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Posts Tagged ‘fé’

Lamento muito o fato que para a maioria dos cristãos a fé é apenas uma crença moral e comportamental, de um lado; e, de outro lado, apenas um poder mágico, mediante o qual se pode conseguir coisas, bens materiais e proteção contra a magia, ou ainda poder para subjugar inimigos.
 
Para a maior parte dos crentes a fé foi reduzida a tais coisas!
 
Todavia, a fé como relação com Deus, como meio de agradá-Lo, como sustento do espírito na existência, como fidelidade, como poder que atua pelo amor, como constrangimento de amor no coração que cresce em devoção, como conforto e proteção [sem magia], como confiança no cuidado do Pai, como poder que brota do intimo para ser no mundo, como expressão da consciência de Deus em nós; e como olhar existencial que nos conduz a perseverarmos e mesmo nos gloriarmos nas tribulações; e mais: que nos deixa antever a glória de Deus por vir a ser revelada plenamente em nossas vidas — sim, tal e tais perspectivas da fé estão praticamente mortas nos corações dos cristãos de hoje.
 
Com isto sucumbiu também a fé como poder/privilégio de perdoar, de não odiar, de não se vingar, de crer na justiça de Deus ao seu tempo…, etc.
 
Além disso, também com tal perversão da fé faleceu a esperança que se alimenta da eternidade, e que tem no por vir seu gozo fomentador de alegria hoje, posto que somente por tal percepção já se possa tratar a morte como morta na existência de todo aquele que crê.
 
Desapareceu também a fé como resposta-em-si-mesma aos absurdos calamitosos da existência, posto que agora, como a fé é poder mágico de proteção, é apólice de seguro, é garantia de que nada sentido como mal jamais nos abata, qualquer coisa que nos venha com tais desenhos catastróficos abala o que se chama de fé.
 
Esta é a morte da fé que se vê nos templos lotados de gente que paga pela crença pagã de que fé seja um poder sem mistério, sem silencio…, mas, ao contrário, sempre com respostas desejadas, sempre com explicações e com resultados aferíveis como bens de consumo e como garantias especiais contra os fatos absurdos da existência.
 
Neste aspecto, a Religião Islâmica não fanatizada oferece princípios mais cristãos aos seus crentes do que o atual Cristianismo misticamente materialista e historicamente saduceu que se instalou entre nós.
 
Isto porque um lado inteiro do Cristianismo está governado pelo misticismo materialista, que é aquele que crê em poderes espirituais, mas apenas para as guerras do aqui e do agora. De outro lado, entre as confissões históricas, o que prevalece é a fé como ética, culto, rito, comportamento, conduta, ao modo saduceu de ser… — porém, sem o casamento como os poderes do mundo vindouro, sem o gozo da eternidade, sem o poder do Espírito, sem o Cristo vivo, sem a consolação sublime, sem a experiência da real presença de Deus na vida.
 
Este é o espírito presente nas crenças práticas da maioria dos cristãos. E, por tais crenças, saiba-se: o Evangelho como poder de Deus ficará dia a dia mais morto nos corações humanos e nas casas de culto sem Deus.
 
Somente tal constatação, seguida de uma determinação radical de abandonarmos todos os nossos pressupostos, e que nos levasse de volta a leitura com fé simples nos evangelhos e no que Jesus e os apóstolos chamaram de fé, é o que poderia ainda nos salvar do paganismo cristão que levou a quase todos de roldão.
 
Para mim este é um dos sinais mais gritantes dos fins dos tempos, especialmente numa época em que nãos nos faltam Bíblias e nem acesso a informação da Palavra; posto que tal calamidade não decorra de ignorância apenas, mas, sobretudo, da escolha.
 
