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Archive for the ‘Oração’ Category

“De madrugada, ainda bem escuro, Jesus levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto; e ali começou a orar” (Mc 1:35)                                                                                 

De umas épocas para cá ( e já faz muito tempo) a espiritualidade cristã tem tido um medidor de temperatura no mínimo estranho ao padrão que encontramos nas Escrituras. Há tempos que a qualidade da vida espiritual, sua profundidade e calor é determinado, segundo o entendimento equivocado de alguns, pelo que os cristão fazem para Deus seja através da igreja ou não. 

Sendo assim a quantidade de culto a que vamos, o número de ministérios e atividades as quais desenvolvemos tornam-se o padrão para se determinar se estamos bem com Deus, se nossa vida espiritual está em dia.
E quando investigamos a espiritualidade de Jesus, se não a olharmos com acurada atenção, acabamos achando que seu estilo de vida corrobora essa espiritualidade ativista, consumista e hedonista que tem engolido a vida e a alegria de grande parte dos filhos de Deus que a tem experienciado. A maioria dos cristão chega ao final de sua carreira cansados, exauridos e não muito raro, frustrados e decepcionados. Por que será?
Não podemos negar que a “agenda” do Senhor era bem utilizada: desde expulsar espíritos imundos até uma conversa com uma mulher samaritana à beira de um poço, faziam parte de seu ministério diário.
No entanto o texto no início dessa reflexão nos mostra claramente que antes de um dia cansativo de atividades ministeriais, o Senhor estabelecia para sua vida aquilo que podemos chamar de “momentos sabáticos” para estar em amizade íntima com o Pai. Jesus diariamente separava tempo para estabelecer pausas na sua agenda e contemplar em silêncio e solitude no ermo, o rosto amável e amoroso de seu Abba. 
Tudo o mais que Jesus fazia, sua vida como um todo, orbitava em torno desses momentos. Ganhava profundidade, significado e uma nova dimensão a partir desse encontros íntimos com Deus em oração e contemplação. Para nosso Senhor estar com o Rei era prioridade diante do que ele tinha que fazer para o Rei. Certa feita, Jesus disse que ele não fazia nada por si mesmo, mas, somente o que ele via o Pai fazendo. Como que Jesus obtia esse discernimento espiritual para poder enxergar o Pai agindo? Na sua intimidade de oração, meditação e contemplação em silêncio e solitude com Deus.
Sendo assim, se desejamos imitar a vida de Cristo, se desejamos ver sua imagem refletida em nós e se queremos verdadeiramente experimentar uma espiritualidade saudável nossos dias precisam ter na sua primazia nosso “momento sabático”. É imprescindível aprendermos a estabelecer pausas, puxar o freio de mão, pisar fundo no breque e diminuir nosso ritmo para encontramos tempo para o silêncio, a solitude, a oração, a meditação e a contemplação apaixonada e fascinada da face daquele que nos amou e nos ama com amor eterno. 
Espiritualidade e atividade. Contemplação e ação. Maria e Marta. Na verdade não são realidades mutuamente excludentes. São complementares. São irmãs e por isso precisam caminhar juntas pela vereda fascinante do Reino. Encontrar o equilíbrio entre elas é o grande desafio de uma espiritualidade bíblica, cristã, madura e saudável.
Que tal apertar o botão de pausa?

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Estava um certo homem deitado no sofá de sua sala assistindo a um filme na televisão. Como o mesmo não estava conseguindo prender sua atenção, ele dormiu profundamente e passou a sonhar sonhos de Deus. E um deles foi assim compartilhado comigo:

Estava eu caminhando por uma estrada deserta, poeirenta  quando deparei-me com um lindo jardim em flor de primavera na beira do caminho. Nele existia uma riqueza de detalhes que enebriava de profunda alegria a quem o observasse. Margaridas, rosas de várias cores, copos de leite, cravos, lírios e muitas outras plantas compunham aquela paisagem de beleza multifacetada. Pensei comigo: “O Jardineiro que cuida desse jardim deve ser alguém muito zeloso e caprichoso”. Ainda podia divisar samambaias e árvores frutíferas de várias espécies e um rio de águas límpidas que atravessava bem no meio daquele local. Pus-me a me perguntar meio que atordoado com tudo aquilo ao meu redor: “O que pode significar um jardim tão bonito como esse num lugar tão inóspito?”

Ainda estava a me questionar quando ouvi uma voz que ao mesmo tempo em que era doce e suave, parecia com o rugir de centenas de trovões. Acho que era a voz do próprio Jardineiro. E a voz me disse: “Esse jardim representa as Sagradas Escrituras que Deus concedeu à humanidade para que lhe seja luz e lâmpada que lhe indique o caminha da salvação”. E é verdade, oh Senhor Bendito de toda glória! Não são elas uma carta de amor de um Deus que simplesmente ama porque decidiu assim fazê-lo? E não são suas as verdades multifacetadas a alegrar o coração dos homens e a edificar os crentes e a revelar a vereda para a redenção da alma? E suas verdades não são semelhantes ao fruto maduro e doce a impregnar de sumo a boca de quem o prova ?

