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COMUNIDADE MÍSTICA

“Igreja não satisfaz expectativas, celebra mistérios.” Carlo Maria Martini

Lendo a frase acima pus-me a refletir: a que se parece a igreja? Ainda que possa soar como uma pergunta simples, contudo, é de suma importância para que se defina o que ela deve ser e fazer. Nos dias atuais a igreja tem acompanhado o total desfiguramento de sua identidade. A bem da verdade a Noiva de tão ilustre Noivo deixou de ser uma realidade viva para se tornar em algo manipulável segundo os desejos descarados e levianos de certos homens e mulheres.

Há os que enxergam a igreja como um grande negócio. E diga-se de passagem, um negócio muito lucrativo que tem levantado grandes cifras em dinheiro para aqueles que sem escrúpulo algum acabam por manipular a fé frágil e bem intencionada de um povo incauto e sedento por felicidade.  Nestas mega empresas da religião a fé caracteriza-se pelo mero desejo de se obter a bênção; o evangelho é apresentado como um produto a ser adquirido; o líder à frente um hábil comerciante a vender o seu “peixe”; e Jesus um mero coadjuvante subalterno pronto a nos conceder o que pedimos – ou melhor – exigimos e/ou determinamos a ele.

Não se deve estranhar que os locais de reunião de negócios destas igrejas estejam abarrotados de “fiéis”, pois, as mesmas acabam por alimentar um dos instintos mais adâmicos do ser humano: o de ser deus. “Sereis como deuses” é a nova/velha sedução da serpente por detrás das ofertas comerciais destas verdadeiras megaempresas travestidas de comunidades de fé.

Nestes lugares não há liberdade, pois, as pessoas se vêem aprisionadas por pelo menos duas realidades. Primeiro pelo desejo insaciável por bênçãos. Quanto mais se recebe mais se deseja. Assim, estas igrejas tornaram-se em genuínos fastfoods da religião: é só dar a oferta e levar a bênção para casa. E em segundo lugar por um código de conduta que rege a tida igreja/denominação. Desta forma o pastor atua como um gerente a controlar a vida e os passos de seus fiéis/clientes. Os demais membros se vêm como subgerentes prontos a esquadrinhar a vida do irmão e a amaldiçoá-lo em nome de Deus se o mesmo quebrar tal código ou pelo menos questioná-lo.

É certo que tal fenomenologia não apresenta-se apenas nos arraiais de igrejas como as que temos descrito aqui. Parece-nos que se trata de algo generalizado, restando-nos poucas excessões.

Não obstante a tudo isso permanece o chamado divino para que a igreja se apresente como um Comunidade Mística. Mística porque sua membresia é formada por místicos e não por gerentes/clientes. Entenda-se aqui místico no sentido da tradição mística cristã: alguém que experimenta Deus no caminho do amor avassalador, do discipulado e do silêncio interior.  E como isso se dá?

Primeiramente quando a igreja se conscientiza do mistério de sua união ao Cristo vivo. Jesus ressurreto atuando no meio do seu povo: eis o grande mistério da salvação. Quando contemplamos e meditamos em textos como de João 15, somos assombrados da cabeça aos pés com a verdade de que o Cristo vivo e ressurreto não apenas deseja um relacionamento de intimidade conosco. O que  Ele busca, o alvo de sua obra expiatória no Calvário é a união, a simbiose espiritual conosco, de tal forma que afirmemos: “Já não sou eu quem vive, mas, Cristo vive em mim”. A igreja de uma forma mística, misteriosa, que a mente nunca compreenderá plenamente, pelo meno desse lado da eternidade, encontra-se mergulhada e imbuída pela presença vitalizadora de Jesus, o Cristo.

Em segundo, tal união misticamente fornece à igreja a possibilidade de experimentar a pessoa de Jesus de forma real e concretaA igreja sempre deve ser um agrupamento orgânico de pessoas que não apenas creiam pela fé, mas, que também como resultado da mesma, experimente a pessoa doce e bendita do glorioso Verbo de Deus.  Isso porque é bem diferente saber que Jesus está em nosso meio por uma questão de mero assentimento intelectual, e outra saber disso porque Ele nos tocou. Aqui reside o poder da  mística cristã, a verdadeira, embasada nas Escrituras: a experiência tanto individual como comunitária com Deus.  Quando olhamos as Escrituras percebemos que os primeiros cristãos tanto na sua forma individual quanto coletiva  não apenas criam que Jesus estava com eles, mas, sabiam disso porque viam,ouviam e sentiam. Não estou aqui defendendo um Cristianismo que precise “ver” para crer. Não! Contudo, uma vida cristã que nunca experimenta de forma concreta a presença viva e pessoal de Jesus, biblicamente, parece-nos estranho.

