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Posts Tagged ‘Pais do deserto’

Os monges do deserto, cristãos que buscaram na solidão do ermo uma experiência autêntica com Deus, falavam da importância da espiritualidade “de baixo”. Desejosos de fugirem da vida religiosa meramente de aparências e palavras bonitas, eles insistiam em que o caminho para Deus começava por baixo, pelo reconhecimento de nossas paixões e pela percepção das regiões sombrias de nossa alma.
Eles rechaçavam os “altos ideais”, as conversações sobre assuntos meramente de cima, questões celestiais e por demais abstratas que só servem para levar o homem para longe de si mesmo e sua própria realidade, devastada e aprisionada pelas paixões.
Esses mestres espirituais, dos quais o ensino não brotava da teoria, mas do andar com Deus diário, prático, que encara as situações do cotidiano não como um empecilho para a vida com Deus, mas como o único caminho para nos levar a uma relação autêntica com o Pai, diziam que antes de querermos “enfeitar o telhado de nossa casa”, deveríamos descer ao “sótão”, àquele lugar úmido em nossa alma, pouco visitado ou mesmo quase nunca, de tão assustador e desprezível.
Espiritualidade de baixo tem a ver com enxergar-se, olhar-se sem a maquiagem da piedade fingida que se mostra aos outros como “bom”. Tem a ver com o desnudar-se diante de Deus e do próximo, não desejando nunca que pensem de nós além daquilo que somos.
Por vezes, nossa intolerância com os pecados alheios, nosso desejo e tendência constante para o criticismo, caracterizado por achar defeitos nos outros e na igreja o tempo todo, trata-se do não reconhecimento dos próprios pecados, reprimidos e não tratados na presença de Deus.
Acostumados ao silêncio e à solidão, a viver na quietude onde as ilusões se desfazem e assim o auto-engano não encontra mais lugar, os eremitas do deserto se tornaram os psicólogos da antiguidade. Treinados em ouvir os sussurros da própria alma, eles não se deixavam impressionar pela espiritualidade desmedida (“de cima”), que insiste em discutir e querer ter a razão nas questões “estratosféricas” da teologia cristã, mas insistiam em prescrever a humildade como caminho para Deus. “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, e Ele, a Seu tempo vos exaltará” (I Pe.5:6), era o lema de vida destes homens.
A verdadeira humildade que conduz a Deus e não aos ídolos do próprio coração, precisa passar pelo reconhecimento de quem sou, minhas mazelas, imaturidades, paixões e idiossincrasias. Neste sentido, o reconhecimento honesto de quem sou contribuirá para tornar-me aquilo que nasci para ser. Paulo, possuía um espinho na carne que era o próprio diabo a esbofetear-lhe o rosto. Mas o poder de Deus, manifestava-se em sua fraqueza.
O caminhar cristão saudável está baseado no auto-conhecimento desprovido de ilusões onde reconheço quem sou, e da noite escura de minha alma parto em direção da luz do evangelho da glória de Cristo, buscando no auxílio de irmãos e da Palavra, nunca isolado, a cura de minhas feridas, a fim de um dia poder tornar-me aquele que aos outros consola, mas com as mesmas consolações que tenho sido consolado.

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* Filipe Barbosa Macedo – Extraído do blog  O Pastor e o Monge 

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BREVE HISTÓRIA

Macário do Egito (ca. 300 – 391 d.C.) foi um monge cristão egípcio e um eremita. Ele também é conhecido como Macário, o Velho, Macário, o Grande e Luz do Deserto.

Macário nasceu no Alto Egito. Uma antiga tradição afirma que o seu nascimento ocorreu no vilarejo de Shabsheer (Shanshour), em Al Minufiyah, por volta de 300 d.C. Algum tempo antes de iniciar sua vida ascética, Macário ganhava a vida contrabandeando natrão nas redondezas de Nítria, uma vocação que o ensinou como sobreviver e como viajar através da vastidão desolada da região[1].

Ainda jovem, Macário foi forçado a se casar contra a sua vontade. Assim, ele fingiu estar doente e pediu aos seus pais a permissão para ir até as regiões selvagens para relaxar. Quando retornou, ele descobriu que sua esposa tinha morrido e, logo em seguida, seus pais também partiram. Macário então distribuiu todo seu dinheiro entre os pobres e necessitados. Admirando suas virtudes, o povo da vila acabou levando-o até o bispo de Ashmoun, que o ordenou ordenou padre.