Comecei a caminhar por aquele lindo jardim de belezas e delícias insondáveis. Eu não tinha pressa alguma. Caminhava lentamente, passo à passo olhando e observando tamanhos, formas e cores de tudo o que brotava do solo daquele lugar paradisíaco. Rosas vermelhas e brancas. Violetas. Margaridas amarelas. Copos-de-Leite brancos como a neve. Árvores pequenas, árvores grandes. Frutos pequenos e frutos grandes. Uma riqueza de detalhes que palavras não poderiam expressar satisfatoriamente. Num dado momento, percebi em meio àquela vastidão uma linda rosa que chamou a minha atenção pela sua beleza singela, sua textura aveludada, cor viva e delicioso perfume. Parei diante dela abaixei-me e a colhi com cuidado e reverência. E disse em seguida: “De todas as flores que vi e apreciei, essa rosa verdadeiramente foi feita para minha alegria.” De repente, como que do nada ouvi novamente a voz do Jardineiro à perguntar-me: “Você sabe o que significa esse passeio sem pressa e atento a todas as belezas e riquezas do meu jardim?” Eu lhe respondi: “Não Senhor, Tu o sabes!” E ele complementou: “Esse caminhar sem pressa, silencioso e atento é a meditação sobre as minhas Escrituras. E a rosa que colheste é a Palavra que separei e direcionei para sua vida”. Ah, Amado Senhor! E não é assim mesmo que, ao lermos sem pressa  em em amorosa e silenciosa atenção, num dado momento nossa atenção é chamada a uma frase, expressão ou palavra da Sacratíssima Escritura? O que antes era apenas um texto sagrado passa a ser a nossa Palavra pessoal. A Palavra do nosso Deus para as nossas vidas.

Enquanto ainda olhava atentamente para a minha rosa que havia colhido do jardim, eis que sem o perceber o Jardineiro se aproxima de mim. Olhei nos seus olhos e foi como se me perdesse nas profundezas de um vasto oceano. Oceano de bondade, esperança, misericórdia e amor. Ele sorriu para mim. E o seu sorriso se alastrou pelo meu peito como um incêndio a consumir uma floresta de folhas secas. Naquele momento, sem entender muito bem o que se passava, comecei a chorar e a gradecer ao gracioso jardineiro por ter cultivado e cuidado de tão bela espécime de flor. Exaltei sua criatividade e cuidado para com aquela rosa. E acima de tudo pelo fato de que agora compreendia que a mesma não fora destinada para qualquer outra pessoa a não ser para mim. E ele com muita alegria no rosto me perguntou: ‘Sabe o que você está fazendo?’ ‘Não!’ Eu lhe respondi. ‘Você está orando. E sua oração é uma resposta espontânea à beleza e gratuidade da rosa que você colheu no meu jardim’. É verdade Benigníssimo Senhor! A Palavra que nos dá na meditação de Tuas Sagradas Letras fazem brotar do nosso interior o mover da alma que chamamos de oração. E em  alguns momentos as riquezas de sua graça e compaixão nos levam a louvarmos Seu Santo nome. A rendermos graças e glórias ao Rei de nossas vidas. Mas em outras ocasiões nossos pecados fazem com que os espinhos de nossa rosa nos firam. Feridas de amor que nos convidam à confissão e ao arrependimento. E aí somos curados e restaurados por Ti. Oh, Pai das misericórdias e Deus de toda a compaixão!

Quando terminei de falar, tendo ainda a rosa em minha mão, o Jardineiro virou-se e começou a caminhar para longe de mim. Sem perder tempo corri o mais rápido que pude em sua direção até alcançá-lo.  Ao perceber-me próximo de si, virou-se e disse: ‘ o que você quer meu filho?’  Sem hesitar por um momento lhe direcionei as seguintes palavras: ‘Senhor, e a contemplação, não tens nada a dizer? No seu jardim já descobri as Escrituras, a meditação e a oração, mas, e quanto à obra da contemplação, o que vem a ser ela?’ Ele abriu um largo sorriso e me respondeu o seguinte: ‘Sabe a rosa que tens na mão? Cheire-a. Desfrute do seu perfume. Saboreie sua fragrância, sem pressa, em silêncio. Não precisa fazer nada. Seja apenas você. Esteja plenamente presente, imbuído e arrebatado pela doçura desse perfume. Isso meu querido, isso é contemplação.’ Senhor, pela tua soberana misericórdia ensina-nos a romper com a tirania do ter e do fazer. Ao paço em que nos ensina a graça de simplesmente ser e estar. Ajuda-nos a silenciar as vozes do nosso interior que clamam de dia e de noite por nossa atenção, sufocando assim os Teu doces sussurros em nossa alma. Capacita-nos a adentrar no Grande Silêncio da Presença que envolve a tudo e a todos.