Em terceiro lugar, como resultado dessa experiência mística com Jesus, a igreja torna-se – ou pelo menos deveria ser assim – num local de vidas transformadas e formadas à semelhança de Cristo. Estamos falando da mística cristã como uma experiência maciça, concreta com  a realidade espiritual. Sendo assim precisamos estabelecer uma via, um caminho igualmente prático que conduza-nos a esse objetivo. Nos séculos de cristianismo homens e mulheres com fome e sede de Deus extraíram das Escrituras práticas espirituais que tinham como propósito levar o devoto a uma experiência com a presença de Deus. Tais práticas foram testadas, experimentadas e comprovadas como eficazes por muitos. Disciplinas espirituais como silênio, solitude e meditação bíblica formaram cristãos de ambas as tradições de confissão cristã produzindo homens e mulheres que refletiam em seu viver diário a vida do próprio Jesus. De uns tempos para cá temos visto o que poderíamos chamar de um verdadeiro avivamento místico no seio da igreja. Deus tem despertado e levantado uma gama de homens e mulheres que têm redescoberto o caminho contemplativo como via de transformação do caráter humano. Isso de certa forma enche o meu coração de esperanças de que o próprio Deus está removendo Seu povo de uma experiência cristã epidérmica, superficial para uma profunda e espiritualmente formadora. Queira Deus que muitos outros sejam contagiados por esse mover divino de renovação da igreja. Acredito piamente que essa é a única forma de estancarmos a avalanche de desvios a que a igreja se entregou nos últimos tempos.

Voltando á pergunta inicial: a que se parece a igreja? Num sentido secundário ela tem que ter a aparência de uma comunidade. Uma comunidade de pessoas salvas que vivem suas vidas em novidade. Ela deve transparecer ao mundo o amor de Jesus vivido no amor de uns para com os outros.

No entanto, de forma mais profunda a igreja deve  se parecer com Jesus. E isso se dá única e exclusivamente pela via mística através da união com Cristo que nos possibilita experimentarmos de forma pessoal e concreta a Presença, o que nos leva à transformação do caráter por meio das disciplinas espirituais tanto no âmbito individual quanto coletivo.

Que cada um dos filhos de Deus decidam tornar-se verdadeiros místicos e não gerentes de franquias de um comércio religioso que só desonra o nome Querido de Jesus.

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AMIZADE ESPIRITUAL

A igreja é uma comunidade espiritual. A comunidade espiritual é um mistério divino. Sua edificação não depende de programas; de passos-a-passos ou de livros do tipo “como fazer”. Não!!!

O nascimento de uma comunidade espiritual ou de fé é obra exclusiva do Senhor Jesus Cristo. Em Mt 16:18 Jesus diz ao apóstolo Pedro:

“…edificarei a minha igreja…”

Logo, viver em comunidade espiritual é um milagre da graça de Deus. Contudo, uma coisa que devemos ter em mente é que, mesmo sendo um mistério de Deus na sua edificação, a comunidade espiritual é caracterizada por algo muito especial.

Conforme o texto de João 15:15 o mistério da comunidade espiritual se dá em meio ao mistério da amizade de Jesus com seu povo. Ele mesmo disse :

“…eu vos chamo amigos…”

Contudo, como se dá esta amizade de Jesus com seu povo dentro do contexto de comunidade espiritual (de fé – igreja)? Na comunidade a amizade de Jesus se dá através da amizade espiritual com os irmãos.

Assim, podemos dizer que o que caracteriza uma comunidade espiritual é a presença de amigos espirituais ou amigos da alma. E a grande verdade é que TODOS PRECISAM DE AMIGOS ESPIRITUAIS. Eu preciso, você precisa. Nós precisamos!

