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Posts Tagged ‘cristianismo’

10432967_783541935057309_3455389064538895587_nReli pela segunda vez a biografia de São Francisco de Assis, escrita pelo já falecido frei franciscano Inácio Larrañaga, intitulada de “O Irmão de Assis”.
Que grande bem e que consolações recebi da parte de Deus através dessa leitura. Confesso que na primeira lida não tinha absorvido toda a mensagem da vida desse santo homem de Deus. No entanto, após um hiato de quase um ano em que literalmente passei por uma experiência purificadora de deserto na minha fé, ou utilizando a linguagem mística de São João da Cruz: uma verdadeira noite escura da alma, em que avaliei e reavaliei no que cria e porque cria, pude compreender a profundidade e a urgência que os cristãos dos dias de hoje, independente de sua confissão de fé, sejam católicos, protestantes, ortodoxos etc., tem de ouvir uma vez mais a mensagem de sua vida e obra.
Francisco nasceu e viveu no auge da Idade Média. Filho de um rico mercador Italiano e mãe francesa, era um jovem dissoluto que só queria saber de gandaia e noitadas. Após ficar prisioneiro de guerra e sofrer de uma grave doença, teve uma experiência profunda de conversão, a ponto de pegar o dinheiro de seu pai, dinheiro esse adquirido pela venda de tecidos, e distribuí-lo entre os pobres.
Dá para imaginar que isso enfureceu sobremaneira seu pai que o arrastou até o bispo da cidade, chamado Guido, pedindo que este o julgasse. Diante dessa situação, Francisco, cujo coração já se encontrava enamorado pelo Seu Senhor crucificado, num gesto emocionado de profunda humildade, retirou suas roupas e devolveu todo o dinheiro a seu pai, ficando completamente nu na frente de todos! Agora, ele já não era mais o filho de Pedro Bernardone e sim do Maravilhoso Pai Celestial!
A história é longa, depois Francisco foi viver como ermitão junto a uma humilde capelinha, a qual ele reformou com as próprias mãos. Vivia sem posses, sem dinheiro, sem bens materiais, servindo os desamparados, rejeitados, esquecidos e desprezados de seu tempo: os leprosos e mendigos!
Deus lhe deu companheiros que na época entenderam sua mensagem e passaram a segui-lo, vivendo a vida simples e humilde que o Evangelho de Cristo revela, pregando a paz, a liberdade no Senhor crucificado e amando e servindo o próximo. Foram perseguidos e agredidos de todas as formas por lideranças eclesiásticas e pessoas do povão que não compreendiam ou aceitavam o estilo de vida daqueles pobrezinhos de Deus. E a partir daquele grupinho uma grande multidão surgiu, a qual posteriormente recebeu o nome de “Ordem dos irmãos ou Frades Menores”.
Bem, porque digo que a mensagem e vida de Francisco é de extrema urgência para a Igreja nos dias de hoje? Para que possamos ter uma resposta satisfatória, é necessário ter em mente que a Igreja na época de Francisco não estava nem aí para os pobres. Era uma instituição enamorada do poder e da riqueza. Em outras palavras era uma Igreja que tinha deixado de lado os valores evangélicos da simplicidade, humildade, compaixão e amor.
Sendo assim, Francisco vem como um caniço em chamas com o amor divino. Uma sinalização de que a Igreja de sua época precisava se arrepender dos pecados do orgulha, avareza, indiferença e acepção de pessoas. Francisco amava a todos, cuidava de todos, independente de quem fossem.
Ao reler a vida desse santo, não teve como não me emocionar ao constatar que a Igreja dos dias de hoje precisa igualmente prestar a atenção na vida de Francisco de Assis, uma vez mais.
Isso porque uma grande parcela da igreja encontra-se mancomunada com o poder, com o glamour e a riqueza. A Igreja brasileira está precisando se arrepender igualmente do pecado da idolatria, da indiferença e da falta de compaixão. Isso!!!! É isso o que precisa acontecer nessas terras tupiniquins: que o Espírito de Cristo levante uma igreja arrependida, quebrantada e de coração compassivo! Uma igreja cheia de compaixão: essa é a maior necessidade e expectativa mais ardente do mundo falido e ferido, acerca de nós cristãos. O mundo não quer que briguemos com ele, mas, que o amemos sem restrições!
Mas, enquanto nossas preocupações forem construirmos catedrais abastadas, reuniões públicas hollywoodianas cheias de glamour e requinte, enquanto açoitarmos as pessoas com uma linguagem belicosa e desprovida de carinho e respeito, enquanto sustentarmos o discurso de ódio contra os homossexuais e atitudes de intolerância ao credo alheio, principalmente às religiões de matriz africana, o mundo continuará pisando na Igreja, pois, segundo o próprio Senhor dela, somente para isso é que serve o sal quando este perde o poder de dar sabor!
Como dizem por aí, Francisco não tinha rabo preso com ninguém e por isso era capaz de viver a vida espiritual profunda e de amor sacrificial que nos relatam seus biógrafos.
Acredito que a principal mensagem que Francisco deixou para a Igreja, tanto a da sua época como a de hoje, é a de que continua sendo impossível servir a dois senhores. Pois amaremos a um e odiaremos ao outro. Portanto, é impossível amar a Deus e as riquezas! E quando escolhemos amar a Deus, automaticamente acabamos por amar aqueles que são o alvo do amor divino: pessoas, independente de quem sejam.
Assim o foi no passado, assim o é hoje, e assim o será para sempre.
Paz e bem!