Um tempo depois, uma mulher grávida o acusou de tê-la atacado. Macário não tentou se defender e aceitou a acusação em silêncio. Porém, quando o parto se aproximou, o trabalho de parto ficou muito difícil. Ela não conseguiu dar à luz até que confessou que Macário era inocente. Uma multidão então clamou por sua inocência, mas ele preferiu fugir para o deserto da Nítria (Wadi El Natrun) para escapar todas as glórias do mundo[2].

Por um breve período, Macário foi banido para uma ilha no Nilo pelo imperador Valente, juntamente com São Macário de Alexandria, por conta de uma disputa sobre o credo de Niceia. Ao retornar, em 13 Paremhat (=4 de abril), eles foram recebidos por uma multidão de monges do deserto da Nítria, alegadamente cinquenta mil, entre os quais São Pichoi e São João Anão.

Macário do Egito fundou um mosteiro que ainda hoje tem o seu nome, o Mosteiro de São Macário, o Grande, que vem continuamente sendo habitado por monges desde a sua fundação, no século IV d.C. Hoje, ele pertence à Igreja Ortodoxa Copta. Todo o deserto da Nítria é, às vezes, chamado de “Deserto de Macário”, pois ele foi o monge pioneiro na região. As ruínas de diversos mosteiros na região quase confirma a tradição local de que os claustros de Macário eram iguais, em número, aos dias do ano.

Macário morreu no ano de 391 d.C. Após sua morte, os nativos da vila de Shabsheer roubaram seu corpo e construíram uma grande igreja para ele na vila. Durante o papado do Papa Miguel V de Alexandria, as relíquias de Macário foram trazidas de volta ao deserto da Nítria no dia 19 Mesori. HOje em dia, o corpo de Macário encontra-se em seu mosteiro, o Mosteiro de São Macário, o Grande, em Scetes, no Egito.

PALAVRAS DE MACÁRIO

  • Antes de mais nada devemos pedir a Deus, com o esforço do coração e com fé, que nos conceda encontrar a sua riqueza, o verdadeiro tesouro de Cristo nos nossos corações, com a potência e a energia do Espírito. E, tendo encontrado vantagem para nós mesmos, tendo encontrado a salvação e a vida eterna, isto é, o Senhor, poderemos também ser úteis aos outros, naquilo que é possível e naquilo que se refere a nós, oferecendo toda boa palavra espiritual extraída do tesouro interior do Cristo e narrando os mistérios celestes.
  • À bondade do Pai agrada vir morar em todo homem que crê e o invoca. “Quem me ama, está dito, será amado pelo meu Pai e também eu o amarei e me manifestarei a ele. … Se alguém me ama guardará a minha palavra e o meu Pai o amará e nós viremos a ele e nele faremos morada” (Jo 14, 21.23).


  • Assim quis a infinita bondade do Pai, assim agradou ao amor de Cristo, que está acima de todo nosso pensamento, assim prometeu a inefável bondade do Espírito.

Se alguém está privado da veste divina e celeste, isto é, da potência do Espírito, como está escrito: “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não lhe pertence” (Rm 8,9), chore e invoque o Senhor para receber do céu a veste espiritual e recobrir a alma despojada da energia divina, pois quem não endossa a veste do Espírito está envolvido pela grande vergonha da baixeza das paixões.

O primeiro homem, ao ver-se nu, sentiu vergonha, tamanha é a desonra ligada à nudez. Portanto, se a nudez do corpo provoca tamanha vergonha, muito mais a alma que está desnuda da potência divina e que não está revestida da veste inefável, incorruptível e espiritual, que na verdade é o próprio Senhor Jesus Cristo, está envolvida de vergonha ainda maior e pela desonra das paixões.

Portanto, peçamos a Deus e supliquemos que nos revista do manto da salvação, o Senhor nosso Jesus Cristo, a luz inefável. As almas que são revestidas dele não serão desnudadas para a eternidade.

Se o Senhor, vindo à terra assumiu o cuidado dos corpos corruptíveis, muito mais terá cuidado da alma imortal, feita à sua imagem.