Foi então que despertei e vi que tudo aquilo não tinha passado de um sonho. E que sonho maravilhoso!  De repente ocorreu-me algo que ainda não tinha feito naquele dia. Corri para a estante de livros, peguei minha velha amiga, a Bíblia, e fui para o quarto secreto onde meu Pai que me vê em secreto estava me aguardando. 

Boa noite a todos!

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INTRODUÇÃO

A comunidade apostólica, retomando uma tradição vétero-testamentária, dedicou, desde o início, uma atenção toda particular ao Nome que o Filho de Deus assumiu no momento da Sua encarnação: JESUS, que significa JHWH É SALVAÇÃO. Além disso, três textos colocam em evidência a veneração da Igreja primitiva para com o nome de Jesus (Fl 2. 9-10;  At 4. 10-12;  Jo 16. 23-24).

Todavia, a Oração do Coração, enraizada no Novo Testamento, foi assumida por uma corrente própria da espiritualidade oriental antiga que foi chamada de hesicasmo. O nome provém do grego hesychìa que significa: calma, paz, tranqüilidade, ausência de preocupação.

O hesicasmo pode ser definido como um sistema espiritual de orientação essencialmente contemplativa que busca a perfeição (deificação) do homem na união com Deus através da oração incessante.

Todavia, o que caracteriza tal movimento é, seguramente, a afirmação da excelência ou da necessidade da própria hesychia, da quietude, para chegar à paz com Deus. Num documento do mosteiro de Iviron do Monte Athos, lê-se esta definição:

“O hesicasta é aquele que só fala com Deus somente e ora sem cessar”.

Os hesicastas, inserindo-se na tradição bíblica, exprimirão a experiência da oração contemplativa através da invocação e da atenção do coração ao Nome de Jesus, para caminharem na Sua presença, serem libertados de todo pecado e permanecerem no suave repouso de Deus à escuta da Sua palavra silenciosa.

A história do hesicasmo começa com os monges do deserto do Egito e de Gaza. “A nós, pequenos e fracos, não nos resta outra coisa senão refugiar-nos no Nome de Jesus”, disse um deles. Depois, se firma com o mosteiro do Sinai, com São João Clímaco. Um expoente máximo é, seguramente, Simeão, o novo Teólogo. Renascerá no Monte Athos no século XIV.

A VOCAÇÃO PARA A HESIQUIA

O termo grego hesiquia é traduzido em latim por quies, pax, tranqüillitas, silentium. Em geral, hesiquia significa quietude, mas pode também querer exprimir a paz profunda do coração. A etimologia é incerta: talvez o verbo da qual deriva – hèsthai, significa estar sentado.

Na literatura monástica, hesiquia revela no mínimo dois significados. Antes de tudo, tranqüilidade, quietude e paz, como estado de alma e condição estável do coração necessária para a contemplação. Significa ainda desapego do mundo na dupla acepção de solidão e silêncio.

A hesiquia expressa na paz, quietude, solidão e silêncio interior, que se consegue através da solidão e do silêncio exterior, se apresenta, todavia, como um meio excelente para se conseguir o fim da união com Deus na contemplação, através da oração contínua. Enquanto meio e não fim, a hesiquia distingue-se, quer seja da apàtheià dos Estoicos, entendida como ausência e liberação das 4 paixões fundamentais: a tristeza, o medo, o desejo e o prazer; quer seja da ataraxia dos Epicureus, que consiste na libertação da alma das preocupações da vida. Estes movimentos filosóficos sublinham e buscam a paz e a quietude da alma, somente como fim último e não como meio para uma plenitude de vida que somente Deus pode conceder.

Na literatura monástica, ao contrário, e em particular junto aos Padres do deserto, a hesiquia mantém sempre um colorido de meio e não de fim. Esta é um meio excelente, um caminho de amor autêntico, vivido no silêncio e na solidão com o fim de se chegar à oração verdadeira e autêntica contemplação. A hesiquia, em resumo, é o comportamento de quem, no próprio coração se põe na presença de Deus.

Para compreender os vários aspectos da hesiquia que o monge é chamado a exprimir, podemos nos referir à vida do abade Arsênio, o pai dos anacoretas. Eis como é contada a sua vocação à hesiquia: “Aba Arsênio, quando ainda morava no palácio imperial, orou a Deus com estas palavras : ‘Senhor, mostra-me o caminho que conduz à salvação ‘. E uma voz se dirigiu a ele e lhe disse: ‘Arsênio, foge dos homens e serás salvo ‘. O mesmo, já anacoreta, na sua condição de eremita, de novo dirige a Deus a mesma oração e ouviu uma voz que lhe disse: ‘Arsênio, foge (do mundo), permanece em silêncio e descanse na paz (hesiquia).’ É destas raízes que nasce a possibilidade de não pecar”. (Arsênio, 1.2). Esta última frase está na origem da vocação dos hesicastas: “Foge, cala, repousa!”. A fuga do mundo, o silêncio e a paz interior são os três comportamentos que dão forma ao estado de vida do monge, particularmente, do anacoreta.