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mais-amor-por-favorPor Brennan Manning

“O Senhor me disse que desejava que eu fosse um louco, de um tipo jamais visto antes”, disse Francisco de Assis. Uma suave revolução acontecerá pela humilde organização dos cristãos loucos que estão dispostos a subverter a ordem estabelecida ao reorganizar sua vida em torno da mente de Cristo. Sua questão é a transparência por meio da veracidade, e seu estilo de vida será moldado pelo evangelho de Jesus Cristo.

Os loucos por Cristo são violentos, como o evangelho ordena que sejam (Mt. 11:12), mas a violência se aplica a eles próprios (Gl. 5:24). Sua bondade é o belo fruto da reverência a Deus, da compaixão pelo mundo e do respeito de si mesmos. Suas prioridades são pessoais, determinadas não pela religião popular do momento, por políticas de poder ou pela cultura de consumo, mas pelo Sermão do Monte e pelo mistério pascal.

Para o louco, Jesus Cristo não é um sábio ou um admirável reformador: é o segundo Adão, autor de uma nova criação. “Estou fazendo novas todas as coisas!” (Ap. 21:5). Jesus redirecionou a realidade e deu-lhe uma orientação revolucionária. Jesus não arrumou o mundo. Ele o levou a uma freada barulhenta. O que ele refez a partir dos materiais humanos da velha ordem não foram pessoas mais agradáveis, com moralidades melhores, mas coisas novas (II Co. 5:17).

O sentido de missão entre os loucos causará destruição na vizinhança. Medos serão despertados e rumores circularão de que tais pessoas estão ficando “estranhas”. Os amigos os aconselharão a se restabelecer e a fazer algo construtivo com suas vidas (como procurar segurança, prazer ou poder). Os vizinhos cochicharão que são fanáticos religiosos. Os familiares darão demonstrações ostensivas de suas realizações duvidosas. Estratagemas serão planejados para levá-los a ver e sentir como de fato são: loucos. Catherine de Heuck Doherty diz: “É como se o mundo precisasse de loucos – loucos por Cristo! Loucos pelo amor de Deus! Pois são tais loucos que mudam a face da terra”.

Conforme seria de se esperar (Jo. 15:18), esses loucos serão ofendidos. O cristianismo hoje é basicamente inofensivo, um tipo de religião que jamais transformará coisa alguma. Jesus Cristo, o mestre revolucionário, transgrediu a ordem religiosa da Palestina. Os cristãos também são compelidos a transgredir e, se não o fizerem, isso é um mau sinal: não estarão sendo revolucionários de fato. Quando os loucos que buscam viver com a mente de Cristo (Fp. 2:5) perguntam a si mesmos “Por que existo?”, eles respondem: “ Por causa de Jesus Cristo”. Se os anjos se perguntarem, a resposta será a mesma: “Por causa de Jesus Cristo”. Se o universo inteiro de repente pudesse falar, de norte a sul e de leste a oeste, ele clamaria em coro: “Nós existimos por causa de Cristo”.

Se houver qualquer prioridade em nossa vida pessoal ou profissional mais importante do que o domínio de Jesus Cristo, desqualificamos a nós mesmos como testemunhas do evangelho e como membros da suave revolução. Desde o dia em que Jesus rompeu os laços da morte e a era messiânica irrompeu na história, há uma nova agenda, um conjunto sem igual de prioridades e uma hierarquia revolucionária de valores para o crente.