Creiamos, portanto, e acheguemo-nos dele em verdade, para que logo se realize a cura em nós. Ele prometeu dar o Espírito Santo àqueles que lho pedirem (cf. Lc 11,13), de abrir àqueles que baterem, de deixar-se encontrar por aqueles que o procurarem (cf. Mt 7,7) e não mentir naquilo que prometeu.

A ele a glória e o poder pelos séculos. Amém.

Glória à inefável misericórdia da Santa Trindade.

Aqueles que foram feitos dignos de se tornarem filhos de Deus e de renascer do alto, do Espírito Santo, e que trazem em si mesmos o Cristo que os ilumina e lhes doa repouso, são guiados pelo Espírito em múltiplos e diversos modos e, invisivelmente no seu coração, no repouso do espírito, são movidos pela graça.

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Extraído do site Ecclesia

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BREVE HISTÓRIA

Nasceu aproximadamente no ano de 360 possivelmente no Império Romano do Oriente, na Cítia Menor (atualmente Romênia). Ainda jovem ingressou no mosteiro de Belém, na Palestina. Depois ele viajou pelo Egito, visitando vários mosteiros. Num deles, em Constantinopla, foi consagrado diácono por João Crisóstomo, o patriarca de Constantinopla, de quem se tornou amigo. Quando Crisóstomo foi exilado, no ano de 404, João Cassiano foi enviado a Roma para pleitear sua causa diante do papa Inocêncio I.

Posteriormente, Cassiano fundou seu próprio mosteiro, no ano de 410, no estilo egípcio perto de Marselha, na França. Conhecido como Abadia de São Vítor, que foi um dos primeiros mosteiros masculinos, e o de São Salvador, feminino, ambos servindo de modelo para o desenvolvimento do período monástico ocidental. Ele é considerado o fundador do monasticismo ocidental.

No mosteiro de Marselha estudaram vários teólogos relativamente brilhantes, dentre eles se destacam Vicente de Lérins e Fausto de Riez e o local se transformou no principal foco de oposição à teoria monergística, defendida por Agostinho. Os três juntos formaram a base de oposição, especialmente contra a crença na predestinação divina sustentada por Agostinho e seus seguidores.

João Cassiano morreu no ano de 435, seus restos mortais estão na Abadia do Mosteiro de São Vítor em Marselha, na França.

PENSAMENTOS DE JOÃO CASSIANO

  • Com nossos haveres, fruto de nosso suor e de nosso trabalho, devemos ajudar aos necessitados.
  • Cada dia e a todas as horas nos é absolutamente necessário o auxílio da graça.
  • Quem se abandona à inveja demonstra sua pequenez.
  • Nada mais familiar e mais íntimo para mim que meu próprio coração. Porém não há nenhum inimigo maior que ele.
  • É preciso persuadir-se de que às vezes é mais forte quem sabe submeter sua vontade a de seu irmão que o que defende a superioridade de seu próprio parecer.