FOGE 

Hesiquia como solidão O autêntico monge é chamado a viver, antes de tudo, a solidão. Os Padres do deserto sublinham com muita força a fuga dos homens, isto é, a necessidade de reduzir ao mínimo o contato com eles. Conta-se a propósito: “O beato arcebispo Teófilo dirigiu-se uma vez ao Abade Arsênio em companhia de um magistrado. Pediu ao ancião ouvisse dele uma palavra. Após um instante de silêncio, ele lhes respondeu: ” E se a disser, a observareis?” Prometeram fazê-lo. Disse-lhes o ancião: “Então, saibam que , onde estiver Arsênio, não vos aproximeis dele” (Arsênio, 7).

“O abade Marcos disse ao Abade Arsênio: “Por que fugis de nós?” O ancião lhe disse: “Deus sabe que eu vos amo. Mas, não posso estar ao mesmo tempo com Deus e com os homens. Os anjos do céu, que são milhares, têm uma única vontade, enquanto os homens têm muitas. Por isso, não posso deixar Deus para estar com os homens” (Arsênio, 13).

Alguns contatos discretos com o mundo podem ser também vantajosos. Todavia, somente para aqueles monges que conquistaram uma grande maturidade espiritual e aos quais é ordenado expressamente por Deus. Mas, em geral, o monge é convidado a garantir para si uma zona de calma, de silêncio, de solidão, para receber a formação da parte de Deus e habituar-se à Sua silenciosa presença.

A hesiquia como solidão não quer dizer somente fuga do mundo, mas quer dizer também uma certa estabilidade num determinado lugar solitário. Esta exigência é expressa com uma famosa fórmula que, mais tarde, tornou-se tradicional: “Permanece na tua cela, permanece no teu eremitério, e ela te ensinará tudo” (Moisés, 6). “Ensinará tudo” é a mesma frase que encontramos na boca de Jesus quando preanuncia a vinda do Espírito Santo (Jo 14, 26). Permanecer na solidão da cela é ainda abertura ao Espírito, ao Seu fogo e à Sua luz.

O abade Macário, o Egípcio, conjuga a fuga dos homens e a permanência na cela: “O abade Isaías pediu ao Abade Macário: “Diga-me uma palavra”. E o ancião lhe disse: “Foge dos homens!” E o abade Isaías lhe disse: “O que significa fugir dos homens?” E o ancião lhe diz: “Significa permanecer na tua cela e chorar os teus pecados”(Macário E, 27). E, dirigindo-se ao abade Aio, lhe dirá: “Foge dos homens, permanece na tua cela a chorar os teus pecados, e não ames a conversação com os homens e te salvarás” (Macário E, 41).

De fato, a cela é o ambiente para a hesyquia, dirá o próprio Antão, o Grande: “Como os peixes morrem se permanecem sobre a terra seca, assim os monges que se demoram fora da cela ou se entretém com o povo perdem a força necessária à hesyquia. Portanto, como o peixe para o mar, assim nós devemos correr para a cela para que não aconteça que, tardando-se fora, esqueçamo-nos de guardar o interior” (Antão, 10).

A solidão pode exprimir-se também num comportamento de contínua peregrinação de um lugar para o outro. De fato, todo lugar deve ser estranho ao monge. Uma tal estranheza – xenitèia – indica uma espécie de exílio voluntário longe das coisas mundanas. Afirma São Nilo: “O primeiro dos grandes combates consiste na xenitèia, isto é, no emigrar sozinho, despojando-se como um atleta, da própria pátria, da própria raça, dos próprios bens”.

O passar de um lugar ao outro é imitar o caminho de Jesus, como demonstra a seguinte historinha: “Do abade Agatão, contavam que empregou muito tempo junto aos seus discípulos. Para construir uma cela. Quando a terminou, começaram a morar nela, mas, já na primeira semana, viu alguma coisa que não o agradou e disse aos seus discípulos: “Levantai-vos, vamo-nos daqui!” (Jo 1, 31) . Eles ficaram muito perturbados e disseram: “Se tinhas a intenção de ir embora, por que nos cansamos tanto para construir a cela? As pessoas se escandalizarão de novo e dirão: “Estes instáveis partem novamente!” Vendo-os assim abatidos, ele lhes disse: “Mesmo que alguns se escandalizem, outros, por sua vez, serão edificados e dirão: Bem-aventurados aqueles que, por amor a Deus, se foram, desprezando tudo. Portanto, quem quiser vir, venha! Eu agora me vou”. Então, jogaram-se por terra, rogando que lhes permitisse partir com ele”(Agatão, 6; cf. também Amoés, 5).

Estes últimos apoftegmas nos permitem sublinhar o aspecto itinerante da hesiquia. Certamente, a cela é importante; mas, não se pode permanecer nela com o espírito de proprietário. O monge sabe ser estrangeiro sobre esta terra e, assim, abandona tudo o que possa desviá-lo do serviço de Deus, vivendo no escondimento e na espera, aguardando ardentemente o retorno do Senhor glorioso. A solidão exterior é certamente importante, mas, mais necessária, é a solidão do coração. Aqui se encontra a autêntica hesequia, ou o verdadeiro eremitismo, ou a anacorese interior, o monaquismo do coração, o único que pode conduzir à Oração de Jesus.

