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Archive for the ‘Série Formação Espiritual e a Vida de Cristo’ Category

Isso significa que Jesus era alguém cuja vida estava centrada na Palavra de Deus. Ou seja, Jesus segundo os evangelhos nos contam veio proclamar as boas-notícias (evangelho) do Reino de Deus.
João no primeiro capítulo do evangelho com as palavras ”o Verbo se fez carne e habitou entre nós”, proclama que Jesus era e é a Palavra viva de Deus que se fez carne.
E Jesus como essa Palavra de Deus viva não apenas anunciou as boas-novas, mas, ele mesmo assumiu e incorporou essas boas-novas do Reino de Deus. Ou seja, na pessoa bendita dele nós podemos enxergar o evangelho que ele proclamava. E o que era esse evangelho, ou, as boas-novas?
Era simplesmente a mensagem de que todas as pessoas podem iniciar uma vida abundante e dinâmica de amizade com Deus no seu Reino de amor: aqui e agora!
E o mais maravilhoso dessa mensagem, dessa boa-notícia era de que esse tipo de vida teria continuidade, numa forma plena e definitiva, após a morte. Por isso que Jesus declarou em Jo 11:25 – “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, mesmo que morra, viverá”.
Agora, como isso é possível? É possível por causa da natureza do Reino para o qual fomos chamados e introduzidos por Jesus. Devemos compreender que o Reino de Deus já existia antes de Jesus vir.
A grande questão era que antes da encarnação o acesso a este Reino era restrito, dependia de coisas: dependia da mediação de um povo escolhido; dependia da ministração de uma classe especial de pessoas; dependia de uma série de cerimônias e rituais.
As boas-notícias, ou seja, o evangelho significam que em Jesus tudo mudou. Em Jesus as portas do Reino foram escancaradas e isso ficou simbolizado e indicado no véu que rasgou de cima a baixo no Templo judeu.
Logo, a mensagem do evangelho vivida e proclamada por Jesus era: “Quem quiser vir, venha! O Reino está próximo, está acessível a todos. Eu estou entre vocês.” Glórias a Deus por isso!
Nosso Senhor foi muito claro sobre esse assunto nas suas colocações pessoais acerca de si mesmo quando dizia aos que lhe ouviam – “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14:6); “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8:12); “Eu sou o portão das ovelhas” (Jo 10:7). E outras frases semelhantes a essas.
Agora, como podemos trilhar esse “caminho”, adentrar por essa “porta” e sermos iluminados por essa “luz”? Simples: pela graça mediante a fé na pessoa e sacrifício expiatório de Jesus.
Através dele recebemos o amor de Deus e nos tornamos discípulos de Cristo. E com isso somos introduzidos no Reino e começamos a viver no Reino. Tudo pela graça apenas, mediante a fé. 
Jesus veio proclamar e demonstrar a presença do Reino de Deus. Esse duplo propósito: proclamação e demonstração, pode ser percebido ao longo dos relatos nos Evangelhos.
Um texto que traz essa percepção é o de Mt 4:23 que diz – “Jesus esteve por toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças entre o povo”.
E esse mesmo duplo propósito (proclamação/demonstração) foi comissionado aos doze. Em Lc 9:2 está escrito – “e os enviou a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos”.
E a mesma incumbência ele deu ao grupo maior dos setenta – “Curem os doentes que ali houver e digam-lhes: O Reino de Deus está próximo de vocês” (Lc 10:9).
Uma outra coisa muito interessante que observamos é como as pessoas reagiam às maravilhosas boas-notícias do Reino de Deus e do acesso a ele.
Por exemplo, como já mencionamos anteriormente, Zaqueu, o publicano, entrou correndo no Reino. Quando as boas notícias do Reino penetraram seu coração ele foi tomado de uma repentina generosidade à ponto de Jesus comentar – “Hoje houve salvação nesta casa” (Lc 19:9).
Maria Madalena também foi outra que entrou correndo no Reino depois que Jesus a libertou de sete demônios. Nicodemos, ao que tudo indica, também entrou correndo no Reino apesar de no início ter ido ver o Rei em segredo á noite. E muitos outros.
Mas, também podemos observar igualmente que muitos deram as costas ao Rei e seu Reino de amor. Por exemplo, o jovem rico deu as costas quando o Senhor expôs que suas riquezas eram o seu verdadeiro deus.
O líder de uma sinagoga deu as costas quando Jesus curou no sábado uma mulher encurvada (cf. Lc 13:12). E o mais famoso de todos: Judas deu as costas para o Reino de Deus, quando traiu e vendeu o Rei pelo preço de 30 moedas de prata.
Sim, muitos foram os que deram as costas! Jesus os chamou ao grande banquete do amor do Pai e eles declinaram o convite.
Mas, os que atenderam, “os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos”, esses simplesmente encheram a sala (Cf. Lc 15:15-24).
Essa, portanto, amados, é a mensagem do evangelho de Jesus. E ele nos comissiona a estender esse convite a outros. Ele nos diz – “Vão e façam discípulos de todas as nações”. Observem que ele não nos manda fazer convertidos ou membros de igreja. Não! Ele nos manda fazer discípulos.
E parte de se fazer discípulos consiste em ensiná-los a “obedecer a tudo o que eu lhes ordenei”.Esse é o nosso chamado e a nossa grande comissão. E essa é a grande herança da tradição evangelical.
E se há em nós o desejo de levar as boas novas do Reino a nossos vizinhos, amigos e conhecidos e de lhes dar as boas-vindas quando entrarem correndo, então, estamos seguindo Jesus. Pois ele nos mostrou o caminho. 