Digo a mesma coisa mais uma vez, sempre com a mesma oração de que alguém ainda entenda, veja, discirna, escute e se converta!
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* Caio Fábio – extraído do site oficial do autor
 
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Na sociedade em que vivemos nos dias de hoje, tempo assumiu o significado de benefícios. Depende de como o utilizamos. Portanto, nossas consciências emergem de uma cultura que sente aversão por filas. Daí temos a Internet através da qual podemos fazer movimentações financeiras sem desperdiçarmos momentos preciosos nas agências bancárias. Quando o assunto é comida, temos o Drive-Thru que nos possibilita, de dento de nossos próprios carros, comprarmos o lanche que desejamos.
Porém, para a infelicidade de alguns, não são todos os negócios em que se pode driblar as terríveis filas de espera. Não obstante, a tecnologia tem buscado amenizar os nossos momentos de angustiante espera. E uma das providências que se é utilizada para tanto, é aquilo que conhecemos como “código de barras”. Trata-se de um sistema eletrônico em forma de barras verticais que através de um “scaner” presente nos caixas é feita a leitura do produto e o seu preço. O código de barras do sorvete pode estar na ração de cachorros. E assim a ração de cachorros será sorvete, pelo menos para o scaner. Para ele o produto verdadeiro é o que menos interessa no momento.
Para a nossa surpresa, uma grande maioria de cristãos, têm vivido aquilo que podemos chamar de uma “fé de código de barras”. Neste tipo de fé, no entendimento de alguns, o próprio Deus passa com seu “scaner” sobre algo semelhante a um código de barras na vida do cristão , sem estar muito interessado no produto real. Este “código de barras” na vida do cristão, pode ser várias coisas: ser membro de uma igreja evangélica; dar o seu dízimo mensalmente; vir a igreja todos os domingos; cortar os cabelos a certa altura; usar determinados tipos de roupas etc. Porém, o produto real, ou seja, a vida que o cristão leva no seu dia-a-dia, o seu testemunho diante da sociedade, não é muito, ou quem sabe, nunca levado em consideração. Estes cristãos enganam-se ao imaginarem que estes “códigos de barras” são suficientes para que Deus se impressione, mesmo que isso signifique que no seu jeito de viver, aqueles que se dizem “nascidos de novo” não apresentem nenhuma diferença substancial em relação a vida que as outras pessoas, que não conhecem a Cristo, manifestam. Infelizmente, para muitos, ser verdadeiramente cristão, não tem nada a ver com o tipo de pessoa que você é. As conseqüências deste pensamento leviano e espúrio, têm sido desastrosas para a vida espiritual da igreja. Cientes deste fato, é que começamos a encontrar base para a resposta da pergunta que não quer calar: “Por que a igreja dos dias de hoje está tão fraca? Por que apesar de alardearmos um grande crescimento numérico, o impacto na sociedade tem sido tão pequeno? “
Querido(a) leitor(a), vida com Deus não é trilhada na base de um “código de barras”, mas sim por intermédio de um relacionamento de intimidade e interação com o Senhor Jesus. E, como poderia aquele que nos prepara para vivermos no céu, não nos preparar para vivermos aqui e agora na Sua bendita presença na Terra? Sim, amado(a) Deus está muito interessado no produto real, ou seja, no tipo de pessoa que você está se tornando, na forma como você tem vivido diante dele e dos homens.
A fé de “código de barras”, só serve para marcar um único tipo de produto: “RELIGIOSO”, cujo preço é infame ser mencionado aqui, e que não tem lugar no reino de Cristo e de Deus.
Devemos, o quanto antes, nos lembrar das palavras poderosas e cortantes de João Batista, a um certo grupo de sua época, adepto da “fé de código de barras”: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que até destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.”(Lc 3:8). A questão não são os nossos aparatos religiosos (ser filho de Abraão), mas sim o tipo de vida que devemos viver (frutos dignos de arrependimento).
Desta forma, viveremos uma fé íntegra e verdadeira, não apoiada nas muletas religiosas de um “código de barras” qualquer. Mas uma fé que exprime a beleza do produto final que atesta, sem qualquer equívoco, através do viver, que somos filhos de um grandioso Deus.