CALA

Hesyquia como silêncio.  Na solidão, o monge é chamado a viver o silêncio. A voz que Arsênio ouviu era, de fato, expressa nos termos que sabemos: foge, cala, repousa. O silêncio que vivem os Padres do deserto, como justamente foi dito, “é um silêncio dos mil nomes e dos mil rostos onde tudo está no seu lugar. É um silêncio precioso para a alma, um silêncio que faz parte da transcendência.

Dos vários apoftegmas decorre que o silêncio dos Padres do deserto é o silêncio da humildade, do calar-se sobre si mesmo, é o silêncio que tira as palavras ao egoísmo, à soberba, ao amor próprio; é o silêncio de quem se faz peregrino e estrangeiro, mas é também o silêncio do amor, o silêncio de quem não julga o próximo, de quem não fala ou murmura dos outros, enfim, é o silêncio da fé, de quem se confia no Totalmente Outro, de quem se colocou completamente nas Suas mãos”.

Consideremos algumas particularidades deste grande silêncio. A oração incessante é o problema prático fundamental que foi muito debatido nos primeiros séculos cristãos. Os monges tinham o dever de praticar esta ordem da Escritura, mais do que todos os outros cristãos. O seu amor pelo silêncio é, sem dúvida, a forma, o clima e a dialética mesma da oração ininterrupta. O silêncio é como uma cela e uma espécie de eremitério portátil do qual o homem de oração não sairá nunca, mesmo quando, por motivos de caridade, deverá sair da sua cela visível. Afirma o grande Poemén: “Se estiveres em silêncio, obterás o repouso em qualquer lugar que habitares” (Poemén, 84).

Guardar o silêncio quando se apresenta a ocasião de falar, é a verdadeira fuga dos homens: “Dominar a própria língua: eis a verdadeira xenitèia “, afirma o abade Titoes (ve D 84). “O aba João era fervoroso no Espírito. Alguém veio visitá-lo e louvou o seu trabalho. Estava trabalhando com corda e permaneceuem silêncio. Tentouuma segunda vez fazê-lo falar, mas ele continuava calado. Pela terceira vez, disse ao visitante: ‘Desde quando veio, você afastou Deus de mim” (João , 32).

“Em Cétia o grande abade Macário, quando se dissolvia a assembléia, dizia: “Fugi, irmãos!” Um dos anciãos lhe perguntou: “Para onde podemos fugir além deste deserto?” Ele punha o dedo sobre a boca dizendo: “Fugi disto!’ e entrava na sua cela, fechava a porta e se sentava (punha-se em hesiquia)” (Macário, E 16).

O silêncio ao qual convidam os Padres do deserto é também testemunho. Segundo a sua experiência, é necessário falar com as obras e não com a língua. É o próprio caminho de fé que opera; as palavras são muitas vezes inúteis. “Um irmão pediu ao aba Sisoes: “Diga-me uma palavra!” Ele lhe disse: “Por que me constranges a falar inutilmente? Faze aquilo que vês!”(Sisoés, 45). “Um irmão pediu ao abade Poemén: “Irmãos vivem comigo. Queres que lhes dê ordens?” “Não”- lhe disse o ancião – “faça o seu trabalho, antes de tudo. E se quiserem viver isso pensarão por si mesmos”. O irmão lhe disse: “Mas, são eles mesmos, pai, que querem que lhes dê ordens”. Disse-lhe o ancião: “Não! Torne-se para eles um modelo, não um legislador” (Poemén, 174).

O abade Isaías disse ainda: “Não deve ser a tua língua a falar, mas as tuas obras, e as tuas palavras sejam mais humildes que as tuas obras. Não penses sem inteligência, não ensines sem humildade, a fim de que a terra possa receber a tua semente.” Os frutos do silêncio, segundo os Padres do deserto, são múltiplos. O silêncio dá a quietude (Poemén, 84); gera a castidade (Ditos V, 25); é ajuda contra os ímpios (Ditos XI, 7); conserva a alma na paz (Matoés, 11). O silêncio é humildade (Ditos, XV, 76). O silêncio ajuda a não julgar o próximo, a não condenar ninguém, é remédio contra a maledicência. É escola de tolerância para com todos (Ammon, 8). Todavia, um tal silêncio exige muita coragem. Poemén afirma: “Na primeira vez, foge! Na segunda, foge! Na terceira, torna uma espada” (Poemén, 40).

REPOUSA

Permanece na paz interior Solidão e silêncio praticados concretamente representam, para os Padres do deserto, o momento fundamental da hesiquia do corpo, da hesiquia exterior. Uma quietude que, ainda que externa, é fundamental. De fato, como afirma Macário: “Ninguém pode ter a hesiquia da alma, se não se assegurou, antes, a do corpo”. Certamente, porém, é a hesiquia interior o eixo essencial da espiritualidade monástica oriental. Da solidão e da ausência de palavras, o monge é chamado a passar ao silêncio profundo ativo e criativo. E isto nada tem a ver com o quietismo. Pelo contrário: “é busca da única quietude possível, que é a paz de Cristo, a paz exultante de Deus o fundo do coração”.

