fazes.

(8) Sejam as tuas vestes sempre bem cuidadas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.

(9) Desfruta a vida com a mulher que amas todos os dias desta vida de ilusão, que Deus te deu debaixo do sol, sim em todos os dias da tua vida de ilusão. Porque essa é a tua recompensa nesta vida pelo trabalho que fazes debaixo do sol.

(10) Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o com todas as tuas forças, porque na sepultura, para onde vais, não há trabalho, nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria.”

Nestas breves sentenças destilam princípios que nos ajudam a extrair da vida, a despeito dos entraves, todo seu potencial criador. São atitudes práticas que nos farão conectar com esta sabedoria que desemboca em águas profundas.

Primeiramente, devemos aprender a nos alegrar com as coisas simples desta vida. Isso é descrito nas palavras do verso 7 – “Vai e come com alegria o teu pão e bebe o teu vinho com coração contente”. Alcançar alegria e contentamento nas coisas simples e efêmeras: eis o grande desafio. Isso é substancialmente o contrário do que a sociedade tem feito as pessoas acreditar. Que é necessário ter muito para que se seja feliz. Que a essência da vida está nas grandes coisas, nos grandes momentos, nos grande lugares. Quando necessariamente isso não é verdade. Somos uma geração de pessoas que desaprenderão a saborear os pequenos momentos. Isso fica bem claro quando pensamos em como nos alimentamos. Nos esquecemos que a boca não foi feita apenas para que o alimento entre no nosso corpo, mas, também para que experimentemos o prazer que o sabor dos mesmos nos proporcionam. Porém, a pressa destes dias nos leva a a engolirmos a comida em meio a garfadas de ritmo frenético. Sem ao menos dar espaço para que a alegria e a gratidão surjam entre elas. Definitivamente a vida não é complicada. Nós é que a tornamos com nossa sede doentia por glamour e compexidade. Simplificar os dias celebrando as coisas simples que Deus coloca diante de nós, é o segredo da felicidade perene.

Em segundo, necessitamos aprender também a nos alegrar com as coisas simples da vida, desfrutando-as ao lado das pessoas que amamos. O verso 9 nos exorta a fazer isso – Desfruta a vida com a mulher que amas todos os dias desta vida de ilusão, que Deus te deu debaixo do sol”. A “mulher que amas” simboliza toda a gama de pessoas cuja vida e presença são significativas para nós. Devemos, a cada momento nos fazer a seguinte pergunta: Onde estão as pessoas que eu amo e que me amam também? As coisas ordinárias da vida ganham seu significado pleno quando compartilhadas com alguém, principalmente com pessoas com quem temos laços afetivos profundos. Infelizmente vivemos numa sociedade individualista onde o ser humano se sente cada vez mais solitário em meio à multidão. Esta mesma sociedade nos desencoraja na busca de fomentarmos relacionamentos profundos e duradouros. Sair de dentro desta casca isolante é que é o nosso grande desafio. Tendo isso em mente é que devemos lutar para firmar amizades que já temos e nos abrir para cultivarmos novas. Amizades verdadeiras vão além de encontros esporádicos em meio a festas de conhecidos em comum e conversas cibernéticas diante do monitos de um computador. Amizade é gastar tempo juntos, mesmo que seja o mínimo. É via de mão dupla: dar e receber. Amizade significa compartilhar vida. Quantos amigos você tem? A quanto tempo não os visita? Igualmente, e nem por isso menos importante, devemos também investir em momentos com a família. Família aqui num sentido mais geral do termo. Na sociedade individualista e isolacionista dos dias de hoje, somos, com frequência, convidados a nos enconder por detrás de nossas atividades como trabalho, cursos, afazeres domésticos, robs pessoais etc. E na grande maioria das vezes, inexoravelmente, estas coisas nos afastam, porque lhe tomam o lugar, da família. Contudo, devemos esmurrar e lutar para abrir buracos em nossa agenda criando, assim, tempo para estarmos juntos com nossos queridos. Tlavez amanhã seja tarde demais para dizer “te amo”.