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Extraído do site Ecclesia

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BREVE HISTÓRIA

Bento era filho de um nobre romano de Núrsia, e a tradição aceita ser ele irmão gêmeo de sua irmã Escolástica. As narrativas de São Gregório nos torna impossível imaginar que ele começou antes dos dezenove ou vinte anos.Ele era velho o suficiente para ser, no meio de seus estudos literários, para compreender do verdadeiro significado e valor da conduta libertina licenciosa e de vida de sua palavra * * desaparecidas, e que tenham sido profundamente afetada por si próprio o amor de uma mulher (ibid. II, 2). Ele foi capaz de pesar todas estas coisas, em comparação com a vida ensinada nos Evangelhos, e optou por esta última.  Ele estava no início de sua vida, e tinha à sua disposição os meios necessários para ter uma carreira como um nobre romano; claramente que ele não era uma criança. Se aceitarmos a data de seu nascimento 480, podemos fixar a data do seu abandono de seus estudos e a saida de casa por volta de ano 500 da nossa era.
Bento não parece ter deixado Roma com o objetivo de se tornar um eremita, mas apenas para encontrar algum lugar longe da vida da cidade grande; além disso, ele tinha seu velho enfermeiro que era como um servo e eles se instalaram e passaram a viver em Enfide, perto de uma igreja dedicada a São Pedro, em um tipo de associação na compania de homens virtuosos que estavam em solidariedade com seus sentimentos e seus pontos de vista.  Enfide, que a tradição de Subiaco identifica com a moderna Affile, está nas montanhas Simbrucini, cerca de quarenta quilômetros de Roma e dois de Subíaco.
A curta distância de Enfide é a entrada para um estreito, sombrio vale, penetrando as montanhas e conduzindo diretamente à Subiaco. Atravessando o Anio e virando à direita, os passos se elevam ao longo da face esquerda da ravina (escavação ou barranco aberto por enxurrada) , e logo chega no local da chácara de Nero e da enorme toupeira que forma a extremidade inferior do meio do lago; em todo o vale existem ruínas de banhos romanos, dos quais alguns grandes arcos e apartadas massas de parede ainda se encontram em pé.  A subida da toupeira após vinte cinco arcos baixos, as bases do que ainda pode até mesmo ser rastreados, ficava uma ponte que ligava a chácara para os banhos, ao abrigo do qual as águas do lago derramavam em meio a uma grande queda lago abaixo. As ruínas desses vastos edifícios e do amplo lençol de queda d’água fechada até à entrada do vale de São Bento do jeito como ele percebia quando vinha de Enfide; nos dias de hoje o estreito vale se deslumbra diante de nós, fechada apenas pelas montanhas distantes. O caminho continua a subir, e ao lado da ravina, no qual se pode correr, torna-se acentuada, até que alcancemos uma caverna acima da qual a montanha agora se eleva quase perpendicularmente, enquanto no lado direito, ela alcança uma rápida descida para baixa para onde, na época de São Bento, cinco cem metros abaixo, se lançava as águas azuis do lago.  A gruta tem uma grande abertura de formato triangular e apresenta  cerca de dez metros de profundidade. No seu caminho para Enfide, Bento encontrou um monge, Romanus, cujo mosteiro ficava acima  do precipício da montanha que prendia a caverna. Romanus contara a Bento os motivos que o levaram a Subiaco, e que lhe fez vestir o hábito de monge. Por seu conselho Bento se tornou um eremita e por três anos, desconhecido para os homens, viveu nesta caverna que ficava acima do lago. São. Gregório nos conta pouco sobre esses anos. Ele agora fala de Bento já não como um jovem (fedorento), mas como um homem (viril) de Deus.  Romanus, nos diz por duas vezes, que servia o santo de todas as maneiras que podia. O monge aparentemente o visitava freqüentemente, e em dias pré estabelecidos lhe trazia comida.
Durante estes três anos de solidão, quebrado apenas por ocasionais comunicações com o mundo exterior e com as visitas de Romanus, ele amadureceu tanto na mente como no caráter, em termos de conhecimento de si próprio e de seus companheiros, e, ao mesmo tempo ele se tornou não simplesmente um conhecido, mas angariou o respeito de muitos sobre si, tanto que com a morte do abade de um mosteiro, no bairro (identificado por alguns com vicovaro), a comunidade chegou-se a ele e lhe implorou para se tornar o seu abade . Bento estava familiarizada com a vida e a disciplina do mosteiro, e sabia que suas maneiras eram diferentes das da dele, por conseguinte, a partir da sua diversidade, jamais haviam concordado entre si: ainda, em comprimento, superar a sua súplica, ele deu o seu consentimento (ibid., 3) . O experimento fracassou; os monges tentaram envenenar ele, e ele retornou para a sua caverna. A partir deste momento seus milagres parecem ter se tornado freqüentes, e muitas pessoas, atraídas por sua santidade e caráter, vieram até Subíaco para receber sua orientação. Para eles ele construiu no vale doze mosteiros, em cada um ele colocou um superior com doze monges. Em um terceiro ele viveu com poucos, como ele pensava que seria mais lucrativo de serem melhor instruídos pela sua própria presença (ibid., 3). Ele manteve, no entanto, o pai ou abade de todos. Com a criação destes mosteiros começaram as escolas para as crianças, e entre os primeiros a serem levados foram Maurus e Placid.
São Bento passou o resto de sua vida realizando o ideal do monaquismo que ele havia retirado do seu Estado. Morreu em Monte Cassino, Itália, em 21 de Março.
A REGRA MONÁSTICA
Sua obra mais significativa foi sua regra monástica escrita por ele com o propósito de normatizar a vida espiritual nos mosteiros da ordem. Apesar de ter sido direcionada exclusivamente aos monges, é impossível não enxergar o chamado do evangelho para se viver uma vida cristã  autêntica presente nas suas orientações. Vale a pena conferir.
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BREVE HISTÓRIA

Atanásio nasceu em Alexandria, no Egito, em 296. No ano de 325, deu-se o I Concílio Ecumênico, em Niceia, para definir a doutrina autêntica contra a heresia tão capciosa dos arianos, a qual fazia de Jesus uma criatura inferior a Deus Pai. Atanásio participou do Concílio na qualidade de assessor do seu bispo, embora fosse somente diácono na época.