Viver em comunidade evoca algumas realidades como segurança, aceitação, companheirismo etc. E somente num ambiente de amizades espirituais é que estas coisas são possíveis.

Mas, agora é necessário nos perguntarmos: o que caracteriza uma amizade espiritual ou um amigo da alma? Nós veremos que é algo bem diferente do que temos encontrado nas igrejas hoje.

 Primeiramente…

 UM AMIGO ESPIRITUAL É UM COMPANHEIRO DE JORNADA:

É alguém que caminha com a gente. Alguém que está ao nosso lado, indo junto conosco seja para dentro da fornalha ardente ou para o monte da transfiguração.

E eu acredito, que é isso que  devemos encontrar na igreja: companheiros e companheiras de travessia no deserto, mas também, de escalada no monte.

Não resta dúvidas que o deserto é muito mais fácil de ser atravessado quando em companhia de outros. Deserto é lugar de peregrinação comunitária.

Com certeza, a igreja deveria ser o último lugar em que alguém se sentisse sozinho. Verdadeiramente, amigos e amigas espirituais são companheiros de jornada. Pois, a vida cristã é uma jornada rumo a Deus.

Em segundo lugar…

UM AMIGO ESPIRITUAL É UM BOM OUVINTE:

Um amigo espiritual está pronto a nos ouvir. Ah! E como nós precisamos desesperadamente de quem nos ouça. Às vezes parece que a gente não vai agüentar e vai explodir de tanta pressão. Não é verdade?

O amigo espiritual recebe o nosso pedido: “rapaz, eu já não agüento mais! Eu preciso desabafar com você.” Ao que ele nos responde: “Pode falar, estou te escutando”.

Acredito que a igreja deve ser composta por pessoas que obedeçam a Tg 1:19:

 “…todo homem deve estar pronto a ouvir; ser tardio para falar e tardio para se irar”.

A grande verdadeé que muitas vezes a gente não está precisando de respostas, mas de um ouvido que nos ouça.

E amigos espirituais param tudo para nos ouvir: nosso choro; nosso lamento; nossas crises; nossas dúvidas e até mesmo as nossas besteiras e infantilidades. Por que não!? Amigos espirituais levam o pacote todo.

 Por último…

UM AMIGO ESPIRITUAL É ALGUÉM QUE DIVIDE O FARDO CONOSCO:

Você já teve a sensação de que alguém estava tentando concertar você? Acredito que não há nada mais frustrante do que isso.

E infelizmente isso acontece demais nas igrejas. Por exemplo: um irmão procura um outro irmão para desabafar seja o que for. De repente este outro irmão abre a Bíblia e desfere um mini sermão: “Está escrito isso e isso… e se você fizer isso e isso e isso…com certeza as coisas vão mudar”.

Que tragédia amados quando isso acontece. As pessoas vão á procura de um amigo espiritual e o que encontram é um “especialista em concertar a vida dos outros á luz da Bíblia”.

Não resta dúvidas,  as igrejas não precisam de especialistas. Nós estamos sedentos por amizades espirituais que cumpram o simples mandamento apostólico que nos exorta:

 “Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram”(Rm 12:15).

Às vezes a única coisa que a gente está precisando é de alguém que, depois de nos ouvir, em silêncio nos abrace e chore conosco, dividindo assim o fardo que tanto nos oprime.

Que na igreja não tenhamos especialistas que tentam concertar nossa vida. Não! Que a igreja de Cristo seja uma comunidade formada de amigos espirituais que levam a carga uns dos outros

***

Que esta amizade espiritual comece pelos pastores; que eles possam ser amigos da alma de cada uma de suas ovelhas.

E que elas sejam de seus pastores. E que sejam também umas das outras. E que o Senhor abençoe Sua noiva neste propósito.

Amém e amém!

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Definitivamente, cansei de ir para a igreja. Estou cônscio de que uma afirmativa dessas partindo de um pastor soa, no mínimo, esquisita. Contudo, peço a você que não me julgue antes de terminar de ler todo o texto. Talvez, após isso você seja mais um a somar o pequeno número daqueles que como eu não aguentam mais ir para a igreja. A bem da verdade, este é o propósito das presentes palavras. Hã!? Você não quer deixar de ir para a igreja? Ok! Então , tchau!!! Não ficarei ofendido por não ler mais estas linhas.