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

Como temos feito nesse momento eu desejo propor algumas perguntas para a nossa reflexão e posicionamento perante Deus à luz do que compartilhamos hoje:

(1) Você tem compartilhado com pessoas que Deus coloca no seu caminho a maravilhosa mensagem do acesso livre ao Reino de Deus através de Jesus?

(2) O que muda na sua visão de proclamação do Reino o fato de que Deus nos comissionou não para fazer convertidos ou membros de igrejas, mas, discípulos do Senhor Jesus?

(3) No seu entendimento ainda se faz necessário hoje a demonstração do Reino através de sinais milagrosos para se confirmar a proclamação do evangelho?

Numa próxima oportunidade veremos a última dimensão da espiritualidade do Senhor. Vamos investigar o que a Bíblia tem a nos dizer acerca de Jesus como um homem de vida sacramental. 

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Nessa dimensão da espiritualidade de nosso Amado Senhor encontramos a tradição de justiça social. Quando estudamos essa tradição á luz das Escrituras, aprendemos que sua grande busca é por aquilo que chamamos de a “shalom” (paz) de Deus.
Ela quer nos traz o outro lado da moeda. Porque se não tomarmos cuidado a busca contemplativa pode nos engolir de tal forma que acabamos anelando tanto pelas coisas espirituais, do céu, que acabamos nos tornando irrelevantes nessa vida, aqui na Terra.
A tradição de justiça social vem fazer o equilíbrio. De que forma? Fazendo-nos compreender que nossa espiritualidade deve ser integral, ou seja, que não apenas contempla a beleza de Deus, mas, que também se volta para as necessidades do próximo materializando assim o amor e a paz (shalom) de Deus.
Quando nós olhamos para a vida linda e plena que nosso Senhor viveu, nós podemos perceber uma vida engajada nesse tipo de entendimento da vida espiritual.
Mas, para que a gente possa visualizar isso, é preciso considerar uma narrativa estratégica no evangelho. Jesus no início de seu ministério se levanta numa sinagoga em Nazaré e profere algumas palavras de grande importância.
Essas palavras encontram-se registradas em Lc 4:18,19.  Essas palavras citadas por Jesus são as que encontramos no livro de Isaías e que se referem ao ano do Jubileu Hebraico.
O conceito de ano do Jubileu hebraico nós encontramos no livro de Levíticos 25. As implicações sociais desse ano são muito profundas: a terra deveria ser curada, as dívidas perdoadas, os escravos libertos e o capital deveria ser distribuído de forma justa.
Jesus ao aplicar essas palavras da profecia de Isaías à sua pessoa e ministério, ele na verdade estava anunciando um jubileu perpétuo do Espírito.
A grande verdade é que com essas palavras Jesus deu o brado de guerra para a revolução social. Por isso não é de se estranhar que seus conterrâneos tenham ficado furiosos ao ponto de querer atirá-lo precipício baixo (cf. Lc 4:28-30).
Jesus se referiu a essa vida de jubileu perpétuo com uma expressão breve e simplificada – “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo” (Mt 3:2).
E esse era exatamente o propósito de Jesus: que o “Reino dos céus” confrontasse e derrubasse constantemente as estruturas ímpias de poder desse mundo e de seus reinos. 
O Reino dos céus em contraste com as estruturas de poder traz a visão de uma alternativa social, uma visão de inclusão de todas as pessoas, reunidas no poder de Deus e cheias do amor de Deus.
Jesus também ressaltou a incompatibilidade da sua vida no Reino, ou seja, vida de Jubileu, com as estruturas institucionais deste mundo quando disse – “E ninguém põe vinho novo em vasilha de couro velha; se o fizer, o vinho novo rebentará a vasilha, se derramará, e a vasilha se estragará. Ao contrário, vinho novo deve ser posto em vasilha de couro nova” (Lc 5:37,38).
A grande verdade é que esse “vinho novo”, a vida de jubileu, no Reino, a vida de justiça social num primeiro momento, olhando-se na ótica humana pode parecer um sonho ilusório, idealismo ou até mesmo loucura.
E por quê? Simplesmente porque ele manda seus seguidores “amar o seus inimigos”; “emprestar sem esperar nada em retorno”; “não julgar”; “não condenar”, “perdoar” e “dar” (cf. Lc 6:27-38).
E pode até mesmo ser humanamente utópico, impossível, mas, foi exatamente assim que Jesus viveu e ele convida seus discípulos a fazerem o mesmo.
Nós devemos notar a compaixão e misericórdia do Senhor Jesus ao purificar o leproso e curar o paralítico que eram pessoas consideradas a escória da sociedade de sua época (Cf. Lc 5:12-26).
Também devemos notar sua infinita ternura ao curar o servo do centurião e ao ressuscitar o único filho de uma viúva. Quando João Batista envia dois discípulos seus para perguntarem se Jesus realmente era o messias prometido ele, Jesus dá uma resposta interessante ( Lc 7:22,23).
Jesus também dramatiza o espírito do Jubileu eterno, da vida no Reino, da justiça social quando inverte os papéis no cenáculo colocando uma tolha na cintura e uma bacia de água nas mãos.
E todos quantos aceitam a nova vida no Reino são convidados ao engajamento nesse jubileu do Espírito, nessa vida de justiça social. Um exemplo disso foi a repentina generosidade de Zaqueu em querer restituir parte do que havia defraudado das pessoas enquanto coletor de impostos (cf. Lc 19:1-10).
E é esse o engajamento para o qual também fomos chamados: sermos canais para a shalom de Deus alcançar e transformar a vida das pessoas.
A grande verdade amados é que a vida de Jesus, de justiça e shalom, questiona nossos interesses mais ocultos, chacoalha nosso individualismo e nossa avareza egoísta.
Jesus nos convida hoje e sempre a sermos pessoas nas quais a justiça e a compaixão possam fluir livremente. E Jesus, que viveu dessa maneira, nos indica o caminho. 

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

Para concluir essa palavra quero compartilhar algumas perguntas que nos ajudarão a refletir e aplicá-la em nossos corações:

(1) Você já chegou a um nível de desprendimento das coisas materiais em sua vida que te possibilita a compartilhar com outros aquilo que você tem?

(2) Ao considerar seus anos de vida cristã, você consegue perceber em você uma progressiva mudança de uma atitude egoísta para uma atitude altruísta?

(3) Como, a partir de hoje, você pode demonstrar de forma mais concreta a compaixão e ternura de Jesus ao seu próximo?

Que o Senhor de toda a compaixão e bondade nos ajude na reflexão dessas coisas. Na próxima oportunidade estaremos vendo Jesus como um homem de vida evangelical, ou seja, vida centrada na Palavra de Deus. 