O Arianismo foi condenado e deu-se a definição solene do Credo, o qual nós rezamos até hoje. A atuação de Atanásio foi primorosa tanto pela lucidez de sua doutrina quanto pela argumentação bíblica apresentada. Os erros dos arianos foram por ele refutados com tanto brilho, clareza e evidência, que causou admiração a todos.

Atanásio foi o sucessor do bispo de Alexandria, embora tivesse apenas 31 anos, e dirigiu a Igreja de Alexandria por 46 anos, período de muito sofrimento e perseguição. Os arianos não lhe deram descanso e, com o apoio do imperador, espalharam muitas calúnias contra Atanásio, que por cinco vezes teve de fugir de sua sede episcopal.

Refugiava-se no deserto onde conheceu e conviveu com o grande Santo Antão. Durante cinco anos ficou lá escondido, saindo somente à noite para dirigir sua igreja e consolar seus fiéis. Atanásio foi firme e inquebrantável com seus numerosos escritos. Manteve viva a fé no Verbo Encarnado.

Faleceu reconhecido por toda a Igreja, com 77 anos. E como reconhecimento de seu trabalho, fidelidade e fundamentais obras escritas para a Santa Igreja foi declarado Doutor da Igreja.

APOTEGMAS

São sentenças dos monges, ditos que eram incluídos em pequenas narrativas. Eis alguns dos apotegmas relacionados a Atanásio de Alexandria:

  • Em resumo, as realizações do Salvador, resultantes de seu ato de tornar-se homem, são de tal tipo e número, que se alguém deseja enumerá-las, poderia ser comparado ao homem que olha fixamente para a expansão do mar e tenta contar todas as suas ondas.
  • Assim, o Verbo, querendo devidamente socorrer os homens, deveria residir na terra como homem, tomar corpo semelhante ao deles, e agir através das coisas terrenas, isto é, por obras corporais. Desta forma, os que não haviam querido reconhecê-lo por causa de sua providência e seu domínio universais, reconheceriam pelas obras corporais o Verbo de Deus encarnado, e por Ele, o Pai.
  • O Filho santíssimo do Pai celeste, sendo a imagem do Pai, veio até nossa região, visando renovar o homem criado segundo seu modelo, visando remir os pecados daquele que estava perdido, a fim de reencontrá-lo; conforme as palavras da Escritura: “eu vim para encontrar e salvar o que estava perdido”. Assim, dirá também ele aos judeus: “se alguém não renascer, não poderá ver o reino de Deus”, aludindo, não a um renascimento a partir da mulher, como pensaram os judeus, mas ao renascimento que é a recriação da alma segundo a imagem divina.
  • Um bom mestre se interessa pelos alunos, procura descer, com ensinamentos mais simples, aos que não entendem as lições mais difíceis. Assim também faz o Verbo de Deus, conforme Paulo: “já que o mundo, com sua sabedoria, não chegou a conhecer a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem”. Estando os homens desviados da contemplação divina e mergulhados em profundo abismo, com os olhos voltados para baixo, a procurarem Deus na criatura e nas coisas sensíveis, fabricando para si mesmos deuses, de homens mortais e de demônios, eis que o Verbo divino, “filantropo” e salvador, assume um corpo e vem viver como homem entre os homens, atrai a si a percepção dos sentidos – para que pudessem conhecer a verdade e chegar ao Pai os mesmos que situavam a Deus entre os seres corpóreos. Sendo homens e tudo pensando humanamente, eis que eles agora, onde quer que se deixassem levar pela percepção sensorial, encontravam o ensinamento da verdade.

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Extraído do site Ecclesia

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BREVE HISTÓRIA

João Crisóstomo nasceu na cidade de Antioquia. Cresceu no meio da multidão sem deixar-se contaminar por ela. Conheceu os pobres e desafortunados e soube amá-los como eram. Sua família era culta e possuía muitos bens . O pai de João, oficial de alto nível, morrera jovem.