Você continua aí? Obrigado, então, pela paciência! Sinto-me na dívida de honrá-la esclarecendo o assunto a que me propus ecrever. Não quero mais ir para a igreja. Simplesmente porque não quero mais abraçar uma instituição. Recuso-me a ir para a igreja, porque tenho horror de uma fé dogmática e dogmatizada. Não desejo mais ir para a igreja porque não suporto mais aglomeração.

Não há como negar que a igreja que vemos e experimentamos hoje nada tem a ver com aquilo que Deus descreveu nas páginas das Escrituras Sagradas. A disparidade já começa no fato de que hoje se vai para a igreja ao ivés de se estar com a igreja. Assim, não quero mais ir para igreja, porque igreja não é lugar a que se vai, mas, uma realidade da qual se faz parte; algo que se é. Eu estou com a igreja. Eu sou igreja.

Acredito que a distância para o ideal divino é grande. Antes eu pensava se tratar de um rio onde algumas poucas braçadas já seriam o suficiente para se chegar de uma margem a outra. Mas, hoje um pouco mais com os pés no chão e menos deslumbrado com megas-promessas de megas-ferramentas de crescimento para megas-igrejas, percebo que não se trata de um rio, mas, de um oceano divisor de continentes, a ser atravessado. Minha sugestão é a de que tal travessia seja feita de barco a remo e não de jato super sônico. Até porque a pressa com que as pessoas aceitaram certos conceitos num passado não muito diantante, pode ter sido a causa da imperfeição a que a igreja cristã chegou nos dias de hoje. Num barquinho a gente navega mais devagar e reflete um pouco mais.

Apesar do oceano a ser transposto, acredito eu que um retorno possa ser possível. (Até certo ponto, é claro). Desejo ser otimista quando se trata da noiva de Cristo. Afinal, ela é de Cristo. E não sua, nem minha ou de mais alguém. Ela tem dono porque foi adquirida sob alto preço. Assim sendo, algumas “remadas” se fazem necessárias para que a distância continental entre o ideal divino de igreja e o nosso sonho narcisista diminua.

Podemos começar pensando no fato de que a igreja tem que deixar de ser encarada como um lugar que se tem que ir. Logo, se a igreja é um lugar é certo eu dizer que vou para a igreja. Só que os cristãos bíblicos nunca iam par a igreja. Eles iam sim, mas, para estar com a igreja. Para, no estar juntos, ser igreja. A igreja se apresenta como realidade viva e dinâmica nas páginas do Novo Testamento. Mutante na localidade de sua reunião. Hoje ela podia estar reunida na casa do irmão Carlos. Mas amanhã na casa da irmã Jussara; e amanhã na casa do José; e amanhã na casa da Maria; e amanhã…; e amanhã… Entendeu? Era mais ou menos assim. O lugar não importava. O que valia era ser e estar com. O viver em comum(nidade).

Também há uma necessidade gritante de se simplificar o modus operandi do ser igreja hoje . Creio que não precisamos tanto assim de mais templos grandes e suntuosos (ora, o que desejamos ser: um grande transatlântico de vários andares onde as pessoas do de cima não conhecem as do debaixo, ou uma canoa em que precisamos dar as mãos para manter o equilíbrio para não virar?); da mesma forma tenho a impressão de serem desnecessários, igualmente, os grades programas, as grandes cantatas, os grandes planejamentos, as grandes reuniões. Parece-me que a igreja a muito sofre de um complexo de Titã: de Deus e para Deus tudo tem que ser grande. Grandes ministérios; mega-estruturas eclesiásticas. Mas, será tudo isso realmente necessário para se ser igreja? Para se estar com a igreja? Acredito que não. E talvez a vida de Cristo nos conceda algumas pistas acerca do padrão simples com que Deus encara as grandes coisas.

Outra remada urgente a ser dada é a necessidade de se cuidar de pessoas. Quando o foco está no lugar errado, o que realmente é importante acaba sendo deixado de lado. Quando superestimamos o secundário acabamos negligenciando o principal. E infelizmente, percebemos que hoje se gerencia estruturas ao ivés de se cuidar de vidas. A vida humana é grande e grandiosa. Isso pelo menos por dois fatores: primeiro porque foi criada à imagem e semelhança de Deus e em segundo porque foi dignificada pela encarnação do Verbo; o Logus de Deus, Jesus Cristo. Sendo assim, atentar para estruturas em detrimento do bem humano é no mínimo desprezar a glória e mistério da encarnação. É trocar diamante por cristal; ouro puro pelo dos trouxas.