 

Por último temos uma urgência enorme em aprender a viver com intensidade cada pequeno momento da vida, emprestando-lhes plenitude de significado. O sábio em Eclesiastes assim nos diz no verso 10 –Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o com todas as tuas forças”. Ou seja viva intensamente cada momento. E isso um de cada vez. No entanto, extrair a plenitude de significado dos pequenos e ordinários momentos que a vida nos proporciona, não significa nos deixar afogar ou ser atropledos por eles.
Um bom conselho para isso é viver um dia de cada vez. Estar totalmente presente no momento. Infelizmente vivemos em meio a uma sociedade pré – ocupada. Ou seja, pessoas que são viciadas em sofrer por antecedência. E com isso acabam abrindo suas vidas para a ansiedade, o medo e todo tipo de síndromes fobíticas e patologias auto-causadas. Não é a toa que os níveis de estresse em nossa sociedade estão altíssimos. Enquanto que as doenças cardio respiratórias e cardio vasculares se multiplicam. Contudo, podemos escapar deste quadro. E a grande notícia é que não precisamos esperar os chamados grandes momentos da vida como casamentos, nascimentos, festes de aniversário, para vivermos com intensidade de significado. Basta apenas que aprendamos a estarmos abertos e receptivos áquilo que nos é oferecido por detrás destes milhares de pequenos momentos do cotidiano. Assim, um almoço com amigos, uma visita a um parente querido, o abraço carinhoso de um filho, um passeio em família podem tornar-se verdadeiros sacramentos onde nos é oferecido algo que transcende o meramente humano e natural. Basta que nos entreguemos e vivenciemos com jubilosa alegria estes momentos que são verdadeiros milagres do comum.

É verdade! A vida algumas vezes é difícil, ária, sofrida. Cheia de dores, perdas e obstáculos. Todavia quem disse que ela tem de ser amarga, feia e sem sentido? Ver um sorriso na vida, ou não, só depende nós. Basta que resgatemos o valor das pequenas coisas. Que as desfrutemos na companhia de pessoas a quem amamos e que estes momentos sejam experienciados na sua plenitude de propósito e significado. Somente isso já basta. Assim veremos que Carpe Diem é algo mais do que parte do enredo de um bom filme. Trata-se da própria alegria da descoberta de que a vida foi feita para ser algo extraordinário. Que fomos feitos para algo a mais do que simplesmente virar comida de vermes.

“Eu vim para que tenham vida, e a tenham com PLENITUDE”

(Jesus Cristo – João 10:10b)

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SORRISO DE DEUS

Deus sorri. Isso já é uma grande coisa. Todavia, quando consideramos o fato de que Deus sorri para nós, ai já é algo maravilhoso.

“Que é o homem para que te lembres dele; e o filho do homem para que o visites?”, indagou o salmista.

Contudo, nos assombramos diante desta verdade: Deus sorri para nós. O sorriso de Deus é sua própria alegria a invadir nossa alma. É o primeiro raio de sol a rasgar as densas trevas da madrugada. É brisa a refrescar nosso corpo, castigado pelo calor do dia.

É agua fresca que sacia nossa sede. Alimento que aplaca nossa fome. É o amor que renova as esperanças em nossos corações fatigados.

O sorriso de Deus é o seu favor para conosco. É sua bondade inescrutável que se traduz em misericórdia e graça dispensadas a nós.

Muitos ao longo dos tempos experimentaram e têm experimentado o sorriso amoroso e compassivo do nosso Deus: Moisés na travessia do Mar Vermelho; Elias sendo sustentado pelos corvos; Jonas sobrevivendo no ventre de um peixe; Daniel na cova dos leões; Sadraque, Mesaque e Abede-Nego a passear em meio ao fogo da fornalha aquecida sete vezes como quem passeia em meio ás folhagens de um bosque florido; Paulo sobrevivendo á picada de uma cobra venenosa; a multidão alimentada por Jesus á partir de cinco pães e dois pexinhos. E tantos outros. Pessoas, como nós, que foram alvo do sorriso iluminado e iluminador do Totalmente Outro.