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Quando nós afirmamos isso significa dizer que o Senhor Jesus vivia e se movia no poder do Espírito Santo. É importante nesse momento esclarecermos o significado do termo “carismático”.
Isso se faz necessário pelo motivo de que muitas pessoas se dizendo “carismáticas” têm feito e ensinado coisas que nada tem a ver com a simplicidade do evangelho de Cristo.
O termo “carismático” assim como a palavra “trindade” não existem na Bíblia, nem mesmo no original grego. Eles foram palavras cunhadas pelo homem para dar nomes a verdades espirituais presentes nas Escrituras.
No caso de “carismático” ele vem da palavra grega, e essa encontramos no original grego, “carisma” que é traduzida por “dom espiritual”, que é a capacitação sobrenatural que cada cristão recebe do Espírito Santo para a edificação da comunidade cristã.
E quando olhamos para a vida de nosso Bendito Senhor encontramos um homem que desempenhava de forma plena os “carismas”  espirituais com o propósito de anunciar e revelar o Reino de Deus.
Daí afirmarmos que Jesus era um homem “carismático”, pois, vivia debaixo do poder do Espírito de Deus. Essa realidade da vida de Cristo está assinalada prodigamente nas páginas dos Evangelhos.
Bem nos primórdios da vida do Senhor a presença do Espírito Santo já se fazia notória. Quando se levantou das águas batismais a Bíblia diz que – “o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba” (Lc 3:22).
Logo em seguida a esse evento maravilhoso a Escritura nos revela que – “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto” (Lc 4:1). Perceberam? Jesus cheio do Espírito Santo. Jesus levado, conduzido pelo Espírito Santo.
Mas, continuando, vemos que depois da experiência da tentação no deserto ao qual fora conduzido pelo Espírito, a Bíblia afirma que Jesus retornou para a Galiléia “no poder do Espírito” (Lc 4:14).
E esse é o “refrão” da bela canção que ecoa por todo o ministério de nosso Senhor: “cheio do Espírito Santo”; “levado pelo Espírito”; “no poder do Espírito”.
Falamos no início do porque consideramos Jesus um homem “carismático”. E uma das coisas mais maravilhosas na leitura dos evangelhos é vê-lo caminhando entre as pessoas ao mesmo tempo em que exerce seus carismas espirituais com naturalidade e total confiança em Deus.
Não restam dúvidas que a profusão dos carismas que se manifestavam na vida de nosso Senhor era enorme, tanto é que João afirma no final de seu evangelho que no mundo não caberiam todos os livros que teriam que ser escritos para relatar o que Jesus havia feito.
No entanto quando observamos de perto o ministério de Jesus, saltam-nos aos olhos o exercício de quatro carismas ou dons espirituais principais.
Um deles é o que podemos chamar de o carisma da sabedoria divina. A Palavra nos diz que quando as pessoas ouviam Jesus elas ficavam perplexas. Assim nos é relatado em Mc 1:22 – “E todos se maravilhavam com o seu ensino, porque os ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas”.
E isso acontecia porque pelo poder do Espírito Jesus transmitia através de suas palavras vida a cada coração e a cada alma que o escutava. Era a Verdade de Deus aplicada ao coração e à mente de uma forma tão viva que transformava as pessoas.
Um segundo dom espiritual presente de forma visível na vida de Jesus era o carisma do discernimento espiritual. Por isso que vemos Jesus diversas vezes recusando-se a confiar em determinadas pessoas, pois, como João afirma, ele (Jesus) “conhecia a todos” (Jo 2:24).