Desde criança foi educado pela mãe, mulher admirável que, aos vinte anos, sacrificou sua juventude, renunciou a novas núpcias, para dedicar-se inteiramente a seu filho. João recebeu o Batismo mais ou menos aos dezoito anos de idade.

Concluídos seus estudos de cultura geral, de retórica e de filosofia, de forma brilhante, renunciou a uma carreira que se apresentava promissora, para receber as ordens menores. Quis partir para o deserto, mas sua mãe, que por ele sacrificara tudo, não lho permitiu. Fugiu, então, da agitação de Antioquia e estabeleceu-se fora das portas da cidade, a fim de encontrar a paz, consagrando-se à ascese e ao estudo bíblico.

Antioquia era um centro teológico de grande reputação. João lá aprende de forma brilhante a exegese bíblica. Depois passou a viver nas montanhas entre monges uma vida austera a ponto de prejudicar sua saúde. Após algum tempo nas montanhas, achou-se preparado para enfrentar a ação missionária. O amor aos outros, mais do que sua saúde abalada, fê-lo voltar a Antioquia, onde o bispo Melécio o ordenou diácono, em 381.

Escreveu aos 34 anos o tratado sobre o Sacerdócio, que é conhecido e estudado até os nossos dias. Com 39 anos foi ordenado padre. Consagrou-se à pregação, substituindo o bispo, nas homilias pois esse era pouco dotado para falar.

Durante doze anos, pregou ao povo contra o paganismo e tinha esperança de transformá-lo em gente de fé cristã. É dele a frase: “Basta um só homem, para reformar todo um povo.”

Sua tarefa era séria. Precisava denunciar os abusos existentes no interior da Igreja e na sociedade; defender os pobres, clamar contra as injustiças sociais. Manteve ainda uma intensa atividade literária, respondendo a todos os que lhe pediam conselho.

A maioria de suas homilias era comentários a respeito do Antigo e o Novo Testamento : explicou o Gênesis, comentou Isaías e os Salmos. O que fazia com mais agrado era pregar sobre o Evangelho. Comentou longamente o de Mateus e o de João. São Paulo era seu autor preferido: sentia afinidade com o Apóstolo dos gentios. Cognominaram-no de o “novo Paulo”.

Resta-nos, de João Crisóstomo, uma série de catequeses batismais, que preparavam os catecúmenos para o batismo. As últimas foram reencontradas em 1955, no monte Atos. João Crisóstomo era um orador nato e igualmente um moralista que analisava os segredos do coração em profundidade e com rara psicologia. O povo de Antioquia sabia que João só repreendia para corrigir e para converter.

Em 402, São João Crisóstomo foi deposto e exilado acusado de não coadunar os interesses da Igreja com as do Império. O bispo foi detido em sua catedral, durante a celebração pascal. Depois de uma palavra de despedida, João deixou a sua igreja que jamais haveria de rever. O exílio foi penoso. João foi enviado para uma aldeia, Cucusa, na fronteira com a Armênia.

A saúde do bispo achava-se enfraquecida. O clima era duro e desfavorável para o seu estado. A maior parte de suas cartas data dessa época. Este homem atingido em cheio pela provação procurou mais consolar do que ser consolado.

No sofrimento, pensava nos outros. Finalmente morreu, no dia 14 de setembro de 407, festa da Exaltação da Santa Cruz. Suas últimas palavras foram: “Glória a Deus por tudo.”

APOTEGMAS

São sentenças dos monges, ditos que eram incluídos em pequenas narrativas. Eis alguns dos apotegmas relacionados a João Crisóstomo:

