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Posts Tagged ‘Francisco de Assis’

tau_franEspiritualidade que contempla a Deus e despreza o próximo é falsa e impostora. Uma espiritualidade contemplativa que não desemboca numa espiritualidade ativa é no mínimo manca e estranha às páginas bíblicas e a história da igreja.

Quando o apóstolo João declarou na sua 1ª carta que não se pode amar a Deus a quem não vemos e ao mesmo tempo odiar o ser humano a quem vemos, não foi um mero eufemismo. Ali estava descrito um dos pilares do pensamento místico contemplativo, o qual é essencialmente um movimento de amor. 

Se contemplamos a Deus, experimentamos a Deus, estamos em união com Deus em Cristo, e nele fomos feitos filhos de Deus, o qual é amor, não nos resta caminho a trilhar a não ser o que o próprio Senhor trilhou e descreveu como sendo o “Grande Mandamento”: amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos. 

Parece-nos que um  depende do outro. Que ter um em detrimento do outro é sofrer de paupérrima vida espiritual. Amar a Deus e amar o homem, feito à imagem de Deus, constitui-se nos dois lados de uma mesma moeda chamada de espiritualidade cristã.  Da mesma forma que uma moeda cujo valor encontra-se na presença de suas duas faces, a espiritualidade genuinamente cristã encontra sua legitimidade e riqueza no amor a Deus que faz surgir, nutre e nos impulsiona o amor na direção de nosso semelhante.

Jesus disse que quando alimentamos o faminto, damos água ao sedento,roupas para o nu, hospitalidade para o estrangeiro e atenção e presença para os enfermos e encarcerados, num primeiro momento, é para ele que estamos fazendo todas essas coisas. Eis o grande mistério: quando encontramos a face sofrida de nosso próximo, contemplamos de forma mística a face do Cristo sofredor que geme em dores através das chagas da injustiça, do descaso, do egoísmo aos quais homens e mulheres pela vida á fora estão sujeitos.

Acolhê-los é acolher o Cristo. Beijar sua face é beijar a face do próprio Senhor. 

Depois do Senhor e seus apóstolos, talvez Francisco de Assis seja o grande modelo de uma espiritualidade genuinamente evangélica.trabalho Evangélica não no sentido da confissão cristã da qual fazia parte, mas, que foi extraída diretamente da leitura e meditação que o pobrezinho de Assis periodicamente realizava nas páginas do Novo Testamento, especificamente nos 4 evangelhos. Ali ele percebeu que a verdadeira imitação de nosso Senhor consistia na busca apaixonada da face de Deus e no acolher, socorrer e ministrar ao próximo.

Francisco iniciava o dia com seus seguidores com momentos de silêncio, solitude e contemplação, para logo depois saírem pelas aldeias conclamando as pessoas a se arrependerem de seus pecados e crerem no evangelho. Após isso eles se dirigiam ao leprosário da cidade para ali pregarem o evangelho de uma outra forma: cuidando das feridas pulorentas e repugnantes dos enfermos. Em outras palavras: simplesmente amando aquelas pessoas que eram desprezadas e abandonadas por toda a sociedade da época. Contam os biógrafos do pobre de Assis que o amor que Deus concedeu em seu coração por aqueles enfermos foi tamanho que ele chegava ao ponto de beijar a face danificada pela  enfermidade daquelas pessoas. Deveras, como nos afirmam as escrituras “o verdadeiro amor lança fora todo o medo”. 

Em meio a uma época em que alguns seguimentos da igreja têm se caracterizado pela espiritualidade manca testificada por sua atitude beligerante de ataques cheios de ódio, difamações, calúnias e coisas desse gênero, faz-nos de extrema urgência retornarmos a fonte límpida e revigorante de uma espiritualidade bíblica que tem no amor abnegado, sacrificial, incondicional e sem explicação pelo próximo uma expressão eloquente e apaixonada do amor que dizemos nutrir por Deus e de Sua maravilhosa graça disponível a todos.

Está na hora da “moeda” recuperar o seu valor pela presença de suas duas faces: contemplação e ação; amor a Deus e amor ao próximo; Maria quedada aos pés do Senhor e Marta que serve, em amor, ao Senhor. 

Pois, por maiores e mais mirabolantes que sejam nossas peripécias espirituais, se nos faltar o amor tudo não passará de barulho que incomoda, discurso vazio que nada mais é do que pura verborragia, e de sal que já não dá mais sabor, servindo apenas para ser pisado e desprezado pelos homens.

Paz e bem!

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Muita das vezes o envólucro da desinformação e do preconceito nos impede de olhar para personagens do passado e enxergar o mover de Deus na vida dos mesmos. Pois bem, no que depender de mim quero quebrar esta casca e receber o legado espiritual que homens e mulheres de Deus têm para me passar. Um deles é Francisco de Assis. Esta breve história sobre a vida deste homem simples e profundamente apaixonado por Cristo extraí do livro “Rios de Água Viva” de Richard Foster – Ed. Vida. pgs. 151-152. Espero que edifique a todos.

Paz e Bem!

“Bem, em primeiro lugar, por causa do admirável poder do Espírito que permeava tudo o que Francisco fazia e dizia. Talvez uma única história já seja suficiente. Clara, que a essa altura já havia fundado a “Segunda Ordem” dos franciscanos, as “Clarissas pobres”, pedia constantemente a oportunidade de ter uma refeição com Francisco, mas ele nunca atendia a seu pedido. Finalmente, alguns irmãos insistiram com ele para que concordasse e disseram: ‘Pai, parece-nos que essa severidade não está de acordo com a caridade divina […] principalmente se considerarmos que ela abriu mão das riquezas e da pompa deste mundo por causa da sua pregação’. Francisco acabou se convencendo, e marcou-se um encontro na igrejinha de Santa Maria dos Anjos. Francisco tinha uma refeição preparada e servida no chão, como era seu costume.

Encontrando-se na hora marcada, ‘São Francisco e Santa Clara sentaram-se juntos, ele, com um de seus acompanhantes, e ela, com uma acompanhante dela, e todos os demais acompanhantes reunidos ao redor da humilde mesa’. Quando comiam, Francisco ‘começou a falar sobre Deus de forma tão doce, santa, profunda, divina e maravilhosa que ele próprio, junto com Santa Clara , sua companheira, e todos os outros acompanhantes deles naquela pobre mesa foram arrebatados em Deus’.

Enquanto isso, o povo de Assis se horrorizava ao ver a distância a igreja de Santa Maria dos Anjos e toda a floresta que a cercava envolvida em chamas. As pessoas subiram correndo a colina, na esperança de apagar as chamas antes que tudo se perdesse.

Quando, porém, chegaram à pequena igreja, não acharam nada errado. Nem a igreja nem a floresta estavam em chamas. Nada. Ao entrar na igreja, descobriram Francisco, Clara e os demais ‘sentados ao redor daquela mesa muito humilde, arrebatados em Deus pela contemplação e investidos de poder do alto’.

Então compreenderam que o fogo que viram não era um fogo material, mas espiritual. As chamas que viram eram ‘para simbolizar o fogo do amor divino que queimava na alma’ daqueles servos simples de Cristo.

O resultado desse acontecimento extraordinário foi que o povo de Assis voltou para casa ‘com grande consolação na alma e com santa edificação”.

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