E quando aquele paralítico foi trazido a Jesus e ele lhe perdoou os pecados? A Bíblia diz que os escribas começaram a murmurar em seus corações condenando Jesus como blasfemo.
No entanto, o coração deles era um livro aberto para Cristo. Em Mc 2:8 a Escritura diz que – “Jesus percebeu logo em seu espírito que era isso que eles estavam pensando”.
Temos também o carisma da operação de sinais e maravilhas. Não vou me dar o trabalho de citar os textos porque é só abrir os evangelhos que os milagres no ministério de Jesus saltam da Bíblia que nem pipoca estourando na panela. Pensem na pesca maravilhosa, na multiplicação de pães e peixes, na ressurreição de Lázaro, na cura do cego de nascença e por aí vai!
E um último dom e que particularmente e que deixa muitas pessoas hoje incomodadas é o carisma da libertação espiritual ou exorcismo. Esse também aparece de forma exaustiva nos evangelho. Mas, para citar apenas um texto, em Mt 8:16 nos diz que – “Ao anoitecer foram trazidos a ele muitos endemoninhados , e ele expulsou os espíritos com uma palavra e curou todos os doentes”. Aleluia!
Não tinha casta do inferno que pudesse resistir ao poder do Espírito Santo que fluía na vida do Bendito Filho de Deus. Amém!
E o que tudo isso tem a ver com você e comigo? Um episódio bastante emblemático no ministério de Jesus e que nos ajuda a responder a essa pergunta foi o comissionamento dos setenta  discípulos.
A Bíblia diz que eles foram mandados por Jesus para pregarem as boas novas do Reino e curar. E assim eles fizeram e retornaram para relatar ao Senhor de que até os demônios se submetiam a eles.
Em Lc 10:21 o evangelho diz que Jesus “exultou no Espírito”. A palavra grega aqui traduzida por exultou significa literalmente “pulou de alegria”. E porque nosso Senhor se alegrou dessa forma?
Porque com o episódio dos setenta ele vislumbrou uma verdade gloriosa para o futuro da expansão do Reino de Deus: que a mesma vida no poder do Espírito era uma realidade transferível a discípulos comuns. Ou seja, a você e a mim.
Isso significa que todos os discípulos do Senhor Jesus podem e devem viver uma vida debaixo do poder e do mover do Espírito Santo.
E isso é confirmado pelos primórdios da igreja quando lemos expressões como “todos ficaram cheios do Espírito Santo” (At 2:4); “Então Pedro, cheio do Espírito Santo” (At 4:8) e “Mas Estevão, cheio do Espírito Santo” (At 7:55).
Mais tarde o apóstolo Paulo exorta a igreja em Éfeso e, consequentemente, todas as igrejas na história, a ter uma vida cheia do Espírito Santo – “E não vos embriagueis com vinho, que leva à devassidão, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18).
O apóstolo também nos fala da presença dos “carismas” do Espírito na vida de todo verdadeiro cristão para a edificação dos santos em amor  – “Mas um só Espírito realiza todas essas coisas, distribuindo-as individualmente conforme deseja” (1Co 12:11).
E Paulo, novamente, nos esclarece o que significa uma vida cheia do Espírito quando nos faz o convite – “Se vivemos pelo Espírito, andemos também sob a direção do Espírito” (Gl 5:25).
Ou seja, uma vida sob a direção, guiada, orientada e obediente à voz do Espírito é o que encontramos em Jesus. É o que Deus deseja encontrar em nossas vidas também. Esse é o chamado da vida carismática. Amém?
 