O monge se consagra por vocação a perseguir unicamente a união com Deus através da oração que, por sua vez, pressupõe o total desapego, a perfeita purificação, a renúncia a tudo o que poderia atrasar a sua caminhada espiritual. Os Padres do deserto “recordaram, muitas vezes, que Jesus, mesmo depois do primeiro retiro no deserto, muitas vezes buscou a solidão. A solidão põe, portanto, o monge no centro mesmo do mistério da redenção, numa configuração a Cristo que toca o ápice mais doloroso, mas também o mais fecundo da Sua obra de salvação “.

Deste modo, a ligação entre a solidão e a oração prolongada, êxtase e sofrimento, vem solidamente afirmado. A busca cristã da solidão, do silêncio e da paz interior poderia parecer uma ponta sofisticada de egoísmo. Mas, não é assim. “Consagrar inteiramente a própria vida terrena para que Deus seja tudo em todas as coisas é precisamente o oposto do egoísmo. É participar do modo mais generoso possível, depois do martírio, à grande obra de Deus-Caridade”.

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Extraído de: M. Brunini: “La preghiera del cuore nella spiritualità orientale, ed. Messaggero – Padova

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Monge ortodoxo em momento de oração

1. Não imagines, irmão, que a oração consiste apenas em palavras ou que pode ser aprendida por meio de palavras. Não, na verdade, deves compreender que a plenitude da oração espiritual não se atinge como resultado de uma aprendizagem ou através da repetição de palavras. Pois não é a um homem que estás a orar, perante quem podes repetir um discurso bem elaborado: é a Ele, que é Espírito, a quem diriges os movimentos da tua oração. Portanto, deves orar também em espírito, uma vez que Ele é Espírito.

2. Aquele que ora em plenitude a Deus não precisa de um lugar especial. Nosso Senhor diz: “Há de vir a hora em que não adorareis o Pai nesta montanha nem em Jerusalém”; e mais uma vez, para mostrar que não se requer lugar algum em especial para orar, ensinou também que aqueles que adoram o Pai o devem fazer “em espírito e verdade”; e continua instruindo-nos referindo porque devemos orar segundo disse, “Pois Deus é Espírito”, e deve ser venerado espiritualmente, no espírito. Paulo também nos ensina acerca de como devemos empregar esta salmodia e oração espiritual: “O que, portanto, devo fazer?”, pergunta, “Orarei em espírito e orarei na minha mente; cantarei no espírito e cantarei na minha mente”. É no espírito e na mente, portanto, que Paulo recomenda que oremos e cantemos a Deus; sobre a língua nada nos diz. E não o faz porque esta oração espiritual é mais interior do que a língua, mais profundamente interior do que qualquer coisa que assome aos lábios, mais interior do que quaisquer palavras ou canto vocal. Quando alguém ora desta forma está imerso num nível mais profundo do que todo o discurso e permanece no plano onde se podem encontrar seres espirituais e anjos; como estes, essa pessoa profere “santo” sem quaisquer palavras. Mas se esta forma de oração cessa e recomeça a oração do canto vocal, então encontra-se fora da região dos anjos e torna-se novamente um homem comum.

3. Quem canta usando a língua e o corpo e persevera nesta adoração noite e dia, pertence à categoria dos “justos”. Mas aquele que foi considerado digno de penetrar mais fundo, cantando na mente e no espírito, esse é um “ser espiritual”.

A categoria do “ser espiritual” é mais elevada que a do “justo”, mas só é possível tornar-se “ser espiritual” depois de ser “justo”. Até alguém ter venerado por um considerável número de vezes desta forma exterior, jejuando, usando a voz para salmodiar, com longos períodos em genuflexão, vigílias constantes, recitação de salmos, trabalhos árduos, súplicas, abstinência, escassez de comida, e outras coisas deste tipo, mergulhando a sua alma continuamente na recordação de Deus, cheia de temor e tremor ao seu nome, humilde perante todos os homens, considerando toda a gente melhor que ele, mesmo quando vê as ações do homem: quando vê alguém perverso, ou adúltero, ou alguém ganancioso, ou bêbedo, ainda assim age com humildade perante eles e no mais oculto dos seus íntimos pensamentos verdadeiramente considera-os melhores que ele, não aparentemente, mas vendo alguém no meio de todas estas coisas más, aproxima-se e age com humildade perante ele, suplicando-lhe “ora por mim, pois sou um pecador perante Deus, sou culpado de muitas coisas, por nenhuma delas paguei o preço”. Somente quando alguém atinge isto – e outras coisas mais grandiosas que estas que mencionei – poderá cantar a Deus a mesma salmodia que os seres espirituais usam para O adorar.