Mesmo assim, não são apenas situações como essas que nos descortinam o largo sorriso de Deus. A bem da verdade, pessoas que só esperam coisas assim, acabam por tornar para si mesmas o sorriso amoroso de Deus, algo de extrema raridade em suas vidas.

Não que Deus não sorria nestas proporções para nós. Porém, o que devemos ter em mente é que Deus está sempre sorrindo. Não é raro que ele sorria. É mais usual e mais comum do que imaginamos. O grande problema é a ausência de uma atitude de espera, expectativa e acolhimente, de nossa parte, a este sorriso de nosso amoroso Pai.

Deus sorri no dia-a-dia. Deus sorri para nós nas situações banais, comuns e simples do nosso cotidiano. Começamos, deveras, a enxergar o sorriso divino ao considerarmos que cada acontecimento, cada coisa, cada pessoa, cada vitória, cada realidade por mais efêmera que nos possa parecer, são frutos oriundos da graça, amor e misericórdias divinas. Mesmo aquilo que, num primeiro momento, a nosso ver, não nos pareça agradável.

Portanto, o que necessitamos fazer? Necessitamos limpar nossas lentes de toda sujeira do sensacionalismo, do espetacular, e acolhermos o Deus que misteriosamente nos visita no comum.

Tenho orado, pedido e buscado a Deus para que ele me conceda olhos simples que possam contemplar a simplicidade e discrição de Sua presença que me é oferecida constantemente por meios inesperados.

Portanto, por sua infinita misericórdia e bondade tenho podido ver e receber o sorriso de Deus na minha vida. Deus sorri pra mim…

Tenho visto o sorriso de Deus nos meus momentos de silêncio. Quando apaziguo a alma, cessando com seus ruídos e inquietações, posso ouvir a voz de Deus no meu centro.

Tenho recebido o sorriso de Deus quando me coloco diante de sua Palavra não como um teólogo, pronto para levantar questionamentos filosóficas, mas, com o coração receptivo, como um amante, um apaixonado que deseja ardentemente um encontro íntimo e pessoal com aquele que é o objeto de sua afeição.

Deus sorri pra mim quando estou em comunidade. No “estarmos juntos” com outros irmãos para a adoração, a comunhão, a contemplação. Quando percebo que não apenas creio, mas, que também pertenço, faço parte de uma família que me acolhe, encoraja e se coloca ao meu lado como companheiros de peregrinação.

Recebo o sorriso de Deus quando vejo um ato de caridade, afeto, solidariedade, compaixão e humanidade entre humanos. Constato que, afinal, algo da imagem divina permanece naqueles que são obra prima do Criador.

Deus sorri para mim nos momentos de família. Na companhia amorosa de minha esposa. No abraço apertado e cheio de afeto dos meus filhos. Nos nossos períodos de brincadeira (as partidas de PlayStation têm sido verdadeiros encontros com o Sagrado). Nos almoços suculentos com nossos queridos.

Tenho encontrado o sorriso de Deus em meio às boas gargalhadas com amigos. Onde posso ser eu mesmo sem neuras. Onde sou aceito como sou e estou.

Ainda tenho encontrado o sorriso de Deus: no desabrochar de uma flor em meio á uma manhã primaveril; no tom vermelho alaranjado de um pôr do sol; no sorriso sincero e despretensioso de uma criancinha; no poder furioso de uma tempestade; no ribombar do trovão; no canto matinal de um Bem-te-vi; no nascer do sol de cada manhã que me faz lembrar das misericórdias do Senhor que, uma vez mais, renovaram-se sobre este planeta de humanos pecadores.

Peço a Deus que desvende meus olhos para que aquilo que me é oferecido não passe desapercebido. Para que, estas sementes eternas não encontrando “solo” propício que as receba, acabem por perecer sem liberar toda a vida de Deus que nelas está contida.

Rogo a Deus que me ajude a enxergar a vida mais bonita. Menos ameaçadora. Mas bela na sua essência.

Cheia de vida e de mistério. Mundo embuído e transbordante de Presença. Vida que resplandeça o sorriso de Quem a criou para o louvor da Sua glória.

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