O carpinteiro não somente refinou as éticas platônicas, ou aristotélicas, reordenou a espiritualidade do Antigo Testamento, ou renovou a velha criação. Ele trouxe uma revolução. Precisamos renunciar a tudo o que possuímos, não apenas a maior parte. Precisamos abandonar nosso velho modo de vida, e não corrigir apenas algumas de suas poucas aberrações. Devemos ser uma criação completamente nova, não simplesmente uma versão renovada. Seremos transformados de uma glória a outra, até mesmo na própria imagem do Senhor – transparente. A mente será renovada por uma revolução espiritual.

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Lamento muito o fato que para a maioria dos cristãos a fé é apenas uma crença moral e comportamental, de um lado; e, de outro lado, apenas um poder mágico, mediante o qual se pode conseguir coisas, bens materiais e proteção contra a magia, ou ainda poder para subjugar inimigos.
 
Para a maior parte dos crentes a fé foi reduzida a tais coisas!
 
Todavia, a fé como relação com Deus, como meio de agradá-Lo, como sustento do espírito na existência, como fidelidade, como poder que atua pelo amor, como constrangimento de amor no coração que cresce em devoção, como conforto e proteção [sem magia], como confiança no cuidado do Pai, como poder que brota do intimo para ser no mundo, como expressão da consciência de Deus em nós; e como olhar existencial que nos conduz a perseverarmos e mesmo nos gloriarmos nas tribulações; e mais: que nos deixa antever a glória de Deus por vir a ser revelada plenamente em nossas vidas — sim, tal e tais perspectivas da fé estão praticamente mortas nos corações dos cristãos de hoje.
 
Com isto sucumbiu também a fé como poder/privilégio de perdoar, de não odiar, de não se vingar, de crer na justiça de Deus ao seu tempo…, etc.
 
Além disso, também com tal perversão da fé faleceu a esperança que se alimenta da eternidade, e que tem no por vir seu gozo fomentador de alegria hoje, posto que somente por tal percepção já se possa tratar a morte como morta na existência de todo aquele que crê.
 
Desapareceu também a fé como resposta-em-si-mesma aos absurdos calamitosos da existência, posto que agora, como a fé é poder mágico de proteção, é apólice de seguro, é garantia de que nada sentido como mal jamais nos abata, qualquer coisa que nos venha com tais desenhos catastróficos abala o que se chama de fé.
 
Esta é a morte da fé que se vê nos templos lotados de gente que paga pela crença pagã de que fé seja um poder sem mistério, sem silencio…, mas, ao contrário, sempre com respostas desejadas, sempre com explicações e com resultados aferíveis como bens de consumo e como garantias especiais contra os fatos absurdos da existência.
 
Neste aspecto, a Religião Islâmica não fanatizada oferece princípios mais cristãos aos seus crentes do que o atual Cristianismo misticamente materialista e historicamente saduceu que se instalou entre nós.
 
Isto porque um lado inteiro do Cristianismo está governado pelo misticismo materialista, que é aquele que crê em poderes espirituais, mas apenas para as guerras do aqui e do agora. De outro lado, entre as confissões históricas, o que prevalece é a fé como ética, culto, rito, comportamento, conduta, ao modo saduceu de ser… — porém, sem o casamento como os poderes do mundo vindouro, sem o gozo da eternidade, sem o poder do Espírito, sem o Cristo vivo, sem a consolação sublime, sem a experiência da real presença de Deus na vida.
 
Este é o espírito presente nas crenças práticas da maioria dos cristãos. E, por tais crenças, saiba-se: o Evangelho como poder de Deus ficará dia a dia mais morto nos corações humanos e nas casas de culto sem Deus.
 
Somente tal constatação, seguida de uma determinação radical de abandonarmos todos os nossos pressupostos, e que nos levasse de volta a leitura com fé simples nos evangelhos e no que Jesus e os apóstolos chamaram de fé, é o que poderia ainda nos salvar do paganismo cristão que levou a quase todos de roldão.
 
Para mim este é um dos sinais mais gritantes dos fins dos tempos, especialmente numa época em que nãos nos faltam Bíblias e nem acesso a informação da Palavra; posto que tal calamidade não decorra de ignorância apenas, mas, sobretudo, da escolha.
 
Digo a mesma coisa mais uma vez, sempre com a mesma oração de que alguém ainda entenda, veja, discirna, escute e se converta!
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* Caio Fábio – extraído do site oficial do autor
 

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