4. Pois Deus é silêncio e no silêncio é ele cantado através desta salmodia, a única digna Dele. Não falo do silêncio da língua, pois se se mantém meramente a língua em silêncio, sem saber como cantar na mente e em espírito, significa apenas que se está desocupado e se enche de maus pensamentos: mantém apenas um silêncio exterior e não sabe como cantar interiormente, a língua do seu “homem interior” ainda não aprendeu a movimentar-se nem sequer para balbuciar. Deves observar o bebê espiritual que está dentro de ti da mesma forma que o fazes com uma criança comum ou um bebê: tal como a língua na boca de um bebê está imóvel porque não sabe ainda como falar ou os movimentos certos para falar, o mesmo acontece com a língua interior da mente; estará alheia a todo o discurso e pensamento: estará apenas ali no seu sítio, pronta a aprender os primeiros balbucios dos enunciados espirituais.

5. Assim, há o silêncio da língua, há o silêncio de todo o corpo, há o silêncio da alma, há o silêncio da mente e há o silêncio do espírito. O silêncio da língua é a abstenção de todo o discurso maldoso; o silêncio de todo o corpo dá-se quando todos os seus sentidos estão desocupados; existe silêncio da alma quando desprovida de maus pensamentos irrompendo nela; o silêncio da mente é a ausência de reflexão sobre ensinamentos prejudiciais; o silêncio do espírito existe quando a mente se abstém até mesmo de inspirações causadas por criaturas espirituais e todos os seus movimentos são inspirados apenas por Deus, no assombro tremendo do silêncio que envolve o Ser.

6. Estes são os graus e medidas que podem ser encontradas no discurso e no silêncio. Mas se ainda não os alcançaste e te encontras muito longe deles, permanece onde estás e canta a Deus usando a voz e a língua em amor e temor. Canta com esmero, trabalha tenazmente até alcançares o amor. Permanece no temor de Deus, como é de seu direito, e deste modo serás considerado digno de O amar com um amor natural – Ele que se deu a nós na nossa renovação [batismo].

7. E quando recitares as palavras da oração que te escrevi, tem cuidado para não as repetires apenas, mas deixa que o teu ser se transforme nessas palavras. Pois não há qualquer proveito na recitação a não ser que a palavra de fato se incorpore em ti e se torne ação, e assim serás visto pelo mundo como homem de Deus – a quem é devida a glória, a honra e a exaltação, pelos séculos dos séculos. Amém!

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João, o solitário (extraído do site Ecclesia)

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Reunião na comunidade de Taizé

Silêncio e oração

Se nos deixarmos guiar pelo mais antigo livro de oração, os Salmos bíblicos, nós encontramos aí duas formas principais de oração: por um lado o lamento e o pedido de socorro, por outro o agradecimento e o louvor. De forma mais oculta, há um terceiro tipo de oração, sem súplicas nem louvor explícito. O Salmo 131, por exemplo, não é senão calma e confiança: «Estou sossegado e tranquilo… Espera no Senhor, desde agora e para sempre!»

Por vezes a oração cala-se, pois uma comunhão tranquila com Deus pode abster-se de palavras. «Estou sossegado e tranquilo, como uma criança saciada ao colo da mãe; a minha alma é como uma criança saciada.» Como uma criança saciada que parou de gritar, junto da sua mãe, assim pode estar a minha alma na presença de Deus. Então a oração não precisa de palavras, nem mesmo de reflexões.

Como chegar ao silêncio interior? Por vezes calamo-nos, mas, por dentro, discutimos muito, confrontando-nos com interlocutores imaginários ou lutando connosco mesmos. Manter a sua alma em paz pressupõe uma espécie de simplicidade: «Já não corro atrás de grandezas, ou de coisas fora do meu alcance.» Fazer silêncio é reconhecer que as minhas inquietações não têm muito poder. Fazer silêncio é confiar a Deus o que está fora do meu alcance e das minhas capacidades. Um momento de silêncio, mesmo muito breve, é como um repouso sabático, uma santa pausa, uma trégua da inquietação.

A agitação dos nossos pensamentos pode ser comparada com a tempestade que sacudiu o barco dos discípulos, no Mar da Galileia, enquanto Jesus dormia. Também nos acontece estarmos perdidos, angustiados, incapazes de nos apaziguarmos a nós mesmos. Mas Cristo também é capaz de vir em nosso auxílio. Da mesma forma que falou imperiosamente ao vento e ao mar e que «se fez grande calma», ele pode igualmente acalmar o nosso coração quando está agitado pelo medo e pelas inquietações (Marcos 4).

Fazendo silêncio, pomos a nossa esperança em Deus. Um salmo sugere que o silêncio é mesmo uma forma de louvor. Nós lemos habitualmente o primeiro verso do Salmo 65: « A ti, ó Deus, é devido o louvor ». Esta tradução segue a versão grega, mas na verdade o texto hebreu diz: «Para Vós, ó Deus, o silêncio é louvor». Quando cessam as palavras e os pensamentos, Deus é louvado no enlevo silencioso e na admiração.