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO
Concluindo, desejo aplicar em nossas vidas o que vimos acima. Para isso quero propor algumas perguntas para a sua e a minha reflexão pessoal:

(1) Você pode afirmar que tem uma vida cheia do Espírito Santo, ou seja, que é obediente à direção dele?

(2) Você já descobriu qual o seu “papel” no Reino de Deus? Em outras palavras: você já sabe qual ou quais os dons espirituais que Deus concedeu a você por ocasião de sua conversão a Cristo?

(3) Você pode perceber com nitidez que sua vida tem gerado edificação espiritual na vida do corpo de Cristo, isto é, a igreja?

Que Deus nos abençoe e nos ajude a discernir e a acatar o mover de seu Espírito em nossas vidas. Amém? Na próxima oportunidade estaremos investigando a vida de Jesus como um homem compassivo.
E que Deus abençoe a todos nós! Amém.

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Quando nós abordamos a tradição de espiritualidade cristã de santidade, nós aprendemos que o conceito de “vida santa” é o de uma vida que funciona corretamente, ou seja, da forma que Deus planejou que funcionasse.
E quando nós investigamos o tipo de vida que Jesus viveu, sem sombra de dúvidas, podemos afirmar que “santidade” era o que a caracterizava. Por isso afirmamos que Jesus era um homem santo.
De que forma isso acontecia? Quando lemos os Evangelhos encontramos Jesus no meio de crianças, entre mulheres e na companhia de homens sempre na hora certa, sempre do jeito certo, com as palavras certas, com a atitude e o gesto certos, fazendo a coisa certa.
A vida de nosso Senhor era uma vida caracterizada pela virtude. Ou seja, uma vida que funcionava, e funcionava da forma correta. Como o Pai queria. Não é a toa que o Pai declarou – “Tu és o meu Filho amado. Em ti está toda a minha alegria” (cf. Lc 3:22).
Um passeio por todos os evangelhos nos dá uma visão ampla da vida de Jesus que funcionava de forma correta o tempo todo, até mesmo nos momentos derradeiros como em sua atitude serena na ocasião de sua prisão e de sua oração na cruz pelos que o estavam matando e escarnecendo.
No entanto existem dois textos nos evangelhos, sem os quais não poderemos compreender a amplitude da vida e do ensino do Senhor Jesus acerca do que é uma vida santa.
Primeiramente, não podemos entender a santidade e a virtude presentes em Jesus sem examinar os seus quarenta dias de tentação no deserto.
Nesse episódio único, no início do ministério público de nosso Senhor, nós podemos presenciar, vindo à tona, uma virtude que foi praticada por ele durante toda sua vida.
Nós já conhecemos essa passagem. O Senhor jejua durante quarenta dias e após isso Deus permite que o próprio Maligno venha tentá-lo pessoalmente.
Foram três tentações. E o mais chamativo é que não foram meramente tentações pessoais. Jesus foi tentado naquele episódio a ter à sua disposição as três instituições sociais de seu tempo: economia, religião e política. 
A tentação econômica estava no convite de transformar as pedras em pães. Encontramos isso em Mt 4:3. Jesus rejeitou essa tentação declarando que o homem não viveria só de pão, mas, de toda a palavra que procede da boca de Deus (v.4).
O que estava por detrás dessa tentação era de que Jesus ganhasse sua aprovação e popularidade tornando-se um mero provedor de necessidades humanas. O que ele não aceitou.
