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Posts Tagged ‘presença’

Não estás; não se vê teu rosto.
Estás. Teus raios se projetam em mil direções.
És a Presença escondida.

Ó Presença sempre obscura e sempre clara!
Ó Mistério fascinante para o qual convergem todas as aspirações!
Ó Vinho embriagador que satisfazes todos os desejos!
Ó Infinito insondável que aquietas todas as quimeras!

És o Mais Além e o Mais Aquém de tudo.
Estás substancialmente presente em todo o meu ser.
Tu me comunicas a existência e a consistência.
Tu me penetras, me envolves e me amas.
Estás em torno de mim e dentro de mim.
Com tua Presença ativa alcanças até as mais remotas
e profundas zonas de minha intimidade.
És a Alma de minha alma, a Vida de minha vida, mais Eu que eu mesmo; a realidade total e totalizante dentro da qual estou submergido.
Com tua força vivificante penetras tudo quanto sou e tenho.

Toma-me todo inteiro! Ó Tudo de meu todo!
E faze de mim uma viva transparência de teu ser e de teu amor.

Ó Pai queridíssimo!

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Por Inácio Larrañaga

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Infelizmente quando muitos de nós pensam em vida contemplativa nos vêm à mente a imagem de monges encapuzados na clausura de um mosteiro, cantando cânticos gregorianos e separando tempo para a prática da meditação e do silêncio.

Contudo, o nosso grande desafio é o de vivermos vidas espirituais profundas onde, em meio ao agito que caracteriza a vida pósmoderna, possamos ter uma comunhão íntima com Deus.

O irmão Lourenço é um grande exemplo de como as coisas simples do dia-dia, ao invés de nos impedir no que tange a uma maior busca de Deus, podem nos surpreender como sendo veículos a nos abrir caminho rumo a presença divina. Cozinheiro de um mosteiro durante 25 anos, ali em meio aos seus afazeres, de uma forma simples e calma, aprendeu o segredo de ter o Senhor continuamente perante si.

Deixemos que o próprio irmão Lourenço nos relate os pormenores de sua experiência mística. Suas palavras são extratos retirados do Livro “Praticando a Presença de Deus” – Ed. Danprewan:

“Permita-me falar, de coração aberto, sobre o modo como vou até Deus. Todas as coisas dependem, de uma renúncia sincera de tudo aquilo que você sabe que não leva a Deus. É preciso acostumar-se a uma conversa contínua com Ele – uma conversa que seja livre e simples. Precisamos reconhecer que Deus está sempre intimamente ao nosso lado e entregar-lhe todos os nossos momentos. Nas coisas que são incertas, precisamos pedir seu auxílio para que conheçamos a sua vontade. E as coisas que claramente vemos que Ele requer de nós, devemos realizá-las. Ao ocuparmo-nos com isso, devemos simplesmente oferecer as coisas a Ele antes de realizá-las e agradecer-lhe quando as tivermos concluído.” (p.79)

“Em sua conversa com Deus, dedique-se também a louvá-lo, adorá-lo e amá-lo sem cessar, fazendo todas essas coisas em razão de sua infinita bondade e de sua perfeição” (p.80)

“O método mais excelente que encontrei para ir até Deus é aquele de fazer coisas comuns sem qualquer intento de agradar aos homens e, até onde sou capaz, fazê-las puramente por amor a Deus” (idem)

“É uma grande ilusão pensar que os momentos de oração devem ser diferentes dos outros momentos. Somos estritamente obrigados a dedicar-nos a Deus nos momentos de ação, assim como devemos dedicar-nos à oração durante o período de oração” (p.81)

“Minhas orações não passam de uma sensação da presença de Deus. Minha alma fica simplesmente insensível, naquele momento, a qualquer outra coisa que não seja o amor divino. Quando o tempo reservado para a oração chega ao fim, não vejo diferença porque ainda continuo com Deus, louvando-o e bendizendo-o com toda a minha força, para que eu possa levar a minha vida em constante alegria” (idem)

“Não devemos nos cansar de fazer pequenas coisas por amor a Deus, pois ele não considera a grandeza da obra, mas o amor com que ela é realizada” (idem)

“Os momentos no trabalho (…) não são diferentes para mim dos momentos de oração; e, em meio ao barulho e à algazarra de minha cozinha, enquanto várias pessoas pedem coisas diferentes ao mesmo tempo, tenho Deus com uma tranquilidade tão grande quanto se estivesse de joelhos diante do altar” (p.137)

Que, a exemplo do irmão Lourenço, possamos trilhar este mesmo caminho. Conquanto nos é simpls, comum e acessível.

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