Outra coisa importante é a necessidade de descentralização ministerial. Na igreja bíblica todos são ministros. Cada membro um sacerdote para Deus. Hoje vemos o monopólio da vida eclesiástica por uns poucos que sob um ou outro título se apresentam como aqueles investidos de autoridade espiritual sobre a vida do rebanho. São líderes (apesar de que este vocábulo não aparece nas páginas da Bíblia, nem em português e nem no grego original. O que encontramos é a palavra servo). Desse jeito, temos o clero profissionalizado que goza de privilégios e dispõe de “autoridade” para tomar deliberações, em muitos dos casos, arbitrárias. E o povo, laico, tido por ignorante das coisas mais profundas de Deus, balança a cabeça de forma afirmativa como amistosas vaquinhas de presépio (desculpe-me mas ela tá afiada hoje). Todavia, à parte de tudo isso, nas Escrituras a igreja funcionava à base de dons místicos do Espírito Santo. Um ministério não era conduzido pela autoridade angariada por um título, mas, pela dinâmica da graça presente na concessão de um dom de Deus. Cada um com o seu. Distribuídos como o Espírito queria.

Uma última remada para finalizar, pois já me estendi demasiadamente, é a urgência em se buscar uma verdadeira comunidade na vivência de igreja. Ou melhor dizendo, convivência. Isso porque comunidade é convívio de realidades em comum. É o âmago de onde emerge o “alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram”. Comunidade é algo diferente de aglomeração. Eu constantemente me encontro numa grande aglomeração humana chamada de Centro da cidade do Rio de Janeiro. Mas, nem por isso, me sinto em casa. Pelo contrário. Porém, quando me reúno com os santos em Cristo Jesus; humanos como eu. Indefesos, inseguros, feridos, mas que nem por isso desistem de sonhar, como eu. Onde posso ser eu mesmo e mesmo assim ser acolhido em graça e na graça. Sinto que pertenço a alguém. Aprendo que a travessia do deserto seria muito mais dolorosa se não existissem companheiros de jornada. Aglomeração é solidão no meio de muita gente. Comunidade é estar junto de, não importando a quantidade de pessoas ao seu redor. Podem ser cem, duzentas ou mil. Mas também vinte ou cinquenta. Não importa. O que vale mesmo é o viver comum em comum. O partilhar de sonhos e de frustrações; de vitórias e de derrotas; de alegrias e de tristezas; de sorrisos e de lágrimas; de vida e de luto. Certa vez li esta frase num livro e nunca mais me esqueci, exatamente por concordar com ela: “As igrejas deveriam ser o último lugar para alguém se sentir só”. Assino em baixo!

Definitivamente, repito, não quero mais ir para a igreja. Espero que você tenha compreendido minhas razões. Não desejo mais ir para a igreja porque igreja se soletra vida cristã. E vida cristã é jornada, é peregrinação que não pode ser asfixiada na clausura de dogmas, vaidades e instituições humanas.

***

Igreja é corpo místico de Cristo. É mistério de sua presença neste mundo que se desdobra por veredas iminentemente humanas, de carne e osso. Assim sendo, desculpe-me a prolixidade, não quero ir para igreja. Quero mais comunidade e menos aglomeração (não desejo me sentir só em meio à multidão). Quero mais simplicidade e menos exibição. Quero amar mais, cuidar mais de gente do que gerenciar grandes estrtuturas que acabam por se tornarem verdadeiros elefantes brancos na sua funcionalidade, atrapalhando mais do que ajudando. Quero mais ministério, mais sacerdócio, mais o servir, e menos profissionalismo clerical. Mais distribuição de dons em detrimento de egos super-inflados por títulos e cargos.

***

Desejo sim, anseio por, estar com a igreja. Almejo com todo o ardor do coração ser igreja, ser comunidade, ser Corpo de Cristo, ser família de Deus.

Ir para a igreja!? Perdoe-me a franqueza… Nunca mais!

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