A segunda tentação, a religiosa, foi a sugestão de que Jesus saltasse do pináculo do templo na presença de todo o povo. Isso está no v.6 de Mateus 4.
Por detrás estava a tentação de que Jesus se tornasse um milagreiro, um mero operador de milagres. E ele, definitivamente, rejeitou isso conforme vemos no v.7.
E por fim, veio a terceira e última tentação: a política. Onde Satanás ofereceu ao Filho de Deus “todos os reinos do mundo e seu esplendor” em troca, vejam que ousadia, da alma do próprio Jesus (v.9)
Nessa tentação Jesus foi convidado a permitir que a religião se tornasse ponte para a obtenção de poder político. E como vemos, ele também rejeitou isso (v.10).
O que nós podemos tirar dessa experiência de Jesus? Podemos aprender que Jesus rejeitou a visão de Deus que está em voga nos dias de hoje: muitos usando as coisas de Deus para alcançar suprimento de necessidades pessoais, para obter milagres e para angaria fama, poder e status. 
Não é o que temos visto e ouvido por aí? No entanto, essas pessoas não são nossos modelos. Amém? Jesus é o nosso Modelo. Por isso devemos observar com atenção de que forma ele agiu e reagiu a essas três tentações.
Nesses quarenta dias de deserto nós vemos alguém que entendeu muito bem a forma de agir de Deus e buscou viver desse modo. As ações de Jesus no deserto personificam a tradição de santidade.
Contudo, só a ação por si só não é suficiente. Ela precisa ser acompanhada pelo ensino correto acerca de uma vida santa ou virtuosa.
E Jesus sabia disso. E por isso, ele nos proveu as diretrizes de como se viver uma vida virtuosa através do maior sermão jamais pregado na história humana: aquele que conhecemos como “o sermão do monte”.
Esse sermão se encontra registrado de forma detalhada nos capítulos de 5 à 7 do evangelho de Mateus. O centro do ensino de Cristo sobre a vida santa está nas palavras desse sermão.
E o centro desse sermão é aquilo que podemos chamar de “a lei do amor”, que Tiago na sua carta chama de “lei perfeita”. E nada, além do amor, define com mais beleza e plenitude a vida de santidade.
Quando estudamos esse sermão percebemos que no miolo dos seus ensinos está a maturidade do amor em contraposição à imaturidade do legalismo cego que só se preocupa com o exterior.
Era a forma de vida que deveria ultrapassar a “justiça dos escribas e fariseus” (cf. Mt 5:20). Pois eles, escribas e fariseus, só estavam preocupados com elementos externos da religião com o intuito de dominar e manipular as pessoas.
Jesus, pelo contrário, em seu sermão propõe um tipo de justiça que caracteriza uma vida interior com Deus que transforma o coração e constrói no homem hábitos virtuosos. Ou seja, a proposta do Senhor é de uma transformação de dentro para fora; no interior que reflita no exterior.
Se você e eu desejamos uma vida de santidade devemos fazer “amizade” com o sermão do monte. Futuramente, se assim o Senhor permitir, pretendo fazer uma exposição de todo esse sermão.
Verdadeiramente, Jesus era alguém que constantemente fazia o que precisava ser feito, no momento em que era preciso ser feito. E fazia de forma correta.
Enxergamos nele hábitos santos que o capacitavam a responder a vida de uma forma virtuosa. Isso é pureza de coração. Isso é santidade.
E quando olhamos para a santidade de Jesus ela nos atrai: nos atrai e nos desperta para uma vida mais coerente, obediente, fiel e frutífera