  • Quando o espiritual nos chama, não há ocupação alguma necessária.
  • O amor [de Deus] é grande. Se desejas emprestar-lhe, Ele está disposto a receber. Se queres semear, Ele te vende a semente; se queres construir, Ele te diz: edifica nos meus terrenos. Por que corres atrás das coisas dos homens, que são pobres mendigos e nada podem? Corre atrás de Deus, que, em troca de coisas pequenas, te dá outras grandes.
  • Não somos nós, mas a Providência divina que faz tudo, mesmo nas coisas que aparentemente somos nós que fazemos. 
  • Mesmo ofendido, Deus continua a ser nosso Pai; mesmo irritado, continua a amar-nos como a filhos. Só uma coisa procura: não ter de castigar-nos pelas nossas ofensas, ver que nos convertemos e lhe pedimos perdão. 
  • Quando digo a alguém: “Roga a Deus, pede-lhe, suplica-lhe”, responde-me: “Já pedi uma vez, duas, três, dez, vinte vezes, e nada recebi”. Não cesses, irmão, enquanto não tiveres recebido; a petição termina quando se recebe o que se pediu. Cessa quando tiveres alcançado; melhor ainda, nem então cesses. Persevera ainda. Enquanto não receberes, pede para conseguir; e quando tiveres recebido, dá graças.
  • Na verdade, entras no coro dos anjos, és companheiro dos arcanjos e cantas junto dos serafins […]. Não fazes oração aos homens, mas a Deus.
  • A paz foi para o Céu. E, se quisermos, podemos fazê-la voltar. Basta que expulsemos de nós a soberba e a arrogância […] e sejamos humildes.

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Extraído do site Ecclesia

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BREVE HISTÓRIA

Originário da Capadócia, discípulo de são Gregório Nazianzeno, passou os últimos dezesseis anos de sua vida no Egito, como anacoreta.

Herdeiro dos grandes Alexandrinos, Clemente e Orígenes, ele cunhou, sob a nova forma da centúria espiritual, os princípios de uma mística decididamente intelectualista. A ascensão espiritual consiste em reintegrar a alma na «contemplação primeira», em que ela verá Deus em si mesma, como num espelho. No caminho, o espírito – o noüs – terá de se despojar dos pensamentos apaixonados; depois, mesmo dos próprios pensamentos simples, até a completa nudez de imagens, de conceitos e de formas. A contemplação primeira será então realizada e, com ela, a oração perfeitamente pura, que é apenas outro nome daquela.

Evágrio conduz uma das grandes correntes da espiritualidade bizantina. João Clímaco, Máximo, o Confessor, Simeão, o Novo Teólogo, os Hesicastas, são seus herdeiros. Implicado na condenação do origenismo (em 553), acham desagradável citá-lo, mas ele penetra em toda parte: plagiam-no ou reproduzem-no, com o inconveniente de anatematizá-lo na passagem, como João Clímaco, por exemplo.

Sem falar da oração do coração, Evágrio destaca, com insistência, um certo número de traços encontrados de ponta a ponta da Tradição: guarda do coração, despojamento do espírito; simplificação da oração; ilusões, imagens, formas etc.

APOTEGMAS

São sentenças dos monges, ditos que eram incluídos em pequenas narrativas. Eis alguns dos apotegmas relacionados a Evágrio Pôntico

  • A purificação, da alma, através da plenitude das virtudes, torna a disposição da inteligência inabalável e apta a receber o estado procurado.
  • A oração é uma conversa da inteligência com Deus: que estado não é, pois, necessário, para essa tensão sem retorno, para ir a seu Senhor e conversar com ele, sem nenhum interme.
  • Moisés, quando quis aproximar-se da sarça ardente, foi impedido de fazê-lo, até que tirasse os sapatos. E tu, que pretendes ver Aquele que ultrapassa todo pensamento e todo sentimento, como não te libertas de todo pensamento apaixonado.
  • Primeiramente, ora para obter o dom das lágrimas; assim, poderás suavizar, pela compunção, a dureza inerente à tua alma e, confessando tua iniqüidade contra ti, ao Senhor, obter dele o perdão.
  • A oração é produto da doçura e da ausência de ira.
  • A oração é fruto da alegria e do reconhecimento.
  • Não ores para que tuas vontades se cumpram: elas não concordam necessariamente com a vontade de Deus. Ora, sim, segundo o ensinamento recebido, dizendo: «que vossa vontade se cumpra em mim.» Em tudo, pede-lhe que se faça a sua vontade, pois ele quer o bem e o benefício para tua alma; tu, porém, não é isso necessariamente que procuras.
  • Não poderias possuir a oração pura, estando perturbado com coisas materiais e agitado por inquietações contínuas, pois a oração é abandono dos pensamentos.
  • Pois, quando em tua oração tiveres conseguido ultrapassar qualquer outra alegria, é que finalmente, em toda verdade, terás encontrado a oração.

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Extraído do site Ecclesia

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