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“Conta as bênçãos/ conta quantas são/ recebidas da divina mão/ uma a uma, dize-as de uma vez/ hás de ver, surpreso, quanto Deus já fez.”
Com certeza esta letra não te é estranha. Trata-se do estribilho de um dos hinos que nós mais amamos. Ele é um convite para que não percamos de vista aquilo que Deus já fez por nós. Ah, e como isso acontece com freqüência…! Não é verdade? Somos rápidos em deixar escapar de nossa memória as benfeitorias divinas.
Porém, muito disso se dá pelo simples fato de não paramos com freqüência para refletirmos e nos lembrarmos do que Deus já fez a nosso favor. A sentença é simples: ficaremos surpresos se contarmos as bênçãos; e só contaremos as bênçãos a partir do momento em que pararmos e separarmos tempo para refletir, meditar e recordar a benignidade do Senhor. É exatamente o que Ele nos convida a fazer: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus.”(Sl 46:10). Se não aprendermos a silenciar nossa alma, nada feito! O grande problema é que, como somos filhos desta cultura ocidental materialista, consumista e compulsivamente agitada, somos ensinados mais a trabalhar em prol da bênção, do que em separarmos tempo para, a sós, meditarmos naquilo que Deus já fez. Assim, quando somos assaltados pelas tribulações e aflições do cotidiano, acabamos por não ter uma base sólida sobre a qual nos firmarmos. Os grandes homens da fé que desenvolveram lindas espiritualidades têm, no seu mapa biográfico, estes momentos de tranqüilidade onde, sozinhos, só eles e Deus, traziam das profundezas da memória o rastro da graça e da misericórdia divinas. Era isso que lhes dava forças para enfrentarem problemas que, em alguns momentos, eram até maiores e mais fortes do que eles.
Temos um grande exemplo disso na história de Davi e Golias. Golias, este um homem gigantesco de quase três metros de altura, já a quarenta dias desafiava e humilhava o exército de Israel. Duas vezes por dia ele se colocava a disposição para lutar contra qualquer um que fosse. A Bíblia nos conta que ninguém do povo tinha coragem para enfrentar aquele gigante, inclusive o rei Saul. Porém, um grande contraste se estabelece quando Davi chega naquele arraial e não se conforma que um homem incircunciso como aquele ficasse afrontando os exércitos do Deus vivo. E como já sabemos, bastou uma pedra, alguns giros numa funda, e, pronto, tínhamos um gigante estatelado no chão. Agora, reflitamos, como tudo isso aconteceu? De onde Davi tirou tanta coragem? O segredo estava exatamente no que dominava a imaginação (pensamentos) de Davi. Enquanto que a altura, a força e o tom de voz de Golias amedrontava e acovardava o restante do povo, o mesmo não era verdade em relação aquele menino de boa aparência. Davi recorda, traz a memória que Deus já havia lhe dado livramentos de perigos maiores do que ele. Aquele menino pastor já havia enfrentado o urso e o leão, e por causa disso, ele confiava que o mesmo Deus lhe daria vitória sobre o gigantesco filisteu. A imaginação de Davi era dominada pelas demonstrações da graça de Deus, enquanto que a imaginação do povo, pelo medo de Golias. A imaginação de Davi era uma imaginação em oração porque meditava nas obras das mãos de Deus. Por isso, ele podia cantar-orar: “Lembro-me dos dias antigos; considero todos os teus feitos; medito na obra das tuas mãos”(Sl 143:5). E para que isso aconteça é necessário parar e separar tempo para a prática desta disciplina espiritual.
Acredito que o mesmo pode ser uma realidade prática nas nossa vidas espirituais. Podemos ter, como Davi, uma mente dominada pelos feitos benignos do Senhor. Porém, precisamos parar para “contá-los” (refletir, recordar, meditar). E quando virmos o que Deus já nos fez, teremos a certeza de que aquele que permanece fiel, continuará fazendo. “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.”(Lm 3:21). Isso é o que temos que fazer!

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Em sua humanidade, Jesus experimentou a contemplação de seu Pai, e nos convida, pelo dom do Espírito, a entrar nessa experiência. Ela está disponível a nós na medida de nossa fé e amor, que são os meios mais próximos, nesta vida, de “ver” Deus, de tocá-lo e ser tocado por ele – isto é, de experimentá-lo.

Na vida de Jesus, essa oração e essa ação seguem-se uma à outra num ritmo que parece tão constante quanto o inalar e exalar da respiração. Em todos os Evangelhos, há inúmeras referências a seu costume de ir “para as colinas orar”, de “passar a noite em oração”, de “levantar-se antes do amanhecer para ir a um local solitário e orar”. Não podemos separar essa oração de suas obras, nem deixar de ver que ela é a fonte de seus ensinamentos, de seu Evangelho e de sua missão.

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Por Thelma Hall no livro “Lectio Divina – o que é, como se faz”.

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