A Palavra de Deus: trovão e silêncio

No Sinai, Deus falou a Moisés e aos Israelitas. Trovões, relâmpagos e um som de trompa cada vez mais forte, precediam e acompanhavam a Palavra de Deus (Êxodo 19). Séculos mais tarde, o profeta Elias volta à mesma montanha de Deus. Ali revive a experiência dos seus antepassados: tempestade, tremores de terra e fogo, e ele prontifica-se a escutar Deus falando-lhe no trovão. Mas o Senhor não está nos fenómenos tradicionais do seu poder. Quando o grande barulho pára, Elias ouve «o murmúrio de uma brisa suava», e então Deus fala-lhe (1 Reis 19).

Deus fala com voz forte ou numa brisa de silêncio? Temos de tomar como modelo o povo reunido ao pé do Sinai ou o profeta Elias? Provavelmente isto é uma falsa alternativa. Os fenómenos terríveis que acompanham o dom dos dez mandamentos sublinham a sua importância. Guardar os mandamentos ou rejeitá-los é uma questão de vida ou de morte. Quem vê uma criança correr em direcção a um carro que passa, tem muitas razões para gritar tão alto quanto consiga. Em situações análogas, os profetas anunciaram a palavra de Deus de forma a fazer zumbir as orelhas.

Palavras ditas com voz forte fazem-se ouvir, impressionam. Mas sabemos bem que elas quase não tocam os corações. Em lugar de acolhimento, elas encontram resistência. A experiência de Elias mostra que Deus não quer impressionar, mas ser compreendido e acolhido. Deus escolheu «o murmúrio de uma brisa suave» para falar. É um paradoxo:

Deus é silencioso e no entanto fala

Quando a palavra de Deus se faz «o murmúrio de uma brisa suave», ela é mais eficaz do que nunca para transformar os nossos corações. A tempestade do monte Sinai abria fendas nos rochedos, mas a palavra silenciosa de Deus é capaz de quebrar os corações de pedra. Para o próprio Elias, o silêncio súbito era provavelmente mais temível do que a tempestade e o trovão. As poderosas manifestações de Deus eram-lhe, em certo sentido, familiares. É o silêncio de Deus que desconcerta, porque é muito diferente de tudo o que Elias conhecia até então.

O silêncio prepara-nos para um novo encontro com Deus. No silêncio, a palavra de Deus pode atingir os recantos escondidos dos nossos corações. No silêncio, ela revela-se «mais penetrante do que uma espada de dois gumes, penetra até à divisão da alma e do corpo» (Hebreus 4,12). Fazendo silêncio, deixamos de esconder-nos diante de Deus, e a luz de Cristo pode atingir, curar e mesmo transformar aquilo de que temos vergonha.

Silêncio e amor

Cristo diz: «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei» (João 15,12). Precisamos de silêncio para acolher estas palavras e pô-las em prática. Quando estamos agitados e inquietos, temos tantos argumentos e razões para não perdoar e para não amar facilmente. Mas quando temos «a nossa alma em paz e silêncio», estas razões desaparecem. Talvez por vezes evitemos o silêncio, preferindo-lhe qualquer barulho, palavras ou distracções quaisquer que elas sejam, porque a paz interior é uma questão arriscada: torna-nos vazios e pobres, dissolve a amargura e as revoltas e leva-nos ao dom de nós mesmos. Silenciosos e pobres, os nossos corações são conquistados pelo Espírito Santo, cheios de um amor incondicional. De forma humilde mas certa, o silêncio leva a amar.

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Extraído do site da Comunidade Taizé

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Pintura de São Francisco de Assis

Que Deus o abençoe com o desconforto diante de respostas fáceis, meias verdades e relacionamentos superficiais, para que você possa viver intensamente no fundo do seu coração.

Que Deus o abençoe com a raiva diante da injustiça, da opressão e da exploração de pessoas, para que você possa trabalhar pela justiça, pela liberdade e pela paz.

Que Deus o abençoe com lágrimas derramadas por quem sofre dor, rejeição, fome e guerra, para que você possa estender a mão para conforta-los e transformar a dor deles em alegria.

E que Deus o abençoe com suficiente loucura para acreditar que você pode fazer uma diferença no mundo, para que você possa fazer o que outros dizem não poder fazer, para trazer justiça e bondade a todos os nossos filhos e aos pobres.

Amém.

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Em infinda noite não dormida,

Ao som do coração em frangalhos,

Prostei-me no solo de minhas lembranças feridas,

No tricotar de sonhos despedaçados.

No calar gélido de uma  noite escura,

Onde não se sonhava de haver um mínimo clarão,

De repente deixei ao largo, de minh’alma, as agruras,

e fiz silenciar o coração.

E em meio ao calar das mil vozes, na solidão em derredor

gritei, um forte brado: “Meu Deus, Meu Deus! De mim, tenha dó!

E como o barulho de muitas águas, no despencar em queda livre, de íngrime penhasco

pude ouvir: “Meu filho, meu filho. Não temas!

Meu filho, meu filho.  Entrega-me o teu fardo!”

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Felipe Maia

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