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

Vamos aplicar o texto de hoje às nossas vidas de forma prática. Gostaria de propor algumas perguntas para a nossa reflexão:

(1) Existe algum aspecto de sua vida hoje que precisa funcionar da forma correta? Em outras palavras: existe alguma área de sua vida que precisa de santidade?
(2) Qual tem sido o resultado dos desertos e tentações em sua vida espiritual? Você pode afirmar que eles têm ajudado no seu crescimento na santidade pessoal?
(3) No que você tem dado maior ênfase, no aspecto interior (coração) ou nas formas exteriores de religião?
Que Deus nos abençoe.

Numa próxima oportunidade vamos ver Jesus como um homem carismático, ou seja, alguém que vivia debaixo do mover do Espírito Santo.

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Começo hoje a compartilhar uma série de textos objetivos acerca da FORMAÇÃO ESPIRITUAL. Busco demonstrar à luz das Escrituras que as múltiplas dimensões da espiritualidade que Jesus viveu formam um convite amplo para a imitação de sua vida. É necessário dizer que tudo o que será compartilhado a partir desse primeiro texto encontra-se debaixo de um contexto cristão. Ou seja, subtende-se que o estilo de vida e as práticas devam acontecer debaixo de uma realidade caracterizada por uma relação filial com Deus que nos é concedida  mediante a experiência salvífica e regenerativa com o Evangelho de Cristo, logo, com o próprio Cristo vivo e pessoal. 

Todos os textos dentro dessa série na verdade surgiram originalmente como uma série de mensagens que preguei em minha comunidade espiritual (igreja) e que recebeu o título de “As Seis Tradições da Espiritualidade Cristã e a Vida de Cristo”. Logo, o que estrei postando é uma adaptação da mesma. 

Espero sinceramente que os simples textos alicerçados no fundamento imutável das Escrituras possam estimular cada leitor a uma séria reflexão e ajustes necessários para que em cada filho e filha de Deus se cumpra o preceito registrado em 1Jo 2:6 – “Aquele que diz estar nele deve ANDAR como Ele ANDOU”. Um convite à vida. E que o Eterno nos abençoe nesse propósito. Amém!

JESUS O HOMEM CONTEMPLATIVO

Existe uma palavra chave que define a tradição contemplativa de espiritualidade. E essa palavra é “intimidade”. E podemos ver que a Bíblia é clara e pródiga em nos convidar ao crescimento e aprofundamento na intimidade com Deus.Quando olhamos com atenção para a vida de nosso Senhor Jesus Cristo nenhum aspecto é mais marcante do que exatamente sua intimidade com o Pai.

Algumas afirmações de Jesus no evangelho de João mostram bem essa intimidade. Por exemplo, em Jo 5:19 Jesus fala acerca de seu ministério – “Eu lhes digo verdadeiramente que o Filho não pode fazer nada de si mesmo; só pode fazer o que vê o Pai fazer, porque o que o Pai faz o Filho também faz”.Continuando sua explanação no verso 30 o Senhor declara – “Por mim mesmo, nada posso fazer; eu julgo apenas conforme ouço, e o meu julgamento é justo, pois não procuro agradar a mim mesmo, mas àquele que me enviou”.

No capítulo 14:10 encontramos as seguintes palavras do Senhor acerca de sua pregação – “As palavras que eu lhes digo não são apenas minhas. Ao contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando sua obra”. E acredito que nenhum outro texto exprime mais a intimidade entre Jesus e o Pai do que o de Mt 11:27 – “e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.

A redescoberta da tradição contemplativa por parte de uma parcela do povo de Deus tem trazido uma grande contribuição para a formação espiritual cristã. E dentre os vários tesouros redescobertos, as disciplinas espirituais ocupam uma posição especial. E dentre elas, a oração tem um grande destaque. A tradição contemplativa também pode ser definida como a vida plena, embriagada, transbordante de oração.

Quando olhamos para Jesus percebemos que oração e vida não era uma realidade dicotômica na vida de Jesus. Orar e viver, viver e orar para Cristo era a mesma coisa. A oração e a vida de Jesus estavam entrelaçadas como os fios se entrelaçam para formar uma peça de vestuário. Nós vemos em Lc 3:21 que quando Jesus foi batizado por João ele “estava orando”. Também vemos que por ocasião da escolha dos doze apóstolos, Jesus foi sozinho para um monte e “passou a noite orando a Deus” (Lc 6:12).

