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Posts Tagged ‘cotidiano’

11080983_786561468088689_4321078266248548745_nA vida é um grande sacramento. Tudo é Sagrado. O grande desafio, então, é deixar-nos ser tocados pelo Sagrado em meio às realidades comuns do cotidiano.

Cada animalzinho, cada pessoa, cada aspecto da criação, cada acontecimento, por mais efêmero que seja, traz consigo as sementes do Divino. Cabe-nos recebê-las através de um coração grato e atento para que as mesmas sejam plantadas no solo de nossa alma afim de que colhamos os frutos da Graça que nos chega de forma multifacetada.

É certo que por mais terríveis que tenham sido as consequências do Pecado, as mesmas não foram suficientes para sujar o mundo ao ponto de não conseguirmos enxergar que “toda a terra está cheia da sua Glória”.

A sarça permanece ardendo sem se consumir. Quem vê tira as sandalhas e adora. Quem não vê se assenta no chão para comer amoras.
Paz e bem!

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Quando se pensa em mística, místicos e misticismo é quase que impossível não nos vir na mente imagens de monges encapuzados, vivendo na clausura, orando incessantemente e entoando cânticos gregorianos.
Misticismo, infelizmente, assumiu o cheiro de velas acesas e tomou o “brilho” de celas em meio à penumbra. Assim, acredita-se na sua maioria esmagadora, que o ser místico é apenas para uma pequena elite incomum de cristãos que se decidiram por viver uma vida contemplativa em oposição a vida ativa, vivida pela maioria das pessoas consideradas comuns.
Contudo, não podemos concordar com um conceito como este, pois, desta maneira, estaremos elitizando o experimentar a Deus, reduzindo-o a um privilégio destinado a poucos e não a todos.
Primeiramente, devemos acima de tudo quebrar esta figura estereotipada do místico apenas como alguém recluso que consagrou sua vida toda para orar, meditar e contemplar. Tal estereótipo se dá exatamente por uma compreensão equivocada do que seja um místico. Místico é aquele que tem seus afetos e emoções despertados e inflamados por uma percepção intuitiva da presença daquele que é totalmente Outro. O místico é aquele que no contexto onde se encontra aprendeu a perceber e acolher o mistério divino por detrás de pessoas, circunstânias, coisas e lugares. Místico é toda aquele que busca saborear a presença divina, seja por onde quer que ela lhe venha. Acerca disso Kathleen Norris tem uma palavra de grande discernimento. Ela escreve:


“Passei a acreditar que os verdadeiros místicos do cotidiano não são aqueles que contemplam a santidade em isolamento, alcançando a iluminação divina em silêncio sereno, mas os que tentam encontrar Deus em uma vida cheia de ruídos, exigências de outras pessoas e deveres diários inexoráveis que consomem o ‘eu’. Podem ser jovens pais lutando com a criação de filhos e ganhando seu sustento […] [Se] são sábios, valorizam os raros momentos de solidão e silêncio que conseguem e não fazem uso deles para escapar, distrair-se com a televisão e afins. Em vez disso, ficam à escuta de um sinal da presença de Deus e abrem o coração para a oração”

Não estou querendo dizer com isso que estes homens e mulheres de ordens cristãs contemplativas os quais consagraram suas vidas para buscar a Deus não têm valor ou que não são místicos no sentido real da palavra. A bem da verdade sou profundamente grato a eles, pois, com sua vocação eles me ajudam frequentemente a lembrar que existe um outro mundo, maior e além do que este mundo de matéria e que diariamente eu preciso abrir espaços na minha agenda para este “outro mundo”.
Contudo, o que quero deixar bem claro é que apesar deles serem místicos e de terem sua importância, não são os únicos. O termo místico transcende (graças a Deus!) a quaisquer estereótipos ou paradigmas que possamos criar. Como Norris bem disse há espaço para o silêncio, a solidão e a contemplação. Mas, para nós, místicos do cotidiano, estes momentos quase que têm que ser abertos à base de socos e pontapés. E em meio ao corre-corre e exigências de um dia tornam-se cada vez mais raros. Mesmo assim tenho pra mim que o ser místico é vocação de todo aquele que teve sua vida unida a Cristo. Ser místico é o chamado de todo verdadeiro cristãos, é tudo quanto Deus intentou para Seus filhos.
Logo, o ser místico no seu sentido mais ordinário é conseguir encontrar e experimentar Deus por detrás dos acontecimentos comuns de uma vida humana comum. É encontrar Deus…: ao lavar o banheiro; ao tomar nossas refeições com amigos queridos; ao desfrutarmos de momentos de ócio santo para nosso merecido descanso; no deslumbrar emudecido diante de um pôr do sol; perante o poder devastador de uma tempestade; diante do sorriso sincero e desenteresseiro de uma criancinha. Em todas estas coisas podemos e devemos encontrar Deus. Porque ele se revela em cada uma delas. É só estarmos atentos. Basta que sejamos místicos.

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