Depois de uma tarde exaustiva em que ele curou a muitos expulsando demônios, Marcos nos relata que Jesus levantou-se “de madrugada, quando ainda estava escuro (…)” e “foi para um lugar deserto, onde ficou orando” (Mc 1:34,35).

E muitas e muitas outras passagens nos mostram a centralidade da oração na vida e ministério de Jesus. Por exemplo, ele estava orando quando perguntou: “Quem vocês dizem que eu sou?” (Lc 9:18-20). No monte onde ele se transfigurou, a Bíblia diz que ele pegou Pedro, Tiago e João e os levou “para orar” (Lc 9:28,29). E quando os discípulos não puderam expulsar o demônio de um menino, Jesus explicou o fracasso deles com as seguintes palavras – “Essa espécie só sai pela oração” (Mc 9:29).

Jesus não apenas orou como também ensinou seus discípulos a orar. A vida de Cristo foi uma escola de oração. Ele ensinou seus discípulos a se achegarem a Deus de um modo mais íntimo dizendo “Aba, Pai” (Mc 14:36). Ele os ensinou a orar no quarto “em secreto” (Mt 6:6).

Ele ensinou através de parábola acerca do dever de orar sempre e nunca desanimar (Lc 18:1). Ensinou também a crer que vai acontecer aquilo que pediram em oração (Mc 11:23).  E muito mais.

Outras duas disciplinas espirituais presentes na vida de Jesus que acompanhavam a oração eram a solitude e o silêncio. Porque uma não existe sem a outra. A figura do deserto ou de lugares desertos nos traz o deslumbre dessa faceta da espiritualidade de nosso Senhor. Por exemplo, em Mt 4:1 as Escrituras nos dizem que –  “Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo”. E lá permaneceu por quarenta dias e quarenta noites.

Depois de saber da morte de João Batista a Bíblia diz que o Senhor “retirou-se (…) em particular, para um lugar deserto” (Mt 14:13).
As Escrituras também relatam que após alimentar aquela grande multidão multiplicando cinco pães e dois peixinhos, Jesus imediatamente “subiu sozinho a um monte para orar” (Mt 14:23).

Quando os discípulos estavam exaustos por causa do ritmo do ministério Jesus fez o convite – “Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco” (Mc 6:31). E Lucas se referindo a uma prática habitual de Jesus escreve as seguintes palavras – “retirava-se para lugares solitários, e orava” (Lc 5:16).

E muitas outras disciplinas espirituais vemos presentes na vida do Senhor: o jejum por exemplo. Em Mt 4:2 na solidão e silêncio do deserto é-nos dito que – “depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome”.  E diante da negativa de Jesus aos seus discípulos pelo convite para que ele se alimentasse foi dito – “tenho algo para comer que vocês não conhecem (…) a minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e concluir a sua obra” (Jo 4:32,34).

Muitas outras disciplinas como o segredo, a simplicidade, a comunhão, a celebração, a meditação, a frugalidade estavam presentes na vida e ministério de Jesus. Só que a palavra de hoje não nos dá espaço para olharmos de perto cada uma delas.
No entanto, acredito que o que foi compartilhado hoje já nos dá uma ideia inequívoca de que Jesus era um homem cuja vida era impregnada por hábitos espirituais. Jesus verdadeiramente era um homem que tinha intimidade com o Pai. Jesus era um homem de vida contemplativa. Amém?
 
CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

Gostaria de finalizar essa breve exposição aplicando o seu conteúdo às nossas vidas. Se desejamos viver esse aspecto da vida de nosso Senhor devemos refletir em algumas perguntas:

(1) Nesse exato momento de sua vida, qual é o grau de intimidade que você desfruta com Deus?

(2) Você pode afirmar com toda certeza que seu relacionamento com Deus tem sido uma realidade crescente e não estagnada?

(3) Qual o lugar que a oração e as outras disciplinas espirituais ocupam na sua vida?

(4) Você tem conseguido desacelerar seu ritmo de vida para reservar momentos a sós com Deus?

Que Deus nos ajude nessa reflexão e nos ajustes que precisarmos fazer afim de que possamos experimentar essa dimensão da espiritualidade de nosso Senhor. Amém! 

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